Especially Escada Delicate Notes, Escada

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Sim, sim, eu sei: quando o perfume tem ‘delicate’ no nome quer dizer que ele é uma versão suavizada do original. As vezes acho até que é um flanker bobinho para quem não gosta de perfume…

O tal Especially Escada Delicate Notes (a partir de agora EEDN) é bem gostoso, mas não durou mais de 1 hora na minha pele.

É extremamente feminino, juvenil, vaporoso, muito bom para dias quentes e passeios ao ar livre.

Eu tô rodeando, rodeando e enfim vou falar: se ele não fosse tão efêmero, tão discreto e tão sem personalidade, seria um bom perfume para borrifar no vestidinho das daminhas de honra de um casamento diurno ao ar livre…

Começa com pera e rosa aquosas. Me fez pensar em uma garrafona daquelas águas aromatizadas que estão na moda sabe? Daquelas suqueiras com torneirinha e cara hipster? Dentro dessa tem rosas, fatias de lima da pérsia e peras.

Na sequencia surgem notas florais desmaiadas e descoradas. São flores ao longe… Senti mais rosas e peônias. Flores que estavam na geladeira para ficarem mais tempo viçosas e perderam a graça do perfume…

No fundo EEDN tem aquela dose de almíscar com pinta de sabão em pó e roupa recém lavada que muitas criações usam porque é seguro, agrada a gregos e troianos… agrada até a quem não gosta de perfume, olha só!

Eu não gastaria dinheiro com o EEDN. É bonitinho mas me entedia…

EEDN foi criado em 2012 por Jean-Michel Duriez. É um flanker do Especially Eacada.

Notas de saída: toranja, pera, rosa japonesa.

Notas de coração: rosa, ambrette, ylang ylang.

Notas de fundo: madeiras, almíscar.

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Sobre as Ocasiões Especiais…

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Imagem: http://marjoleincaljouw.blogspot.com/2010/10/perfume.html

Faz um tempo que não faço resenhas para o Blog. Os dias estão demasiadamente corridos e outras coisas têm exigido minha atenção. Mas hoje acordei inspirada a usar um perfume inédito e iniciar a jornada de compreendê-lo, interpretá-lo e ver o como nosso ‘caso’ iria se desenvolver. Fui lá na caixinha de amostras e peguei um dos precisos: caro e difícil de achar no Brasil, o Interlude Woman da Amouage.

Borrifei o frasquinho contendo a pequena porção do perfume. Veredito: OXIDADO!

Sim sim, eu já sabia que frações de perfumes, amostras, decants têm validade muito menor do que os perfumes em seus frascos originais. O ato de transferir o líquido de um frasco para outro o deixa em contato com o ar, podem existir agentes contaminantes no frasquinho para onde ele foi transferido, entre outros fatores. O processo de deterioração é muito mais veloz.

 

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Eu não fiquei triste por ter perdido a oportunidade de conhecer esse perfume. Fiquei triste de perceber que justamente por ele ser caro e raro, eu o reservei para ‘o dia perfeito, a ocasião perfeita’. E quando esse dia supostamente chegou, o Interlude não estava mais ali para mim. Cansou de esperar.

Como um amante preterido, ele não estava mais ali quando eu finalmente resolvi que hoje seria o dia dele… Que bobagem a minha e a de vocês – que eu sei – também guardam poucas gotas em frasquinhos.

Perfume é um brincadeira com nossos sentidos. É efêmero. E a gente, besta que é, fica tentando aprisionar esse eflúvio. Fica esperando o dia perfeito que nunca chega ou quando chega se revela não tão perfeito assim tamanha a expectativa que  criamos sobre tal situação.

É uma festa? Uma celebração? Um show? Um encontro com uma pessoa especial? Quantas vezes deixamos as preciosas gotinhas guardadas para esses dias e quando eles aconteceram… nem foram tão memoráveis.

Quer saber? Usa seus perfumes preferidos à vontade! Gasta aquela amostra caríssima quando você quiser! Por que essas… esses sim são as ocasiões certas!

Perfume Bottles 2, 12x9, oil on panel

Imagem: http://www.leahhenry.com/portfolio-still-lifes.html

 

Cool Vibe!, Natura

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Estamos em agosto e o inverno tá brincando de existir aqui em SP. Digo isso pq tivemos, na realidade, poucos dias bem frios até agora. Essas últimas semanas que estão mais invernais… Então, logo chega a primavera. Se eu gosto? Não. Detesto o calor que vem junto com ela.

Mas esse ano terei boa companhia, o Cool Vibe!, lançamento da linha Faces da Natura. Se os lançamentos anteriores da linha, o Toxic! Pink e o Rebel Glam têm pegada doce e ‘ultrajovem’, o Cool Vibe! vem agradar quem gosta de fragrâncias frescas e com aquela proposta: serve pra qualquer ocasião, agrada a grande maioria.

Me lembrou bastante uma colônia infantil maravilhosa que minha mãe possuía no final dos anos 90, começo dos anos 2000: a Falbala. Não achei imagens da bendita, mas com isso aqui provo que um dia ela existiu. Senão me engano era a colônia de uma marca de roupas infantis.

Cool Vibe! é floral frutal e muito bem dosada. É daquelas colônias que fazem a gente cheirar o braço com força para ter a sensação revigorante e reconfortante ‘entrando’ por nosso corpo.

Começa com folhas verdes maceradas e aquele cheiro doce-aquoso da maçã e da pêra. Logo aparecem notas florais delicadas, limpinhas e energizadas. As notas de base são cremosas e confortáveis, com jeitão de amaciante. Cool Vibe!, para mim, faz pensar em perfumes infanto-juvenis. Eu pessoalmente adoro e não consigo pensar em melhor companhia para momentos de descontração no calorão dos próximos meses. Para dormir então deve ser delicioso!

Notas de saída: pêra d’água, maçã, acorde verde fresco, pimenta rosa, acorde cítrico e notas aquosas.

Notas de corpo: Rosa, jasmim, violeta e tagette.

Notas de fundo: Complexo de musk, cedro, âmbar radiante e acorde cremoso.

CK One Shock Street Edition For Her

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Eu sei, eu sei, faz mais de um mês que eu não escrevo nada aqui no blog. Mas tenho uma justificativa: tive 2 gripes, sinusite e conjuntivite. Tudo ao mesmo tempo. Meu nariz ficou inutilizado e fiquei três semanas sem sentir o cheiro de nada. Aí desanimei e não fiz posts…

Mas agora tô melhor (não 100%), ao menos consigo sentir os cheiros e sabores.

Nesse tempo, pude mexer naquela caixinha cheia de amostras que estavam esperando uma resenha! E chegou a vez do CK One Shock Street Edition For Her (a partir de agora vamos chamar de Street, tudo bem?

Tenho um amor enorme pelo CK One, então todos os seus flankers me trazem curiosidade. O Street foi lançado para o outono de 2012 e o grafite de sua embalagem é da artista Sharon Lee De La Cruz.

Street foi na contramão de tudo que eu pensei que ele seria! Como pode um CK One doce? Ele é daqueles perfumes que me trazem sensações sinestésicas: o cheiro dele é rosa neon! Ah, então ele é enjoativo? Não. Muito pelo contrário! Ele é um perfume doce que dá pra usar no calor. Contraditório né? Mas assim sempre foi o CK One, assim sempre foi a arte de rua, assim sempre foi a moda…

Não gosto de usar os termos ‘feminino e masculino’ para falar de cheiros. Cheiro não tem gênero, minha gente! Street é bem compartilhável. Começa cor-de-rosa, um doce efervescente e ao mesmo tempo aconchegante. Daqueles perfumes doces que abraçam sabe? Tem notas cítricas doces, tem mais e mais frutas, tem chocolate e caramelo. Tem tudo que o povo gosta!

Logo ele ganha uma aspecto sintético plastificado que me fez pensar que, em alguma de suas camadas, Street tem escondido um tiquinho de tuberosa ou gardênia.

E a partir daí Street entra em um terreno mais sóbrio. As notas de base são bem comuns e já vistas anteriormente, porém são ‘organizadas’ de forma atraente. São doces, cremosas e picantes. E outra vez trazem aquela sensação de aconchego e ‘calorzinho’, sabe?

Aí eu lembrei que o nome CK One já faz alusão a ser um perfume para todos, e que seu primogênito lá de 1994 tinha essa premissa. Menino ou menina, CK One não olha pra isso. Vamos seguir o exemplo e aplicar em mais áreas da nossa vida? Parar dessa coisa de coisas ‘de menina’ e ‘de menino’? É tão limitante!

Street é um perfume bem agradável. Se você gosta dos gourmands e encontrar ele por aí, experimente!

Notas de saída: bergamota, tangerina, ameixa.

Notas de coração: notas frutais, chocolate, caramelo.

Notas de fundo: patchouli, sândalo, âmbar, almíscar.

E para celebrar a linha CK One, deixo com vocês a performance do grande Pepeu Gomes no Rock in Rio de 1985!

4711 Original Eau de Cologne, Maurer & Wirtz

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Falar da conhecidíssma colônia 4711 é falar da história da perfumaria! Nasceu na cidade de Colônia, Alemanha, na rua Glockengasse, nº 4711, propriedade da família Mülhens.

E tem polêmica também. Quer saber do golpe sofrido pelo fundador da marca, o Wilhelm Mulhens, dá uma lida aqui. A questão é que em 1804 ele adquiriu os direitos da já renomada perfumaria Farina e passou a usar o nome a torto e a direita em suas criações. Tudo isso sem saber que o tal Farina que vendeu os direitos nem sequer era da família famosa. Era só um homônimo aproveitador mesmo.

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Demorou, mas em 1840 ele teve que parar de usar o nome do coleguinha famoso… Outras fontes dizem que só em 1881, o sobrinho Ferdinand Mülhens foi sentenciado a não usar o nome Farina na companhia.

Voltando…

A 4711 foi criada em 1792 pelo perfumista caraquetentousedarbemecaiunumgolpe Wilhelm Mülhens, em Colônia. O número 4711 surgiu quando, durante a ocupação francesa na cidade, um comandante francês ordenou uma nova numeração das casas. A casa de Mülhens recebeu o número 4711.

Passado muito tempo e muitas transações comerciais, em 2007 a 4711 passa a ser propriedade da Mäurer & Wirtz.

O 4711 é uma das colônias mais conhecidas do mundo, e mantém sua formula inalterada há mais de 200 anos! E espero que continue assim!

Aos eternos buscadores de ‘projeção e fixação’ no mundo dos perfumes, 4711 pode ser uma grande decepção. Aos que entendem que uma colônia é um prazer, um luxo volátil e revigorante, 4711 pode ser o paraíso.

É refrescante, vigorosa e todas as vezes que usei senti a real sensação de vivacidade, limpeza e frescor. Tem notas cítricas e herbáceas na saída, um delicado e sutil coração floral e a base é amadeirada e verde.

Muitos o comparam ao caríssimo Neroli Portofino do festejado Tom Ford.

4711 é refrescante, tônica e elegante. Um prazer íntimo, para si e para os que chegam bem perto.

Notas de saída: óleo de laranja, pêssego, manjericão, bergamota, limão siciliano.

Notas de coração: ciclamen, lírio, melão, jasmim, rosa búlgara.

Notas de fundo: almíscar, vetiver, patchouli, sândalo, musgo de carvalho, cedro.

 

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Fontes:

http://www.perfumart.com.br/resenhas/4711-original-eau-de-cologne

http://www.porquenaotravels.com/2013/09/colonia-e-a-guerra-dos-perfumes-casa-farina-ou-4711.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/4711

E não deixe de visitar o site do Museu do Perfume da Casa Farina, aquela que foi sacaneada por décadas…

http://farina.org/bem-vindo/

 

 

 

A História do Banho – Parte III (post republicado)*

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*(Post original de 13/03/2013)

Nas minhas buscas por artigos sobre perfumaria e afins na internet, deparei-me com isso:  O banho foi enredo do Carnaval da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no ano de 2009. É de lá que tiramos as informações do texto a seguir:

http://www.galeriadosamba.com.br/carnavais/beija-flor-de-nilopolis/2009/5/

6- Pasteur – Corpo Limpo, Corpo São

Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram grande importância tanto na área química como na medicina.

O conceito de higiene surge no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente. Cabe frisar que as noções de assepsia por ele implantadas no âmbito da medicina foram fundamentais para que muitas vidas se salvassem.

Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial ainda na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.

Mas, após anos de religiosos dizendo o contrário, não foi todo mundo que voltou a tomar banho, mesmo com insistentes conselhos médicos. Quando a célebre rainha Vitória subiu ao trono, em 1837, ainda não havia local para banho no palácio de Buckingham, sede da coroa inglesa. Até os anos 1870, eram raras as casas ocidentais que tinham um cômodo para seus habitantes se lavarem.

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Em Paris, criou o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica, com filiais em vários países, inclusive no Brasil (Rio de Janeiro).

Os banhos rotineiros reapareceram definitivamente nas grandes cidades ocidentais apenas por volta dos anos 1930. Mas, no começo, eles não eram lá tão freqüentes. Eram tomados aos sábados, dia em que também eram trocadas as roupas de baixo das crianças. Nessa época, navios ofereciam cabines de banho e barcos delimitavam áreas em rios que serviam como piscinas naturais. Após o fim da Segunda Guerra, em 1945, quando boa parte das casas européias teve que ser reconstruída, elas ganharam banheiros, abastecidos com a cada vez mais comum água encanada. A França foi a pioneira nas inovações sanitárias, seguida pela Inglaterra e pela Alemanha.

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7- O Banho Vira Moda: de Sol, de Lua, de Gato, de Loja e de Cheiro. Dançando na Chuva e Cantando no Chuveiro

Ao longo da História, o banho já foi considerado sagrado e profano, artigo de luxo e diversão das massas, receita de saúde e até causador de doenças e mortes. Este ritual, tal como o conhecemos hoje, é resultado de uma mescla dos costumes de diferentes povos ao longo dos tempos.

Atualmente, o banho é associado ao cuidado com a pele e ao bem-estar em todo o mundo. Além de deixar o corpo limpo e cheiroso, as composições dos sabonetes, sais e óleos são enriquecidos com essências que podem transmitir sensações diferentes como relaxamento ou vigor que, associados às diferentes temperaturas da água, têm seu efeito potencializado.

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Ou seja: refrescar, seduzir, relaxar e estimular são apenas algumas das variadas finalidades dos mais diferentes tipos de banho, que propiciam vastos benefícios para o corpo e para a mente das pessoas.

Muitas são as delícias que esta experiência é capaz de proporcionar; são efeitos estimulantes, afrodisíacos e relaxantes, dentre outros. Com isso, o banho terminantemente virou moda: no chuveiro, em banheiras, e ofurôs. Banho de cheiro, de sol e de sais, de mar e de piscina; banho de cachoeira e banho de lua, banho de loja e banho de gato; dançando na chuva, cantando no chuveiro!

8- Quem Banha o Corpo, Lava a Alma – Banho dos Orixás (o blog não manifesta apoio ou repúdio a nenhuma manifestação religiosa, respeitamos todas. A questão é, como dissemos no primeiro texto dessa série, tiramos a maioria as informações do enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis de 2009, e seria injusto omitir tal parte, que faz parte da cultura brasileira).

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Os rituais de diferentes tipos de banho também são práticas religiosas, uma vez que o ato de banhar-se foi e ainda é visto em muitas religiões como um rito de purificação do corpo e da alma. Tal fato é observável no espiritismo, por exemplo, pois acredita-se que quem banha o corpo, lava a alma, afastando as energias negativas e atraindo a positividade.

Os banhos de cunho litúrgico podem ter finalidades diversas: defesa, sacudimento, defumação, cura, regeneração, elevação espiritual, auxílio no desenvolvimento de novos médiuns.

A benção e a proteção dos orixás abrem os caminhos através de sessões de descarrego, limpeza da aura, energização e purificação; com a utilização, inclusive, de utensílios tais como a pipoca, ervas e sal grosso, dentre outros.

No Brasil, país onde grande parte da população é praticante do sincretismo religioso, tais práticas afro-descendentes são bastante usuais.

Fontes: https://www.greenme.com.br/viver/saude-e-bem-estar/2989-banhos-de-ervas-tradicao

http://www.galeriadosamba.com.br/carnavais/beija-flor-de-nilopolis/2009/5/

Recomendação de Leitura: https://www.estantevirtual.com.br/livros/katherine-ashenburg/passando-a-limpo-o-banho-da-roma-antiga-ate-hoje/587388735

A Historia do Banho – Parte II (post republicado)*

*Post original de 07/03/2013.

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Nas minhas buscas por artigos sobre perfumaria e afins na internet, deparei-me com isso:  O banho foi enredo do Carnaval da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no ano de 2009. É de lá que tiramos as informações do texto a seguir:

http://www.galeriadosamba.com.br/carnavais/beija-flor-de-nilopolis/2009/5/

Parte II:

3 – Idade Média –  A Proibição do Banho

A condenação do inferno, tão comum na Idade Média…

Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. A maneira de ver o banho mudou. As idéias religiosas foram levadas ao exagero e as saunas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras e tudo poderia acontecer. Era um convite às tentações da carne…

Ui, podia acontecer…

Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que a cristandade varreu da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano.

Os banhos foram totalmente proibidos, aumentando as doenças, em especial a peste. Dizia-se que a água “amolecia” a alma. Dizia-se ainda, que o fato de a água quente dilatar os poros da pele facilitava a entrada de doenças no corpo. Desta forma, nesta época, a higiene basicamente resumia-se em vestir uma roupa limpa e usá-la até ficar suja, pois acreditava-se que a roupa funcionava como uma espécie de “esponja”, absorvendo a sujeira. Sendo que muitas vezes a roupa sequer era lavada, apenas sacudida.

Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Em famílias pobres, quando eles aconteciam, a água servia para banhar a família inteira em uma tina. Primeiro os homens, depois os filhos e por último as mulheres.

Iniciou-se um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa. Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas!

Esta falta de asseio pessoal, aliada às condições de vida insalubres, contribuíram sobremaneira para as grandes epidemias da Idade Média e, em especial, para a Peste Negra do século XIV.

Com os grandes surtos epidêmicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. A água seria o veículo transmissor das doenças… e devia ser mesmo, com tantos dejetos despejados em rios e córregos.

Desde o século XV, os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. Defendiam a teoria que, “depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se, e assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita”.

A ideologia cristã instaurou preconceitos e impôs uma nova moral e conseqüentes novos costumes. A Igreja temia pela sujidade das almas, pois os hábitos promíscuos eram uma porta aberta para o pecado. Havia assim, que se evitar os banhos públicos, locais “propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes”.

Mas há controvérsias quanto a higiene do período medieval, recomendo a leitura do s artigos: https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/36876-6-mitos-sobre-a-idade-media.htmhttp://www.ohistoriante.com.br/higiene-medievo.htm

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4- Renascimento – Dos Maus Odores ao Banho de Civilização

No século XIII, frades dominicanos iniciaram as atividades farmacêuticas relativas à produção de essências, pomadas, bálsamos e outras preparações medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até os dias de hoje, foram estudadas durante a corte de Catarina de Médici, nobre florentina que se mudou para a França em 1533, para se casar com o Rei Henrique II.

Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em Grasse, uma pequena cidade ao sul da França, localizada aos pés dos Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da indústria de couro e perfumação do mesmo, especialmente o das delicadas luvas das senhoras.

Aos poucos, a era das águas perfumadas, as famosas águas de colônia, foram cedendo espaço para a composições à base de almíscar. A preocupação com a higiene e os cuidados com o corpo permanecia. Também se considerava importante o cultivo de jardins, capazes de repelir os odores pestilentos comuns na época.

Diz-se que Luis XIV, o “Rei Sol”, era muito sensível a odores, e tinha um perfume para cada dia da semana. Em sua corte, rosas e flores de laranjeira eram usadas para perfumar luvas, e os sabonetes de óleo de oliva faziam parte da higiene diária. As fragrâncias apreciadas por Luís XIV eram produzidas no sul da França.

No Renascimento, a idéia de manter o corpo limpo foi abandonada e os “banhos de água” foram substituídos por “banhos com fortes perfumes e essências”, sendo Catarina de Médici a grande responsável pela difusão do perfume na França.

A fomentação da expansão marítima conduz os europeus ao descobrimento de novas terras, denominadas de ‘Novo Mundo’ e a realidade da Europa (o ‘Velho Mundo’) mostrava-se paradoxal aos costumes demonstrados pelos habitantes dos territórios localizados na atual América do Sul.

A chegada dos brancos impressionou aos índios, devido à aparência suja e grotesca dos europeus, chamados de “mal cheirosos e porcos”.

Observando os hábitos dos indígenas, nativos das terras recém-descobertas, os europeus aprenderam diversos conhecimentos sobre limpeza e higiene, pois era comum e que os nativos se banhassem em rios, lagos, lagoas e cachoeiras. De modo que os indígenas em muito contribuíram para o progresso nos costumes dos europeus, promovendo um verdadeiro banho de civilização.

5- Corte de França – Banho de Cheiro Disfarçando a Sujeira

A fundação da primeira boutique de perfumes em Paris impulsionou a produção e a comercialização de produtos aromáticos. A opulência, o esplendor, a extravagância e o refinamento surgiam nas famílias aristocratas e dominavam a corte européia.

A moda dos banhos estimulou a difusão dos perfumes por toda a Europa. A “Corte Perfumada”, fiel ao estilo Rococó, bem como toda a nobreza francesa, habitualmente se utilizavam de bálsamos e perfumes – nas roupas, nos corpos e nos cabelos – para disfarçar a sujeira e amenizar o mau cheiro.

“Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento…”

Outras fontes: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-sabao-e-da-higiene-corporal.html

http://gehspace.com/arte26a30.htm