Patchouli Anos 70, Atelier Segall & Barutti

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Antes de mais nada, esse perfume foi um presente da querida amiga Rosângela. Percebeu que eu andava tristinha, desanimada… e o que é melhor pra levantar o meu astral do que um perfuminho novo?

Sendo assim, esse perfume me é mais do que especial! Maaaaas, se você acha que por causa do apreço sentimental eu vou fazer uma resenha puramente elogiosa, você

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Vamos começar pelo frasco. Levanta a mão aí quem já viu o perfume Inoubliable Elixir Patchouli, da Reminiscence? Não viu? Eu mostro:

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Agora veja a apresentação do perfume do Atelier Segall & Barutti e tire suas conclusões…

O perfume é um pouco oleoso, a marca afirma que em sua composição estão óleos essenciais de patchouli da Índia, Malásia e Indonésia. Eu sou fã confessa de patchouli e suas muitas facetas. Esse aqui tem aquele jeito de casa de produtos esotéricos, daquela fase em que você usava roupas saias indianas e era meio riponga. Passou por isso? Eu tenho ‘revivals’ até hoje…

E agora vem o engraçado… usei o perfume algumas vezes, algumas prestei atenção a faceta adocicada do patchouli, outras dei mais bola a seu lado herbal e ‘raizento’, priminho do vetiver. Sempre juro que o perfume não dura uma hora sequer na pele. Fico cheirando os braços e os locais onde apliquei buscando o cheiro do patchouli – não sinto nada. Aí de repente sinto uma nuvem perfumada exalando do meu corpo. Que coisa louca! Não o sinto na pele mas o sinto ao meu redor, como se uma nuvem delicadamente perfumada me seguisse e protegesse das mazelas do cotidiano.

Um desses dias cheguei a compará-lo a uma dessas colônias vendidas em lojas de artigos religiosos. Nesse dia fiz a comparação, assumo, de forma pejorativa. Hoje faço a mesma comparação, porém de forma sorridente e agradecida. Que melhor escudo posso querer perante um dia cheio de percalços, do que o carinho da amiga que me presenteou, e do aroma mágico do patchouli que me rodeia?

Imagem retirada do site da marca: http://ateliersegallbarutti.com.br/produtos?olsPage=products/parfum-patchouli-anos-70-oleo-da-indonesia&olsFocus=false

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Orchid Soleil, Tom Ford

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Como o nome sugere, é o representante veranil da grande família Black Orchid. E gente… que perfume bonito!

Usar esse perfume te conta a história de uma flor branca. Te convida a repousar dentro dela em botão e desfrutar dos primeiros raios de sol no momento de seu desabrochar. Nossa, como ficou bonito isso!

Bom, perfume é uma coisa muito pessoal, e vou falar dele sem grandes pretensões, exatamente como o senti. Ao passar na pele senti um amargor, algo verde. Me fez pensar na hora em um caule suculento de um copo-de-leite sendo mordido.

Logo depois desse momento veio a sensação de estar dentro do botão, da flor prestes a abrir. Era tão animálico, tão orgânico, pulsante!

E aí a flor, banhada do sol morno da manhã, desabrocha. Vai, espreguiça e respira fundo! A flor branca ganha a mesma nuance do jasmim presente e reinante no Alien da Thierry Mugler, se torna adocicada e brilhante. Mas olha, nada de espalhafato, o negócio aqui é ainda orgânico e vital, o cheiro serve para atrair polinizadores e cumprir sua função de flor: dar sequência à vida da planta.

Depois deste espetáculo todo o perfume ainda mostra que tem baunilha e algo cremoso e comestível. Sabe, achei que parece Nutella (a versão gourmet do nosso antigo ioio cream, não é?).

A aí, lá no finzinho tem algo de orquídea nele. Aquela orquídea de cheiro cremoso e exótico, dessas flores que só aparecem uma vez por ano (quando bem cuidadas) e talvez seja por isso tão preciosa.

Lindo, o Orchid Soleil, lindo!

Lançado em 2016 e criado por Sonia Constant.

Notas de saída: pimenta rosa, cipreste, laranja amarga.

Notas de coração: tuberosa, lírio vermelho.

Notas de fundo: baunilha, patchouli, castanha, chantilly, orquídea.

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Black XS, Paco Rabanne*

Sabe, eu nasci em 1980. E acho que é um mal de toda a geração 80 ser saudosista. Ou talvez porque de fato, os anos 80 foram os últimos que permitiram a fantasia e a real demonstração do que de fato somos. Depois que vieram os perfumes de ar-condicionado dos anos 90 (entre tantas outras inovações tecnológicas), essa ‘fantasia’ acabou se perdendo…

Fato é que esses dias assisti o trailer do que deveria ser a personificação de um dos desenhos preferidos das meninas da década mágica: Jem e as Hologramas! O desenho era tão, mas tão glam rock que acho que influenciou meu gosto musical para sempre! E tinha a ‘banda rival’, as Desajustadas (Urânia, Roxy, Electra e Jetta). Bom, para mais da história do desenho clica no link aí em cima!

O tal do filme NADA tem a ver com o desenho que em 1988 passava no SBT. Se passa nos dias atuais, não tem brinco de estrela, não tem computador holográfico, não tem cabelo de poodle, não tem glam rock. E eu que pensei que as ‘novas’ Hologramas e a própria Jem cheirariam a Black XS, me enganei. Não merecem o Black XS, não merecem… As meninas do desenho oitentista deviam usar o que? Opium pras Desajustadas e Poison pra banda da Jem?

Enfim, saudosismo, descontentamento e Jem a parte, vamos ao Black XS… O perfume tem uma campanha publicitária focada no rock, em atitude. Teve flanker com o Iggy Pop como garoto propaganda! Teve ‘Heart of Glass’, do Blondie!

Black XS tem um belo frasco e um cheiro bem bom! Começa com notas frutais adocicadas e com o patchouli marcando presença desde o primeiro momento, escuro e achocolatado. Passado algum tempo ele se cansa de doçura arrogante/misteriosa e parte para uma feminilidade mais segura, deixa aparecer as rosas e as violetas que me fazem lembrar de maquiagem e batom. O cacau disputa espaço com o patchouli, mas acabam por se entender e ficam bem bonitos juntos.Lá no final ainda aparece uma baunilha comedida, que vai reforçar a união do patchouli e do cacau. Tem mais coisa, tem uma nota amadeirada e leitosa, lembra um pouco o sândalo mas não é. Tem algo de coco, algo de noz-moscada…

O mais divertido é que o patchouli perceptível nas notas de saída dá uma pinta de macheza às frutinhas! E aí vem o cheirinho boudoir da maquiagem e se junta a descompromissada brincadeira… interessante isso!

Embora seja sim intenso, Black XS tem projeção mediana, se não usado em excesso não vai ferir o sentido alheio.

Foi criado em 2007 por Emilie (Bevierre) Coppermann e Mark BUxton.

Notas de saída: cranberry (oxicoco), pimenta rosa, tamarindo.

Notas de coração: rosa, violeta, cacau.

Notas de fundo: patchouli, baunilha, madeira massoia.

E um último desejo: Paco Rabanne, desejo um flanker que tenha a campanha publicitária estrelada pelo Def Leppard!!!!

*Post Republicado (original em setembro/2015)

Dahlia Divin Le Nectar De Parfum, Givenchy

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Que nome comprido! E engraçado, sempre que vejo algum perfume da família ‘Dahlia’ da Givenchy lembro do macabro e misterioso assassinato de Elizabeth Sort, conhecida como The Black Dahlia. O crime ficou eternizado não apenas pela brutalidade e principalmente por permanecer sem solução. Nem vou colocar links porque a coisa é pesada.

Bom, nada a ver o perfume com a moça esquartejada.

Rosângela, mais uma vez agradeço a generosidade pelo envio as amostras!

Dahlia Divin Le Nectar De Parfum – a partir de agora só Dahlia – é muito do bom, mas o nome promete mais do que entrega. Quando falam de ‘néctar de perfume’, penso em um extrato, aquela coisa oleosa e de durabilidade eterna na pele. Mas não. Dahlia se comporta qualquer outro perfume.

Taí um perfume que me enganou! Jurava que tinha muitas frutas maduras e suculentas, achei ali manga, pêssego, pêra. Oficialmente não tem nada disso.

Na verdade toda essa coisa doce, melíflua e frutada vem da mimosa. Florzinha lindeza, carrega em si toda a exuberância, brinca de ser outras coisas…

Logo na sequencia aparece um jasmim moderno, desse que está aparecendo em muitos perfumes, com tonalidade gourmand, brevemente picante e solar.

As notas finais de Dahlia são atalcadas e ‘fofas’, outra vez fui enganada, achei que tinha aqui uma porção de heliotrópio. Mas esse efeito deve vir da combinação da baunilha com a fava tonka e o montão de almíscar. Lá no fundinho sente-se o leitoso verde/doce do sândalo.

É um perfume potente, feito para as ‘femme fatales’ da atualidade, que emanam cheiros adocicados.

Notas de saída: mimosa.

Notas de coração: jasmim sambac e rosa.

Notas de base: vetiver, sândalo, baunilha, fava tonka, almíscar.

Criado por Francois Demachy em 2016.

 

Anúncios Antigos de Perfumes, quem não gosta?

Todo mundo gosta! Vamos então viajar no tempo!

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Quer mais? Aqui temos um excelente apanhado de imagens de anúncios antigos não só de perfumes, mas de itens de higiene e beleza em geral. Ou você lembra ou já ouviu algum familiar de idade mais avançada comentar! Que tal conhecer o que deixava as pessoas de décadas passadas mais bonitas?

My Heroine, MAC

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A MAC é uma marca super aclamada no ramo da maquiagem. Em 2016 lançou seis  perfumes inspirados nos batons mais clássicos e festejados de seu portfolio.

My Heroine. Traduz-se ‘Minha Heroína’. Como interpreto isso? Como o suspiro de quem deixa clara a admiração por alguma mulher que realizou um ato inspirador ou de bravura? Ou entendo como a declaração possessiva de uma pessoa adicta na droga do mesmo nome? Tudo pode ser só basta acreditar, já disse a Xuxa, o perfume pode ser tantas coisas, inclusive um vício…

Antes de qualquer coisa, obrigada minha diva Rosângela pelo envio de tantos mimos, inclusive a generosa amostra do My Heroine. Essa resenha só existe por sua causa, Rosângela!

Confesso que não esperava grande coisa dos perfumes da marca. Não sei o motivo, só sei que paguei a língua, engoli meu ‘achismo’ e tenho que tirar o chapéu pra MAC. Ao menos o My Heroine é uma beleza!

Logo que passei tive uma lembrança muito grande do antigo e magnífico Cabochard*. De onde vem tanto couro, tanta fumaça, tanta sensação de ‘picância’ na ponta do nariz, e aquela vontade louca de cheirar a pele onde o perfume está aplicado?

Junto com o couro e as nota incensadas temos um cheiro muito familiar para  mim: tabaco. Não fumaça de cigarro e sim tabaco a granel, pacote recém aberto que ainda guarda a umidade e a pungência do cheiro.

Aí temos notas incensadas e o patchouli que trazem ao mesmo tempo doçura e profundidade. Tem sim uma nota floral que em alguns momentos se torna mais evidente e trás um vislumbre de luminosidade ao My Heroine, que de nascença, é um perfume escuro.

Desse jeito – escuro, rebelde, agênero, afrontoso – My Heroine é um suspiro, é um vício.

Nota de saída: couro.

Notas de coração: açafrão, incenso, ládano.

Notas de fundo: tabaco, patchouli.

E só pra entrar na brincadeira com o nome do perfume, seguem duas super-heroínas do cinema e das HQs que ornariam perfeitamente com o My Heroine: Spectral, da espetacular HQ Watchmen e Jessica Jones, dos quadrinhos e agora da Netflix!

 

*para resenhas do Cabochard, temos links aqui, aqui, aqui e aqui.

Farah, Brecourt

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A Brecourt é uma marca francesa de nicho nascida em 2010 pelas mãos (e nariz) de Emilie Bouge. Faz muito, muito, muito tempo eu solicitei no site da marca um kit de amostras, eu tinha lido em outro blog de perfumes sobre tal kit que viria para o Brasil a preço módico, então resolvi pedir. Mas olha, faz tanto tempo, nada achei no site atual da marca sobre esse material…

Todos os perfumes da  marca são de grande qualidade, mas o Farah ganhou meu coração e hoje usei a ultima gotinha da amostra. Segundo as palavras da perfumista que o criou:

“Meu gosto pela cultura oriental inspirou um perfume quente, que o instinto coexiste com requinte. Farah é proibido-tentador. Eu o queria como o acessório de uma mulher que não tem medo de liberar a parcela de erotismo que está dentro dela.”

Farah é de fato quente, exótico e tem uma evolução belíssima na pele. Revela seus encantos aos poucos, é versado na arte da sedução!

A primeira associação que Farah provocou em mim foi a do cheiro de leite com açúcar queimado e canela, daqueles que as mães e avós fizeram pra gente em dias frios. Já tomou? É assim, derrete o açúcar até virar caramelo, joga leite, canela em pau e deixa ferver. Vai perfumar sua casa e sua vida!

Depois senti uma nota animalesca contida. Fera que só passa perto, provoca, assusta, arrepia e parte. Como um grande felino que visita um acampamento noturno para te lembrar que você pode estar por lá, mas na verdade aquele local é dele, e você pode ser devorado se assim for o seu desejo… Doce, viscoso, um pouco sujo. Esse foi então o recado animálico de Farah.

E aí me vem ao nariz um cheiro familiar, algo que eu gosto e como no Natal! Tâmaras! Farinhentas, doces, acolhedoras. Me fez lembrar da Julia Biase.

E aí me distraio. Fico uma meia-hora sem cheirar mais atentamente o Farah, e aí então sou ‘acordada’ por uma nuvem de patchouli terroso, molhado, doce. Aquele patchouli-feiticeiro tentador…

Depois da ‘surra-de-patchouli’ ainda existe o achocolatado/abaunilhado da fava-tonka, o esfumaçado de resinas queimando, o macio e sensual almiscar e outras sensações florais-melífluas!

Libidinoso o Farah, desperta sentidos!

Ah, dizem que se assemelha aos celebrados Ambre Narguille e Dolcelisir!

Notas de saída: canela, styrax, bergamota.

Notas de coração: tâmara, mel, couro, cedro.

Notas de fundo: patchouli, ládano, almíscar, benjoim, fava-tonka.

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http://www.artistsandart.org/2009/07/art-of-anton-pieck-1001-arabian-nights.html