Omnia Amethyste, Bvlgari

Uma leitora pediu que eu falasse sobre o Omnia Amethyste, então vamos lá!

É um perfume floral almiscarado delicado e polvoroso. Eu esperava algo diferente: na verdade tinha a pretensão dele ter aquele toque sintético/flourescente/gourmand do Insolence, mas não… é o que dá comprar as cegas…

Omnia Amethyste (vamos chamar de OA?) inicia com forte cheiro de protetor solar, me sinto em uma praia de areia clara. E bem cedinho, quando o aroma dos mil e um petiscos vendidos à beira-mar e dos muitos corpos ainda não se confundem como o cheiro do ambiente…

Além do protetor solar temos algo de casca de laranja lima-da-pérsia. Depois de algum tempo a praia recebe a visita da Rosa e da Íris, que usam roupas-de-banho charmosas e batom vermelho! Flores Pin Ups!

Lá no final da manhã, já quase meio-dia, quando a Rosa e a Íris já começam a levantar acampamento, pois não querem o sol a pino agredindo suas tenras cútis, aparecem madeiras doces e cremosas, com leve nuances verdes. Elas mergulham, secam ao sol e logo se vão…

E é assim o OA, tem o cheiro da praia pequena e bonita que acabei de inventar…

Foi criado em 2006 por Alberto Morillas.

Notas de saída: notas verdes, toranja.

Notas de coração: rosa da Bulgária, íris.

Notas de fundo: madeiras, heliotrópio.

 

Rosa Taif ou Rosa Damascena (Rosa damascena trigintipetala)

Taif: uma das cidades mais antigas do mundo. Localizada na parte ocidental da Arábia Saudita, perto da cidade sagrada de Meca. O seu patrimônio e monumentos antigos têm muitas histórias para contar aos visitantes: Taif é conhecida por seu bazar Okaz, um dos mais famosos bazares árabes. É conhecida por seus vales, como Wadi Al-Naml, o vale que foi visitado pelo rei Salomão.
Taif também é conhecida pela famosa Rosa de Taif. Os subúrbios de Taif e seus vales Huda, al Shafa, al Ghadeerayn e Wadi Mahram, são conhecidos para o cultivo desta rosa que gera mais renda do que o cultivo de hortaliças ou outras culturas. Taif localiza-se 2.000 metros acima do nível do mar e devido às suas condições climática (menos quente), sistemas de irrigação, qualitativos e terra fértil, é uma grande área para o cultivo de rosas. No tempo do Império Otomano, esta região foi nomeada ‘A Rosa Árabe’.
A rosa taif cresce como um pequeno arbusto espinhoso que atinge de 1 a 2m de altura, com folhas peludas esbranquiçadas e flores muito perfumadas de 30 pétalas. É uma flor híbrida, resultado do cruzamento da Rosa Gallica e Rosa Moschata. Também é chamada de rosa-de-damasco e rosa-de-castela. Atualmente é uma flor cultivada, raramente é encontrada em vida selvagem.
Nunca foi completamente claro como tal flor apareceu em Taif. É sugerido que a Rosa Taif foi trazida pelos turcos que ocuparam esta área no século 14. Outros dizem que ela veio através da Índia.

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As flores são colhidas manualmente nas primeiras horas da manhã, já que os botões florescem ao amanhecer. É preciso buscá-las antes do sol e o calor do dia destruir os óleos essenciais necessários para a produção de água de rosas.
É atribuído a Avicenna, cientista persa, a invenção do processo para a extração de ‘água de rosas’ das pétalas no início do século 11.
A palavra “attar”, hoje usado por muitos como sinônimo de óleo de rosa, vem da palavra árabe ittr, que significa “perfume” ou “essência”. Embora os árabes destilassem a água das pétalas de rosa desde muito antes, as primeiras fontes que documentam as origens do attar vêm da Índia. O quarto imperador Mughal Jahangir, cujo reinado se deu no final de 16 e início do século 17, creditou a descoberta do attar a sua sogra, Asmat Begum, mãe de sua esposa Noor Jehan. Ao fazer água de rosas, ao jogar água quente sobre as pétalas, uma ‘espuma’ apareceu. Ao retirar tal ‘espuma’ descobriu que a mesma carregava um cheiro tão forte como um buquê de rosas. O imperador, muito feliz com a beleza do perfume, teria recompensado Asmat Begum com um colar de pérolas, e, em troca, ela nomeou o óleo com o nome de Jahangir. Outra lenda diz que o attar foi descoberto por Noor Jehan, quando um banho de pétalas de rosa foi deixado durante toda a noite para esfriar. Quando ela jogou o conteúdo na água, descobriu o óleo perfumado sobre a superfície do preparado.

Mais de dois séculos atrás as rosas eram coletadas, firmemente embaladas e levadas a Meca nas costas dos camelos para a partir delas, produzir o attar em destiladores indianos. O processo de destilação é diferente do utilizado hoje: sua técnica era a infusão de destilado de rosas em óleo de sândalo que resultava em notas frescas, florais e amadeiradas. É interessante notar que essa mistura pode ainda ser encontrado na Índia, e, embora muito raramente, na Arábia Saudita, também.
Cerca de 200 anos atrás as ‘destilarias’ foram para Taif, perto dos campos de rosas. Assim, a produção de óleo foi otimizada, impedindo a perda da qualidade da matéria-prima que costumava ocorrer durante o transporte. Logo após o estabelecimento das destilarias em Taif, o óleo de rosas tornou-se famoso em todo o mundo muçulmano. Os peregrinos vindos do Oriente, muitas vezes ‘desviavam’ suas rotas para Taif apenas para comprar o óleo de rosa, e cada muçulmano que poderia pagar compraria pelo menos um frasco do precioso óleo de rosas como uma lembrança.
Apesar de toda história, a Bulgária e a Turquia são os maiores produtores de óleo de rosa taif. A França e a Índia também contribuem significativamente para o mercado mundial. Marrocos, Tunísia e outros países do Oriente Médio têm historicamente produzido óleo de rosas, mas a sua contribuição no mercado moderno é mínima.

Na aromaterapia o óleo essencial auxilia a cura de traumas e apoia a construção ou restauração da confiança. Influência de seu aroma: abre o coração e libera estados de raiva, medo, ansiedade, sofrimento de perda, tristeza, mágoa, ressentimento, fúria e desespero. Cura as feridas emocionais enterradas no subconsciente, aquelas que podem ter sido geradas por condições de rejeição, traição, abandono, maus tratos, abusos físicos, emocionais e ou perdas.
Na culinária são usadas como ingrediente aromatizantes ou especiarias. É um dos ingredientes na mistura de especiarias típica do Marrocos conhecida como ‘ras el hanout’. Água de rosas é muitas vezes polvilhada em muitos pratos de carne, enquanto o pó da rosa é adicionado a molhos. Flores inteiras, ou pétalas, também são usados no chá de ervas ‘zuhurat’. O uso mais popular, no entanto, é no aroma de sobremesas como sorvetes, geléias, doces árabes, pudim de arroz, iogurte etc. Frango com Rosas é um prato popular na culinária persa. Algumas sobremesas tradicionais na Europa ainda fazem uso de rosas, como Marzipan ou Turrón.

Perfumes com Rosa Taif:

Trésor in Love, Lancome

Very Irresistible, Givenchy

Rose Essentielle, Bvlgari

Le Petite Robe Noire, Guerlain

Taif Rose, Amouage

Habanita, Molinard

Jimmy Choo EDT, Jimmy Choo

 

Visite: http://www.eniobonchev.com/en/products/organic/rose_damascena_water_organic/

http://www.greenmantlenursery.com/roses2008/la-vie-en-rose.htm

https://www.saudiaramcoworld.com/issue/200408/the.roses.of.taif-.compilation.htm

Bois Farine, L’Artisan Parfumeur

No dia do lançamento do livro ‘Diário de um Perfumista‘, de Jean-Claude Ellena, tive a curiosidade desperta para o Bois Farine. Segundo o próprio Jean-Claude o perfume foi inspirado em uma viagem para as Ilhas Reunião. Conta que para criar tal perfume inspirou-se em uma pequena flor que tinha aroma farinhento e em madeira de sândalo. Para auxiliar no processo de criação, comprou um quilo de farinha e deixou em seu atelier. Foi lançado em 2003.

Enfim, acabei ganhando o Bois Farine do meu marido de presente de aniversário!

Bois Farine é deliciosamente estranho. Logo ao passar sinto discreto cheiro de besouro. É, daqueles que a gente bate e fica cheiro característico… É algo assim – e ainda bem – logo some. Ido o cheiro do besouro (não assustem não, pode ser coisa da minha cabeça…), aparece cheiro de borracha e plástico novos, daqueles usados para produtos infantis – mordedores, bicos de chupeta, plástico de fraldas – e massa de modelar feita em casa, com farinha de trigo! Tudo isso está coberto com farinha refinada de aveia ou sésamo, é levemente doce e polvoroso!

Vamos organizar assim: temos uma tora de madeira recém cortada, ainda vertendo seiva, veios brancos, leitosos e adocicados na superfície do tronco. Sobre a tora foram deixados aqueles objetos infantis citados antes (mordedores, bicos de chupeta, plástico de fraldas, massa de modelar caseira). Por cima, polvorosa mistura de farinhas de cereais e algumas flores pequenas, de pétalas carnudas e de cor rosa desbotado.

Estranheza a parte, Bois Farine é de grande beleza! Oscila entre o conforto do infantil, o sagrado do sândalo, o ultra-feminino da íris e o aspecto sujo e fecal do jasmim. Tem a delicadeza de notas poeirentas, leves e a aspereza da casca das madeiras.

Posso viajar? Bois Farine tem cheiro de gravidez. A sagrada gestação resultante do ato sexual ‘profano’. A beleza de ser mãe e a brutalidade do parto. A delicadeza dos cuidados com o bebê e a força que isso tudo exige desta mãe…

Notas olfativas: íris, sândalo, almíscar, benzoim, jasmim, cedro, guáiaco, notas amdeiradas, notas polvorosas.

Não sei qual o cheiro da flor-de-cera (Hoya bella) abaixo, mas se eu associasse uma ‘imagem floral’ ao Bois Farine seria essa:

hoya bella

Elas têm a textura do cheiro do Bois Farine, dá pra entender?

 

 

Cuba Jungle Snake (Strass), Cuba

ImagemTaí um caso que eu comprei o perfume não por suas qualidades olfativas. Comprei porque ele é uma edição especial da linha Jungle, da Cuba, que vem com PUR-PU-RI-NA dentro. Sério: purpurina, glitter, brilhinhos! Você dá uma sacudidela no fálico frasco do perfume e a magia acontece (sem malícia heim, é um blog de família…).

Agora eu conto uma historinha: nasci em 1980. Da metade da década de 80 até o início da década de 90 foi o reinado do Glam Rock, o vulgarmente chamado de Metal Farofa. Segundo a definição enciclopédica: O glam metal (também conhecido como ‘hair metal’, ou pejorativamente ‘metal farofa’ no Brasil) é um sub-gênero do heavy metal, com apogeu da metade dos anos 80 até o início dos 90, no qual as bandas se caracterizavam por uma aparência andrógina, com os integrantes cultivando não só cabelos longos, mas também um guarda-roupa em que as cores e o brilho se ressaltavam. O uso de maquiagem feminina era comum.

Eu gostava e gosto bastante de glam rock me julguem. As músicas, o visual, a atitude me deixam feliz, é pura diversão! Tá, e o que tal gênero musical tem a ver com o perfume do título do post? Além da purpurina? O nome. Cuba Jungle Snake: parece ou não nome de banda glam? Outra coisa, a embalagem: não parece a legging dos meninos do Steel Panther? O formato fálico cilíndrico do frasco: apesar do visual andrógino e dos quilos de maquiagem, a coisa ali era regada a muita sensualidade e sexualidade. Filas de groupies loucas para desmanchar os penteados dos integrantes das bandas… na verdade, a galera glam rock levava bem a sério o jargão sexo, drogas e rock’n’roll…

Voltando ao perfume, ele é contratipo do Romance, de Ralph Lauren. Qualidade e fixação aceitáveis, típicos da linha Cuba. Se é fiel ao Romance? É mais picante, tem umas arestas que o original não tem. Afinal, tal perfume glam rocker não está buscando relacionamento sério e sim diversão!

Let’s rock, baby!

ImagemPoison – Mötley Crüe

 

 

 

 

 

Quero ser perfumista. Como faço?

Jean Paul Guerlain

Leitores, tal questão surgiu em um comentário, e resolvi então colocar aqui links de blogs e demais veículos que já abordaram o assunto.

Aqui no Brasil não temos cursos de ‘formação’ de perfumista, mas temos cursos voltados para a área da perfumaria sim, e nesses links você encontrará indicação dos mesmos. Mais uma vez: tais cursos não são voltados para a formação de perfumista.

E você verá que ser um ‘nariz’ (nome dados aos perfumistas) não é moleza não… é um longo caminho de pedras a ser seguido!

http://www.operfumistico.com.br/2012/09/saiba-como-se-tornar-um-perfumista.html

http://1nariz.com.br/2014/outras-aventuras/cursos-de-perfumaria

http://chic.ig.com.br/beleza/noticia/quer-trabalhar-como-perfumista-conversamos-com-veronica-kato-da-natura-para-entender-este-mercado

http://mulher.uol.com.br/noticias/redacao/2009/12/22/conheca-a-carreira-de-perfumista-no-brasil-teste-ajuda-a-escolher-o-perfume-certo-para-voce.htm

E para finalizar link de uma entrevista com o nariz Jean Paul Guerlain, perfumista por hereditariedade, coisa de família, a moda antiga, herdeiro de Jacques Guerlain…

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/280503/entrevista_jean.html

Os perfumistas mais premiados do Prêmio Atualidade Cosmética

Jacques Guerlain

Bloody Orange, Alice & Peter

Tem como não se encantar por um perfume-cupcake? Impossível! Coisa mais lúdica, divertida e fofa esses bolinhos da Alice & Peter! Enfim, juro que tentarei não usar muitas palavras cuti-cut-cor-de-rosa na resenha…

A marca foi criada pelas mesmas pessoas por trás da linha Histoires de Parfums Gerald Ghislain e Magali Senequier.
O conceito é despertar sua criança interior e tornar a ato de perfumar-se em algo divertido e sensorial!
É entrar em um mundo de sonho de fantasia, fazer uma pausa da realidade. As embalagens são brilhantes, cheias de detalhes, coloridas e as ‘coberturas’ dos cupcakes dão ‘dicas’ do que vamos encontrar dentro do frasco! No Bloody Orange, a exemplo, além da chamativa cor cítrica temos uma cenourinha e um gomo! E ainda tem outra dica: tá vendo embaixo da cenourinha? Parece creme espalhado, não é? Guarde esta informação.

B.O. começa com cítricos intensos, a doçura dos gomos contrastando com o azedume das cascas. Devagar vão aparecendo notas amanteigadas… lembra do creme embaixo da cenoura? Sabe o que parece? Que estamos salteando na manteiga pedaços de cenoura e outros vegetais adocicados! Tem nessa manteiga algo de especiaria, algo de flor, mas tudo é bem sutil, como uma brincadeira de adivinhar sem regras…

É mais ou menos assim: você pode colocar de tudo nessa preparação. Entra flor, entra sumo de fruta, entra tempero, entra gotas de baunilha e balas toffee que vão derreter com o calor! Algo mais seco aqui, algo mais doce acolá, um ardidinho aqui, uma maciez acolá… Pode ir enchendo a panela!

Na base do ‘prato’ – ops, perfume – temos notas de couro novo para ficar menos infantil, caramelo e baunilha acentuando e reafirmando a tonalidade gourmand, âmbar e almíscar para amaciar.

Detalhe bobo: nas ‘notas olfativas oficiais’ tem muita coisa que eu não senti. Mas nem ligo, isso não pode estragar a brincadeira…

Notas de saída: laranja, limão, bergamota, grapefruit.

Notas de coração: cenoura, ciclámem, lótus, jasmim, cominho, açafrão, canela.

Notas de fundo: cedro, âmbar, patchouli, baunilha, almíscar, caramelo, couro.

Encantadores esses mimos da Alice & Peter*!

 

* Excelente resenha sobre todos os perfumes da marca aqui: http://www.cafleurebon.com/new-niche-fragrance-review-alice-peter-cupcake-collection-a-fragrant-tea-party-draw/