Ungaro (2007), Emanuel Ungaro

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A casa de alta costura Ungaro atua desde 1965 e tem muitos perfumes em seu portfolio. É bem importante, mas no Brasil é relativamente desconhecida. Faz um bom tempo, houve uma parceria com a Avon em alguns perfumes. Lembra?

Não é uma marca encontrada facilmente em perfumarias virtuais ou mesmo perfumarias físicas menores, mas procurando bem, acha-se até anthrax e coleção completa de tazos (!) a venda nesse mundo véio sem porteira…

Pra começar a conversa, Ungaro 2007 foi criado pelo cultuado Francis Kurkdjian e seu belíssimo frasco em forma de U foi concebido pela designer Sylvie de France, experiente que só no ramo!

Ungaro é um perfume oriental floral intenso e que flerta com as bombas dos anos 80. Tem um pitada de Amarige, tem um quê de Poison – mas nada muito evidente – só faz recordar em alguns momentos.

Começa com notas frutadas macias e aveludadas, sinto frutinhas roxas, uvas, amoras e mirtilos bem maduros e suculentos!

Na ‘segunda etapa’ surgem flores brancas adocicadas e aveludadas, a face terna dessas meninas polêmicas! Elas têm até uma brevidade leitosa que faz o perfume se fundir deliciosamente na pele.

A parte aveludada e morna fica mais evidente e confortável graças a uma boa dose de âmbar e ainda tem um tom picante e exótico vindo de uma especiaria dispendiosa, o açafrão!

É um perfumão, frutal especiado de grande desempenho com toques de modernidade e ao mesmo tempo aura saudosista das bombas de décadas passadas! Se encontrar por aí, não deixe de experimentar!

Notas de saída: frutas vermelhas.

Notas de coração: jasmim, flores brancas.

Notas de fundo: âmbar, açafrão.

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Noir Pour Femme, Tom Ford

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Antes de tudo, obrigada Tati pela gentileza da amostra! Ela disse, ao me dar o frasquinho, que esse era um perfume ‘pra namorar’. E é mesmo viu? Morno, exótico, gustativo e sexy!

Noir é daqueles que você não consegue parar de cheirar, é ao mesmo tempo familiar (em alguns momentos me lembra o Trouble da Boucheron) e cheio de estranhezas. E é isso que o torna sexy, ao menos para mim. Falando de parceiros amorosos, se não for familiar para me deixar a vontade, e se não for estranho o suficiente para atiçar a curiosidade, nem chego perto…

Então agora estou oficialmente namorando o Noir. Beijo, Mozão!

Serei honesta em dizer que não sinto nenhum dos cítricos descritos nas notas oficiais. Nadinha. Para mim logo de cara sinto uma pegada gourmand achocolatada e um intenso acorde floral que logo me faz pensar no cheiro que deve ter o melhor e mais caro dos batons. Entende? Aquela coisa meio empoada, meio plástica, meio comestível.

E sinto umas notas especiadas aqui e ali. Achei que era cardamomo. Fui pesquisar e encontrei a curiosa e desconhecida nota de Kulfi. Mas que diabos é um kulfi? É um picolé tipicamente indiano, olha aqui. Aposto que é um Kulfi de cardamomo…

Tem uma baunilha bem intensa e achocolatada em Noir. Ela está rodeando o perfume o tempo todo e se torna mais intensa e escura com o passar das horas. Ainda ganha reflexos amadeirados ao mesmo tempo leitosos/viscosos/verdosos e ambarinos morninhos.

E ainda tem uma coisa aqui que me intriga – novamente – estranha e familiar. É mirra? Lembra um pouco. Identifiquei o que era? Claro que não, mas o detalhe ficava martelando minha cabeça, de onde eu conhecia esse cheiro? Não teve jeito, fui ler as notas olfativas oficiais e pimba! Claro que conheço! É miski ou mastique, resina retirada da aroeira (Pistacia lentiscus)! Ah claro, Diana, você tem uma dessas no seu quintal? Não, nem quintal eu tenho! Mas desde criança frequento uma sorveteria lá no Paraíso chamada Alaska, que tem o tradicional sorvete doce/amargo de miski! E nas minhas andanças pela região da 25 de março sempre acabo entrando nos restaurantes/lojas de culinária árabe e volta e meia compro ‘lágrimas’ de miski ou chicletes feitos dele para mascar!

O artigo do link diz que o Miski tem cheiro de aniz e resina de pinheiro. Achei ótima a associação.

Enfim, a resenha ficou confusa né? Não, ficou familiar e estranha. Do jeito que deve ser.

Noir Pour Femme de Tom Ford é uma lindeza! Flerta com o gourmand mas não cai de cara na confeitaria, é instigante e exótico na medida. Foi lançado em 2012 e o nariz responsável por ele é Sonia Constant.

Notas de saída: bergamota, mandarina, laranja amarga, gengibre.

Notas de coração: rosa, jasmim, flor de laranjeira, kulfi.

Notas de fundo: baunilha, âmbar, sândalo, mastic.

A modelo da campanha publicitário é a Lara Stone. Ao menos nesta foto, me fala se ela não parece a Brigitte Bardot depois de uma noite de excessos numa balada daquelas? Mais uma vez, familiar e estranha…

 

 

 

 

Maroussia, Slava Zaitsev

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Bem-vindo, inverno!

Na Rússia o perfume já é conhecido de outros carnavais (embora não seja assim tão popular, segundo fontes), foi lançado em 1992 e foi o primeiro perfume do estilista Slava Zaitsev. Seu nome, se formos traduzir, é velho conhecido nosso: Marusja ou Maria!

O que é que essa Maria tem? Tem o inverno, tem o vento frio, tem os casacões, a maquiagem pesada que aqui serve mais para proteger a pele do que para embelezar. Tem gorro, luva, cachecol, botas forradas, batom cor-de-vinho, tem dose de vodca… Em outras palavras, Maroussia é perfume para dias frios, de ventos rasgantes.

Tem uma profusão de notas florais intensas, tem notas de fundo animálicas. Nas verdade, ele tem tantos ‘cheiros’ que fica difícil falar deles, mas vou tentar…

Maroussia começa com aldeídos e algo frutal-sintético que me faz pensar em morangos imaginários. Nada de morango de brilho labial, nada de morango de boneca, nada de morango natural. Morangos que talvez só existam na minha cabeça: morangos de cera!

Profusão (e confusão!) floral, uma breve ‘surra de buquê’: ylang-ylang, rosa, tuberosa, jasmim, cravo, heliotrópio e muitas outras que não sei nomear… aqui me faz pensar em flores carnudas, cerosas e maquiagem antiga, daquela que cobiçávamos quando crianças nas penteadeiras de nossas mães. Me lembra o cheiro de um antigo batom Helena Rubinstein que eu passava escondido para em seguida lamber os lábios e sentir o ‘gosto do cheiro’, sabe?

As notas finais de Maroussia demoram a aparecer, e pendem bem pro animálico resinoso. Para mim tem cheiro de casaco de lã que foi guardado no armário, mas guardou nuances do perfume e da pele da pessoa que o usou nos últimos dias.

Maroussia é belo e confuso. Como a Rússia deve ser.

Agora, nerd velha-guarda que sou, faço uma abstração: assistiram Cavaleiros do Zodíaco? Então, Maroussia é o perfume que a Aurora, a bela e falecida mãe do Hyoga usaria…

Notas de saída: aldeídos, flor-de-laranjeira, pêssego, bergamota.

Notas de coração: cravo, tuberosa, íris, ylang-ylang, orquídea, jasmim, rosa, lírio-do-vale, heliotrópio.

Notas de fundo: sândalo, baunilha, âmbar, fava tonka, civeta, almíscar, benjoim, cedro.

Maroussia é completamente diferente se provado em um dia quente: se torna sufocante. Mas nos dias frios ele é fonte de calor, é um ‘casaco-líquido’!

(post republicado)