Good Girl Gonna Bad, By Kilian

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Para quem não conhece, By Kilian é uma marca criada por Kilian Hennessy, neto do fundador do grupo LVMH (o “H” em LVMH é Hennessy).

Kilian Hennessy passou sua infância entre as adegas da família em Cognac (que chato!). Depois de se formar em um programa de comunicação e estudos de línguas, onde escreveu uma tese sobre a semântica dos odores na busca de uma linguagem comum entre deuses e mortais, Kilian passou a estudar com alguns dos maiores narizes em perfumaria e criando perfumes. Em 2007, Kilian lançou sua própria casa de perfume, de acordo com a longa tradição da família de produzir bens de luxo (fonte: http://www.fragrantica.com/designers/By-Kilian.html).

Ai, como deve ser bom ser herdeiro né? Nascer em uma família riquíssima e tradicional, viajar o mundo, frequentar as festas da alta sociedade, estudar o que e quando quiser (trabalhar idem), jogar pólo ou cricket… Essa é a vida do já citado Kilian! Eu tenho mais é que trabalhar para pagar meus boletos. E me dar por feliz de ter acesso a uma amostra do perfume, já que o frasco de 50ml custa a bagatela de 205 euros.

Good Girl Gone Bad faz parte da coleção ‘In The Garden of Good & Evil’ e foi lançado em 2012. É um perfume texturizado, sedutor e malicioso.

Começa cremoso e morno, notas florais amanteigadas que parecem penetrar na pele. Como se fosse uma pasta cremosa e levemente untosa que derrete ao contato com a pele, sabe? Bom, já avisei antes que encontrei no perfume texturas e sensações táteis…

As notas médias são deliciosamente maliciosas! Tuberosa cuidadosamente trabalhada para estar presente sem ser invasiva ou intoxicante, mas macia e sensual! Senti outra nota floral açucarada e empoada: a violeta. Bem feminina, quase inocente e juvenil! Forma um belíssimo contraste com a tuberosa. São complementares, são duas facetas.

Volta e meia sinto aspectos frutais lactônicos, seria pêssego, damasco? Outras vezes sinto algo como leite de coco, cremoso e levemente salino.

As notas finais são adocicadas, mornas e envolventes. Muito almíscar, âmbar, patchouli comportado. Serei sincera, esperava mais nessas notas de fundo. Achei bem comum e já vi em outros perfumes.

Não diria que essa garota* fez uma maldade. Diria que ela fez peraltice ou uma ‘safadezinha’. Mas enfim, o perfume é bem gostoso e sexy!

Notas olfativas: jasmim, osmanthus, rosa, tuberosa, narciso, violeta, ameixa, cedro, âmbar, patchouli, almíscar, vetiver.

Ah, deixo vocês com a deliciosa interpretação de Jessica Lange da música ‘Gods & Monters’, trilha sonora da temporada ‘Freak Show’ na série American Horror History.

* Good Girl Gone Bad – traduz-se para algo como ‘A garota boazinha foi malvada’.

 

 

 

 

 

Tabu (vintage), Dana

Tabu, Dana Parfumes, Paris:

Faz quase 4 anos que falei do Tabu que atualmente é encontrado nas farmácias e lojas de comércio popular por mais ou menos 10 mangos.

E desde então o polêmico perfume não saiu mais dos meus pensamentos. Eu queria de todo jeito conhecer a versão que assombrou a juventude de minha mãe. Consegui através do Ebay um Tabu versão Eau de Cologne da década de 60, LA-CRA-DO. Isso mesmo, embora a caixa estivesse a ponto de esfarelar, o frasco de 115ml veio com um lacre de metal logo abaixo da tampinha simplória de plástico preto. Parecia um lacre de ampola de remédio ou vacina. Olha o bonito aqui!

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Ai, que emoção quando rompi tal selo! Tinha em mãos um Tabu ‘virgem’, todinho para mim!

Como eu disse no post anterior:

“Tabu foi criado em 1932 pelo perfumista Jean Carles, pai de Miss Dior, Ma Griffe, Shocking. Começamos bem.
Tinha a fama de ser um “perfume de prostitutas” e há algumas lendas a respeito de tais mulheres de vida nada fácil terem sido a real inspiração para o perfume…
Ah, o inconsciente coletivo e tudo que é socialmente proibido! Seria isso que condenou Tabu as fogueiras pelas conservadoras donas de casa das décadas passadas?
Outra coisa: ele sempre foi um perfume “popular”, barato. E infelizmente temos e sempre tivemos a mania feia de rotular o que é barato de ruim”.
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Tomei a liberdade de roubar o texto da Ego in Vitro sobre o Jean Carles:

“Nascido em 1892, o perfumista francês fundou a escola Roure (hoje parte da Givaudan) no início do século XX e até hoje é conhecido pelo seu método de treinamento de perfumistas. Frequentemente comparado a Beethoven, Jean Carles se tornou completamente anósmico próximo à sua morte (1966), sendo este fato apenas conhecido por seu filho. O método de treinamento hoje conhecido por Método Jean Carles consistia de organizar 60 ingredientes naturais e sintéticos com notas distintas em famílias de notas e caráteres olfativos. Os estudantes primeiro deveriam reconhecer os contrastes de nuances entre notas dentro de uma mesma família antes de prosseguir para a próxima. O Método Jean Carles é ainda hoje bastante utilizado para ensinar novos perfumistas a memorizar e compreender notas olfativas, entender o relacionamento entre elas e ampliar o vocabulário olfativo”.

Quem lê bem em inglês poderá conhecer o Método Jean Carles com maior profundidade aqui.

Não me lembro quem foi, mas alguém uma vez comentou que se o Tabu fosse reembalado e vendido por aí como criação de um perfumista ‘da moda’ ou de alguma casa de nicho, seria um sucesso e cada frasquinho seria disputado a tapa. Se você foi a pessoa que disse isso, manifeste-se aqui que coloco os créditos por tal genial colocação.

Se ganhasse um novo nome – um bem chamativo e estranho – a exemplo, “Civet Dellirium”, minha nossa! Custaria uma fortuna.

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Mas vamos ao que interessa, o Tabu! Pela minha pesquisa o frasco que comprei é da década de 60, na concentração Eau de Cologne. Vou dizer, a colônia Tabu sessentinha ‘fixa’ e exala mil vezes mais do que qualquer Eau de Parfum da atualidade. Que potência!!! Usei só uma gotinha, uma umedecida de nada na ponta dos dedos e já fiquei toda cheirosa por horas! A noite, ao tomar banho, o cheiro ainda estava presente na pele! Treze horas na pele, baby!

O perfume é riquíssimo! Que profusão de notas, inebria o olfato! É especiado, quente, balsâmico e polvoroso, tudo ao mesmo tempo! É bem lascivo, vou avisando… remete a ambientes fechados e escuros, a atmosfera boudoir, quartos de hotéis meio decadentes com mobília antiquada.

Começa com notas picantes e brevemente cítricas, só mesmo pra dar uma arejada. É meio que ‘uma impressão’. Logo surgem notas florais carregadas e retrô. São rosas, ylang-ylang, jasmim, cravo em botão.

Mas a verdadeira personalidade do Tabu se encontra em suas notas de fundo, que de fundo não têm lá muita coisa. Explico… elas estão presentes o tempo todo. O ‘lençol’ de flores das notas médias não esconde em nenhum momento a sujidade e obscenidade que moram neste colchão!

E são tantas as notas de fundo que me foi impossível nomeá-las. Tem um inevitável aspecto animálico, sujo, suado. Tem madeiras, tem âmbar viscoso, tem patchouli mofado/picante, tem tons esfumaçados!

E Tabu também tem, bem no finalzinho, uma doçura elegante e confortável! Em muitos momentos é absolutamente feminino, em outros mostra uma virilidade bruta.

Ah, se o perfume vendido hoje por aí é fiel? Um tiquinho. É uma sombra do que já foi o Tabu, afinal custa 10 paus e certamente não possui mais ingredientes naturais em sua formulação. Mas mantém a ‘alma’ do negócio. Muitos ‘ingredientes’ do Tabu hoje são proibidos pela IFRA (Associação Internacional de Fragrâncias, fundada em 1973), e exemplo o musgo-de-carvalho.

Muitos perfumes da década de 80 beberam na fonte criado por Jean Carles? Ô! Opium taí e não me deixa mentir…

Do tipo ‘ame ou odeie’, Tabu desperta viradas de olhos saudosas e caretas repulsivas. Assim que tem que ser um perfume! O Angel resolveu fazer isso e é um sucesso absoluto de vendas. Tentar agradar a todos é uma estratégia muito em voga atualmente no ramo da perfumaria, mas eu acho isso uma chatisse. Eu uso o Tabu? Sim. Em dias frios, em dias que acordo querendo um perfume fora da curva…

Te agradeço Tabu, por ter ficado quietinho em seu frasco desde os anos 60 e por se revelar todinho para mim!

Notas de saída: laranja, especiarias, neróli, bergamota, coentro.

Notas de coração: cravo (especiaria), jasmim, ylang-ylang, rosas, narciso.

notas de fundo: sândalo, âmbar, patchouli, almíscar, civeta, bezoim, musgo-de-carvalho, vetiver, cedro.

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Iris Ganache, Guerlain

Imagem relacionadaA íris é uma das flores mais aclamadas (e uma das matérias primas mais caras) da perfumaria.

Já o ganache é uma delícia culinária que surgiu na França (ou na Suíça) por volta de 1950.

Em 2007 veio a Guerlain toda faceira e pelas mãos do perfumista Thierry Wasser, apresenta ao mundo o perfume Iris Ganache. Pertenceu a coleção exclusiva L’Art et la Matière e hoje foi descontinuado. O que já era caro, agora é vendido a peso de ouro. Vi um frasco de 75ml na apresentação completa por aproximadamente 2.000 reais no Ebay. Sendo assim, extremamente feliz fico eu em ter tido acesso a uma amostra do belíssimo Iris Ganache! Não morri sem conhecer esse lindo!

Antes que você pense que Iris Ganache é doce e gourmand, te digo que não é nada disso.

Começa com uma exótica sensação de flores embebidas em algo licoroso. Sinto um ‘coquetel’ de íris, baunilha, canela e algo ainda mais cremoso e familiar… Manteiga de cacau! E daquelas antigas – as vendidas atualmente são tão bestas – as de quando eu era criança tinham um cheiro delicioso, era tão bom que dava vontade de morder!

A íris logo ganha volume, o perfume foge do campo licoroso e culinário e se torna deliciosamente empoado, atalcado, guerlinesco! E surge uma outra nota de aspecto achocolatado, mas desta vez escuro, nada oleoso e amanteigado. Patchouli!

No final existem notas ambarinas e almiscaradas.

Eu juraria que existem outras notas olfativas além das listadas oficialmente: violeta, heliotrópio, marzipãn.

Iris Ganache em muitos momentos é sobre o passeio da flor-íris a uma pâtisserie. Rodopiou entre as bancadas do mestre doceiro, polvilhou-se de açúcar de confeiteiro com canela, melou as pétalas no  mais fino chocolate branco, regou-se de licor de baunilha!

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E mesmo assim não é gourmand, o Iris Ganache. Dá pra acreditar?

Ele tem facetas boudoir, culinárias, medicinais. Mas exclusivo que é, não se prende a nada disso e simplesmente cumpre sua missão de deixar o mundo de quem o usa mais bonito! Acho que entendi o motivo dele pertencer a uma coleção exclusiva…

Notas de saída: canela, bergamota, chocolate branco.

Notas de coração: íris, patchouli, cedro.

Notas de fundo: baunilha, âmbar, almíscar branco.

Cultura Perfumada – Dois artigos sobre perfumes.

Nada melhor do que cultura e conhecimento não é? São as únicas coisas que de fato nos pertencem e que nos auxiliam a compreender melhor o  mundo à nossa volta.

Seguem links de dois artigos excelentes sobre perfumes. O primeiro é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi e o segundo é um trabalho de conclusão da disciplina de Estágio Curricular em Farmácia da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

http://www.ihu.unisinos.br/558881-o-poder-de-uma-nuvem-de-perfume-artigo-de-enzo-bianchi

https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/76992/000823418.pdf?sequence=1

https://i2.wp.com/trufflepigantiques.com/yahoo_site_admin/assets/images/truf_4.14762155_large.jpg

 

Jasmin Immortelle Neroli, L’Occitane en Provence

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Jasmin Immortelle Neroli (vamos chamar de JIN a partir de agora, pode ser?) foi criado em parceria com Pierre Hermé – O Picasso da Confeitaria – como é conhecido mundialmente. O frasco foi projetado por Olivier Baussan – proprietário da L’Occitane – que os moldou como biscoitos. Os perfumes nasceram da parceria e da amizade duradoura de Olivier e Pierre, com a intenção de destacar os talentos de cada um deles.

Tá esperando um gourmand né? Cheirão de biscoito assando, chocolate, praliné, açúcar? Pode voltar. JIN é um perfume floral iluminado, radiante que só!

A embalagem é toda bonita e solar, amarela e dourada.

Logo ao borrifar o perfume sente-se uma rápida brisa de limão que passa em um instante. Coisa breve, só para despertar e energizar. E aí vem o bouquet floral já alardeado no nome do perfume. Jasmim no estilo de Alien, de Thierry Mugler, neroli com pinta de Elie Saab Le Parfum, immortelle brevemente melíflua e com brevíssimo toque caramelizado que só aparece na pele depois de umas duas horas do perfume na pele.

O problema é que depois dessas duas ou três horas radiantes o perfume acaba. Das notas de fundo só senti um breve almíscar que até confundi com o cheiro de minha própria pele.

É um perfume delicioso, radiante, energizante! Dura pouco? Ah sim… Mas olha, será um prazer enorme reaplicá-lo ao longo do dia!

Daí pensei… JIN é um prazer tão efêmero como devem ser as dulcíssimas criações de Pierre Hermé dez segundos na boca e dez anos no culote. O perfume pelo menos não engorda!

Notas de saída – limão, pimenta-rosa.

Notas de coração – jasmim, neroli, immortelle.

Notas de fundo – almíscar, notas amadeiradas.

O perfume foi lançado em outubro de 2015 e é uma edição especial. Alguns produtos da linha ainda estão a venda no site da marca.

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Avon Life For Her, Avon

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E a Avon heim? Cada dia melhor! Além de fazer campanhas incríveis onde a inclusão, a visibilidade e o empoderamento feminino são o grande foco, trouxe uma parceria com o aclamado Kenzo para sua linha de perfumes!

Segundo a marca, o perfume foi desenvolvido para fazer de cada momento uma fonte de alegria e inspiração, em sintonia com a positividade e crença no futuro que está sempre por trás das criações do designer, que busca inspiração constantemente em tudo que vive.

Após toda uma carreira desenvolvendo fragrâncias para poucos, escolhi a Avon para tornar minhas criações acessíveis não apenas para mais mulheres, mas para pessoas de todo o mundo”, reflete Kenzo Takada. “Minha experiência com a equipe da Avon tem sido excelente. Graças à paixão e à energia destes profissionais, criamos uma linha atemporal e distinta de perfumes que transmitem o esplendor do mundo natural, a beleza e a positividade. Estou muito feliz com o resultado.

O perfume vem em um frasco de linhas simples onde a grande estrela é a tampa! Em forma de violeta, flor que representa a tradição familiar de Kenzo. No feminino ela vem na tampa, no masculino, esculpida na parte de baixo do vidro.

Começa com notas frutais e florais de aspecto aquoso. Tem aqui a suave adstringência do chá branco, que me trouxe uma deliciosa sensação de frescor, limpeza e tranquilidade.

No coração um bouquet floral intenso, temos violeta, peônia e flor de cerejeira. O interessante aqui é que as notas florais são bem vívidas, parece de fato que você está rodeada por flores naturais…

A evolução do Avon Life é bem bonita, as flores se revelam em ‘camadas’ e volta e meia temos o chá branco dando as caras! Como se de repente, as flores todas fossem borrifadas com o chá para permanecerem frescas e plenas por mais tempo.

Nas notas finais temos a íris empoada, o ambrette macio e aconchegante. Infelizmente não consegui identificar o patchouli descrito nas notas olfativas oficiais.

Ah, sobre a bendita ‘fixação’. O perfume durou mais de 6 horas na minha pele.

• Notas de Saída: Maçã Vermelha, Flor de Lótus e Chá Branco.
• Notas de Corpo: Pétalas de Violeta, Peônia Branca e Flor de Cerejeira Japonesa.
• Notas de Fundo: Patchouli, Flor de Íris e Semente de Ambrette.

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Parabéns Avon por tornar mais acessível para as pessoas a criação de um designer famoso. Por trazer beleza, confiança e bem-estar para mais gente!

E o perfume masculino? Em breve falo dele!