Fleurs des Caraibes, Comptoir Sud Pacifique

E de repente a metrópole cinza se desfez e me senti chegando em uma praia caribenha. Ao descer do avião recebi de uma nativa bronzeada – que exalava dos cabelos cheiro de frutas maduras – um colar de flores exóticas da região… Aloha!

Ok, São Paulo chamando… Essa amostra veio da querida Ju Toledo, e como vocês podem observar, me fez viajar longe… Nada de tropicalismo barato, lugar-comum e toque de breguice, como é fácil encontrar nos perfumes inspirados em paraísos tropicais, incluindo nosso idolatrado salve-salve Brasil. Tem é um cheiro inebriante, rico, sumarento e um tiquinho suado, deve ser a magia do jasmim!

As frutas estão no ponto certo da maturação, dispostas em bandejas para degustação! As flores dispostas em vasos e guirlandas, e seu colar exala o cheiro de flores de cores vibrantes e pétalas macias. Além disso, a madeira da mesa onde repousam tais bandejas e vasos tem cheiro doce, quente! Você imagina o cheiro que vai ficar no ambiente quando o sol começar a bater ali e aquecer tudo: flores, frutas, madeira…

Para mim, assim que deve ser um perfume tropical! E não tem aquele cheiro entre o artificial e o intragável de côco/abacaxi/pinãcolada!

Notas de saída: melão, heliotrópio, bergamota.

Notas de coração: hibisco, frésia, ylang-ylang.

Notas de fundo: sândalo, âmbar, baunilha, almíscar, flamboyant*, jasmim.

*Flamboyant (Delonix regia): árvore nativa da ilha de Madagascar e da África tropical. Embora esteja ameaçada de extinção no estado selvagem, é muito cultivada pelo seu valor ornamental. Adaptou-se muito bem em toda a América tropical, sendo muito popularizada nas ilhas do Caribe e no Brasil. A sua copa tem um formato largo (oblongo) e suas flores são majestosas e de cor vermelha, alaranjada ou amarelas.

Fonte: http://sobasombradasarvores.wordpress.com/arvores-exoticas/flamboyant-delonix-regia/

 

 

1270, Frapin

Tal belezura veio da excelente consultoria da Ego in Vitro, feita pelo perspicaz Daniel Barros. E eu, claro, fiquei a desejar um todinho para mim! Logo eu, dada aos arroubos dos perfumes orientais, balsâmicos, melífluos e culinários, fico frente a frente com tal Frapin. É perguntar se macaco quer banana…

1270 foi criado em 2010 por Sidonie Lancesseur para a casa Frapin, produtora de conhaque criada na região de Chateau de Fontpinot em 1270. Hoje são donos de Frapin Genevieve Frapin e seu marido, Max Cointreau. Sua filha, Beatrice Cointreau introduziu uma linha de perfumes e o primeiro da linha foi o ‘1270‘, em homenagem ao ano de fundação da marca.

Perfumes, bebidas, gastronomia, livros… prazeres incríveis! E 1270 junta habilidosamente a perfumaria, brandy e história! Praticamente perfeito…

Outro dia vi uma postagem em um grupo do facebook e fui obrigada a concordar: o ato de passar perfume através do borrifador do frasco é bem menos carregado de significado erótico do que o ato de passar o dedo no bocal do frasco e espalhar pelo corpo o líquido mágico! E senti isso esses dias ao usar até a última gota a amostra do 1270 .Conteúdo levemente oleoso, foi uma deliciosa vivência sensorial e erótica ir escolhendo os cantos da pele que iam receber tal poção! Toque cuidadoso, pele com pele, e entre os dedos o melífluo aroma…

1270 inicia com breve nota cítrica adocicada, aromas cálidos e doces! E no meio de toda essa gulodice aparecem notas incensadas, quase que podemos ‘ver’ a fumaça da sacra resina saindo em meio ao montinho de grãos de café, pedaços de cacau, fava-tonka e cascas de frutas que acabaram de ser degustadas, mas deixaram o aroma de seus sumos…

Depois de algum tempo revela flores (imagino um grande, variado e melífluo bouquet – nele, flores pequenas e de cheiro ardidinho disputam a atenção com flores gordas, repolhudas e cheias de néctar), especiarias desconhecidas, frutas secas natalinas! Aqui que entra o cognac, diria eu… a ‘quentura’ licorosa de Frapin 1270 é agora madura, acolhedora, já foram mais de 3 doses e estamos entregues…

Finaliza com madeiras doces e cremosas, baunilha e o mágico elixir: mel levemente picante, doce, dourado… E me fez pensar que mel deve ficar muito bom misturado ao conhaque, nunca tentei… em breve juntarei esses dois pecados…

E não tem mais jeito, estamos inebriados, seduzidos, lambuzados, adictos! Frapin 1270 nos têm nas mãos…

ImagemNotas de saída: laranja, resinas, cacau, café, cumarina (fava-tonka), abacaxi, ameixa.

Notas de coração: flor de Lima, notas florais, especiarias, avelãs, frutas secas.

Notas de fundo: baunilha, mel, notas amadeiradas, palo santo.

Sei que a imagem a seguir não é de um conhaque Frapin, mas achei propícia a tal perfume…

 

 

 

 

Iris (Iris germanica)

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Na mitologia grega, Íris era a filha de Taumante e de Electra, casada com Éolo. Suas irmãs eram as Harpias Aelo e Ocípite. Íris era a personificação do arco-íris e mensageira dos deuses. Diz-se que utilizava o arco-íris para viajar do Olimpo para a Terra, e ao pisar no solo, belas flores teriam nascido. É frequentemente mencionada na Ilíada, mas jamais na Odisseia, onde Hermes toma seu lugar.

Íris é representada como uma virgem com asas de ouro, que se move com a leveza do vento de um lado para outro do mundo, nas profundezas dos oceanos e no mundo subterrâneo (Hades).

Existe uma versão mitológica que coloca Eros como seu filho, e não de Afrodite. No Tarô, é representada pela Temperança.

Na mitologia egípcia aflor era associada ao deus Osíris e a Horus. Uma íris, gravada na frente das estátuas de esfinges egípcias, representa Horus.

A íris é uma planta perene da família Iridaceae. Seus habitats são variados, que vão desde regiões frias para as encostas gramadas, nas pradarias e rios da Europa, do Oriente Médio e norte da África, na Ásia e na América do Norte. Apesar do fato de que existem centenas de espécies as mais populares são Iris pallida, Iris germanica – com flores roxas -Iris florentina – com flores brancas. São usadas na medicina tradicional, perfumaria e aromaterapia. São vulgarmente, designadas como lírios, embora tal termo se aplique com mais propriedade a outro tipo de flor.

A Iris germanica é uma das espécies do gênero Iris que mais contribuiu para a formação dos populares híbridos atuais. Suas folhas são longas e laminares, como espadas, e medem cerca de 60 cm de comprimento. Elas são verde-azuladas e ficam dispostas em leque, partindo dos espessos rizomas (como diria  minha vó: a ‘batata’ da planta). Estes rizomas são conhecidos por sua fragrância, quando secos e moídos, o que os torna muito utilizados em perfumaria.

As inflorescências surgem na primavera e verão e são compostas por cerca de duas flores. As flores são típicas do gênero Iris, com três sépalas caídas e três pétalas eretas. Cada sépala apresenta um tufo de pelos em sua linha média, na parte superior – a barba da íris. Esta barba é geralmente branca com amarelo. As flores são originalmente azuis ou brancas, mas atualmente há centenas de híbridos e variedades das mais diversas cores e combinações em degrade. Ocorrem ainda variedades com folhas variegadas de branco.

Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia-sombra, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. A íris é originária de clima temperado, mas pode ser cultivada em uma ampla variedade climática, florescendo com maior abundância em regiões de temperaturas mais amenas e frias no inverno. Fertilizações anuais na primavera também estimulam a floração da planta. Multiplica-se através da divisão dos rizomas ou touceiras. Ao plantar, deve-se evitar enterrar demasiadamente os rizomas, pois ficam suscetíveis às doenças e produzem menor quantidade de flores.

Nome Científico: Iris germanica
Nomes Populares: Íris, Flor-de-lis, Íris-barbado
Família: Iridaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
Clima: Continental, Mediterrâneo, Oceânico, Subtropical, Temperado, Tropical
Origem: Europa
Altura: 0.1 a 0.3 metros, 0.3 a 0.4 metros
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Ciclo de Vida: Perene

Método de Extração:

Demorado e complexo para um pequeno rendimento, o processo explica o alto custo do concreto de íris (mais de 3.551.147 milhões/Kg). A purificação da essência elimina os ácidos graxos e permite a obtenção do absoluto.

Uso

O absoluto da íris é um dos produtos mais caros da paleta do perfumista e só é usado na perfumaria de prestígio. Os rizomas, sob a forma de pó, são utilizados para perfumar talcos ou pó para o rosto. Os rizomas secos podem ser colocados dentro dos guarda-roupas para perfumar seu interior.

 

 

Fontes:
http://www.osmoz.com.br/enciclopedia/materias-primas/iris/175/iris-iris-germanica-iris-pallida-iris-florentina

http://www.jardineiro.net/plantas/iris-iris-germanica.html

http://mitographos.blogspot.com.br/2010/06/iris.html

Perles, Lalique

Serei direta: tem que gostar de rosas e íris empoadas e de altas doses de cânfora. Isso mesmo, daquela usada pra amenizar dores musculares… Embora tal nota não esteja na composição oficial de Perles, não fui a primeira que sentiu tal efeito, já soube de outras pessoas que tiveram tal ‘impressão’.

E o engraçado é que o frasco já passa uma sensação ‘gelada’: branco fosco, tampa quadrada de cubo de gelo. Foi lançado em 2006 e criado por Nathalie Lorson para a espetacular casa Lalique, oriunda da arte do mestre vidreiro e joalheiro.

Perles é tão diferente! Abre com rosas cobertas de fina camada de geada, rodeadas de cristais de cânfora. Logo fica, além de gelado, picante: vem a pimenta que dá aquele comichão no nariz, mas não chega a fazer espirrar. A íris quebra um pouco o efeito gelado-picante e torna a composição mais amanteigada, delicada e dona de feminilidade exótica e distante. ‘Não me toques’, na contramão do convite a degustação de tantos perfumes atuais…

O fundo de Perles é andrógino, tem nuances discretíssimas de patchouli terroso, vetiver e musgo-de-carvalho úmidos, frescos, superficiais e tom amadeirado morno. E aí eu penso: que mistério esconde a mulher de Perles? Por que se faz de indiferente, o que esconde por trás da camada de gelo?

Ice Queen

Notas de saída: rosas.

Notas de coração: pimenta-preta, íris.

Notas de fundo: patchouli, musgo-de-carvalho, vetiver, madeira Cashmir, raíz de íris.

A aí eu penso que na minha cabeça, o Perles devia chamar Alien qualquer-coisa…