Tuberosa do Egito, Phebo

Quando falei da colônia Limão Siciliano, deixei clara minha admiração pela Phebo/Granado e contei um pouco da história da marca. Anteriormente usei o sabonete (maravilhoso) Tuberosa do Egito e sempre ‘uso’ as colônias tester da  prateleira da perfumaria aqui perto do trabalho. Cara de pau né?

Acho todos os frascos da linha Mediterrâneo muito bonitos, com seus rótulos ricamente ilustrados! Li em algum lugar sobre a arte das embalagens, mas como não tenho a fonte não vou estender o assunto.

Tuberosa do Egito começa com uma profusão de jasmins e tuberosas bem naturais, como se de repente eu estivesse abraçada a um farto e fresco ramalhete de tais flores. Rapidamente a tuberosa sobressai e adquire um aspecto emborrachado, ‘chicletado’, plastificado! Gosto dessa faceta da tuberosa. E é aqui que ele lembra o Truth or Dare.  

Em seguida vai surgindo um cheiro que nos é familiar: cheiro de batom, de pó compacto, de maquiagem de farmácia! Daqueles com cheiro bem característico e preço acessível, dos que cobiçamos nas penteadeiras de nossas mães e avós quando jovenzinhas!

Mais pra frente surge um nota empoada de rosa e um breve tom almiscarado que torna a colônia mais ‘macia’. Porém, na maior parte do tempo senti esse cheiro ‘vintage’, nostálgico e por que não dizer, um pouco antiquado.

Adorável cheiro de penteadeira, tem o Tuberosa do Egito!

Notas de saída: tangerina, bergamota e notas florais.

Notas de coração: rosa, tuberosa, jasmin sambac.

Notas de fundo: âmbar, patchouli e almíscar.

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Fame, Lady Gaga

Duas coisas: leiam aqui a fantástica resenha feita pela Vanessa Anjos, do Perfume na Pele. A outra coisa é que não sou fã da Lady Gaga, embora sua excentricidade (midiática ou não) me agrade. Tenho um amigo que diz que Gaga é uma mistura de Madonna com Marilyn Manson, por isso é impossível passar incólume a ela… Mas vou falar do perfume em si, e não do que ele pode representar para seus fãs.

Eis o que é dito sobre o Fame no site da Sephora:

A fragrância foi desenvolvida sob o aspecto de três acordes principais: sombrio, sensual e claro. O acorde sombrio foi inspirado na beladona, ou erva-moura mortal, possuída pelas belezas assombradas desde o século XVIII. Desta escuridão, a fragrância se envolve num acorde sensual de riqueza, com a fusão das gotas de mel, açafrão e néctar de damasco. E por fim, o claro acorde sussurra magnificência. O rica camada floral de tiger orchid e jasmim Sambac personificam a beleza atemporal. Os acordes trabalham juntos para criar uma fragrância de elementos floral e frutado, com o ingrediente estrela inspirado por beladona, nivelando toda a fragrância e fornecendo a Fame sua assinatura como fragrância.

E ainda tem toda a polêmica do que foi dito pela cantora antes do lançamento do perfume: que ele teria cheiro de sangue e sêmen. Tem que o líquido é preto e magicamente fica transparente no contato com a pele! Aí entra a Feiticeira falando: ‘isso não é feitiçaria, é tecnologia’ (lembram dessa, amigos que nasceram nos anos 80/90?).

Tem que o frasco lembra muito as criações do Thierry Mugler. Tem as propagandas com o apelo fetichista do vinil, tem as alucinações liliputinianas  (Milo Manara e sua obra Gullivera mandam beijos, Gaga)!

  

Diz-se ainda que a fragrância não respeita a estrutura piramidal típica dos perfumes por causa da chamada tecnologia de push-pull“, através da qual os ingredientes são misturados para realçar diferentes aspectos de cada nota ao mesmo tempo, sem qualquer hierarquia.

E como se tudo isso não bastasse, o perfume tem notas de beladona, gente! A planta de frutos negros, simplesmente uma das plantas mais tóxicas encontradas no hemisfério oriental! A planta da bruxas!!!

E nem vou comentar sobre o vídeo de divulgação do perfume (que tem 5 minutos e quarenta segundos), que mais parece um filminho de terror surrealista… Quem quiser pode ver aqui.

Enfim, tudo isso para dizer que o perfume promete muito e entrega menos. Por tudo que foi citado até agora, eu estava esperando uma ‘lenda lendária’ no mundo da perfumaria!

Na minha pele Fame começa gritante e escandaloso. Parece licor de cassis misturado com compota de ameixas. Doce, xaroposo, viscoso, artificial. E olha que gosto de perfumes doces, mas Fame soa quase agressivo. Logo aparece o mel, que por incrível que pareça, abranda as notas frutais e torna a doçura de Fame mais agradável. Mas ainda assim com cheiro de xarope, de licor.

Em um segundo momento Fame ‘para de gritar’ e mostra aqui e acolá umas notas florais exóticas, são orquídeas e jasmins! Quem já foi em uma exposição de orquídeas vai se lembrar do cheiro doce-plástico-erótico que elas exalam!

Mas acho que todo o encanto de Fame está na bonita combinação de incenso e mel que volta e meia aparecem e fazem a gente grudar o nariz na pele. E em outras horas juro que senti cheiro de suco de uva!

Sobre o cheiro da beladona, o único contato que tive com a mística planta foi através de uma pomada preta chamada Ictiol, usada para combater furúnculos. Então, nada posso dizer sobre tal olor no perfume…

Fame está longe de ser um perfume ruim e ainda mais longe se ser tudo que a mítica criada em torno dele prometeu.

Acho que é um perfeito produto da cultura pop…

Boisé Vanille, Montale

Mais uma das amostras luxuosas da amiga Andréa Faria! Essa menina é chique que só, viu?

Boisé Vanille é incrível, multifacetado, perfeitamente compartilhável. Começa com uma agradável e aconchegante mistura de lavanda e cítricos, porém imersos em uma atmosfera boozy que me faz pensar em conhaque.

Logo aparece uma nuvem amanteigada de íris com baunilha e pitadas suaves de pimenta. Ela é tão perfeitamente andrógina! Essa íris transita entre os gêneros de forma confortável, sem pertencer a nenhum. Tem um pouco de cheiro de talco, de barbearia, de roupa de cama…

Ainda tem momentos que faz pensar em algo medicinal, um xarope ou tônico! Suas notas finais são doces (e ainda polvorosa e medicinal), coisas da mistura de fava-tonka, íris e baunilha. Ainda tem um patchouli achocolatado e uma madeira balsâmica adocicada e morna.

Boisé Vanille é viscoso! me faz pensar em bebidas, xaropes, seivas – tudo de aspecto cremoso. E ainda me trouxe uma outra sensação: o de algo comestível que faz ‘amarrar’ um pouco a língua. Já experimentou jatobá? O cheiro dele me faz pensar na sensação de comer jatobá (pouco lembro do gosto, mas lembro bem da sensação da sua polpa na boca).

A baunilha muitas vezes sai de foco, torna-se coadjuvante. tem aspecto melífluo, alcoólico. É sim doce, mas longe de ser gourmand ou cheirar a pudim.

Que resenha doida não?

Notas olfativas: limão, bergamota, lavanda, gerânio, cedro, íris, patchouli, fava-tonka, baunilha, pimenta.

Le Petite Fleur d’Amour, Paris Elysees

PE2K15 PetiteFleurDamour CPMais um lançamento da Paris Elysees aqui no blog, o Le Petite Fleur d’Amour!

A embalagem e o vidro seguem a mesma linha dos perfumes anteriormente resenhados, o Blanche o d’or. Para simplificar, vou chamá-lo somente de Amour, tudo bem?

E um perfume elegante, delicado e está super na moda! Acho que sua inspiração olfativa foi o 212 VIP Rosé, da Carolina Herrera, pois eles de fato se parecem muito!

Mas aqui estamos falando do Amour.

Ele inicia com a sensação efervescente, e borbulhante de um vinho frisante. Agora imagina que nessa taça tenha um monte de frutas picadinhas, entre elas, cerejas, nectarinas, framboesas, uvas, peras… Hmmm, encheu a boa de água né, aposto!

Depois aparece um nota floral delicada que eu achei ser peônia. Termina com notas almiscaradas (aqui, o almíscar limpo e confortável do amaciante, do sabão em pó) e madeiras claras e adocicadas.

Na minha pele permaneceu por umas 4 horas, o que já é uma boa durabilidade. Perfeito para uso diário, pois não é exuberante ou daqueles que perigam agredir o olfato alheio.

Desejei passar o dia perfumada e fresca, carregando para cima e pra baixo uma taça de champagne em mãos… que luxúria, já pensou?

Perfumes comerciais e contratipos: o tratamento jurídico das atividades criativas – Dissertação de Mestrado de Sergio Mitsuo VIlela

Muito se fala dos contratipos e em sua ‘legalidade’. É de fato permitido reproduzir um perfume já aclamado e com isso obter lucros?

Na dissertação de mestrado de Sergio Mitsuo Vilela tal questão é discutida do ponto de vista jurídico: “A presente dissertação, requisito para obtenção do título de mestre em direito internacional, no programa de pós graduação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (Universidade de São Paulo), através de um estudo de caso (contratipos), constata a insuficiência da sistemática tradicional de propriedade intelectual para a tutela das atividades criativas.”

Links para a leitura:

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2135/tde-07012011-164012/pt-br.php (link do final da página)

http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&uact=8&ved=0CCUQFjABahUKEwiimv2m75bGAhXDodsKHeCSALE&url=http%3A%2F%2Fwww.teses.usp.br%2Fteses%2Fdisponiveis%2F2%2F2135%2Ftde-07012011-164012%2Fpublico%2FSergio_Mitsuo_Vilela_Dissertacao_Mestrado.pdf&ei=2nqBVaLFOcPD7gbgpYKICw&usg=AFQjCNEaB_wZiOBr7AayMT-8iM9sUSjdGQ&bvm=bv.96041959,d.b2w (o link apresenta duas opções: abrir com Adobe ou download)

Boa leitura!

Edwardian Bouquet, Floris

Esse é da época em que os perfumes não tinham gênero, não era ainda imposição da indústria a existência de uma fragrância feminina e outra masculina… também, sua criação ocorreu lá em 1901 (a Floris foi fundada em 1730 e já serviu a realeza), em celebração á nova era que se aproximava!

Nunca senti perfume tão dândi! Pura aristocracia engarrafada! Como se fosse o mais rico, elaborado e exclusivo sabonete de toucador!

É um intenso, ultra-retrô e elegantérrimo floral verde! Na saída percebo um cheiro verde quase herbal, pontilhado de cítricos nada doces, até um pouco passado, eu diria. Esmagados. Tem uma forte presença do jacinto, que deixa tudo mais ‘macio’ e refinado.

Depois de algum tempo surgem flores com breve toque animálico, são jasmins, rosas, ylang-ylang! E mesmo com essas notas de coração bem batidas, Edwardian Bouquet não se torna comum. Não perde a classe não!

No final sente-se almíscar sujinho – casa bem com o cheiro da pele – musgo-de-carvalho que empresta toda uma pompa e circunstância ao perfume, Bem nos finalmentes aparece o doce-leitoso do sândalo e algo viscoso, resinoso.

Edwardian Bouquet pede moderação, do contrário pode incomodar, principalmente por ser da ‘escola antiga’ da perfumaria, onde os perfumes não tinham que dar impressão de higiene, de luminosidade. Embora tenha forte aroma assabonetado, em nenhum momento é asséptico. É sim revigorante, mas nada de cheirinho de conforto e lençóis passados.

Notas de saída: notas verdes, bergamota, mandarina, jacinto.

Notas de coração: rosa, jasmim, ylang-ylang.

Notas de fundo: âmbar, almíscar, sândalo, patchouli, musgo-de-carvalho.

Sabe quem ficaria ótimo usando Edwardian Bouquet? Oscar Wilde. Aliás, o poeta, escritor e dramaturgo tinha como seu perfume preferido o Malmaison, também da casa Floris!

25 Perfumes Nacionais, por Daniel Barros

    

A-ti-re a primeira pedra quem nunca usou um perfume nacional! Boticário, Natura, Phebo, Água de Cheiro ou os famosíssimos e saudosos Rastro, Giovanna Baby… Pois é, a perfumaria nacional tem sim história para contar!

Segue link de uma criteriosa seleção de 25 sucessos de nossa perfumaria!

http://egoinvitro.com.br/nacionais/

O mercado brasileiro de fragrâncias superou o americano e se tornou o maior do mundo, com um faturamento de R$5,5 bilhões em 2013, sendo 57% de venda direta, 38% franquias e 5% varejo. São nacionais 93% do total de perfumes vendidos no Brasil. A venda direta é dominada por Natura, Jequiti e Avon; quanto às franquias, a marca campeã é O Boticário, seguida de Mahogany, L’Acqua di Fiori, Companhia da Terra e Phebo. Além da dominação pelo canal de venda direta, uma característica própria da perfumaria nacional é a denominação “deo-colônia”. Isso é devido a questões tributárias – fragrâncias com até 10% de concentração podem ser consideradas artigos de higiene pessoal e incorrer em IPI de 7% se forem rotuladas como “deo-colônia” (do contrário o IPI é 42%). O resultado é uma percepção de que perfumes nacionais são aguados, quando na verdade têm a mesma concentração de um EDT importado. Há, contudo, uma impressão geral de que os nacionais são pouco inovadores e quase sempre com cara de contratipo de algum importado, mas isso é culpa tanto do conservadorismo das marcas, que encomendam dessa forma ao fabricante, quanto dos consumidores, que costumam querer um produto parecido com o importado por um valor mais em conta.