Os números de 2012 – obrigada!

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 7.100 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 12 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

E que venha 2013!

A todos um iluminado e perfumado 2013! Que nossas ambições perfumísticas se tornem realidade, que nossos dias sejam carregados de paz, amor, saúde e dinheiro, claro, pra podermos comprar perfumes… 

Obrigada a todos que visitaram, comentaram, apoiaram o blog!

E que venha 2013!

Deep Red, Hugo Boss

Já conto logo que do Deep Red tenho somente uma amostra. Mas já é o suficiente. Não o teria mesmo, e explico o porque: embora suas notas de saída prometam um perfume aveludado, quente, cremoso e sedutor, na minha pele, depois de alguns minutos, ele fica com cheiro de pomada de bebê, daquelas anti-assaduras. E depois volta, doce, doce, doce…

Suas notas de saída formam uma núvem cálida, um floral frutal que ao invés de brincar com a dualidade doce-azedo, vem todo docinho, intenso, melífluo. As suas notas florais são muito bem amparadas pelos acordes frutais e… acabou, vira pomada. E depois o cheiro doce reaparece, intenso e até um pouco enjoativo. Com um quê do Nina. Vai entender esse meu nariz…

Defino assim o Deep Red: explode exótico e aveludado, fica sem graça e por fim reacende de forma doce quase gourmand.

A fragrância foi criada em 2001 por Alain Astori e Beatrice Piguet.

Notas de saída: laranja sanguínea, pera, mandarina, laranja clementine, cassis.

Notas de coração: tuberosa, frésia, gengibre (raiz e flores), semente de hibisco.

Notas de fundo: sândalo, cedro da Califórnia, musk, baunilha.

Acho que as notas picantes do gengibre foram só figurantes, fizeram só uma “pontinha”. Até a tuberosa, que geralmente tem papel de destaque ficou tímida, coadjuvante e adormeceu durante a filmagem. Já o cassis, a baunilha e a semente de hibisco deitam e rolam! São as grandes estrelas do Deep Red. E eu acho que merecia uma refilmagem…

É isso! Tantos perfumes brilhantes têm milhares de flankers sem graça, com o Deep Red deviam fazer o contrário: lançar um flanker de melhor estrutura e batizar com o nome de Deep Red “alguma coisa”. Anotou a dica, Hugo Boss?

Sira des Indes, Jean Patou

ImagemSira des Indes, da lendária casa Jean Patou (que criou Joy e outras pérolas da perfumaria), foi criado em 2006 por Jean-Michel Duriez. É um perfume estranho que tem seus encantos.

A começar pela embalagem de linhas retas e clássicas, pela cor (eu pelo menos não tenho nenhum perfume “alaranjado”) e pela nota inusitada: banana, minha gente! 

Juro que esperava um perfume incensado, cheio de especiarias, picante. Esperava um perfumão oriental mesmo. Mas o danadinho saiu delicadamente exótico.

Família olfativa: oriental amadeirada.

Notas de saída: banana, pera, bergamota, cardamomo, pimenta rosa.

Notas de coração: champaca ou champa (Michelia champaka), flor-de-laranjeira, ameixa, leite.

Notas de fundo: sândalo, âmbar, musk, baunilha. 

Sira des Indes começa com notas frutais “verdes” (não maduras), com toques cremosos e mornos. A banana está ali sim, dá para perceber, e isso o torna curioso e exótico. E nada de banana artificial de bala de goma, banana mesmo, um tiquinho antes de amadurecer, ainda no cacho. As especiarias (cardamomo e pimenta rosa) são perceptíveis, mas nada agressivas ou masculinas. O leite dá certa leveza a composição, é leite fervido, levinho e espumante. As notas de coração e de fundo são bem amadeiradas, porém discretas e um pouco artificiais. De longe um cheirinho de lustra-móveis. A projeção em mim é mediana, bem como a fixação. Pena que não consegui sentir a flor champaca, acho que é porque não faço idéia de como seja seu cheiro…

Eu esperava bem mais de tal perfume. Esperava uma bomba olfativa, e isso ele não é. Em linhas gerais, Sira des Indes é exótico, aconchegante e estranho, delicadamente estranho. E é isso que o torna atraente.

Métodos de Produção II – Hidrodestilação e Enfloragem (Enfleurage)

Hidrodestilação

Geralmente usado em: folhas, ervas, sementes e flores, mas nem sempre é indicado para extrair-se o óleo essencial de raízes e madeiras porque devido ao demorado tempo de destilação destes materiais, a água pode evaporar-se toda do destilador e a planta queimar-se.

O Método:

Os materiais da planta são completamente emergidos na água, como num chá e então destilados. A temperatura não excede os 100ºC, evitando desta forma a perda de compostos mais sensíveis a altas temperaturas como na destilação a vapor. Este é o mais antigo método de destilação e o mais versátil. É comumente empregado quando se conta com pouco recurso financeiro, e nestes casos, a destilação é um processo todo artesanal. Costuma ser usado para extração do óleo essencial de algumas flores como a rosa e neroli e também de raízes, madeiras e cascas.

Enfloragem (Enfleurage)

O mais belo dos métodos! A alma das flores captada e eternizada!

Geralmente usado em: pétalas de flores que tem compostos sensíveis demais para usar outros métodos, e que tem uma quantidade pequena de óleos essenciais.

 O Método:

Na enfloragem são utilizadas flores frescas que tem baixo teor de óleos essenciais e que são extremamente delicadas, ao ponto de não poderem ser usadas outros métodos mais práticos. Algumas dessas flores, como é caso do jasmim, podem continuar a produzir seu perfume até 24 horas depois de retiradas da planta.

O método propriamente dito consiste basicamente em colocar tais pétalas em um chassi que é uma armação com placa de vidro recoberta de gordura e compostos preservativos por ambos os lados. Estas placas são postas umas sobre as outras, de modo a evitar o contato direto com o ar. As pétalas são substituídas por outras frescas por um período que pode variar conforme o caso, mas usualmente tende a ser 24 horas.

Após 8 a 10 semanas, a gordura, que age como uma esponja absorvendo o aroma chega a seu ponto de saturação em relação aos óleos das flores, adquirindo aspecto de pomada. A gordura é removida e adicionando álcool à mistura é possível separar o óleo essencial da gordura, pois o óleo essencial é mais solúvel no álcool. Aí então teremos o absoluto. Este é um processo difícil e demorado. Hoje, este método praticamente não é feito mais. Para tal processo são necessárias cerca de 126 mil flores para se obter 1kg de óleo essencial.

Fontes:

http://www.laszlo.ind.br/default.asp?pagina=extracao

http://oleosessenciais.org/tag/enfleurage/

Rose Bourbon, Princesse Marina de Bourbon

ImagemSim, foi descontinuado. Mais um. E é um perfume bom para os dias quentes ou para quando você quer sentir o doce-azedinho característico de muitos da família floral frutal. 

Foi criado em 2004 para a grife Marina de Bourbon. O frasco é em forma de estrela (de 4 pontas, parece aquelas de topo de árvore de natal) quando visto de cima. É bem bonito!

Notas de saída: mandarina, maracujá.

Notas de coração: rosa, groselha preta, íris.

Notas de fundo: baunilha, musk branco.

As notas mais evidente aqui são o maracujá e a groselha preta. A rosa é tão discreta, passa quase despercebida. Das notas de fundo, o almíscar branco é o destaque. É um perfume docinho, azedinho, fresquinho, limpinho, de fundo cremosinho e na totalidade, é gostosinho. É  bem feitinho (mais um “inho”). Não tem grandes destaques, mas não é de se jogar fora não. É pequeno, discreto, delicado, suave, de pouca projeção, confortável. Bem “mocinha”.

Lembra o Baby Doll, de YSL, sem o cheiro de goiaba. No Fragrantica, muitas pessoas associam Rose Bourbon ao Gloria, da Cacharel, mas evidentemente estavam bêbados quando fizeram tal associação. Só pode ser.

Mas com todos os diminutivos que podem parecer pejorativos (não são), Rose Bourbon é interessante para as que gostam de perfumes discretos, bem femininos e leves. 

 

C’est la Fete Patchouli, Christian Lacroix

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Sou suspeita: adoro a nota pungente, terrosa e doce do patchouli. Depois da confissão, vamos ao perfume..

C’est la Fete Patchouli, foi criado em 2008 e foi uma edição especial para celebrar o outono/inverno. É um perfume denso, invernal, sedutor, intoxicante, hipnótico, femme fatale, escuro, felino, vibrante.

O frasco remete a um coração, a tampa faz alusão a veia cava e a aorta, ou eu estaria delirando? Se for isso mesmo, faz todo sentido, pois é um perfume que pulsa na pele. Nem sei como falar dele, mas acho que é um perfume vindo das profundezas. De uma caverna onde vive uma feiticeira sedutora que nunca envelhece, oriunda de alguma lenda já esquecida…

Para mim ele é uma verdadeira poção, não consigo parar de cheirar e me inebriar com o odor terreno, úmido, doce e cálido. Tem um quê de terra molhada, tem toques herbais, licorosos e de madeira recém cortada, com sua seiva ainda a escorrer. 

Família olfativa: oriental floral

Notas de saída: bergamota, limão almafitano.

Notas de coração: jasmim, heliotrópio, resina Elemi (Elemi é uma árvore nativa da Filipinas. A árvore produz uma resina amarelo pálido a partir da qual o óleo aromático é destilado).

Notas de fundo: patchouli (aos baldes), baunilha, cedro-da-Virgínia, fava tonka.

Já me disseram que lembra o Angel, mas não acho. Não tem nada de gourmand, açucarado ou caramelizado no C’est la Fete Patchouli. Nada disso! Ele é um doce terreno, resinoso e selvagem, como Kenzo Jungle L’Elephant. Mas também não se parece com ele.

Narizes (e cabeças) mais sensíveis doerão ao sentir tal perfume. Acredito que junto com o Tumulte, C’est la Fete Patchouli são as duas melhores obras da perfumaria da casa Christian Lacroix. Dure para sempre, meu vidrinho de 50 ml…

 

PI, Givenchy

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Uma pergunta: como alguns são tão categóricos em afirmar que PI é uma fragrância masculina? Analisem melhor vai… coloquem ele no balaio dos “compartilháveis”, pois é isso que PI é.

Criado por Alberto Morillas em 1998, tem o apelo aventureiro e pioneiro masculino, tem a doçura balsâmica de grandes clássicos da perfumaria feminina. Suas notas amadeiradas e herbais são tão ambíguas…

Apaixonante, denso, decidido, forte e poderoso! PI é uma grande obra da perfumaria! Lembra os clássicos amadeirados e resinosos, é resplandescente nas notas doces e balsâmicas, “temperado” por notas herbais, lapidado com um lindo buquê floral! Ai, ai, PI, você me mata…

Família olfativa: oriental amadeirado.

Notas de saída: alecrim, mandarina, manjericão (que na composição, lembra muito mais a alfavaca ao meu ver), estragão.

Notas de coração: flor de laranjeira, gerânio, lírio-do-vale, erva-doce (anis).

Notas de fundo: fava tonka, amêndoas, bezoim, baunilha, açúcar mascavo, cedro.

E essas notas de fundo! Que deleite! Me sinto degustando um bolo de mel e frutas secas em um bosque de um país norte-europeu! (nunca fiz isso, mas imaginar é grátis, né…).

PI é uma jóia! Para homens e mulheres que não tem medo de ousar e se entregar. PI é o Arpége com calda. Ok, sou louca, como já afirma o nome do blog…

Vetiver (Vetiveria zizanioides)


Vetiver (Vetiveria zizanioides) é uma gramínea perene, de altura de 50-80 cm. As raízes têm propriedades aromáticas e crescem até 2m de profundidade. A raiz é a fonte de óleo essencial. Também é conhecido por capim-vetiver, capim-de-cheiro, grama-cheirosa, grama-das-índias, falso-patchouli ou raiz-de-cheiro.

É resistente a praticamente todo tipo de solo, inclusive pobres e contaminados, tolera temperaturas de -10°C e +50°c e pHs do solo de 3 a 12. Tolera índice de pluviosidade (chuvas) de 300mm a 5000mm/ano, isto é, da seca ao alagamento.  Rebrota após queimadas, alagamentos ou soterramentos. Não possui sementes férteis, por isso não se alastra. O plantio é feito através de mudas. Incrível não?

O Vetiver é nativo do sul da Índia, Indonésia e Sri Lanka. Também é cultivada nas Filipinas, Ilhas Comores, Japão, África Ocidental e América do Sul.

O óleo de vetiver é obtido por destilação a vapor a partir das raízes.

O plantio de cordões do vetiver tem se mostrado eficiente na conservação do solo e da água em varias regiões do mundo, devido a elevada resistência ao arrancamento pelas enxurradas, característica proporcionada pelo seu extenso e resistente sistema radicular, que estabiliza a planta e agrega o solo. Em virtude de seu rápido crescimento se forma rapidamente densas touceiras que criam barreiras às enxurradas.

O Vetiver tem uma longa e rica história. Na Índia é usado para fazer cortinas, tapetes, cestarias que quando polvilhadas com água emitem aroma. Em Java, a raiz tem sido usada há séculos para tecer tapetes e cabanas. A raiz do vetiver é usada na magia popular por sua suposta capacidade de proporcionar segurança e aumentar os recursos financeiros e proteger a pessoa das energias negativas.

No mercado mundial, a demanda por óleo de vetiver é grande devido ao seu odor único, e é utilizado nas indústrias de sabor e aroma. Além disso, não ele pode ser reproduzido sinteticamente.

Puro óleo de raiz de vetiver (Khus), é conhecido no comércio como “Ruh-Khus. Óleo de vetiver é a base do perfume indiano ‘Majmua’ e é o ingrediente principal em cerca de 36% de todos os perfumes ocidentais (por exemplo, Caleche, Chanel No. 5, Dioressence, Opium) e em 20% das fragrâncias masculinas.

A sua composição química complexa e odor do óleo, a alta solubilidade em álcool que melhora a sua miscibilidade com os demais materiais, faz com que seja um recurso único na perfumaria para o qual nenhum substituto sintético está ainda disponível. Seus compostos são o vetiverol, e a partir dele é produzido o acetato de vetiveryl. São frequentemente usadas em fragrâncias chypre, fougére, orientais florais e composições florais aldeídicas.

Além de suas aplicações diretas de perfumaria, o óleo de vetiver em sua forma diluída é amplamente utilizado em loções pós-barba, aromatizadores de ambiente, artigos de banho, xaropes, aromatizantes alimentícios, sorvetes, cosméticos e conservação de alimentos. No oriente ainda é usado em bebidas, gomas de mascar, fumos e incensos.

Algumas das características do vetiver fazem desta planta um excelente meio de controlar a erosão nos climas mais quentes. Ao contrário das outras ervas, o vetiver não ganha raízes horizontais, crescendo estas quase exclusivamente na direção vertical, para baixo. O plantio de cordões do vetiver tem se mostrado eficiente na conservação do solo e da água em várias regiões do mundo, devido a elevada resistência ao arrancamento pelas enxurradas, característica proporcionada pelo seu extenso e resistente sistema radicular, que estabiliza a planta e agrega o solo. Em virtude de seu rápido crescimento se forma rapidamente densas touceiras que criam barreiras naturais.

Fontes:

http://www.vetiver.com.br/#!

http://www.fragrantica.com/notes/Vetiver-2.html