‘Perfume de Letrinhas’, por Ronaldo Bressane

Ah, o cheiro dos livros… Novos ou velhos, reluzentes na vitrine de um shopping ou esquecido no canto de uma prateleira capenga de um sebo!

O que faz um livro ter esse cheiro tão amado? O tipo de papel e tinta usados, as bactérias, os ácaros?

O bibliófilo e poeta Antonio Carlos Secchin vai além: “Diria que o cheiro melhor não é de livro, mas de um século: o 19. São volumes que, em geral, sensorialmente me agradam, não apenas pelo olfato: fazem bem à visão e ao tato. Se a isso somarmos o discreto ruído no ato de virar as páginas, só faltaria comê-los”.

Leia aqui o texto na íntegra.

 

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Forbidden Euphoria, Calvin Klein

O que se espera de um perfume cujo nome é traduzido para ‘Euforia Proibida’, sendo que a definição enciclopédica de euforia seja: “sensação de bem-estar, que pode ser natural, por efeito de uma saúde perfeita; ou artificial, obtida com drogas ou estupefacientes; ou mórbida, concomitante a certos estados maníacos”?

Pelo nome esperei algo narcótico como o Opium. Mas que boba eu sou, estamos na época do politicamente correto, onde muito se brada e pouco se pratica! Opium foi coisa das décadas mágicas de 70, 80…

O vídeo da campanha publicitária é (como tantos outros), carregado de auto-erotismo cor-de-rosa. Um tédio. Mas enfim, em época de enxurradas de selfies – de autocentrismo, narcisismo e solidão – deve funcionar bem, esta fórmula…

Mas vamos ao perfume, porque eu gosto dele.

Começa com morangos e framboesas de aspecto ceroso e intenso, com cheiro de batom! Logo surgem flores que tiram a impressão de maquiagem e tornam o perfume mais adulto. Tem aqui a sensualidade do jasmim bem contido pela pureza da peônia. E uma nota floral exótica que não identifiquei, mas depois vi descrita como orquídea. Coisa louca, temos cerca de 50 mil espécies de orquídeas, qual estará presente no perfume? Nunca saberemos…

Após umas 4 horas de uso surgem notas amadeiradas picantes e levemente achocolatadas, que combinam lindamente com as tais frutinhas cerosas, ainda presentes no perfume, misturadas as notas florais. Durante sua secagem sentimos também almíscar de aspecto funcional, com cheiro de shampoo.

É um perfume bem bonito e fácil de usar, atinge fãs em todas faixas etárias, é sensual na medida certa. Só acho que o nome ‘não orna’.

 

 

 

 

Majmua, Nemat Fragrances

É um daqueles perfumes oleosos indianos. Faz muito tempo li em um fórum ou grupo, não lembro bem, que o tal Majmua tinha cheiro de terra molhada após a chuva.

Isso ficou na minha cabeça até que achei o perfume no Ebay, com frete gratuito para o Brasil! Aliás, muitos vendedores árabes e indianos mandam seus produtos para o mundo todo com valores bem honestos de frete!

Majmua vem em uma espalhafatosa caixinha de papelão verde e é bem oleoso. No frasco é meio-verde-meio-marrom mas ao ser aplicado na pele com o roll on da embalagem é amarelo bem escuro.

Seu cheiro é muito, muito intenso, tem que usar com grande parcimônia e mesmo assim você se sente uma loja de produtos indianos ambulante. Tem muito cheiro de incenso, tem cheiro daqueles lugares onde foram acesos os mais diversos tipos de incenso ano após ano, e as paredes, o mobiliário, tudo já ficou impregnado com a fumaça perfumada.

Tem um quê terroso e esverdeado, acho que é vetiver. Deve ser por isso que falam que o Majmua tem cheiro de terra molhada após a chuva. Sinto também almíscar e sândalo.

Se você gosta de incensos, de lojinhas místicas, de feirinhas de artesanato, Majmua ganhará seu coração! O meu ele ganhou!

Só um comentário: ontem, dia 21/01/2016, fui enganada pelo clima: de manhã estava bem friozinho, nublado. Lá fui eu, coloquei um casaquinho leve, o Majmua e fui trabalhar. E depois de meia hora abriu um sol de rachar mamona. Resultado: por onde passo deixo uma nuvem incensada. Na rua umas 2 pessoas me olharam com estranheza, mas recebi o elogio de uma amiga (também fã de perfumes) aqui no trabalho…

Verão e Perfumes – Mesa Redonda dos Blogs Perfumados

O verão, ah, o verão… tem quem goste, eu detesto. Todo mundo postando fotos na beira da praia ou da piscina, todo mundo fazendo dieta para caber naquela exígua roupa de praia, todo mundo se entupindo de cerveja (que não é cerveja), todo mundo sendo feliz, porque apregoa-se que no verão as pessoas TEM que ser/estar felizes.

Ok, compreendo que a questão climática em muito afeta o humor e a disposição das pessoas. Em localidades onde o frio predomina são maiores as taxas de depressão e suicídio. Em compensação nos lugares quentes é maior é índice de violência. Tudo verdade, pode pesquisar…

Não que eu não goste de praia, piscina, cerveja, eu gosto sim! O que eu não gosto é da sensação de estar dentro de um forno! Odeio os mosquitos, as pessoas mal cheirosas no transporte público, que utilizo diariamente. Detesto sair do banho com o rosto já pingando suor, detesto a sensação de ardor na pele causada pelo sol, detesto não poder usar o perfume que eu cismar. Falo por mim, nos dias mais quentes só consigo usar perfumes suaves, delicados, que trazem sensação de refrescância e limpeza.

Ah Diana, mas esses perfumes não duram nada na pele!‘ – que bom, gente! Assim você pode reaplicar durante o dia e ter aquela sensação mágica de refrescância mais vezes!

(Sobre o polêmico assunto ‘fixação’, recomendo essa leitura aqui).

Ah, vale a pena investir em flankers veranis de seu perfume predileto. Grandes chances do seu queridinho tem uma versão fraiche, sport ou l’eau.

Olha só uns exemplos:

   

Enfim, seguem links de perfumes já resenhados (ou não) aqui no blog e que são a cara do verão:

Moschino Funny, Cool Water Wave, Sargasso, Eau de Cartier Zeste de Soleil, Baiser Vole Lys Rose, CK One, 4711 Eau de Cologne, 24 Faubourg Eau Delicate, Parfum D’Ete, CH L’Eau Carolina Herrera.

E tem os que você encontra em farmácias, lojas de rua e catálogos, e que são frescor imediato! Recomendo: Limão Siciliano da Phebo, Lavanda Johnson’s, Pretty Blue da Avon, a linha Green Tea da Elizabeth Arden.

E me desculpem os amantes do sol e do verão. Me desculpe, Marina Lima: eu mudaria a letra da sua música para que ela se adequasse a minha realidade. Cantaria assim: ‘vem chegando o verão, uma angústia e um mal estar no coração…’

Ainda bem que nesses últimos dias a temperatura aqui em SP diminuiu bem!

Visite os demais participantes:

Templo dos Perfumes

Pimenta Vanilla

Parfumée

Floral & Amadeirado

Les Égocentriques, Ego in Vitro

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O amigo Daniel Barros, consultor da Ego in Vitro, autor dos livros ‘202 Perfumes Para Provar Antes de Morrer‘ e ‘303 Perfumes Para Provar Antes de Morrer‘, agora se aventura de outra forma: criando perfumes!

Recebi o ‘kit degustação’ da linha Les Égocentriques e fiquei admirada com a alta qualidade dos perfumes criados! O interessante desta coleção é que os perfumes podem ser usados individualmente ou combinados. Isto mesmo, a linha convida a testar novas possibilidades e ampliar sua percepção olfativa através das mais variadas combinações. Enfim, você adquire kits com nove perfumes, mas pode ousar com uma imensa variedade de combinações!

Vou falar aqui dos perfumes que já provei e minhas percepções sobre cada um deles:

TUTTI: meu queridinho! Tem frutinhas selvagens roxas e vermelhas, daquelas que você nunca sabe se pode de fato comer e que mancham as mãos. Tem balinhas de violeta, tem  toque gourmand açucarado elegante, sem exageros! Só para situar o leitor, desfila no bloco do Insolence da Guerlain.

KALEB: que beleza heim? Perfume de doçura viril, começa com uma nota bem pronunciada de anis. Tem algo licoroso e algo achocolatado que se pronuncia com o uso. Só para situar, é amigo do Raghba e do Sensei.

JIANG: dele, só descrevo a sensação que me causou. Sabe aquela sua roupa preferida, que você usa muito? Que mesmo lavando tem seu cheiro impregnado? Então. Ela foi lavada com sabão e amaciante e agora está sendo passada. Ao contato com o ferro quente, libera cheiro de limpeza e da sua pele.

RENÉE: perfume truqueiro heim? Começa com flores e aura polvorosa, todo elegante. Porém, logo surge uma tonalidade animálica, achei que era a faceta indólica de flores brancas, mas o Daniel Barros confessou que é civeta… Sério, que perfume sexy!

QUINN: lindamente amendoado, me fez pensar em marzipã e nougat. Depois revela um floral branco (ainda amendoado) limpo, andrógino, luminoso! Para mim tem tuberosa, lírios e muguet. Um belo bouquet rodeado de amêndoas drageadas!

GREET: polêmico e exótico, mas não harmonizamos. Tem cheiro de ramas de cenoura esmagadas regadas com suco de limão. E tem um floral limpo, quase funcional.

BIRKE: me fez pensar na atmosfera futurista do Calandre, na ousadia sujinha do Cabochard e na elegância fetichista do Kelly Calèche. Tem couro, tem patchouli de faceta terrosa, tem algo verdoso que me faz pensar em casca de árvore. Achei belíssimo!

SASHA: no começo pensei em óleo essencial de algum cítrico, acho que limão siciliano. E tem especiarias, ah tem! Penso em algum tipo de pimenta em pó, zimbro. E tem incenso. O engraçado é que ele é um perfume especiado refrescante. Exótico e estranhamente familiar. Me fez pensar naquelas balas de goma árabes (loukum ou rahat).

CYRUS: me fez pensar em um primeiro momento, em eucalipto e no lado canforado do patchouli. Me faz pensar em sauna também. Acho que junto com o GREET criaria uma atmosfera quase asséptica. Interessante, embora não faça meu estilo.

Eu combinaria: o RENÈE e o BIRKE, o QUINN e o SASHA, o JIANG e o CYRUS, ou ainda o QUINN, o RENÉE e por cima o TUTTI. O KALEB quero usar sozinho mesmo! O TUTTI também… enfim, quero explorar todas as possibilidades desses lindos!

Coleção incrível, te parabenizo e desejo sucesso, Daniel Barros!

Para maiores informações entre em contato com http://egoinvitro.com.br/egocentriques/

 

Baiser Vole Lys Rose, Cartier

O calor continua absurdamente intenso. E eu sigo revirando minhas amostras em busca de perfumes delicados e suaves… e aí encontrei o Lys Rose, mais um ‘filhote’ do belíssimo Baiser Vole da Cartier.

Pelo que pude perceber até agora, toda a ‘família’ Baiser Vole tem como estrela o lírio e aqui não é diferente.

Lys Rose é pura pétala macia e cerosa de lírio com toques frutais.

Pensei a principio na rosa juvenil e moderna que aparece em muitos perfumes ‘modernos’, aquela rosa frutada, um pouco doce, um pouco azedinha.

Depois acabei pensando em frutinhas: lichia? Amora? Morango? E era oficialmente framboesa…

O perfume é de extrema delicadeza. Fica bem rente à pele, é um conforto particular.

O lírio é cremoso, ceroso, como uma flor absurdamente fresca e no ápice de sua beleza. Debaixo deste bouquet repousam em uma bandeja punhados de frutinhas vermelhas frescas e sumarentas. Você na realidade não sabe se cheira a flor e morde as frutinhas ou se morde a flor e cheira as frutinhas…

Simples, discreto, confortável, belo. Tudo que eu procuro em um perfume para o verão!

Notas olfativas: lírio cor-de-rosa, framboesa. Foi criado por Mathilde Laurent para o verão de 2014.

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Imagens: http://plantgenera.org/taxa.php?id_taxon=10500&mobile=0