Idôle, Lancôme

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Que frasco! Inovador, finíssimo, parece um celular… Bom, faz sentido pensando que é um perfume que eu acredito ter por público alvo a chamada geração de VSCO Girls e  demais tendências relacionadas.

Apesar de meu azedume frente a essa nova geração de perfumes cor de rosa e parecidíssimos, Idôle se destaca e foge um tanto a essa regra. Pra começo de conversa, ele me lembra em alguns momentos um outro perfume, bem antigo até: o 5th Avenue, da Elizabeth Arden, perfumão floral lá de 1996. Aliás, muitos juram que o icônico e dourado Jadore (de 1999) também bebeu muito na fonte do 5th…

Acho que são as notas rosa-jasmim-almíscar-baunilha, notas presentes nos dois. Eu seria capaz de jurar que no Idôle também tem lírio-do-vale, aquela coisa floral-verde.

Idôle abre como notas verdes, cítricas e aquosas-doces: pêra! Fruta fresca, geladinha, e perfeita. Nas notas de fundo temos um imenso bouquet de rosas e em meio a elas, pequenos chumacinhos de jasmim ainda não totalmente plenos, ainda em botão.

Esse conjunto rosas-jasmim faz uma alusão ás bombas florais dos anos 90, viu… algo que já fora visto antes, mas precisou ser amenizado e ‘refrescado’ para a nova geração.

No fundo temos almíscar com pinta de produto de higiene pessoal e baunilha discretíssima, com cheiro de hidratante caro.

Um perfume bonito, porém nada inovador. A não ser o frasco, que fora criado pelo arquiteto e designer industrial Chafik Gasmi. O frasco de Idôle é o mais fino do mundo com apenas 15mm de espessura.

Criado em 2019 por Shyamala Maisondieu, Ariana Medina e Nadege le Garlantezec.

Notas de saída: bergamota, pera.

Notas de coração: rosa turca, rosa de maio, jasmim indiano.

Notas de fundo: baunilha, almíscar branco.

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Totem, Puri Perfumes

 

totem

Hoje a história será longa, empolgada, orgulhosa!

Vamos voltar lá pra 2016, quando escrevi esse post aqui. Através dele, o Rodrigo Alcântara da Puri Perfumes teve a ousada e deliciosa ideia de recriar, de reinterpretar um clássico polêmico da perfumaria mundial: o Tabu, da Dana, nascido em 1932.

Nosso trabalho ali começou. Em abril de 2017 recebi as primeiras amostras desenvolvidas pela marca. Desde então viemos trabalhando em um perfume que fosse novo, com identidade própria, mas fizesse menção ao clássico da Dana. Depois de muitos testes, muitas alterações e muitas discussões sobre a embalagem, apresentamos ao mundo o TOTEM!!!

Rodrigo me deu a honra de nomear o perfume. Muitos não sabem, mas sou psicóloga e grande admiradora do trabalho de Freud. Oras! É dele o fantástico texto ‘Totem e Tabu’, de 1913, onde o autor busca analisar a gêneses dos totens – símbolos sagrados e respeitados –  e dos tabus – proibições de origem incerta –  que cercam e cerceiam as liberdades individuais e coletivas de uma determinada sociedade.

O Tabu cumpriu bem o papel de ser proibido e lascivo. O Totem vem como uma ode ao mítico perfume, resgatando toda a ancestralidade da antiga perfumaria. Totem é perfume como há tempos não se faz mais…

A escolha da embalagem, da etiqueta, das cores, da tampa, tudo foi tão meticulosamente pensado! O conceito retrô, a elegância, a alusão a algumas das embalagens (das muitas) que o Tabu já usou, tudo foi pensado. Trabalho de anos, muito esforço e investimento pela Puri. Só tenho a agradecer e me orgulhar por ter participado deste projeto!

Vamos ao Totem…

Mas que embalagem linda, não acham? Tô apaixonada…

 

Aviso: Totem é perfumão, nada dessas coisinhas róseas e sem identidade que as marcas lançam às dúzias todos os dias.

É um perfume de pegada retrô, esfumaçado, animálico, opulento.

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Aqui tem laranja doce, tem pêssego aveludado, tem um bouquet floral aldeídico intenso com pegada boudoir, fetichista, retrô. Imagino uma diva do cinema dos anos 40 se deliciando com o Totem em sua penteadeira espelhada…

Totem tem couro, tem tabaco, tem especiarias, tem a faceta escura/proibitiva/erótica da civeta. É ao mesmo tempo voluptuosamente feminino e lascivamente masculino. Uma amiga que teve a oportunidade de conhecer o Totem no dia em que eu o recebi disse: “eu me apaixonaria por uma pessoa com esse cheiro...”

O tom esfumaçado e boudoir é constante. É um perfume intenso, noturno, feroz. Tem cheiro cálido, é tão quente quanto a pele de quem acaba de escorregar para fora do conforto e calor de uma cama.

A projeção e fixação são excelentes!

Jean Carles – criador do Tabu e grande mestre da perfumaria – certamente está orgulhoso de nós, Rodrigo! E eu ainda mais. Obrigada e parabéns!

Sì, Giorgio Armani

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Mas que elegância! É o que as blogueiras chamariam de ‘perfume de rica’!

Sì tem uma maturidade refinada, combina perfeitamente com a modelo de sua campanha, a atriz Cate Blanchett.

Vamos do começo então…

Assim que o perfume sai do frasco e ganha o ar, senti frutas vermelhas, me fez pensar nos pés de framboesa silvestre que tem lá na cidadezinha onde meu pai mora. Frutos não muito doces, mas muito saborosos e de cheiro bom! Na sequência temos rosas com aspecto polvoroso, cheiro de creme, de batom novo.

Posso estar ficando louca mais ainda, mas Sì me trás durante sua evolução um quê de vinho branco espumante, lambrusco.

As notas de fundo se revelam depressa e se misturam lindamente com as rosas e as frutinhas, tornando Sì mais cremoso e encorpado. Renasce na pele mais intenso, mais adulto, mais dono de si.

A baunilha não tem apelo gourmand, casa lindamente com o patchouli e o ambroxan (sintetizado a partir do esclareol e trata-se de um éster de odor ambarado. Em muitas vezes, na perfumaria, substitui o âmbar gris e trás toque aveludado e sensual a composição).

Que textura! Hora borbulhante, ora acetinado, ora envolvente como um tecido macio e morno. Sì tem lá sua doçura, mas olha, em nenhum momento é gourmand ou lembra guloseimas ou é infanto/juvenil. É muito bem executado, todo na medida certa.

Criado em 2013 por Christine Nagel e Julie Masse.

Notas de saída: cassis.

Notas médias: frésia, rosa de maio.

Notas de fundo: baunilha, ambroxan, patchouli, notas amadeiradas.

 

Ah, mas não me diga que já é Natal de novo…

Eu gosto do Natal, é a única época do ano que eu posso pendurar mil coisinhas brilhantes e coloridas pela casa sem que ninguém me julgue… Viva as luzinhas!!!

Motivos a parte para gostar ou não do festejo Natalino, todo ano aqui fazemos uma seleção de anúncios temáticos e antigos de perfumes. Segue a seleção deste ano!

Feliz Natal para todos!

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Scandal, Jean Paul Gaultier

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Estou muito feliz pois abriu uma loja de departamentos aqui perto do trabalho e lá tem muitos perfumes disponíveis para que os clientes conheçam. Só não cito nomes para evitar transtornos. Lá testei algumas vezes o Scandal.

A embalagem é belíssima, me lembra um outro que também tem as perninhas pra cima, o Head Over Heels, da Revlon, de 1994. Então até agora, nada novo no front, espero que o perfume me surpreenda.

Mas…

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Scandal é uma bomba adocicada de flor de laranjeira e mel, com base de caramelo.

Eu podia parar por aqui, mas vou prosseguir. Inicia com nota frutal cítrica bem discreta, que logo é suplantada com força pelo mel, flor de laranjeira, gardênia e jasmim. Uma bomba de flores brancas com sua faceta melíflua, adocicada e cremosa. Essa parte é deliciosa! Trás sensações quase táteis e maciez e luminosidade. Achei que tinha coco, mas não segundo as notas olfativas oficiais.

Quando surgem as notas de fundo, em minha modesta e dispensável opinião, Scandal perde o ritmo e se torna mais do mesmo. Chega uma forte onda de caramelo, aquele patchouli doce/ardidinho que já vimos até a exaustão e um breve toque licoroso que vem do alcaçuz.

No meio dessa mesmice tem um quê animálico e interessante que vem do mel e da cera de abelha, mas é tão, tão discreto. Quase nem aparece.

Pronto, acabou. Bem como minha empolgação em conhecer o Scandal.

Criado em 2017 por Daphne Bugey, Fabrice Pellegrin e Christophe Raynaud.

Notas de saída: laranja sanguínea, mandarina.

Notas de coração: mel, gardênia, jasmim, flor de laranjeira, pêssego.

Notas de fundo: patchouli, cera de abelha, alcaçuz, caramelo.

 

 

Essencial Supreme, Natura

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Então é Natal, lá vem dona Simone querendo saber o que você fez da vida no ano todo…

Veio também o lançamento com pinta natalina da Natura, o Essencial Supreme, de frasco vermelho e cheiro especiado, como a data pede! Essa é a parte boa, a ruim é a música da Simone.

O perfume foi desenvolvido por Verônica Kato, Jórdi Fernandez e Loc Dong. Vi por aí que muitos o comparam ao Insolence. Em algum ponto de fato eles se assemelham, vamos falar disso.

Supreme começa com notas frutadas que mostram muitas faces: mornas, doces, azedinhas, picantes, suculentas. São breves, logo as flores, verdadeiras soberanas deste perfume, pedem passagem e se estabelecem. São flores quentes, sensuais, polvorosas, e aí eu entendo a ponte entre o Supreme e o Insolence: o cheiro de maquiagem, de talco, ainda adoçado pelas frutas lá da abertura.

É rosa com violeta, com ylang ylang, com jasmim e com íris! Tinha como não ter o cheiro polvoroso e boudoir? Oras, é o supra-sumo da elegância e da feminilidade!!

Mas olha, sem o cheiro de jujuba do perfume guerlinesco. O caminho do Essencial Supreme é amadeirado.

As flores são o tempo todo invadidas por algumas das notas de fundo, são adoráveis essas participações nesse Especial de Natal! Ora é o patchouli, ora a mirra, ora a canela amazônica (ishpink), ora a baunilha.

É um perfume marcante, festivo, vibrante. Mais um acerto da Natura!

Notas de saída: bergamota, grapefruit, ameixa, pimenta rosa.

Notas de coração: ylang, violeta, rosa damascena, jasmim sambac, íris.

Notas de fundo: patchouli, sândalo, ishpink, musk, ambrette, baunilha, mirra, cedro.

Una Blush, Natura

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Que linda surpresa, o Una Blush! To completamente apaixonada por ele e vou contar como se deu essa história. Quando ele chegou em casa, eu estava gripada, toda entupida, anósmica. Deixei ele ali no cantinho, esperando o momento possível para nosso encontro.

Ele esperou. Chamava a atenção sim, mas soube aguardar a hora certa. Uma bela noite, fui a seu encontro. Admirei a embalagem metálica e sua cor magnifica, borrifei na pele. Oh, mas que familiar soou, que instigante! E aí eu fiquei uma hora o absorvendo, tentando entender o que nele me era tão conhecido e tão exótico. Quando dei por mim, estava entregue.

Como diria o pagode noventista, ‘a paixão me pegou’. Ok, essa foi horrível…

Blush começa com algo cítrico, adocicado, quente e ao mesmo tempo fresco e efervescente. Como pode? Tem casca de cítricos e sumo, suco doce e de cor radiante. Tem gengibre, mas tão diferente de tudo! É o gengibre fresco e recém cortado, picante, exótico.

Aí chegam flores brancas miúdas e brilhantes. Algo balsâmico e de breve tonalidade salina, em perfeita harmonia com o dulçor das flores.

A baunilha muito bem dosada, doce sem ser gourmand, sem flerte com a confeitaria. Tem âmbar e sândalo cremosos e texturizados, macios e acolhedores.

É um perfume de dualidades: fresco e quente, doce e salgado, exótico e sofisticado.

Uma lindeza, meu novo amorzinho! Se você gostou do Olympea, vai forte no Una Blush, acredite, ele é melhor.

Desenvolvido por Veronica Kato e Antonie Maisondieu, suas notas olfativas são:

Notas de saída: bergamota, gengibre, notas cítricas.

Notas médias: flor de laranjeira, muguet, breu branco.

Notas de fundo: vanila, âmbar, sândalo.