Parfum D’Ete, Kenzo

Já falei dele aqui no blog, mas vou falar de novo e explico o motivo: sábado eu o cheirei de novo em meio a tantos outros perfumes em um Encontro Perfumado que participei. E deu vontade de usar e falar dele novamente… É daqueles perfumes que você sabe que vai ser difícil encontrar outro frasco, então pouco usa, deixa no fundo do armário bem protegido – em dormência – esperando que os dias escaldantes da primavera e do verão retornem (sim, infelizmente eles sempre voltam…)

Acho que demorei uns 3 meses pra compreender como o bonito e apropriado frasco-folha do Parfum D’Ete ficava de pé. E ainda não tenho certeza de que está correto, já vi fotos do mesmo em cada posição que me fizeram desconfiar que o truque é fita dupla-face…

Enfim, o nariz responsável pelo perfume – Antonie Lie – criou uma belezura! Inspirado em uma ‘folha verde ao vento’, para mim ele é a representação da chegada da primavera.

Pense em uma tina de madeira cheia de folhas: largas, compridas, polpudas, delicadas, de todos os tons de verde. Coloque aí um pouco de água fresca e pura para ‘amolecer’ e comece a macerar as folhas. Quando já tiver extraído o sumo de cada uma delas, salpique com pétalas de flores ainda em botão, recém colhidas. Continue macerando. De tanto ‘raspar’ o pilão no fundo da tina você agora sente um breve cheiro de madeira, se serragem, de tronco de árvore molhado. E depois de muitas horas ao sol o conteúdo da tina ainda exala um aroma suave, de roupa lavada…

Tudo parece muito refrescante não é? É. Parfum D’Ete é o perfume mais refrescante que já senti, e sem cheiro ozônico, de melancia, melão ou cítricos! O frescor dele vem do verde das folhagens, tem um quê de cheiro de rio, de lago. Tem cheiro de flor ainda em botão, tem cheiro de manhã de primavera no meio do mato.

Notas de saída: lírio-do-vale, notas verdes.

Notas de coração: peônia, jasmim, jacinto.

Notas de fundo: sândalo, almíscar.

Parfum D’Ete foi lançado em 1992 e re-lançado em 2002. Na caixa tem escrito algo sobre as folhas verdes que compões o perfume. Não faço ideia de quais sejam, mas vou inventar baseada em minhas percepções: espada de São Jorge, folhas de rosa, folhas de lírio d’água, alface, erva-doce, cacto, bambu, chá-verde, samambaia.

Sonhos de uma Noite de Verão!

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Pure Gold, Montale – por Jernê Knowles

Hoje a resenha é mais do que especial! Foi feita pelo querido amigo e amante da boa perfumaria, Jernê Knowles! Vamos ler?

Já experimentei, usei e deixei de usar inúmeros perfumes que se eu tentar contabilizá-los jamais os quantificaria com exatidão, mas nenhum desses pôde obter tanto destaque se comparado ao Pure Gold de Montale. O que me impressionou nesta fragrância foi a forma como ela evolui, bem como sua silagem e fixação quase que eternas… Isso aqui parece que não volatiza NUNCA, como pode isso acontecer numa fragrância?! Não sei se isso é bom ou ruim. Óbvio que devem existir inúmeros outros perfumes de mundo a fora com mesmas características, ou quem sabe até superior. Montale é uma Casa de perfumes de Nicho do Grupo RSS Enterprises e têm suas fragrâncias assinadas por Pierre Montale criador da Casa, que imprimiu em Pure Gold um floral frutal tão intenso e pungente que não é qualquer organismo que seja capaz de aceitá-lo, não. Ora, ele abre com um tapa na cara dado pelo Almíscar de forma tão concentrada que chego a acreditar que o Almíscar do mundo inteiro está ali e juntamente vem um ramalhete de Jasmim do tamanho de Júpiter puxando seus cabelos para trás e avisando que vem mais pancada de uma sociedade composta por Néroli, Baunilhão e Patchouli revoltados. Essa mistura louca inicial me fez recordar o Crystal Aura da AVON, que por sinal era um perfumaço que exalava metros e metros, ele foi descontinuado. Seu coração tem Damasco em caldas com Baunilha e mais Flor de Laranjeira ressecada, dando um aspecto mais sisudo à fragrância, tornando-a ainda maior que no início e também altamente invasiva. Em sua base é perceptível mais Almíscar com um leve cítrico somado a Baunilha e Flores Brancas que vão crescendo, espancando você, chutando seu estômago e lhe fazendo perceber que Pure Gold de Montale é perfume para ser aplicado com palito, ou caso contrário, será morte súbita consciente. Não é de se estranhar uma fragrância das mãos de Pierre Montale possuir tanta notoriedade, uma vez que o mesmo aperfeiçoou suas habilidades perfumísticas na Arábia Saudita criando perfumes para a nobreza do Oriente, daí a peculiaridade de suas fragrâncias serem tão comparadas aos Attar’s e consequentemente assustarem tanto as narinas do público Ocidental. Isso aqui é perfume primeiramente para Sheiks! [risos]… E, falar aqui sobre projeção e fixação seria ultra redundante, então cabe a cada um que ler tirar suas conclusões sobre, se é que elas existam.
Pure Gold - Montale
Jernê, eu e os leitores do blog te agradecemos por abrilhantar nossa sexta-feira! Beijos, querido amigo!

Blue Santal, Comme des Garcons

Antes de qualquer coisa, agradeço ao Denis pela amostrinha do Blue Santal!

O perfume foi criado em 2013 e tem outros dois ‘irmãozinhos’ azuis: Blue Encens, Blue Cedrat. Os 3 formam a coleção ‘Blue Invasion’.

Tem que gostar de sândalo! Daquele sândalo leitoso, cremoso, adocicado. Daquele já conhecido das colônias masculinas de nossos pais ou avós. Daquele que perfuma e satura o ar de lojas de roupas e artigos indianos.

Porque aqui ele é tudo: é leitoso, é doce, é ‘madeiroso’, é esfumaçado, é másculo, é sacrossanto, é indolente… É sândalo com um toque de pinheiro, com uma pimentinha preta (olha eu, ia falar pimenta do reino…) e um incenso pra atrair coisa boas!

A pimenta dá uma leve coçadinha na ponta do nariz, mas é gostoso, longe de incomodar! O sândalo adquire aspecto doce ou agridoce, senti as duas coisas. Um suorzinho pra dar vida, sabe?

É um sândalo bonito. Mas me trouxe aquela sensação de ‘eu já senti esse cheiro em outro lugar’, sabe? Onde será que foi?

Notas olfativas: agulhas de pinheiro, zimbro, pimenta, sândalo.

Les Lions D’Arthes, Jeanne Arthes

Jeanne Arthes é uma empresa de perfumes fundada em 1978 com sede em Grasse. A exportação de perfumes Jeanne Arthes é responsável por mais de 75% do volume de negócios de produtos da empresa. É detentora das marcas Jeanne Arthès, Jeanne d’Urfe e Jeanne-en-Provence. O nariz responsável pelos perfumes da marca é Jean-Pierre Bethouart.

Já ouvi por aí que a marca faz contratipos, ou melhor, perfumes com grande inspiração em outros já sucesso de vendas de marcas famosas. Eu conheço a marca já faz um tempo e sim, tem muitos perfumes que são muito parecidos com outros já consagrados. Mas o Les Lions eu não consegui associar e nenhum outro… E mesmo que tivesse, vou falar dele por si, sem comparações.

Vamos começar pelo frasco? Comprei por causa dele, confesso! Uma coisa toda Lannister (já leu Game of Thrones?), tampa adornada por um leão muito bem feito, laterais do vidro com leões esculpidos no vidro, foscos – desta vem não tão bem feitos – mas ainda bonitos! Todo chamativo: caixa pomposa com detalhes em dourado, frasco exótico (meio kitsch) e imponente!

Les Lions começa com cheiro de frutas cítricas doces, pêssego cremoso, damasco seco meio amarguinho. Tem coração floral exótico e especiado, forte acento de cravo (especiaria). As flores são picantes, adoçadas, quentes. Tem algo de oitentista, aquela coisa floral-melíflua-opulenta, porém discreta. Só lembra, não é de fato.

As notas finais de Les Lions é uma mistura de baunilha, almíscar, patchouli e um tico de musgo-de-carvalho. Aqui tive novamente a impressão de estar frente a uma releitura de algum perfume bomba dos anos 80.

Les Lions é um bom perfume, projeta bem, fixa em média 6 horas (tá ótimo né?), é bonito e o preço é bom! Precisa mais?

Notas de saída: laranja, tagete, bergamota, tangerina, limão, cassis.

Notas de coração: noz-moscada, raiz de íris, jasmim, rosa, cravo-da-Índia, ylang-ylang, pêssego.

Notas de fundo: almíscar, baunilha, patchouli, cedro, sândalo, musgo-de-carvalho.

Gosto muito de você, Leãozinho!

Divas Perfumadas…

O post de hoje é dedicado ao amigo Dino Napoleão! Vamos ver como eram as penteadeiras das  divas de Hollywood em décadas passadas? Não sei se eram perfumes pessoais ou de algum set de filmagem, mas mesmo assim vale visitar essas mulheres maravilhosas e tão perfumadas, certo?

Elizabeth Taylor

Elizabeth-Taylor

Ava Gardner

ava gardner

Thalia Barbarova

THALIA BARBAROVA

Betty Grable

betty grable

Carmen Miranda (coleção pessoal)

Carmen Miranda 1carmen miranda 2

Carole Landis

carole landis

Rita Hayworth

rita hayworth rita-hayward

Dorothy Lee

dorothy lee and perfume

Floresta, Amazonia Viva

Já fale anteriormente do Preciosa, também da marca nacional Amazonia Viva. Depois dele, fiquei muito curiosa nos demais perfumes da marca e acabei pegando os outros 2: Floresta e Madeiras.

Floresta não tem a mesma ‘potência’ do Preciosa, é mais verde, mais delicado.

Inicia com notas verdes e florais, uma sensação te ter esmagado entre os dedos pétalas frescas, ervas aromáticas e até mesmo um pouco daquela substância leitosa que sai de certas folhas ‘gordinhas’ e galhos.

Depois de algum tempo surge um odor quase medicinal, balsâmico e estranhamente doce. Agridoce, vamos dizer. E ainda verde. Tem uma coisa de alfavaca, já sentiu?

No final, Floresta mostra nota bem equilibrada da planta chamado oriza*, o já conhecido patchouli. Vem doce, exótico, mofadinho, mas nada intenso. É chá de patchouli!

É um bonito e exótico floral-verde-picante! Não tem ‘cheiro de mato’, longe disso, mas tem uma rosa bonita com aspecto ‘retrô-empoado’ e um patchouli tão diferente! E mais uma vez um perfume da marca Amazonia Viva me encantou… Deve ser o feitiço da Matas do Boto e do Curupira…

E mais: ele é encontrado a preço quase simbólico em lojas virtuais brasileiras, viu?

Notas de saída: rosa da Bulgária, ylang-ylang de Madagascar

Nota de coração: copaíba

Nota de fundo: oriza

*Oriza ou Patchouli de Java (Pogostemon heyneanus) é uma planta abundante principalmente em Sumatra e Java, mas também no norte e nordeste do Brasil, principalmente no Maranhão e Pará, onde é chamada de oriza. A planta chega a altura de 90 cm, tendo haste forte e folhas macias. Produz óleo essencial que é extraído das folhas colhidas na estação molhada. A colheita, feita à mão, acontece de duas a três vezes ao ano. É empacotada e posta a secar parcialmente por alguns dias antes que o óleo esteja extraído através da destilação de vapor. O processo de fermentação ‘amacia’ as divisões celulares da planta, facilitando a extração do óleo essencial.

**Copaíba (Copaifera sp) fornece o bálsamo ou óleo de copaíba, um líquido transparente e terapêutico, que é a seiva extraída mediante a aplicação de furos no tronco da árvore até atingir o cerne. O óleo da copaíba é um líquido transparente, viscoso e fluido, de sabor amargo com uma cor entre amarelo até marrom claro dourado. O uso mais comum é o medicinal, sendo empregado como anti-inflamatório e anticancerígeno. Pelas propriedades químicas e medicinais, o óleo de copaíba é bastante procurado nos mercados regional, nacional e internacional. Em algumas regiões, o chá da casca é bastante utilizado como anti-inflamatório.

Fonte: http://www.amazonlink.org/biopirataria/copaiba.htm

https://www.horizonherbs.com/product.asp?specific=2146

Chanel N°5 Eau Premiere, Chanel

Eis que surge um Chanel N°5 para as novas gerações! Moças e rapazes que um dia, curiosos, irão se aventurar nos caminhos do Chanel N°5-pai…

Eau Premiere nasceu em 2007, foi criado por Jacques Polge e tem sim traços que o unem ao mítico N°5: a nova versão é mais leve, mais fresca, mais suave, mais delicada e adequada para o uso diário. Chanel N°5 Eau Premiere inclui ingredientes originais de N°5: rosa absoluta, jasmim dos campos de Grasse, neroli e ylang-ylang das Ilhas Comores.*

Não nega que é filhote do mítico 5! Estão lá os aldeídos, o bouquet floral cálido e polvoroso, a base morna. E para por aí, o que ao meu ver, é bom! Do contrário não seria uma nova versão jovem e moderna do clássico, teria falhado em sua proposta.

Ao passar na pele (aliás, obrigada Barbarella pela amostra preciosa!) me surpreendi com as primeiras flores adocicadas, atalcadas e exóticas! Esses aldeídos, sempre fazendo graça! Logo surgem mais flores: desta vez rosas e jasmins. E elas chegam sensuais, lânguidas, roçam na sua pele e se oferecem, macias e mornas…  O interessante é que as flores da saída não desaparecem nem um instante: ficam ali rolando na cama ylang-ylang, jasmim, rosa e neróli.

As notas de base são adocicadas (mas nada gourmand) e profundas. Acho até que são um pouco escuras, brincando com a luminosidade inicial trazida pelos aldeídos.

Chanel N°5 Eau Premiere é pra quem ama o Chanel N°5. E pra quem o odeia. É pra todo mundo, esse lindo!

Notas de saída: neróli, ylang-ylang, aldeídos.

Notas de coração: rosa, jasmim.

Notas de fundo: baunilha, sândalo, vetiver.

*Segundo descritivo do site: http://www.fragrantica.com/perfume/Chanel/Chanel-N-5-Eau-Premiere-1360.html