Covet, Sarah Jessica Parker

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Sempre reclamo que o tempo passa rápido demais, deve ser coisa de quem já chegou aos 30. Mas hoje vou contrariar as queixar diárias e vou lá para o mês de junho.

Aqui em São Paulo em junho é frio. Tem Festa Junina, quermesse. Geralmente a noitinha, nos pátios das igrejas dos bairros. Tem cheiro de curau de milho, cravo, canela, gengibre, bolo de fubá com erva-doce, maçã-do-amor (e está pra nascer pessoa nesse mundo que goste mais de maçã-do-amor do que eu), especiarias. Tem cheiro de vinho quente e quentão (moço, vê logo um litro de cada pra eu não ter que pegar fila toda hora). E cheiro do Covet, da atriz Sarah Jessica Parker.

Calma gente, eu não enlouqueci e nem bebi os litros ainda não comprados de quentão e vinho quente, mas que junho me aguarde… Aliás, tenho uma receita ótima de vinho quente, se quiserem me digam…

Explico: Covet tem cheiro de quermesse! Por favor, excluam o churrasco, o cachorro-quente e o pastel.

Foi lançado em 2007, aproveitando o embalo do sucesso do seriado Sex and the City e criado por Ann Gottlieb. O slogan publicitário era: “Eu tenho que tê-lo!”. Credo, que apelativo…

Covet é quentinho, especiado (embora notas de especiarias não constem em sua composição) achocolatado e amadeirado! Mas não pense que é daquelas fragrâncias confortáveis: ele tem lá sua agressividade, é intenso, tem arestas e excessos!

Para mim ele tem cheiro de noz-moscada, chocolate, cardamomo, fumaça de fogueira (pula iaiá, pula ioiô! – tá vendo? Quermesse pura!), alguma folha esmagada que eu não sei o nome e uma dose de cachaça da boa, de alambique.

Mas vamos as notas reais, e não as que eu inventei:

Notas de saída: lavanda, chocolate amargo, limão siciliano, flor de gerânio (de uma espécie geralmente utilizada na perfumaria masculina).

Notas de coração: magnólia, lírio-do-vale, néctar floral (geralmente do gênero Lonicera).

Notas de fundo: âmbar, musk, madeira de Cashmere, vetiver, madeira Teak (da árvore  Tectona grandis).

Tem alguns elementos comuns na perfumaria masculina no Covet: madeiras, lavanda, vetiver, gerânio. Acho que ele seria compartilhável para homens que gostam de fragrâncias tais como Joop! Homme e Lapidus Pour Homme de Ted Lapidus.

Já li muitas vezes sobre a nuance “verde” de Covet, mas para mim ela é tão sutil que quase não se percebe. Como eu disse, ali tem o sumo de alguma folha esmagada, mas tão de leve que as demais notas acabam por deixá-la ali, acanhada num cantinho.

Sobre a embalagem não falarei, porque embora ache que a cor do perfume combine muito bem com a fragrância, a tal florzinha da tampa não tem cabimento.

Enfim, gosto do Covet. Em junho.

Tuberosa (Polianthes tuberosa)

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O nome comum deriva do latim “tuberosa”, ou seja, “inchada” fazendo referência ao seu sistema radicular. “Polianthes” significa “flor cinza”. Os astecas chamaram-na “Omixochitl “ que significa “flor de osso”. A planta tem um lugar de destaque na cultura e na mitologia indígena. As flores são usadas em cerimônias de casamento, guirlandas, decoração e vários rituais tradicionais.

Nenhuma nota na perfumaria é mais surpreendente, carnal, cremosa ou contraditória do que a tuberosa. A flor é uma mistura de frescor floral e opulência aveludada. Os vitorianos proibiam jovens virgens de inalar o cheiro da tuberosa, com receio de que tal aroma lhes despertasse uma volúpia incontrolável!
Dove Roja disse que a tuberosa é a “prostituta da perfumaria”.
Originária do centro-sul do México (onde cresce espontaneamente) era cultivada para produzir o óleo no sul da França, em Marrocos, no Egito e na China. A planta cresce com espigas alongadas de até 45 cm de comprimento, que produzem flores de cor cerosa e perfumadas que florescem a partir da base para o topo da haste. Folhas verdes e brilhantes se agrupam na base da planta e folhas menores se distribuem ao longo do caule. As suas flores podem ser brancas ou de cor creme, sendo utilizadas como flores de corte e uma só haste de flores pode perfumar um ambiente durante semanas. De suas raízes também é extraído um óleo usado para fazer incensos e medicamentos.
A tuberosa era “explorada” através da técnica de “enfleurage” desde a sua introdução em Grasse, no sul da França, no século 17. A questão é que são necessários mais de 1.200 quilos de flores para produzir 200 gramas do absoluto, o que torna a tuberosa uma das mais caras matérias-primas naturais para uso.
Por isso, não é surpresa que grande maioria da fragrância de tuberosa em perfumaria comercial é sintetizada em laboratório e não natural. Isto irá reduzir o fator de custo e permitir enfatizar certas características em detrimento de outras (digamos, enfatizando a cremosidade sobre a cânfora, ou o floral doce).
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Perfumes que contém tuberosa:
Fracas – Robert Piguet (referência máxima quanto ao uso da tuberosa em perfumes)
Jardins de Bagatelle – Guierlain
Chloe – Karl Lagerfeld
Amarige – Givenchy
Beauty – Calvin Klein
Tubereuse Criminelle – Serge Lutens
J’adore – Dior
Tubereuse Indiana – Creed
Today – Avon
Blonde – Versace
Madonna – Truth or Dare
Tuberosa do Egito – Colônia Phebo (tem o sabonete também)

Bebe Sheer, Bebe

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Da série: perfume pra mocinha dentro de um vidro extremamente “menininha” e bonito!
Chamativo, aposto que muitas, assim como eu, já compraram no escuro encantadas pelo apelo “Barbie” dele. Pois é, caí mais uma vez, comprei pelo vidro!  Me chicoteiem, eu mereço…
Mas o perfume… Bebe Sheer faz a linha mocinha, mademoiselle, miss, girlie ou qualquer outra denominação semelhante que você queira usar (para melhor entendimento, leia tais artigos esclarecedores e extremamente bem humorados:  http://www.perfumenapele.com/2013/01/o-guia-definitivo-dos-nomes-de-perfumes-parte-2/ e http://www.perfumenapele.com/2013/01/o-guia-definitivo-dos-nomes-de-perfumes-parte-3/ ). Fresquinho, levemente adocicado, frutadinho, rosinha.

O engraçado é que todas as propagandas que vi dele, embora apelassem para a pedofilia a imagem da Lolita, traziam uma conotação mais sexy, fetichista até. Aquela dualidade entre a menina e a mulher, o desabrochar da sensualidade e toda a coisa. Mas Bebe Sheer está longe de ser sensual. Na verdade achei o tal bem sem graça, o tipo de perfume que a gente usa pra ficar em casa ou para ir até o mercado. E nem é pra tentar seduzir o carinha do caixa ou o segurança, que fique claro!
Foi criado por Claudette Belnavis e Jean Jacques e apresentado ao público em 2010.
Notas de saída: notas cítricas, notas florais, maçã vermelha (ah…).
Notas de coração: jasmim, frésia, peônia (desbotadas…).
Notas de fundo: musk, sândalo, âmbar (desmaiados, coitados…).
Além de tudo, sua projeção e fixação são infelizes. É bem a flor da pele, intimista.
Ô raio de menina tímida, essa que mora dentro da garrafa-coração!
Jeannie, vem ensinar para ela como se faz e o que é morar em uma garrafa, vai…

Sun Moon Stars, Karl Lagerfeld

Não o possuo mais. Fiz uma troca com um colega também admirador de fragrâncias!
Sun, Moon, Stars (cujo nome parece título de música do Depeche Mode) é um floral oriental opulento da década de 90 que poderia muito bem representar a década de 80. Deu pra entender? Foi apresentado ao público em 1994 e criado por Sophia Grojsman para a marca de Karl Lagerfeld.
A embalagem é uma lindeza só! De azul profundo, lá estão presentes todos os elementos que o nomeiam: o sol, a lua e as estrelinhas!  Não sei se vejo tal frasco como uma alusão a estética hippie, se o vejo quase como um totem (afinal, tais símbolos estão presentes nas mais diversas representações religiosas, culturais e ritualísiticas. É o casamento sagrado, a representação do masculino e do feminino) ou apenas como uma bela obra da vidraçaria. Estou pensando ainda… mas que é lindo é! A tampa em dourado pálido pode se referir a qualquer um dos elementos de seu nome e isso o deixa ainda mais intrigante!
O perfume é de longa duração na pele é intoxicante! Intenso, suas notas são invasivas e agressivas, pode ferir olfatos sensíveis.
Engraçado como tais perfumes florais orientais opulentos e gritantes como Sun Moon Stars confundem meu olfato. As notas vêm tão apressadas, “aos borbotões” que fica difícil distingui-las. As notas frutais perduram um bom tempo na pele, gosto de dizer que é a fase “sun” do perfume. Sinto o abacaxi (sem acidez) e pêssegos bem maduros e sumarentos, como se tivessem sido pisoteados e estivessem ali, exalando todo seu aroma ao vento…
Notas de saída: frésia, bergamota, abacaxi, pêssego, lírio-d’água, rosas.
Notas de coração: cravo (a flor), flor-de-laranjeira, orquídea, raiz de íris, jasmim, heliotrópio, lírio-do-vale, narciso.
Notas de fundo: sândalo, âmbar, musk, baunilha, cedro.
Das flores afirmo que sinto o doce cremoso do heliotrópio, o “esverdeado” do narciso, o atalcado abafado da raiz de íris (confesso: li que o efeito de tal nota é esse, eu nunca senti o aroma da raiz de íris isolado, mas existe esse efeito no evoluir de tal perfume). E sim, Sun Moon Stars tem o cheiro inebriante e narcótico de alguma orquídea que já senti, mas não sei o nome… Pois é, costumo frequentar a exposição anual de orquídeas lá da Liberdade, famoso bairro “oriental” aqui de São Paulo. Plantas são minha outra paixão…
Sun Moon Stars é doce, é melífluo, é picante, é cheio de arestas e ao mesmo tempo é viciante e inebriante! Para marcar presença!
Enfim, se você é fã de perfumes marcantes, vá com tudo!