Midnight in Paris, Van Cleef & Arpels

Confesso que já comprei muito perfume por causa do frasco. E olha que luto bravamente para que tais ‘armadilhas’ não mais me peguem. Mas nem sempre adianta…

Midnight in Paris foi sim comprado pelo frasco. Como resistir a esse estrelado anoitecer? E ainda bem, é um excelente perfume! Segundo o site da marca foi inspirado diretamente em um relógio epônimo* da marca, o Midnight in Paris e incorpora toda poesia de uma noite estrelada vista do coração da “cidade luz”.

MIP (vamos chamar assim?) é perfeitamente compartilhável, elegante, confortável, nada invasivo, casa bem com temperaturas mais amenas. Inicia com um belíssimo acorde herbal/couro que dá uma sensação emborrachada deliciosa! Imagine uma mão enluvada esmagando ramos de lavanda e manjericão!

Logo aparecem notas de chá morno, eu chutei logo no Earl Grey. E não errei tanto não, afinal, tal chá é aromatizado com bergamota e em suas notas constam o chá mate, o chá verde, bergamota e limão amalfi. Aos poucos aparecem as notas adocicadas e balsâmicas: tem amêndoas (pra mim, leite de amêndoas), fava tonka, benzoim, incenso, âmbar!

Encontrei nele algo do Hypnotic Poison, porém mais suave, mais pro aconchegante do que pro arrasa-quarteirão!

Em certo momento eu pensei ter achado no MIP íris polvilhada de Nescau, algo polvoroso e achocolatado, mas ainda assim distante do gourmand. Coisas da tonka, o tempo todo presente no MIP!

E agora me veio na cabeça tâmaras secas! De doçura exótica e farinhentas! Se MIP tivesse um sabor, acho que seria de tâmaras…

Enfim, um grande perfume!

Criado por Domitille Bertier e Olivier Polge, foi lançado em 2010.

Notas de saída: chá mate, alecrim, limão amalfi, bergamota, couro.

Notas de coração: styrax, chá, lírio-do-vale.

Notas de fundo: fava-tonka, benzoim, incenso, amêndoas, âmbar.

* Epônimo: é o nome de uma personalidade histórica ou lendária que dá ou empresta seu nome a alguma coisa, um lugar, época, tribo, dinastia, etc.

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Desodorante-Sedução!

Sério, o Felipe Massa? Conquistador e sedutor?

No Brasil temos o hábito de usar desodorantes perfumados que muitas vezes desempenham o papel do perfume. E vez ou outra, as propagandas de tais produtos focam muito no poder de ‘sedução’ que tais produtos teriam! E não é só nas propagandas lá dos anos 80/90 não, até hoje temos o Axe prometendo tornar garotos tímidos em galãs irresistíveis!

Não é novidade: propagandas de perfume, sabonete, desodorante – a perfumação do corpo como um todo – muitas vezes descamba pro lado sedutor… se não tem jeito mudar esse contexto, vamos mesmo é dar risada!

Se neste post vamos ter mais produtos e propagandas voltadas ao público masculino aqui vemos o poder das propagandas de perfumes sobre o sexo feminino.

Aperta o play!

“Não é perfume, é o meu desodorante!”

“Com Avanço, elas avançam…”

Continuam avançando…

Cheio de simbologia erótica, Axe Temptation

Nem elas aguentaram…

Então, meninos, não se esqueçam, o segredo da sedução é o suvaquinho cherôso!

Feuilles de Rose, Molinard

Imagem retirada do (atualmente desativado) blog Village Beauté

Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.”

Assim disse Antoine de Saint-Exupéry, ‘pai’ do Pequeno Príncipe e de sua rosa cheia de orgulhos, vaidades e exigências: regador, para-vento, redoma!

A mesma rosa depois submete-se ao vento e ao ambiente para conhecer as borboletas…

E assim é a rosa de Feuilles de Rose, da Molinard. Começa petulante, moderninha, rodeada de servas-frutinhas. Depois destaca-se seu caule, suas folhas e até seus espinhos.  Adquire faceta verde, galhos partidos, folhas e flores esmagadas. O orgulho de tal rosa começa e arrefecer e vemos algo além do superficial, das pétalas carnudas, das cor perfeita…

Mais pra frente, ainda mais liberta das amenidades e ciente de sua beleza e soberania, a rosa de Feuilles de Rose mostra-se cremosa, ultra-feminina: aquela coisa toda de creme, pomada, maquiagem!

No final ganha a companhia e o carinho da baunilha para ficar adocicada, cheiro de geleia de rosas! Aqui o perfume fica rente a pele, torna-se confortabilíssimo e naturalmente sensual, do tipo que acabou de levantar da cama com a pele ainda quente. Quando o Pequeno Príncipe retirava a redoma, era esse o cheiro que devia sentir…

Para mim, umas das melhores rosas que já senti! Sem grandes exuberâncias. São diversas faces de uma mesma rosa, de qualquer rosa. Dessas que dá em nosso jardim…

Foi lançado em 2003.

Notas de saída: damasco, pêssego, notas verdes.

Notas de coração: rosa da Bulgária, jasmim, pimenta preta, ylang-ylang.

Notas de fundo: almíscar, baunilha.

Truth or Dare Naked, Madonna

Visto que admirei a ousadia e beleza do Truth or Dare, resolvi arriscar na versão Naked! E justamente agora que chegou o outono e as temperaturas diminuíram, pude conhecer melhor a intenção do perfume. E digo: é boa!

Naked é um floral amanteigado, achocolatado. Ainda é amadeirado-leitoso, cremoso e aconchegante.

Não vejo grande evolução, não consegui identificar suas ‘fases’. Notas de saída, coração e fundo praticamente não existem aqui. Do começo ao fim apresenta flores de pétalas carnudas, cerosas e névoa achocolatada: coisa de cacau mesmo e não aquela sensação de chocolate provocada por patchouli. Aqui é chocolate em pó polvilhado mesmo. A sensação de conforto, acolhimento e calorzinho vem das facetas amadeiradas, pois aqui tem sândalo (pra mim a tradução olfativa do abraço) e oud!

Tem ainda uma resina espertinha que esfumaça toda a composição e tira o cacau da esfera gourmand, deixa tudo mais adulto!

Truth or Dare Naked é sexy sim, coisas de Madonna. Tem que tomar cuidado para não se tornar invasivo e incomodar narizes alheios.

Escrevendo sobre ele não tirei da cabeça a tal Cerveja Amanteigada do Harry Potter. Deve ser por causa da sensação cremosa que ele passa e do flerte culinário vindo do chocolate…

Foi criado em 2012 por Stephen Nilsen.

Notas de saída: madressilva, flor de pessegueiro, neroli.

Notas de coração: orquídea, cacau, lírio-do-vale.

Notas de fundo: benzoim, cedro, sândalo australiano, oud.

Conversando com o Diretor da Paris Elysees…

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Com muita satisfação venho contar que recebi o contato do gentil Sr. Laurent, Diretor da Paris Elysees no Brasil. Sempre deixei claro o carinho que tenho pela P.E. por diversos motivos, sendo os dois principais: já ter usado muitos perfumes da marca e por praticarem comércio honesto, produtos de boa qualidade associados a preço acessível.

Em agradável e esclarecedora conversa ao telefone com Laurent, ele explicou o motivo da marca não considerar seus produtos contratipos (inclusive, acha que o termo deprecia os produtos e o próprio consumidor). O que a Paris Elysees faz é observar e estudar tendências de mercado e desenvolver em laboratório próprio (em Grasse) suas próprias formulas que utilizam principalmente matérias primais naturais. Este modo de trabalho sobre as tendências mundiais é comum entre todas as marcas, seja no mercado seletivo, no mercado da moda e até de alimentos! Quantos perfumes do mesmo ‘tipo’ o Flowerbomb, temos disponível, só para exemplificar?

Contou que a marca vem investindo no uso de matérias primas naturais, inclusive adquiriu terras em Madagascar aonde ja iniciou o processo de plantio de plantas como o patchouli, ylang-ylang e jasmim! No site internacional da marca explica-se melhor a importância que a marca atribui ao uso de óleos essenciais e matérias primas de origem natural.

E aí você pergunta: nossa, mas usando matéria prima natural o preço não seria lá em cima? Laurent explica que a paris Elysees investe há mais de 20 anos na cadeia de abastecimento e conseguiu buscando as matérias primas diretamente de produtores independentes no mundo inteiro, e não através de intermediários, para obter qualidade superior a custo acessível. Ele me explicou que cada óleo essencial tem grade de qualidade que vai do A ao E, da mais cara a mais barata, a mais barata sendo muitas vezes sintética. E a Paris Elysees busca utilizar a que será melhor ao consumidor final, em termos de qualidade e preço.

Outras duas coisas permitem que a Paris Elysees mantenha o bom preço de seus perfumes: eles mesmo produzem e envasam! Nada de solicitar a criação de uma nova fragrância para grandes nomes como Givaudan, Firmenich. A própria Paris Elysees cria (claro, baseado em tendências olfativas internacionais) e produz seus perfumes! Mais uma: a embalagem. Os frascos têm custo cuidadosamente estudado para não encarecer demais o perfume. O foco primordial é na qualidade da fragrância, e criando depois um estilo próprio e agradável ao consumidor com custo adequado.

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Contou que em breve a marca lançará a linha ‘La Petit Fleur’, com design diferenciado e uso de matérias primas naturais, inclusive o cobiçado Oud (negociado pela marca diretamente em Dubai). Essa linha será sim um pouco mais dispendiosa, mas Laurent garante que valerá a pena! Vamos aguardar o lançamento!

Enfim, foi um prazer conversar com o Laurent! Ele foi muito simpático e demonstrou que possui amplos conhecimentos na área da perfumaria, pois nela atua há muitos anos! Sobre a Paris Elysses, foi esclarecedor conhecer a proposta, filosofia e estratégia da marca!

Conversamos até sobre antigos perfumes como o querido Acapulco Love, o Noemi, o Aloha…

Agora gosto mais ainda de você, Paris Elysees! Pelo respeito ao seu consumidor! Só tenho a desejar mais e mais sucesso! E mais lançamentos para nós!

PS. Não é um publipost. É informação ao consumidor, de uma empresa internacional cujo Diretor teve a gentileza de telefonar para mim e conversar sobre a proposta da marca! Obrigado, Laurent!

Abaixo imagens da viagem a Dubai para conhecer os produtores do Oud e vídeo de uma entrevista de Laurent sobre a linha “Essential Elements” e “La Petit Fleur”!

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Arrogance Pour Elle, Arrogance

Comprei esse perfume em uma loja virtual brasileira, não lembro qual, faz uns 8 anos. Sinceramente, não sei se ainda existe por aí.

Fazia um tempo que não usava e hoje (e ontem a noite) ele foi o escolhido. É um perfume ultra-feminino de saída vibrante (lembra o clichê que hoje muitas criações repetem: inspirado na Sicília, no Mediterrâneo, nas praias da Calábria), essa coisa toda cítrica, de mandarina, flor-de-laranjeira. toque picante de alguma especiaria.

Tem um bonito coração floral polvoroso com íris, rosa, tuberosa, jasmim! Notas de base que dá sensação de conforto e calorzinho, baunilha com almíscar, sabe? Dá vontade de abraçar!

Em alguns momentos trouxe algo do Kenzo Flower, em outros do Boudoir da Vivienne Westwood…

Agora que ‘redescobri’ o Arrogance em meu armário, vou usar mais vezes! Muito me agradou a sensação de feminilidade e conforto que passou! Tem uma faceta adocicada-floral bem gostosa e evidente, mas nada incômoda.

É perfume cor-de-rosa, porém não infantilóide ou banal! Será perfeito pra esse início de outono, emprestará elegante e delicada doçura!

Notas de saída: bergamota, mandarina, flor-de-laranjeira, pimenta-rosa.

Notas de coração: rosa da Bulgária, íris, tuberosa, jasmim, peônia.

Notas de fundo: baunilha, almíscar, cedro

A Arrogance é uma marca italiana que iniciou as atividades em 1982 e o nariz responsável pelas criações é Maurizio Cerizza.

Vamos falar de coisa boa? Perfumes lindos para tempos de crise!

Não é segredo que o país está em maus lençóis. Crise política e econômica, corrupção, crise hídrica, pedido de impeachment, panelaço… E é por isso que a Mesa Redonda dos Blogs Perfumados de março resolveu embelezar a coisa toda e falar de perfumes lindos! Perfumes que de alguma forma, fazem recuperar a esperança em dias melhores! Começo com L’Heure Bleue, da Guerlain! Falei dele aqui, e não me acanho de trazer novamente essa beleza de  1912! O perfume fala da hora-azul, o momento do entardecer quando o sol se põe e as estrelas aparecem. Como eu disse anteriormente, L’Heure Bleue soube envelhecer sem perder a beleza e o encanto! É uma mulher madura, sábia, sedutora e que guardou no coração a esperança e a intensidade de seus 15 anos. Necessário a todos fãs da arte da perfumaria! L’Air du Temps, de Nina Ricci foi criado em 1948, logo após o término da II Guerra Mundial e as pombas em sua tampa simbolizam a paz. Ar dos novos tempos, é um perfume floral especiado datado, rico e aveludado. Em breve farei resenha dele! Seu frasco´e um dos mais belos de todos os tempos, desenhado por Marc Lalique. Joy, de Jean Patou foi considerado por muito tempo ‘o perfume mais caro do mundo’. Foi lançado em 1930, em meio a Grande Depressão de 1929, época de privações e desespero. Utilizava as matérias primas mais caras e foi como um ‘antídoto’ ao esmagamento financeiro da grande maioria das pessoas da época. Diz-se que era feito com 10.600 flores de jasmim e 28 dúzias de rosas! Shalimar dispensa apresentações! Nada mais belo do que o amor, e o ode ao amor imortal da casa Guerlain teve aqui uma resenha simples, pois não encontrei na época inspiração à altura de sua beleza. ‘Nasceu’ em 1921 porém só fora lançado no mercado em 1925 e é considerado patriarca da família Oriental. Usou dose exagerada de vanilina em usa composição, o que lhe conferiu sensualidade e feminilidade únicas! Segundo nos conta a Srta. Anjos, do belíssimo blog Perfume na Pele, havia um ditado de época que dizia que uma ‘mulher direita’ não fumava, não dançava tango, nem usava Shalimar. Nos casamentos e enlaces que vou sempre uso Shalimar! Como se fosse um desejo de eternidade ao amor que estou ali presenciando! Chanel Nº5 Eau Premiere é democrático, e essa é uma de suas belezas! É para quem ama e para quem odeia o Chanel N°5-pai. É para quem gosta do vintage, mas não abre mão da modernidade.  Ele não nega as origens, mas inova com extrema elegância e bom gosto! Falei dele aqui.

Com a alma, os olhos e o nariz enlevados pelo belíssimo quinteto acima, recomendo a leitura: Le Monde est BeauO templo dos Perfumes, ParfumeéPerfume Bighouse, Floral & Amadeirado,