Samambaia, Phebo

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Voltei. Meus problemas ainda existem, nada foi efetivamente resolvido. Mas não adianta ficar pensando só neles, a vida segue e temos que nos lembrar sempre das coisas boas e que nos fazem felizes.

Perfumes me fazem feliz e acho lindos os frascos art déco da linha de ‘perfumaria fina’ da Phebo!

E em algum lugar li que o Samambaia lembrava em alguns aspectos o Chanel 19 – que adoro – mas a versão que possuo (EDT) tem desempenho medíocre na minha pele.

Samambaia é um perfume gostoso, primaveril, limpinho. Mas a dita ‘fixação’ não é das melhores, sinto-o em minha pele por no máximo 3 horas após uma aplicação generosa.

Mas como disse lá no começo do post, vamos falar das partes positivas, ver o lado bom das coisas e da vida né?

O perfume tem notas de saída cítricas e herbais. Me faz pensar em uma limonada com erva-doce. Sem nunca abandonar a faceta verde e de aspecto seivoso, Samambaia revela um bouquet floral delicado e com breve aspecto polvoroso, até mesmo retrô. Destaque para o muguet, o jacinto e a gardênia.

As notas de fundo são almiscaradas, aquela coisa funcional de sabão em pó. E tem um quê interessante, um breve toque animálico que me fez pensar no cheiro daquela blusa que você já usou, mas ainda não está suja o suficiente para colocar pra lavar, sabe?

Tem cara de sabonete, produto de limpeza? As vezes. Mas é extremamente elegante e confortável.

Notas olfativas segundo o site oficial da marca:

Notas de Topo: limão, bergamota, gálbano e pimenta preta.

Notas de Corpo: muguet, ylang ylang, gardênia, jacinto e violeta.

Notas de Fundo: cedro, musk, jasmim, âmbar e musgo branco.

 

Feliz 2017!

Vim desejar que 2017 seja brilhante, afortunado, iluminado e perfumado! Estou passando por um momento complicado em minha vida pessoal e não estou ‘com cabeça’ para fazer resenhas ou comentar sobre perfumes. Espero que entendam!

Deixo vocês com uma bela e antiga imagem do perfume Arpège (Lanvin) celebrando o Ano Novo!

Happy New Year!!! Ala Lanvin Arpege.:

Xocoalt, Fueguia 1833

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Ah, chocolate…

Nasceu como a bebida preferida dos deuses maias. Virou moeda para os astecas e se tornou barra no século 19, na Europa. Alimentou o exército americano na Segunda Guerra e a ciência descobriu suas capacidades antidepressivas.

Por volta de 1400, os Astecas dominam a civilização maia. O cacau servia de alimento e oferenda para os Deuses. A bebida feita com o cacau adicionada de pimenta, baunilha, mel, flores e outros ingredientes recebe o nome de cacauhatl (água de cacau) ou xocoatl (água amarga) e era consumida pela nobreza.

Os pobres consumiam em ocasiões especiais – como casamentos – misturados a um mingau de milho. Mas havia outro jeito de apreciar a bebida tão preciosa: o indivíduo que se oferecesse a sacrifício receberia o xocoalt como um agrado, antes de partir. Isso acontecia em eventos como o festival feito em homenagem a Huitzilopochtli.

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Mas o Xocoalt da casa argentina Fueguia 1833 não é só para a nobreza e nem precisa se entregar em sacrifico por ele! Se você tiver 100 dólares sobrando um frasco de 30ml pode ser seu!

Como se fosse fácil ter 100 doletas disponíveis para torrar em perfume. Talvez valha a pena repensar a questão do sacrifício…

O perfume teria tudo pra ser de uma doçura explícita e até mesmo enjoativa, mas a Fueguia soube dosar lindamente suas notas e Xocoalt tem um quê tostado e amarguinho que intensifica depois de umas 3 horas na pele.

Começa com baunilha esfumaçada, em vários momentos questionei se existia algum tipo de incenso entre as notas olfativas do perfume. O cacau é bem presente e me fez pensar no que eu conheço de mais próximo do fruto in natura, o cacau em pó usado em muitas preparações culinárias. Logo me veio a cabeça o cheiro da orquídea Oncidium Sharry Baby, que tem um delicioso cheiro de chocolate!

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A baunilha vai aos poucos tornando-se mais gustativa bem como o cacau, que  vai ‘adoçando’ e logo faz lembrar bombons finamente recheados de licor.

Xoxoalt tem um forte aspecto boozy, em muitos momentos me fez associar a um drink que muito me apetece, o Alexander.

É um perfume de delícias, faz suspirar!

Criado em 2010 por Julian Babel, são suas notas olfativas: orquídea, baunilha, cacau, rum.

Fontes: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI130808-17770,00-BREVE+HISTORIA+DO+CHOCOLATE.html

http://popscience.com.br/chocolate-uma-dadiva-da-mesoamerica

 

Noel au Balcon, Etat Libre d`Orange

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Como diria a Simone, ‘então é Natal’!

Noel au Balcon nos conta sobre uma moça capaz de fazer homens acreditarem no Papai Noel! Ela ilumina e aquece a festa, ela é hipnotizante! Ela sonha com o homem que entrará em seu quarto pela varanda logo após meia-noite e a conduzirá por outros caminhos…

E como cheira essa moça idealizada e idealizadora? Mel, frutas, especiarias! E nada exagerado, o cheiro parece que emana de sua pele naturalmente, é o aroma que fica no ar quando ela dança ou se agita.

Começa com mel, damascos secos e um leve amargor vindo da casca de frutos cítricos. O damasco tem um quê plastificado, emborrachado e o mel apresenta ao invés de sua doçura, sua face animálica e que muitas vezes faz lembrar saliva.

Logo surgem notas picantes e adocicadas, canela e pimenta. E o mel aí presente, o tempo todo. Agora está mais doce.

Depois de umas 3 horas de uso as notas de fundo começam a se tornar mais evidentes e reconhecíveis. A baunilha vem doce e macia. As flores carregadas de pólem e o cominho retomam aquela faceta animálica do perfume. E não podemos esquecer que tem montes de almíscar. E aí a gente pensa: nossa, como a ELDO forçou a barra para o perfume ficar sexy e carnal né? Pode ser, pode ser. Mas o resultado foi bem elegante, no final das contas. É uma sensualidade pura, como a dos pêssegos. E como condenar ou censurar o que é natural?

E me trouxe outras impressões também. Me fez pensar em pessoas recém banhadas vestindo suas roupas novas e limpas em volta de uma farta mesa natalina, onde estariam as sobremesas e frutas. Todos ansiosos para atacar!

Aí eu percebi que a imagem foi outra, mas a alusão ao prazer sensual e sensorial é a mesma. Seja na fantasia da jovem da varanda ou na sala onde repousam os doces… Somos de fato movidos pela busca do prazer, venha ele de onde vier…

O nariz responsável pelo perfume é Antoine Maisondieu. Foi lançado em 2007.

Notas olfativas (segundo site da marca): Tangerina, baunilha, mel, flor de laranja, damasco, pimenta vermelha, patchouli, musk, esteva (ládano), canela, cominho.

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Feliz Natal para todos!!!

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Canela (Cinnamomum verum)

North, Marianne, 1830-1890; Foliage and Flowers of the Cinnamon Tree

Cinnamomun: deriva de amomon, palavra do hebraico e árabe que significaplanta de tempero perfumado‘. E estamos em época de Natal! E ao menos no Natal dos meus sonhos (que teria neve e aconteceria em uma chalé com lareira e chaminé nos Alpes) a cozinha cheiraria a biscoitos de canela com gengibre…

Vale lembrar que isso é uma republicação, o texto original apareceu no blog em 02/10/2014.

A canela usada na culinária começa é a casca interna de uma grande árvore de seis a 10 metros de altura, mais frequentemente cultivada no Sri Lanka (o antigo Ceilão). A canela é usada desde a antiguidade por gregos, romanos, hebreus, indianos e chineses, utilizada para fins religiosos e aromáticos, tratada como uma especiaria de comércio extremamente lucrativo. Os chineses a tratavam como ‘madeira doce’ e a consideram símbolo de sabedoria. Além desse tipo de canela existe outra espécie chamada de ‘canela falsa’ muito mais barata, cultivada na China e seu nome científico é ‘cinnamomum cassia’.  Até a canela que vem da China é falsificada, vê se pode! Provavelmente consumimos Cássia a vida toda pensando ser canela…

É mencionada em na Bílbia diversas vezes: em Êxodo 30:23, quando Deus ordenou a Moisés o uso da canela doce e cássia, e em Provérbios 7:17-18, quando um leito nupcial é perfumado com mirra, aloe vera e canela.                    

No início do século XVI era trazida por comerciantes portugueses diretamente do Ceilão, chegando um quilograma a valer dez gramas de ouro. O comércio português no Oriente foi perdido progressivamente para a Companhia das Índias Orientais holandesa, que se apoderou dos entrepostos portugueses na região a partir de 1638: “As margens da ilha estão repletas dessa planta, relatou um capitão holandês, e é a melhor de todo o oriente: quando uma pessoa está no litoral, pode-se sentir o aroma a oito léguas de distância“.

Iluminura: Mercador de Canela, retirada daqui.

A árvore da canela chega a atingir até 10 metros de altura. Sua casca é extraída dos ramos e comercializada em pau, raspas e pó. É utilizada na culinária, na fabricação de bebidas, medicamentos, sabonetes e perfumes. O óleo da canela é obtido através das folhas por destilação a vapor. O aroma e o sabor da canela são marcantes, ligeiramente amarga, cheirosa e doce. Deve ser guardado em vidros esterilizados, bem fechados e longe de umidade.

O óleo também pode ser destilado da casca – muito mais potente e menos utilizado.

Principais componentes da canela: a casca contém cerca de 40 a 50% de cinamaldeído, e entre 4 e 10% de eugenol. A folha tem 3% de cinamaldeído e entre 70 e 90% de eugenol. A canela também contém linalol, acetona de metilamina e outros componentes. O aroma da canela: doce, quente e apimentado. O sabor e aroma intensos vêm do aldeído cinâmico ou cinamaldeído.

Combate à hipertensão arterial, fadiga, depressão, é tônico para o sistema respiratório e digestivo, age na cura das úlceras estomacais, tosses, resfriados, gripes, diarréia, dores e gases abdominais. Ajuda a prevenir a osteoporose e aliviar sintomas da menopausa, combate o reumatismo, como afrodisíaco atua em casos de impotência sexual. Existem ainda inúmeras aplicações medicinais, que são obtidas através da mistura com o mel. O óleo de canela atua contra as dores artríticas, musculares e reumáticas. Combate o stress, a frigidez e a impotência, as gripes e resfriados, as infecções microbianas, a neurastenia ou qualquer tipo de estagnação física, emocional ou mental. É um forte estimulante circulatório, cardíaco, metabólico e respiratório, ajuda a relaxar os músculos. Use duas a quatro gotas por 30 mililitros de óleo vegetal.

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Fontes: http://saude.hsw.uol.com.br/aromaterapia-canela.htm

http://aromaterapiadapaula.blogspot.com.br/2012/12/potencialidades-do-oleo-de-canela.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Canela

http://prosimetron.blogspot.com.br/2013/09/pagar-em-especie.html

http://plantgenera.org/illustration.php?id_illustration=329360&SID=0&mobile=0&code_category_taxon=9&size=1

Accord 119, Caron

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Quem tem amigo tem tudo. Antes de começar a divagar sobre o maravilhoso Accord 119, agradeço as queridas Andréa Faria – por ofertar uma fração do perfume – e a Elen Costa, que fez a gentileza de trazê-lo até minhas mãos. E não foi só esse, foram tantas amostras preciosas que me deixaram tão feliz! Obrigada!

Começo dizendo que ele é da Caron, tradicionalíssima e maravilhosa casa de perfumes francesa fundada em 1904 por Ernest Daltroff. Com certeza é coisa boa! E a cor? Ambarina, acobreada, mel! Aí li que o Accord 119 estava na concentração ‘parfum’…

Já estava encantada antes mesmo de cheirar. Abri o frasquinho e dei uma borrifadinha mínima na pele, daquelas que a gente aperta a válvula devagarzinho para não sair muito perfume. E foi o suficiente para invadir o ambiente e inebriar meus sentidos! Mas só no terceiro uso consegui escrever sobre minhas impressões.

O perfume é brevemente espesso mas não chega a ser oleoso. Em um primeiro momento achei que tinha um toque ‘acetonado’ e medicinal. E aí o perfume cresce e explode!Resultado de imagem para Accord 119 caron

Sinto flores com aspecto levemente retrô, folhas frescas e de odor pungente, frutos doce e frutos picantes. Tem uma doçura toda macia, quase melíflua. Essa doçura, em minha modesta opinião vem do heliotrópio e do belíssimo uso da baunilha que me fez pensar nos antigos clássicos da Guerlain. E, de certa forma, das frutas! Pêssegos, nectarinas e bagas silvestres que mancham as mãos.

Tem almíscar ‘em camadas’: no começo é macio e confortável, logo mostra uma ‘impureza’ toda sensual e provocativa. E aí você fica buscando de onde vem esse aspecto floral viciante e amanteigado, esperando que ele tome mais volume. E não toma. Ele está tão entrosando com as demais notas, não tem o menor interesse em ganhar destaque… mas eu achei que era rosa e jasmim.

E em meio a tanta opulência existe um certo ‘frescor-crocante-canforado’. Patchouli?

No final, em meio ao que comumente chamados de ‘ambarino’, existe um quê animálico que me fez pensar naquelas saudosas bombas de décadas passadas, como o Joop! Femme e o Animale.

Enfim, Accord 119 é um perfum e riquíssimo, belíssimo e achei dificílimo falar sobre ele. Trouxe muitas sensações e me fez lembrar de nuances de tantos outros perfumes: Shalimar, First, Joop! Femme, Animale, Molinard Musk.

Accord 119 nasceu em 2011 e foi criado pelo perfumista Richard Fraysse, que já criou muitíssimos perfumes para a Caron.

Notas olfativas: cassis ou groselha, amora, jasmim, heliotrópio, patchouli, baunilha, almíscar, âmbar, pimenta preta e folha de cassis.

 

 

 

Língua do Perfume? Vamos entender um pouco mais?

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Não sei se é do seu hábito ler sites especializados sobre perfumes. Se não é, apresento aqui uma incrível série feita pelo site fragrantica.com.br sobre a linguagem do perfume.

Segundo o site: tornar-se um fã de fragrâncias essencialmente requer que aprendamos uma nova linguagem e há um tanto de terminologia especializada que usamos quando falamos de perfumes, do processo de criação até quando os usamos. Muitos desses termos podem ser facilmente confundíveis, por isso nossos escritores internacionais do Fragrantica apresentam uma série com 5 partes para ajudar a construir o nosso vocabulário e clarificar mal-entendidos.

Vamos ler os 4 textos já publicados?

Texto 1

Texto 2

Texto 3

Texto 4