Il Bacio, Borghese

Um transgressor! Il Bacio carrega a opulência dos anos 80. E olha que ele nasceu em 1993, um aninho antes do andrógino, limpo e ‘ar-condicionante’ CK One e cinco anos depois do Cool Water (de 1988) lotado de calone até a tampa! Perfumes esses que criaram uma nova ‘escola’ de perfumaria nos anos 90, tudo tinha cheiro de melão gelado, piscina, lavanderia!

Aí vem o Il Bacio! Quase desconhecido, desfilando seu líquido dourado e sua caixa preta e vermelha, foi o último perfume da Borghese, que até hoje tem ampla linha de cosméticos, mas nada de perfumes novos.

A tampa simboliza o beijo que o nomeia! Roubando tal beijo, tiramos a tampa e borrifamos na pele! E lá vem uma onda assabonetada (soapy) enorme, seguida de flores ultra-femininas e melífluas! Estão todas prontinhas para serem colhidas, estão no ápice de sua beleza e aroma!

Para deixar o beijo mais gostoso, chegam frutas de cheiro tentador, e vejam só, elas também estão super maduras, como que pedindo para serem degustadas com pressa e volúpia! Sumarentas…

E o beijo entre as frutas e as flores é daqueles demorado! Você pode desfrutar dele por muito tempo, a duração dessas notas na pele é grande. O beijo ‘esquenta’ e a doçura do néctar das flores e frutas fica maior! Mas volta e meia vem à tona o cheiro assabonetado que assegura a elegância e os bons modos deste ‘encontro’…

No final, Il Bacio é cremoso, morno, mas ainda carrega algo doce-azedinho das frutas, coisas do maracujá!

Il Bacio serve para dias quentes e dias frios, tudo depende da quantidade de borrifadas praticadas! Afinal, independente do clima, quem resiste a um beijo desses…

Notas de saída: frésia, jasmim, lirio-do-vale, rosa, madressilva.

Notas de coração: melão, ameixa, pêssego, marcaujá.

Notas de fundo: âmbar, musk, cedro, sândalo.

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O Ambergris em “Moby Dick”, de Herman Melville

No clássico livro ‘Moby Dick’ (1851) de Herman Melville existe um capítulo todinho dedicado ao Ambergris! A quem tiver a obra em mãos, é o Capítulo 92, intitulado ‘Ambergris’. O livro conta sobre um cachalote que fora ferido várias vezes por baleeiros e luta para destrui-los (vai Moby!!!).

Além da descrição das aventuras do narrador e suas reflexões pessoais, o livro trás trechos sobre métodos de caça, arpões, a cor branca (cor de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento e o armazenamento de produtos extraídos das baleias. Não podia faltar o precioso Ambergris!

Seguem trechos (muito mal traduzidos) do original. Se alguém se dispor a traduzir de melhor forma, agradeço!

Embora a palavra ambergris nos lembre do âmbar cinzento, as duas substâncias são bastante distintas. O âmbar, embora às vezes encontrado na costa do mar, é também desenterrado em algum distante solo interior, enquanto ambergris nunca é encontrado longe do mar.

Além disso, âmbar é duro, transparente, frágil, inodoro, substância usada para tubos, para contas e em joias; ambergris é macio, ceroso, e assim altamente perfumado e picante, que é largamente utilizado em perfumaria, pastilhas, velas preciosas e pomada. Os turcos usá-lo na culinária, e também levam para Meca, para a mesma finalidade que o incenso é transportada para St. Pedro, em Roma.

Quem iria pensar, então, que essas senhoras finas e Deputados devem deliciar-se com uma essência encontrada nas entranhas inglória de uma baleia doente! Ainda assim é. Para alguns, ambergris é suposto de ser a causa, e para outros, o efeito da dispepsia na baleia. Curar tal dispesia seria difícil, a não ser através da administração três ou quatro cargas de barco de pílulas de Brandreth…

Esqueci de dizer que foram encontradas neste ambergris, fragmentos duros, redondos, placas ósseas, que a princípio pensei que poderiam ser botões das roupas dos marinheiros; mas depois descobriu-se que eles não eram nada mais do que pedaços de ossos de lula embalsamados dessa forma. O perfumado ambergris encontrado no coração de tanta decadência… como isso semeado em desonra, ressuscita em glória!

Eu digo, que o movimento de bolhas de uma baleia em cima de água dispensa um perfume, como quando uma senhora com aroma de musk faz sussurrar seu vestido em um ambiente aconchegante ou salão. A que então comparo o cachalote para fragrância, considerando sua magnitude? Deve ser o daquele elefante famoso, perfumado com mirra, que foi levado para fora de uma cidade indiana para honrar a Alexandre, o Grande?

O original em inglês está aqui: http://www.planetpdf.com/planetpdf/pdfs/free_ebooks/Moby_Dick_NT.pdf

Comme des Garcons 2 Man, Comme des Garcons

Primeiramente, agradeço ao Dênis pela amostra! 2 Man (a partir de agora chamado somente de ‘2’), é daqueles perfumes que pensam tal qual Pepeu Gomes:

‘Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino…’

Quem dera todos pensassem assim! Teríamos um mundo menos desigual. Nunca fui a favor da socialmente/culturalmente imposta divisão entre masculino e feminino: ‘é de menina’, ‘é de menino’… que besteira! Sou é a favor da máxima que diz ‘o que é de gosto, regala a vida’. Então, vamos parar de nos prender nessa imposição da indústria que classifica os perfumes em ‘masculinos’ e ‘femininos’, correto?

Tudo isso para dizer que ‘2’ é perfeitamente compartilhável!

Começa esfumaçado, temperado, picante-doce de noz moscada e erva-doce. Tem ali no meio uma erva aromática de fundo amargo, aí eu pensei no sabor das folhas da erva-doce! Diferente do talo e da semente, as folhinhas são amarguinhas, estranhas (sim, já comi e me refiro ao gosto mesmo)…

Depois de uma hora aparece a íris com jeitão de pomada, de creme. Nesta ‘pasta’ aromática ainda tem nuances agridoces do açafrão (só uma pitadinha, nada de exageros) e o cheiro profundo, terroso e ao mesmo tempo fresco do vetiver. Parece raiz recém arrancada da terra.

As notas finais de ‘2’ são incensadas e amadeiradas, Senti algo de lustra-móveis. Parecia que uma madeira recém lixada estava recebendo polimento com a pasta de íris que falei no parágrafo anterior!

Coisa louca esse perfume!

Perfumes Perdidos – Detchema, Revillon

Já que o calor mortífero daqui de SP voltou, após 2 míseros dias de modesta trégua e está prejudicando meu uso diário de perfumes, vou tentar ‘inaugurar’ uma nova coluna aqui no Blog. Vamos falar de perfumes há muito tempo perdidos, esquecidos? E vamos tentar lembrar deles, quem sabe até algum leitor ou leitora nos presenteie com suas lembranças?

O escolhido de hoje é o Detchema, da Revillon. Antes de mais nada, nunca vi nem nunca senti, só ouvi falar. E ouvi falar no clássico filme ‘O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski. Sim, sou fã confessa de filmes de terror. Dos clássicos ao mais underground, eu gosto…

A cena em que o perfume é citado acontece quando Rosemary (Mia Farrow) vai ao consultório do Dr. Sapirstein, e lá a enfermeira/secretária faz um elogio ao perfume e pergunta qual é. Rosemary responde que é o Detchema.

E daí então eu sempre associei o tal Detchema a algo sombrio e obscuro, com certeza por influência do enredo do filme. Mas olhando por aí, vi que algumas propagandas do perfume são lá um tanto quanto ‘misteriosas’, por assim dizer. Olha só estas duas primeiras aqui:

Revillon (Perfumes) 1953 Detchema

Revillon (Perfumes) 1960 Detchema, GruauDe 1960, pelo mestre René Gruau

Revillon (Perfumes) 1984 Detchema

De 1984. A cara dos anos 80…

O perfume é de 1953 e não sei em que ano deixou de ser produzido… Mas descobri que a Jovoy, em parceria com a Revillon, trouxe em edição limitada a fragrância original de Detchema. Se você tem bastante ‘dinheiros’, clica aqui, compra um e manda cá uma amostra!

Notas de saída: aldeídos, pêssego, jacinto, neroli, bergamota.

Notas de coração: cravo, jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale, rosa.

Notas de fundo: couro,sândalo, fava tonka, âmbar, almíscar, raiz de íris, vetiver.

Mais sobre ele aqui: http://perfumeshrine.blogspot.com.br/2007/05/detchema-by-revillon-fragrance-review.html

Citizen Queen, Juliette Has a Gun.

Desta vez armada com uma espada, a romântica rainha saiu de seu palácio e enfrentou as agruras da cidade em busca de aventura!

Citizen Queen tem uma íris mutante e deliciosa. Começa retrô, torna-se picante, polvorosa e por último adocicada e almiscarada. No meio do caminho, Rainha Íris ainda encontra outros personagens: Rosa, a Princesa; Couro, o Pirata Sedutor e seu parceiro Ládano, o Mercenário; Incenso, o Místico; Imortelle, a Encardida; Âmbar, o Guloso; Almíscar, o Carnal.

Imaginam a festa! Íris começa sua saga toda limpinha, boudoir. Logo as vielas de sua cidade a fizeram suar e seu cheiro fica picante, coisa de fêmea. Ao final de seu passeio ela já incorporou facetas de todos outros personagens de sua jornada e já está adocicada, sujinha! Essa é a magia desta Íris, ficar sujinha sem perder a pose, sem perder a feminilidade!

Rainha-Íris vai da pompa castelã ao malicioso rendez-vous sem descer do salto!

Para mim Citizen Queen é isso: uma homenagem ao feminino e muitos de seus arquétipos.

Criado em 2008, suas notas incluem: rosas, íris, couro, âmbar, imortelle, ládano, aldeídos, bergamota, notas atalcadas, almíscar, resinas.

Milo Manara, El Gaucho

Perfumes e Calor

Como diria a Kátia Cega:

Se o Hyoga que é um Cavaleiro do Zodíaco – escolhido de Atena coisa e tal –  se lamenta, imagina eu!

Brincadeiras a parte, mal tenho conseguido usar perfumes esses dias. E por vários motivos que vou enumerar:

– Já saio do banho suando. Passo o perfume e o coitado escorre…

– Não estou reconhecendo meus próprios perfumes. Acho que todos estão ‘desandando’.

– Estou usando perfumes mais frescos, afinal, quem aguentaria um Rumba com sensação térmica de 48°? E acho que eles não estão durando na pele nem 10 minutos.

– Não consigo fazer resenhas para o blog! Em virtude de tudo isso aí em cima…

Achei um texto que fala de forma bem rápida sobre perfumes, altas temperaturas e os danos o calor pode causar aos nossos cheirosos. Está aqui: http://www.ehow.com.br/temperatura-afeta-perfume-sobre_271039

Me conta, como está ‘a relação’ com seus perfumes nesse calor?

parkerfitzgerald_kinfolk_02

http://www.designworklife.com/2013/03/28/parker-fitzgerald-kinfolk-ice-cream-and-flowers/

Sempre à Mão: Perfumes Básicos – Mesa Redonda dos Blogs!

https://i2.wp.com/ak1.ostkcdn.com/images/products/L10139762.jpg‘Black Dress’, Ed Martinez

Desta vez a Mesa Redonda dos Blogs Perfumados está básica! Vamos falar de perfumes para todos os momentos, ou para aquelas horas em que você não quer pensar em que perfume usar e apela para o curinga do seu armário, o que nunca te deixa na mão e nunca faz feio! É o ‘little black dress’ entre seus perfumes!

Mas enfim, o que podemos chamar de básico? Tanta coisa! Para mim, básico é jeans, blusa/camiseta preta e coturnos, para Paola Bracho é isso aqui:

Porque ela já acorda de batom!

Eu, Diana, 34 anos, casada, mãe de 4 bichinhos, trabalhadora e assalariada, opto pelo básico quase sempre em questão de vestimenta e maquiagem. Mas quanto aos perfumes… é aí que gosto de deixar aflorar minha parte Elke Maravilha… sou fã confessa das bombas dos anos 80, dos polêmicos de Thierry Mugler, dos vintages…

Mas é claro que nem sempre posso usar tais perfumes: ocasião, clima (principalmente neste calor digno do Oitavo Círculo Infernal) e ambiente não permitem tais opulências. Então tenho lá meus perfumes básicos, os que não ofendem ninguém, trazem sensação de bem-estar, o cheiro me agrada e se adaptam a todas as situações do cotidiano.

CK One, Calvin Klein: limpo, fresco, andrógino, carrega em si a melancolia e rebeldia dos anos 90.

Dynastie Mademoiselle, Marina de Bourbon: perfume de moça asseada e ajeitada. Sem ser songa-monga.

Eaudemoiselle, Givenchy: usado com moderação, um dos mais perfeitos curingas. Fresco, crocante, intrigante!

Lavande, Molinard: a mais bela das lavandas! Banho de imersão em casa de campo francesa, com clima boudoir!

Sargasso, Oscar de La Renta: colônia perfeita, puro luxo pós banho!

Cool Water Wave, Davidoff: composição frutal-aquática com a cara do Brasil!

Lembre-se sempre que o básico não tem nada de sem-graça! Ele pode ser sexy, elegante, divertido, o que você quiser! Esse é o verdadeiro encanto do básico!

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