Puro Breu, Natura

375x500.41707Aposto que muita gente tem saudade desse perfume. Claro, o bonito foi descontinuado.

Ganhei uma garrafona do Puro Breu no último sábado de uma amiga muito querida, olha que sorte!

Fui logo enchendo a mão do perfumado líquido e espalhando nos braços, afinal, ele é considerado uma água de banho, teoricamente, para passar aos montes. Grande erro.

Puro Breu é intenso e tem uma boa durabilidade na pele, devia ter passado menos…

Ele é quente! Tem especiarias aos montes, senti cravo, noz-moscada, pimenta-do-reino, canela! Esse mundão de especiarias logo se funde a notas amadeiradas cremosas, exóticas e adocicadas. Bom, na verdade já senti essa assinatura amadeirada em outros perfumes da Natura. E de repente senti uma nota resinosa que me fez pensar em mirra, e aí lembrei que o perfume se chama Puro Breu. Só pode ser o Breu!

Breu é uma resina extraída de uma arvore da família das burseráceas encontrada na região amazônica e do cerrado. Ah, já falei dele aqui!

Só depois de usar o Puro Breu algumas vezes que pensei: seria ele um perfume considerado masculino? Afinal, já senti outros masculinos com essa aura. Em alguns momento me fez lembrar do 1 Million… E fui pesquisar. Sim, ele é considerado masculino.

Mas que bobeira, dar gênero a um cheiro… Enfim, ele é bem exótico e quente, perfeito para dias mais frios e cinzentos!

Foi lançado em 2010. Suas notas olfativas são: cítricos, notas especiadas, notas amadeiradas.

 

Feliz Aniversário, aloucadosperfumes!

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E não é que esse mês o blog faz 5 anos?

Quero agradecer a todos vocês que acompanham-me nessa incrível jornada no universo dos perfumes, que dividem a paixão, as experiências. Cada visita, cada cometário e cada seguidor… considero todos meus amigos!

Estou até pensando em organizar um encontrinho para quem é aqui de SP, um barzinho que seja, quem topa?

Mais uma vez obrigada e continuem por aqui, acompanhando as viagens da loucadosperfumes!

Um brinde!

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Ungaro (2007), Emanuel Ungaro

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A casa de alta costura Ungaro atua desde 1965 e tem muitos perfumes em seu portfolio. É bem importante, mas no Brasil é relativamente desconhecida. Faz um bom tempo, houve uma parceria com a Avon em alguns perfumes. Lembra?

Não é uma marca encontrada facilmente em perfumarias virtuais ou mesmo perfumarias físicas menores, mas procurando bem, acha-se até anthrax e coleção completa de tazos (!) a venda nesse mundo véio sem porteira…

Pra começar a conversa, Ungaro 2007 foi criado pelo cultuado Francis Kurkdjian e seu belíssimo frasco em forma de U foi concebido pela designer Sylvie de France, experiente que só no ramo!

Ungaro é um perfume oriental floral intenso e que flerta com as bombas dos anos 80. Tem um pitada de Amarige, tem um quê de Poison – mas nada muito evidente – só faz recordar em alguns momentos.

Começa com notas frutadas macias e aveludadas, sinto frutinhas roxas, uvas, amoras e mirtilos bem maduros e suculentos!

Na ‘segunda etapa’ surgem flores brancas adocicadas e aveludadas, a face terna dessas meninas polêmicas! Elas têm até uma brevidade leitosa que faz o perfume se fundir deliciosamente na pele.

A parte aveludada e morna fica mais evidente e confortável graças a uma boa dose de âmbar e ainda tem um tom picante e exótico vindo de uma especiaria dispendiosa, o açafrão!

É um perfumão, frutal especiado de grande desempenho com toques de modernidade e ao mesmo tempo aura saudosista das bombas de décadas passadas! Se encontrar por aí, não deixe de experimentar!

Notas de saída: frutas vermelhas.

Notas de coração: jasmim, flores brancas.

Notas de fundo: âmbar, açafrão.

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Noir Pour Femme, Tom Ford

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Antes de tudo, obrigada Tati pela gentileza da amostra! Ela disse, ao me dar o frasquinho, que esse era um perfume ‘pra namorar’. E é mesmo viu? Morno, exótico, gustativo e sexy!

Noir é daqueles que você não consegue parar de cheirar, é ao mesmo tempo familiar (em alguns momentos me lembra o Trouble da Boucheron) e cheio de estranhezas. E é isso que o torna sexy, ao menos para mim. Falando de parceiros amorosos, se não for familiar para me deixar a vontade, e se não for estranho o suficiente para atiçar a curiosidade, nem chego perto…

Então agora estou oficialmente namorando o Noir. Beijo, Mozão!

Serei honesta em dizer que não sinto nenhum dos cítricos descritos nas notas oficiais. Nadinha. Para mim logo de cara sinto uma pegada gourmand achocolatada e um intenso acorde floral que logo me faz pensar no cheiro que deve ter o melhor e mais caro dos batons. Entende? Aquela coisa meio empoada, meio plástica, meio comestível.

E sinto umas notas especiadas aqui e ali. Achei que era cardamomo. Fui pesquisar e encontrei a curiosa e desconhecida nota de Kulfi. Mas que diabos é um kulfi? É um picolé tipicamente indiano, olha aqui. Aposto que é um Kulfi de cardamomo…

Tem uma baunilha bem intensa e achocolatada em Noir. Ela está rodeando o perfume o tempo todo e se torna mais intensa e escura com o passar das horas. Ainda ganha reflexos amadeirados ao mesmo tempo leitosos/viscosos/verdosos e ambarinos morninhos.

E ainda tem uma coisa aqui que me intriga – novamente – estranha e familiar. É mirra? Lembra um pouco. Identifiquei o que era? Claro que não, mas o detalhe ficava martelando minha cabeça, de onde eu conhecia esse cheiro? Não teve jeito, fui ler as notas olfativas oficiais e pimba! Claro que conheço! É miski ou mastique, resina retirada da aroeira (Pistacia lentiscus)! Ah claro, Diana, você tem uma dessas no seu quintal? Não, nem quintal eu tenho! Mas desde criança frequento uma sorveteria lá no Paraíso chamada Alaska, que tem o tradicional sorvete doce/amargo de miski! E nas minhas andanças pela região da 25 de março sempre acabo entrando nos restaurantes/lojas de culinária árabe e volta e meia compro ‘lágrimas’ de miski ou chicletes feitos dele para mascar!

O artigo do link diz que o Miski tem cheiro de aniz e resina de pinheiro. Achei ótima a associação.

Enfim, a resenha ficou confusa né? Não, ficou familiar e estranha. Do jeito que deve ser.

Noir Pour Femme de Tom Ford é uma lindeza! Flerta com o gourmand mas não cai de cara na confeitaria, é instigante e exótico na medida. Foi lançado em 2012 e o nariz responsável por ele é Sonia Constant.

Notas de saída: bergamota, mandarina, laranja amarga, gengibre.

Notas de coração: rosa, jasmim, flor de laranjeira, kulfi.

Notas de fundo: baunilha, âmbar, sândalo, mastic.

A modelo da campanha publicitário é a Lara Stone. Ao menos nesta foto, me fala se ela não parece a Brigitte Bardot depois de uma noite de excessos numa balada daquelas? Mais uma vez, familiar e estranha…

 

 

 

 

Maroussia, Slava Zaitsev

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Bem-vindo, inverno!

Na Rússia o perfume já é conhecido de outros carnavais (embora não seja assim tão popular, segundo fontes), foi lançado em 1992 e foi o primeiro perfume do estilista Slava Zaitsev. Seu nome, se formos traduzir, é velho conhecido nosso: Marusja ou Maria!

O que é que essa Maria tem? Tem o inverno, tem o vento frio, tem os casacões, a maquiagem pesada que aqui serve mais para proteger a pele do que para embelezar. Tem gorro, luva, cachecol, botas forradas, batom cor-de-vinho, tem dose de vodca… Em outras palavras, Maroussia é perfume para dias frios, de ventos rasgantes.

Tem uma profusão de notas florais intensas, tem notas de fundo animálicas. Nas verdade, ele tem tantos ‘cheiros’ que fica difícil falar deles, mas vou tentar…

Maroussia começa com aldeídos e algo frutal-sintético que me faz pensar em morangos imaginários. Nada de morango de brilho labial, nada de morango de boneca, nada de morango natural. Morangos que talvez só existam na minha cabeça: morangos de cera!

Profusão (e confusão!) floral, uma breve ‘surra de buquê’: ylang-ylang, rosa, tuberosa, jasmim, cravo, heliotrópio e muitas outras que não sei nomear… aqui me faz pensar em flores carnudas, cerosas e maquiagem antiga, daquela que cobiçávamos quando crianças nas penteadeiras de nossas mães. Me lembra o cheiro de um antigo batom Helena Rubinstein que eu passava escondido para em seguida lamber os lábios e sentir o ‘gosto do cheiro’, sabe?

As notas finais de Maroussia demoram a aparecer, e pendem bem pro animálico resinoso. Para mim tem cheiro de casaco de lã que foi guardado no armário, mas guardou nuances do perfume e da pele da pessoa que o usou nos últimos dias.

Maroussia é belo e confuso. Como a Rússia deve ser.

Agora, nerd velha-guarda que sou, faço uma abstração: assistiram Cavaleiros do Zodíaco? Então, Maroussia é o perfume que a Aurora, a bela e falecida mãe do Hyoga usaria…

Notas de saída: aldeídos, flor-de-laranjeira, pêssego, bergamota.

Notas de coração: cravo, tuberosa, íris, ylang-ylang, orquídea, jasmim, rosa, lírio-do-vale, heliotrópio.

Notas de fundo: sândalo, baunilha, âmbar, fava tonka, civeta, almíscar, benjoim, cedro.

Maroussia é completamente diferente se provado em um dia quente: se torna sufocante. Mas nos dias frios ele é fonte de calor, é um ‘casaco-líquido’!

(post republicado)

Olympea, Paco Rabanne

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Estive 4 vezes na mesma perfumaria pedindo para provar o Olympea. A antipática vendedora certamente pensou ‘essa mulher tá vindo aqui se perfumar de graça‘ ou ainda ‘olha a pobre, não tem dinheiro pra comprar o perfume e vem aqui estorvar todo dia‘… Querida vendedora, te digo uma coisa: ACERTÔ, MIZERÁVI!

E agora ainda vou contar uma historinha. Era uma vez a Escolinha de Perfumes inaugurada pelo La Vie Est Belle. Todas as marcas, quando desejavam lançar um novo perfume, iam espiar na Escolinha La Vie, pedir aconselhamento e tentar abocanhar uma fatia da fama e do faturamento do bonito em questão. E o bem sucedido La Vie segue todo pimpão, com um monte de flankers para andar de galerinha no shopping, nada abala seu popularesco reinado e muitos, muitos, muitos nasceram (e nascem ainda) à sua sombra. Quando isso vai acabar, meu Deus, quando?

Aí tem o Olympea, dono desse post. Não diga, por favor não diga que ele não fez ao menos um cursinho rápido na Escolinha La Vie. Ah, ele fez! Se não fosse o tom salino que o salva da mesmice…

Inicia com notas picantes e doces, você fica sem saber dizer se são frescas ou quentes. Coisas picantes muitas vezes fazem isso com minha percepção… E tem uma doçura cor-de-rosa, me fez pensar em pralinê… Surge então um sal poeirento, fino, refinado ao limite do possível! Na hora lembrei vagamente do Womanity, mas aqui é tudo menos ousado né, não pode desviar muito dos ensinamentos da Escolinha La Vie…

E o Olympea fica enfim, interessante. Lembrei que os gregos gostavam de esportes e cultuavam o belo, um corpo atlético era motivo de admiração. E que os atletas gregos  eram untados em óleo, que auxiliava a mascarar odores desagradáveis que seus corpos viessem a exalar.  Depois do esporte os atletas tinham que raspar a poeira, o óleo e o suor do corpo, para isso eles tinham um utensílio chamado estrígil, que era praticamente uma espátula usada para raspar a sujeira do corpo.

Aí tudo começou a ‘combinar’ dentro da minha cabeça: o tom salino do suor, o leitoso/picante da pele, o doce/cremoso do óleo. Comecei a gostar mais de você, Olympea…

É um perfume que evolui graciosamente, muitas notas vão e voltam e não te deixam enjoar do perfume. Ele tem momentos mais ‘abafafos e fechados’, momentos mais ‘abertos e radiantes’.  Eu ousaria dizer que é um perfume úmido, dá pra entender?

As notas finais são leitosas, cremosas e sensuais. Tem sândalo, âmbar gris e outras madeiras.

É salvo pelo sal, o Olympea. Inclusive foi ele que me fez viajar até a higiene dos atletas gregos…

O frasco é muito bonito, lateralmente adornado por uma coroa de louros. Os atletas eram premiados com coroas de pequenos ramos de oliveira entrelaçados, que representavam a suprema glória.

Notas de saída: água de jasmim, mandarina, flor de gengibre.

Notas de coração: baunilha, sal.

Notas de fundo: âmbar gris, madeira Cashmere, sândalo.

Apresentado em 2015 e criado pelos narizes Loc Dong, Anne Flipo e Dominique Ropion.

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Leia resenha do Olympea no Van Mulherzinha, que tem uma opinião bem parecida com a minha.

Fonte: seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2012/08/olimpia-e-os-jogos-olimpicos.html

La Roue de La Fortune 10 – D&G Anthology, Dolce&Gabbana

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La Roue de La Fortune. É o Arcano X, a “Roda da Fortuna”. Quase que imediatamente, as pessoas associam a palavra fortuna a riquezas, e acabam acreditando que essa carta representa dinheiro e ganhos materiais. Entretanto, esse arcano possui um significado muito mais profundo e abrangente. Em primeiro lugar, é preciso compreender a origem simbólica desta carta. “A Roda da Fortuna” é o tear das Moiras – Cloto, Láqueis e Átropos – as deusas gregas que fiavam, teciam e cortavam o fio da vida. Trata-se de uma metáfora dos processos de nascimento, crescimento e desenvolvimento, e desencarne. O fio da vida na roca do destino.

Fortuna também é a deusa romana da sorte, seja ela boa ou má. Geralmente é representada portando a cornucópia, símbolo de abundância, e o leme, que por si só já lembra a figura da Roda, acrescido do sentido de direção. Na imagem desse arcano vemos uma grande Roda que se sustenta em um eixo, e no topo uma figura (geralmente uma esfinge, que simboliza os desafios), além de uma personagem subindo e outra descendo em seu arco. Não se trata da roda do dinheiro, portanto. É a roda da vida.*

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Há muitas interpretações para a Roda da Fortuna, essa é apenas uma delas. Pode-se falar das idades do homem, das fases da lua, do destino inexorável.

Já falei de outro perfume desta incrível coleção, o La Lune 18. Quando falei dele, disse que tinha achado lindo utilizar nomes de cartas de tarô e top models ícones dos anos 90. Como algo tão intrincado, simbólico, arquetípico como os símbolos do tarô tinham sido traduzidos para frascos espartanos e com modelos despidos de indumentárias? Eles por si só, em pele, seriam a representação da carta.

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La Roue de La Fortune é perfeito para quem gosta do Angel e para quem o odeia. Explico… Imagina todo o esplendor de patchouli do Angel sem a doçura gormand que o rodeia.

O patchouli dá as caras logo nas notas de saída, cercado de abacaxi suculento e um toque apimentado, desses que faz pinicar a ponta do nariz.

Nas notas médias temos flores brancas bem orquestradas, são bem presentes mas não invasivas. Diria até que são comportadas, comedidas. E difícil conseguir esse resultado com a mistura de gardênias, tuberosas e jasmins heim!

Logo chega a íris e deixa tudo empoado e texturizado. Pois é, texturizado. Ganha aspectos táteis, dá a sensação de maciez felpuda, aveludada.

O patchouli até agora foi folha esmagada entre os dedos, picante, esverdeada. Depois de algumas horas na pele ele enraíza, torna-se profundo. Ganha aspecto adocicado, quase terroso e vem acompanhado de resina esfumaçada. A baunilha vem em gotas e dá uma suavizada na dupla patchouli/resina.

É um perfume perfeitamente agênero e exótico! Apesar de estar descontinuado é facilmente encontrado em sites internacionais.

Notas de saída: abacaxi, pimenta rosa, notas verdes.

Notas de coração: gardênia, jasmim, tuberosa.

Notas de fundo: íris, patchouli, benzoim, baunilha.

Apresentado em 2009, criado por Aurelien Guichard.

Fonte: http://www.personare.com.br/roda-da-fortuna-mudancas-inesperadas-da-vida-m4815