Jicky, Guerlain

Fui formalmente apresentada ao Jicky pelo Dênis Pagani, do blog 1nariz. Me surpreendeu demais e agora ele não me sai da cabeça…
Vou contar o porque, mas antes vamos a história de tal perfume, marco na história da perfumaria. Jicky foi criado por Aimé Guerlain em 1889. Diz-se que o nome vem do apelido de seu tio, Jacques (que em 1925 criaria Shalimar). Jicky é amplamente anunciada como a primeira fragrância “moderna” pois esteve entre as primeiras a incorporar sintéticos odorantes (vanilina e cumarina – cujo odor remete ao feno) na sua composição. Nessa época as fragrâncias femininas eram feitas predominantemente com notas florais, tais como rosas, jasmins e violetas. Jicky inova com suas notas principais de lavanda e baunilha sobre algália (de origem animal). Embora comercializado pela Guerlain como uma fragrância feminina, fez e faz muito sucesso entre o público masculino.
Mais de 120 anos depois de sua criação, Jicky continua sendo vendido, tornando-se a mais antiga fragrância (exceto colônias) em produção. Ainda bem, nunca pare, Guerlain…
Aliás, uma curiosidade: no exterior, a lavanda é considerada uma nota tipicamente de formulações masculinas. Devido ao nosso clima tropical, é muito utilizada em perfumes femininos e logo caiu no gosto das brasileiras, devido ao seu frescor e por ser associada a limpeza. Note que ela é muito presente nos perfumes femininos nacionais.
Agora vamos a minha surpresa: sempre imaginei Jicky verde. Verde, como Ma Griffe da Carven ou Cristalle de Chanel (e eu não gosto de nenhum dos dois). E quase caí de costas de surpresa quando o senti na fita olfativa! Jicky, seu truqueiro!
Tem riqueza cítrica e herbal, senti nele lavanda, tomilho-limão, alecrim, manjerona, enfim, um bouquet de ervas aromáticas e uma leve brisa de casca de limão… logo o chamado “guerlinade” aparece em doses maciças, não nos deixando esquecer suas origens e a baunilha nos aquece e reconforta. Tem notas especiadas e amadeiradas. E ainda existe um quê animálico, “sujo”, humano. E é isso que fascina em Jicky! Ele não é limpo e asséptico como tantos perfumes que temos atualmente, ele é palpável, ele é corpóreo. Na listagem atual de suas notas só aparece o couro de origem animal, vamos assim dizer. Mas aposto que tem algo de civeta (sintética, ok) ali, bem escondidinha, bem disfarçada, que dá a ele esse toque animal. Sei lá, no fundo, bem lá no fundo, bem no residual, ele tem o cheiro da gaiola da minha calopsita, de passarinho. Não sei se vocês vão me entender mal, mas por favor, não entendam. É isso que faz toda a diferença nele: a falta de assepsia, a baunilha sensual, a mistura das ervas, a lavanda e demais ervas aromáticas esmagadas ali mesmo, nas mãos, para que seu sumo escorra e embriague.
Enfim Jicky, preciso de você para viver… Te quiero!
Hoje colocarei as notas olfativas por pura formalidade. Jicky não dá para ser “imaginado” através da leitura de suas notas. Ele é muito além disso.
Notas de saída: alecrim, mandarina, bergamota, limão.
Notas de coração: fava-tonka, raíz de íris (acho que ela contribui para o toque “poeirento” e atalcado da segunda fase do Jicky), manjericão, jasmim.
Notas de fundo: especiarias, couro, sândalo, âmbar, bezoim, baunilha, jacarandá (nosso nome para o “Brazilian Rosewood”).
Dênis, obrigada por proporcionar-me tal experiência! Foi um prazer enorme te conhecer!

La Rose Angel, Thierry Mugler

Peguei uma foto da net, porque o meu é um tester e a foto insistiu em ficar escura e péssima. Estou perdoada?

Pra começar: tem que gostar do “gênero” Thierry Mugler: marcante, bombástico, ousado. E não se deixe enganar pela inocência e suavidade da rosa que o nomeia, aqui ela é rainha, e vem acompanhada uma corte nada discreta!
La Rose Angel pertence a coleção “Garden of Stars”, foi lançado em 2006 e o nariz responsável por ele é Olivier Cresp.
Como já se percebe, La Rose Angel é uma “variação sobre o mesmo tema” do Angel, então se você não gosta de um, possivelmente não gostará do outro.
Notas de saída: fava-tonka (cumarina), pimenta rosa, bergamota.
Notas de coração: ameixa, rosa da Bulgária.
Notas de fundo: baunilha, patchouli, chocolate amargo, caramelo.
Sabe o que eu sinto nas notas de saída do La Rose? Alfavaca. O manjericão italiano, esse mesmo: doce, picante, gustativo. Logo minha nota imaginária se mistura com a rosa e se torna mais macia e o aroma picante vai embora. Mas daí o patchouli invade a cena e tudo volta e ser picante. Daí o patchouli se acalma e dá lugar as notas gustativas da baunilha, do chocolate e do caramelo. Então acontece o mais interessante: a rosa volta! Arrependida de ter deixado as demais notas se destacarem tanto e brigarem por atenção, ela abre espaço entre tanto alvoroço e se senta lá na cadeirinha da primeira fila, sem estardalhaço, mas segura de que seu lugar é garantido como rainha das flores. Em meio a tantas notas fortes e impulsivas, ela desabrocha, dança e se mistura, e o resultado é pura delícia! 
A rosa aqui vem alegórica, enfeitada, caramelada. Mas a proposta não era essa? Transformar a flor em uma das estrelas do jardim surreal e exarcebado do planeta Thierry Mugler?

 

“Everything”

“Everything” é o nome do perfume concebido pelos artistas Lernert & Sander que como o nome indica, foi criado a partir de uma mistura de todas as fragrâncias lançadas em 2012.
Durante o ano passado, a dupla holandesa Lernert & Sander recolheu 1.400 amostras de perfumes lançados no ano. Ao misturar o conteúdo de todas estas fragrâncias, criaram 1,5 litros de Everything”, ou seja, um mistura poderosa.
O perfume original vem em uma embalagem feita à mão, reproduzindo um frasco de amostra grátis em versão gigante.
“Everything” está em exposição na Colette em Paris e fica até 09 março.
Quem passar por lá terá o privilegio (ou não) de experimentá-lo.

Fonte: http://portalpitanga.com.br/arte/para-criar-perfume-original-dupla-mistura-todas-as-fragrancias-lancadas-em-2012-video/

Chanel N°5 – Catherine Deneuve

Inspirada pela recente leitura do livro “O Segredo do Chanel N°5 – A história íntima do perfume mais famoso do mundo”, de Tilar J. Mazzeo, postarei uma série de vídeos publicitários de tal mítico perfume, com suas mais famosas garotas propaganda. Vamos começar pela eterna “Belle de Jour”, Catherine Deneuve?
Em breve falarei mais sobre o livro, mas adianto: leitura obrigatória para todos os amantes da perfumaria. Uma verdadeira aula de história por trás de um frasco de perfume!

Wild Musk, Coty

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Um pouco de saudosismo… Vou lembrar de um produto que marcou minha infância e adolescência, lá nos anos 80…
Se você, bem como eu, está na faixa dos 30 anos certamente já viu ou ouviu falar do Wild Musk da Coty. Lembra daquele vidrinho marrom e pequenininho de óleo perfumado que vendia em qualquer farmácia? Então, ele! Se ainda não lembrou, olha só ele aqui:
Tal fragrância foi lançada pela Coty em 1972 e teve uma linha de produtos além do óleo: desodorantes, colônias nas mais diversas embalagens, até de 500ml!
E conto mais: eu sempre gostei dele. Meu marido também gosta. Segundo ele, é um dos meus perfumes que ele mais gosta, e ironicamente um dos que paguei mais barato… 
Quando eu era criança roubava pequenas gotas daquele óleo mágico e proibido da penteadeira da minha mãe, como se ela não fosse perceber… E a fixação daquele óleo? Horas e horas a fio! Hoje tenho uma versão tester da colônia, mas queria mesmo era o tal frasquinho do óleo. Mas tem que ser o da Coty, não os genéricos que ainda são encontrados por aí… Vou comprar um. Será que ainda tem a mesma potência?
Suas notas são: rosas, jasmim, baunilha e o almíscar que o nomeia.
Ele é doce, sensual, cálido, e já ouvi comentários venenosos sobre ele ser querido entre as moças que trabalham nas casas de luz vermelha. Espertas, tais moças do ramo do entretenimento adulto! Desde os tempos antigos o almíscar (natural, e depois o sintético) é associado a sexualidade e seu poder de fogo é inegável!
E o mais interessante, Wild Musk é sensual, quente, insinuante, mas não é vulgar ou apelativo. Se aplicado com moderação e nos locais corretos (ou como diria Coco Chanel, “nos lugares onde quer ser beijada”), certamente irá fazer sucesso!

 

A História do Banho – Parte III

6- Pasteur – Corpo Limpo, Corpo São

Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram grande importância tanto na área química como na medicina.

O conceito de higiene surge apenas no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente. Cabe frisar que as noções de assepsia por ele implantadas no âmbito da medicina foram fundamentais para que muitas vidas se salvassem.

Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial ainda na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.

Mas, após anos de religiosos dizendo o contrário, não foi todo mundo que voltou a tomar banho, mesmo com insistentes conselhos médicos. Quando a célebre rainha Vitória subiu ao trono, em 1837, ainda não havia local para banho no palácio de Buckingham, sede da coroa inglesa. Até os anos 1870, eram raras as casas ocidentais que tinham um cômodo para seus habitantes se lavarem.

Em Paris, criou o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica, com filiais em vários países, inclusive no Brasil (Rio de Janeiro).

Os banhos rotineiros reapareceram definitivamente nas grandes cidades ocidentais apenas por volta dos anos 1930. Mas, no começo, eles não eram lá tão freqüentes. Eram tomados aos sábados, dia em que também eram trocadas as roupas de baixo das crianças. Nessa época, navios ofereciam cabines de banho e barcos delimitavam áreas em rios que serviam como piscinas naturais. Após o fim da Segunda Guerra, em 1945, quando boa parte das casas européias teve que ser reconstruída, elas ganharam banheiros, abastecidos com a cada vez mais comum água encanada. A França foi a pioneira nas inovações sanitárias, seguida pela Inglaterra e pela Alemanha.

7- O Banho Vira Moda: de Sol, de Lua, de Gato, de Loja e de Cheiro. Dançando na Chuva e Cantando no Chuveiro

Ao longo da História, o banho já foi considerado sagrado e profano, artigo de luxo e diversão das massas, receita de saúde e até causador de doenças e mortes. Este ritual, tal como o conhecemos hoje, é resultado de uma mescla dos costumes de diferentes povos ao longo dos tempos.

Atualmente, o banho é associado ao cuidado com a pele e ao bem-estar em todo o mundo. Além de deixar o corpo limpo e cheiroso, as composições dos sabonetes, sais e óleos são enriquecidos com essências que podem transmitir sensações diferentes como relaxamento ou vigor que, associados às diferentes temperaturas da água, têm seu efeito potencializado.

Ou seja: refrescar, seduzir, relaxar e estimular são apenas algumas das variadas finalidades dos mais diferentes tipos de banho, que propiciam vastos benefícios para o corpo e para a mente das pessoas.

Muitas são as delícias que esta experiência é capaz de proporcionar; são efeitos estimulantes, afrodisíacos e relaxantes, dentre outros. Com isso, o banho terminantemente virou moda: no chuveiro, em banheiras, e ofurôs. Banho de cheiro, de sol e de sais, de mar e de piscina; banho de cachoeira e banho de lua, banho de loja e banho de gato; dançando na chuva, cantando no chuveiro!

8- Quem Banha o Corpo, Lava a Alma – Banho dos Orixás (o blog não manifesta apoio ou repúdio a nenhuma manifestação religiosa, respeitamos todas. A questão é, como dissemos no primeiro texto dessa série, tiramos a maioria as informações do enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis de 2009, e seria injusto omitir tal parte, que faz parte da cultura brasileira).

Os rituais de diferentes tipos de banho também são práticas religiosas, uma vez que o ato de banhar-se foi e ainda é visto em muitas religiões como um rito de purificação do corpo e da alma. Tal fato é observável no espiritismo, por exemplo, pois acredita-se que quem banha o corpo, lava a alma, afastando as energias negativas e atraindo a positividade.

Os banhos de cunho litúrgico podem ter finalidades diversas: defesa, sacudimento, defumação, cura, regeneração, elevação espiritual, auxílio no desenvolvimento de novos médiuns.

A benção e a proteção dos orixás abrem os caminhos através de sessões de descarrego, limpeza da aura, energização e purificação; com a utilização, inclusive, de utensílios tais como a pipoca, ervas e sal grosso, dentre outros.

No Brasil, país onde grande parte da população é praticante do sincretismo religioso, tais práticas afro-descendentes são bastante usuais.

Fonte: http://www.beija-flor.com.br/2012/por/17-outroscarnavais/carnaval2009/enredo.html

Agent Provocateur Maitresse, Agent Provocateur

Imagem(Que engraçado, dá pra ver eu tirando a foto no reflexo do frasco…)

Não sei se é o desenho presente no frasco, com seu jogo de esconde-revela. Não sei se é o nome “maitresse“, que pode significar “professora” (do quê, fica a critério se sua imaginação…), ou “amante“. Não sei se é família olfativa floral aldeídica (família a qual pertence o lendário Chanel Nº5). O fato é que Agent Provocateur Maitresse é sensual e excitante. E o melhor, sem ser espalhafatoso. Nasceu assim, cresceu assim, vai ser sempre assim, tal qual Gabriela, sabe?
Para mim tal perfume poderia ser facilmente representado por duas obras de arte: “Mulher sentada com ramo de flores” (1927), de Ismael Nery:

Mulher Sentada com Ramo de Flores

e “Kneeling girl, on both elbows supported”, de Egon Schiele.

Kneeling girl, on both elbows supported - Egon Schiele - www.egon-schiele.net

 

As duas obras tem em comum tamanha carga erótica, tamanha volúpia e entrega, que dá ao observador a impressão de que ele será tomado e engolido pela voluptuosidade dessas mulheres. Seja você mulher ou homem, sem preconceitos, deixe a arte invadir seu imaginário e provocar sensações… 
Já ouvi algumas críticas ao frasco por lembrar um ovo, mas quer maior símbolo de fertilidade (consequentemente de sexualidade) do que um ovo, minha gente? Vamos analisar o simbolismo das coisas…  
Foi apresentado ao mundo em 2006 e foi criado por Azzi Glasser.
Notas de saída: pétalas de lótus, violeta, ylang-ylang.
Notas de coração: aldeídos, jasmim, rosa, osmanthus.
Notas de fundo: camurça branca, íris, patchouli, musk, âmbar.
As notas de tal perfume são tão bem entrelaçadas que para mim fica difícil distinguí-las de forma satisfatória. Indiscutivelmente estão ali as rosas e o jasmim (reforçados pelas moléculas dos aldeídos). A íris o torna profundo e a violeta “empoeira” de forma sutil. O fundo amabarado, almiscardo e com notas de couro macio e delicado o tornam aveludado, fetichista. 
Embora tenha boa projeção nas 3 primeiras horas de uso, é depois que a magia da fragrância se revela. É quando fica “a flor da pele” e nos deixa com o nariz grudado a pele, vicia e embriaga. Perfume para se tornar amante de si mesma. 

Se a marca queria uma arma de sedução altamente erótica (mas não vulgar ou pornográfica, que fique bem claro o distanciamento entre tais conceitos), conseguiu!

Fontes: http://www.egon-schiele.net/Kneeling-girl,-on-both-elbows-supported.html

http://www.acervodearte.com.br/acervo/ver_obra.php?acervo=876

Versense, Versace

Hoje procurei por um perfume que passasse um pouco de sensação de frescor, uma vez que está um calor infernal aqui em São Paulo. Infernal mesmo.

Decidi por uma miniatura do Versace Versense, que já tinha usado algumas vezes e resolvi usar novamente para ter uma opinião conclusiva sobre ele.

Foi criado em 2009 com a proposta utilizar ingredientes típicos do Mediterrâneo e criar uma irresistível experiência aos sentidos…
Bom, a poposta é boa. Segundo sites especializados, a pirâmide olfativa dele é rica, com um monte de notas interessantes. Eu só consigo sentir nele capim-limão, verbena, lima da pérsia, e sabe aquele doce que vende no interior, aquelas casquinhas de limão cristalizadas? Então, cheiro daquilo. E essas notas não constam na pirâmide olfativa oficial do perfume. Inventei uma nova. Ou o problema sou eu ou é o perfume.
Mas mesmo assim vamos as ditas notas:
Notas de saída: bergamota, mandarina, figo, notas cítricas, pera.
Notas de coração: jasmim, cardamomo, narciso, lírio.
Notas de fundo: sândalo, cedro, oliva (a árvore que produz a azeitona, que produz o azeite, essa mesma), musk.
Das notas florais, consigo sentir de leve o lírio e jasmim bem desmaiado, mas bem desmaiado mesmo, quase morto. Uma sombrinha de jasmim e só.
Das notas de fundo… bom adoraria saber como é o cheiro da oliveira, mas não sei, então não posso falar nada. Outro que aparece só para um “oi” rapidíssimo é o sândalo. O cedro vem mais parecido com um cipreste, mas também é sutil demais.
Enfim, a Versace conseguiu deixar o Mediterrâneo sem graça. Criou uma boa água de colônia, só isso. É uma pena, o frasco é lindo, de linhas clássicas e com um “quê” romano. Eu já esperava algo fresco, tal como pede o clima da região que homenageia, mas não tão sutil e fugaz.
A propaganda: preferi colocar uma foto da campanha publicitária do que da minha humilde miniatura e explico o porque. Não orna. Olha essa praia cinzenta, de areias cor de chumbo. Nem poente nem nascente, frequentada por Allan Poe e Álvares de Azevedo (adorei, vou ver se permitem que eu tome uns absintos com eles lá). E não é a coloração da foto que escolhi não, vi muitas antes de escolher, são todas assim. A modelo: meticulosamente despenteada, maquiada como uma egípcia (na praia) e com um maiô (ou seja lá o que for tal peça de roupa) cheia de apliques brilhantes. Em tal praia cinzenta… Em minha opinião, todos os elementos completamente fora do que seria para traduzir o espírito mediterrâneo do perfume.
Mas enfim, se você quer uma água de colônia de qualidade, cara e bem embalada, Versense é uma boa pedida.

A História do Banho – Parte II

3 – Idade Média –  A Proibição do Banho

A condenação do inferno, tão comum na Idade Média…

Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. A maneira de ver o banho mudou. As idéias religiosas foram levadas ao exagero e as saunas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras  e tudo poderia acontecer. Era um convite às tentações da carne…

Ui, podia acontecer…

Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que a cristandade varreu da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano.

Os banhos foram totalmente proibidos, aumentando as doenças, em especial a peste. Dizia-se que a água “amolecia” a alma. Dizia-se ainda, que o fato de a água quente dilatar os poros da pele facilitava a entrada de doenças no corpo. Desta forma, nesta época, a higiene basicamente resumia-se em vestir uma roupa limpa e usá-la até ficar suja, pois acreditava-se que a roupa funcionava como uma espécie de “esponja”, absorvendo a sujeira. Sendo que muitas vezes a roupa sequer era lavada, apenas sacudida.

Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Em famílias pobres, quando eles aconteciam, a água servia para banhar a família inteira em uma tina. Primeiro os homens, depois os filhos e por último as mulheres.

A Idade Média foi muito apropriadamente chamada de Idade das Trevas, protagonizando o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos, tratando-os como “Orgias Pecaminosas”.

Iniciou-se um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa. Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas!

Esta falta de asseio pessoal, aliada às condições de vida insalubres, contribuíram sobremaneira para as grandes epidemias da Idade Média e, em especial, para a Peste Negra do século XIV.

Com os grandes surtos epidêmicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. A água seria o veículo transmissor das doenças… e devia ser mesmo, com tantos dejetos despejados em rios e córregos.

Desde o século XV, os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. Defendiam a teoria que, “depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se, e assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita”.

A ideologia cristã instaurou preconceitos e impôs uma nova moral e conseqüentes novos costumes. A Igreja temia pela sujidade das almas, pois os hábitos promíscuos eram uma porta aberta para o pecado. Havia assim, que se evitar os banhos públicos, locais “propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes”.

Mas há controvérsias, recomendo a leitura do artigo: http://www.ohistoriante.com.br/higiene-medievo.htm

4- Renascimento – Dos Maus Odores ao Banho de Civilização

No século XIII, frades dominicanos iniciaram as atividades farmacêuticas relativas à produção de essências, pomadas, bálsamos e outras preparações medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até os dias de hoje, foram estudadas durante a corte de Catarina de Médici, nobre florentina que se mudou para a França em 1533, para se casar com o Rei Henrique II.

Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em Grasse, uma pequena cidade ao sul da França, localizada aos pés dos Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da indústria de couro e perfumação do mesmo, especialmente o das delicadas luvas das senhoras.

Aos poucos, a era das águas perfumadas, as famosas águas de colônia, foram cedendo espaço para a composições à base de almíscar. A preocupação com a higiene e os cuidados com o corpo permanecia. Também se considerava importante o cultivo de jardins, capazes de repelir os odores pestilentos comuns na época.

Diz-se que Luis XIV, o “Rei Sol”, era muito sensível a odores, e tinha um perfume para cada dia da semana. Em sua corte, rosas e flores de laranjeira eram usadas para perfumar luvas, e os sabonetes de óleo de oliva faziam parte da higiene diária. As fragrâncias apreciadas por Luís XIV eram produzidas no sul da França.

No Renascimento, a idéia de manter o corpo limpo foi abandonada e os “banhos de água” foram substituídos por “banhos com fortes perfumes e essências”, sendo Catarina de Médici a grande responsável pela difusão do perfume na França.

A fomentação da expansão marítima conduz os europeus ao descobrimento de novas terras, denominadas de ‘Novo Mundo’ e a realidade da Europa (o ‘Velho Mundo’) mostrava-se paradoxal aos costumes demonstrados pelos habitantes dos territórios localizados na atual América do Sul.

A chegada dos brancos impressionou aos índios, devido à aparência suja e grotesca dos europeus, chamados de “mal cheirosos e porcos”.

Observando os hábitos dos indígenas, nativos das terras recém-descobertas, os europeus aprenderam diversos conhecimentos sobre limpeza e higiene, pois era comum e que os nativos se banhassem em rios, lagos, lagoas e cachoeiras. De modo que os indígenas em muito contribuíram para o progresso nos costumes dos europeus, promovendo um verdadeiro banho de civilização.

5- Corte de França – Banho de Cheiro Disfarçando a Sujeira

A fundação da primeira boutique de perfumes em Paris impulsionou a produção e a comercialização de produtos aromáticos. A opulência, o esplendor, a extravagância e o refinamento surgiam nas famílias aristocratas e dominavam a corte européia.

A moda dos banhos estimulou a difusão dos perfumes por toda a Europa. A “Corte Perfumada”, fiel ao estilo Rococó, bem como toda a nobreza francesa, habitualmente se utilizavam de bálsamos e perfumes – nas roupas, nos corpos e nos cabelos – para disfarçar a sujeira e amenizar o mau cheiro.

“Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento…”

Outras fontes: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-sabao-e-da-higiene-corporal.html

http://gehspace.com/arte26a30.htm