Tabu (vintage), Dana

Tabu, Dana Parfumes, Paris:

Faz quase 4 anos que falei do Tabu que atualmente é encontrado nas farmácias e lojas de comércio popular por mais ou menos 10 mangos.

E desde então o polêmico perfume não saiu mais dos meus pensamentos. Eu queria de todo jeito conhecer a versão que assombrou a juventude de minha mãe. Consegui através do Ebay um Tabu versão Eau de Cologne da década de 60, LA-CRA-DO. Isso mesmo, embora a caixa estivesse a ponto de esfarelar, o frasco de 115ml veio com um lacre de metal logo abaixo da tampinha simplória de plástico preto. Parecia um lacre de ampola de remédio ou vacina. Olha o bonito aqui!

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Ai, que emoção quando rompi tal selo! Tinha em mãos um Tabu ‘virgem’, todinho para mim!

Como eu disse no post anterior:

“Tabu foi criado em 1932 pelo perfumista Jean Carles, pai de Miss Dior, Ma Griffe, Shocking. Começamos bem.
Tinha a fama de ser um “perfume de prostitutas” e há algumas lendas a respeito de tais mulheres de vida nada fácil terem sido a real inspiração para o perfume…
Ah, o inconsciente coletivo e tudo que é socialmente proibido! Seria isso que condenou Tabu as fogueiras pelas conservadoras donas de casa das décadas passadas?
Outra coisa: ele sempre foi um perfume “popular”, barato. E infelizmente temos e sempre tivemos a mania feia de rotular o que é barato de ruim”.
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Tomei a liberdade de roubar o texto da Ego in Vitro sobre o Jean Carles:

“Nascido em 1892, o perfumista francês fundou a escola Roure (hoje parte da Givaudan) no início do século XX e até hoje é conhecido pelo seu método de treinamento de perfumistas. Frequentemente comparado a Beethoven, Jean Carles se tornou completamente anósmico próximo à sua morte (1966), sendo este fato apenas conhecido por seu filho. O método de treinamento hoje conhecido por Método Jean Carles consistia de organizar 60 ingredientes naturais e sintéticos com notas distintas em famílias de notas e caráteres olfativos. Os estudantes primeiro deveriam reconhecer os contrastes de nuances entre notas dentro de uma mesma família antes de prosseguir para a próxima. O Método Jean Carles é ainda hoje bastante utilizado para ensinar novos perfumistas a memorizar e compreender notas olfativas, entender o relacionamento entre elas e ampliar o vocabulário olfativo”.

Quem lê bem em inglês poderá conhecer o Método Jean Carles com maior profundidade aqui.

Não me lembro quem foi, mas alguém uma vez comentou que se o Tabu fosse reembalado e vendido por aí como criação de um perfumista ‘da moda’ ou de alguma casa de nicho, seria um sucesso e cada frasquinho seria disputado a tapa. Se você foi a pessoa que disse isso, manifeste-se aqui que coloco os créditos por tal genial colocação.

Se ganhasse um novo nome – um bem chamativo e estranho – a exemplo, “Civet Dellirium”, minha nossa! Custaria uma fortuna.

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Mas vamos ao que interessa, o Tabu! Pela minha pesquisa o frasco que comprei é da década de 60, na concentração Eau de Cologne. Vou dizer, a colônia Tabu sessentinha ‘fixa’ e exala mil vezes mais do que qualquer Eau de Parfum da atualidade. Que potência!!! Usei só uma gotinha, uma umedecida de nada na ponta dos dedos e já fiquei toda cheirosa por horas! A noite, ao tomar banho, o cheiro ainda estava presente na pele! Treze horas na pele, baby!

O perfume é riquíssimo! Que profusão de notas, inebria o olfato! É especiado, quente, balsâmico e polvoroso, tudo ao mesmo tempo! É bem lascivo, vou avisando… remete a ambientes fechados e escuros, a atmosfera boudoir, quartos de hotéis meio decadentes com mobília antiquada.

Começa com notas picantes e brevemente cítricas, só mesmo pra dar uma arejada. É meio que ‘uma impressão’. Logo surgem notas florais carregadas e retrô. São rosas, ylang-ylang, jasmim, cravo em botão.

Mas a verdadeira personalidade do Tabu se encontra em suas notas de fundo, que de fundo não têm lá muita coisa. Explico… elas estão presentes o tempo todo. O ‘lençol’ de flores das notas médias não esconde em nenhum momento a sujidade e obscenidade que moram neste colchão!

E são tantas as notas de fundo que me foi impossível nomeá-las. Tem um inevitável aspecto animálico, sujo, suado. Tem madeiras, tem âmbar viscoso, tem patchouli mofado/picante, tem tons esfumaçados!

E Tabu também tem, bem no finalzinho, uma doçura elegante e confortável! Em muitos momentos é absolutamente feminino, em outros mostra uma virilidade bruta.

Ah, se o perfume vendido hoje por aí é fiel? Um tiquinho. É uma sombra do que já foi o Tabu, afinal custa 10 paus e certamente não possui mais ingredientes naturais em sua formulação. Mas mantém a ‘alma’ do negócio. Muitos ‘ingredientes’ do Tabu hoje são proibidos pela IFRA (Associação Internacional de Fragrâncias, fundada em 1973), e exemplo o musgo-de-carvalho.

Muitos perfumes da década de 80 beberam na fonte criado por Jean Carles? Ô! Opium taí e não me deixa mentir…

Do tipo ‘ame ou odeie’, Tabu desperta viradas de olhos saudosas e caretas repulsivas. Assim que tem que ser um perfume! O Angel resolveu fazer isso e é um sucesso absoluto de vendas. Tentar agradar a todos é uma estratégia muito em voga atualmente no ramo da perfumaria, mas eu acho isso uma chatisse. Eu uso o Tabu? Sim. Em dias frios, em dias que acordo querendo um perfume fora da curva…

Te agradeço Tabu, por ter ficado quietinho em seu frasco desde os anos 60 e por se revelar todinho para mim!

Notas de saída: laranja, especiarias, neróli, bergamota, coentro.

Notas de coração: cravo (especiaria), jasmim, ylang-ylang, rosas, narciso.

notas de fundo: sândalo, âmbar, patchouli, almíscar, civeta, bezoim, musgo-de-carvalho, vetiver, cedro.

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13 comentários sobre “Tabu (vintage), Dana

  1. Como sou dos anos 60, me lembro bem de como esse perfume que eu sentia em tias e visitas me desagradava,justamente pelo seu aspecto suado. Não sinto a menor saudade.

    • Pois é, ele é do tipo ‘ame ou odeie’. Sabe o mais engraçado? Mostrei ele pra minha mãe, sem que ela visse o frasco, somente cheirasse. E aí ela disse, toda animada: ‘nossa, que bom!’. E ela que sempre jurou ódio eterno ao Tabu. As vezes o estigma do perfume influencia em nosso olfato… mas conheço mil e uma pessoa que não suportam o Tabu!

  2. em êxtase minha querida! obrigada por essa resenha ! adoro-te! e adoro tabu tb! haha
    quero conseguir mais versoes de tabu…ate agora tive acesso a tres.
    sou a louca do tabu…rs
    Bjos e mais uma vez obrigada pelo texto belo e informativo! e é isso mesmo! seria vendido a tapa! e como tem perfume q veio depois na pegada dele viu!

  3. Lembrei imediatamente da Cris Nobre que ama um icônico vintage. Resenha estupenda Di, eu tenho do frasco atual baratex e as vezes uso para fazer layering (no inverno obviamente)
    Perfumes atuais são “limpinhos” demais. Saudade das sujeirinhas passadas (e como disseste, encontramos esses aspectos em caros nichos)

    • Ah, ele é indispensável para o colecionador e amante da perfumaria! Tem que conhecer, mesmo que não goste, ele é um ícone! Explica aí com quais vc faz layering, Carla, fiquei curiosa! Atualmente tem La VIe, Ma VIe, Já Vie, Num Vie… tudo com a mesma cara…

  4. Diana, eu sempre tenho lembranças do preconceito com o Tabu. Meu pai tem um mercado numa cidade do interior, e quando eu era criança sempre ouvia que ele era perfume ruim, “de gente pobre, da roça”, mas não ficava um Tabu nas prateleiras (inclusive a brilhantina)!!!
    E o elogio para alguém que falava que usava Tabu era: Credo! Até hoje creio que seja assim! Confesso que ainda não dei uma chance para senti-lo na pele, mas por que não, né? Te conto depois!
    Quando a gente cresce é que se vê que muita coisa tem uma criação bela, mas, por ser popular, é desmerecida.
    Li alguma coisa sobre a criação do Tabu no próprio site da Dana, nos EUA.
    Vai lá: http://www.danabeauty.com/world-of-dana.html
    P.S.: Tenho certeza que sua resenha pode ser alimentada muito mais, porque Tabu é pano pra vestido de bordel!

    • Vivas, obrigado por compartilhar suas lembranças! É assim mesmo, todo mundo torce o nariz pro Tabu, muitas vezes sem ao menos conhece-lo! E sem duvidas, Tabu é assunto pra 200 posts, de tão rica e cheia de detalhes que é sua história! Se voc~e gosta de perfumes com uma pegada ‘retrô’, vai em frente, e sem preconceito, conheça esse ícone injustiçado da perfumaria mundial!

  5. esse perfume é muito marcante, tinha uma tia que usava, é poderoso e dura horas, dias, meses no corpo rsss os perfumes atuais estão extremamente diluídos, aguados. Um perfume poderoso também úm pouco mais atual é o Obsession da calvin Klein. Se puder experimentar, ele é forte, durável, muito marcante. abraços

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