Amour Nocturne, L’Artisan Parfumeur

Ganhei essa luxuosa amostra da amiga Andréa Faria! Como não ter siricuticos de curiosidade frente a um perfume caríssimo, de belíssima embalagem e chamado ‘Amor Noturno’? Minha alma que – esteticamente, deixo bem claro! – pende para o gótico, se encantou e imaginou um perfume vampiresco, escuro! Mas não é não…

Amour Nocturne é estranhamente gustativo: temos uma banheira com leite (achei que era leite de cabra misturado com leite de coco, algo entre o metálico e o adocicado) e caramelo. Mas aí aparece algo sintético, borracha, pneu novo ou algo do gênero. Afoito, mergulha no leite e pisoteia o caramelo.

O leite parece gostar desta impetuosidade, envolve-se com a borracha e fica um acorde interessante: meio humano meio máquina, uma coisa bem steampunk. O caramelo fica por aí, enciumado do enlace dos dois, e volta e meia tenta aparecer mais do que eles, elevando-se em nuvens esfumaçadas doces e escuras.

No final o aspecto leitoso ganha nuances amadeiradas secas e de doçura meio corporal. Cheiro de pele morna ao acordar, cheiro da gente que fica no pijama, entende?

E no final, depois de 4 horas de uso (depois disso ele sumiu na minha pele), senti algo como fósforo (antes de ser aceso).

Esquisito – e bom – o Amour Nocturne! Mas eu não pagaria as 115 Libras pedidas pelo site da marca.

Criado por Bertrand Duchaufour em 2013, suas notas olfativas são: cedro, leite, caramelo, orquídea, pólvora (!).

* imagem retirada daqui.

Opium Fraicheur d’Orient, Yves Saint Laurent

Você gosta de incenso? Desses de casas de roupas indianas e produtos esotéricos? Eu gosto! E te digo qual meu preferido entre os ‘bons, baratos e fáceis de achar’: o Padmini da ‘Deusa Azul’. Ele é de sândalo com canela e há algum tempo atrás, era mais intenso, os palitinhos tão carregados de essência que ao manipulá-los, suas mãos ficavam exalando o aroma por um bom tempo. Chegavam a ser oleosos… e eu adorava esfregar eles nos braços para ficar sentindo o cheirinho mais tempo…

Tudo isso para dizer que o Opium Fraicheur d’Orient é a versão líquida deste incenso! Como bom filho do Opium, ele é carregado de especiarias, esfumaçado, tem um cheiro doce-profundo que vem de bálsamos e resinas!

Quando digo que é ‘carregado’ de especiarias não estou brincando: tem coentro, gengibre, canela, pimenta-preta. Tem mexerica-cravo quase enjoativa de tão doce! E tem base de sândalo, patchouli, âmbar, mirra e almíscar…

O curioso disso tudo é que mesmo com tanta potência em suas notas olfativas e carregando o nome do Opium, você pode borrifar à vontade: ele é um body mist, não contém álcool em sua formulação. Sua fixação, obviamente, não é tão longa. Exala de forma sensual por umas 3 horas depois vai sumindo da pele. Melhor que muito EDT/EDP atual....  Tal qual vareta de incenso queimando, um prazer breve e inebriante!

Resumindo, que flanker lindo do imponente Opium, esse nascido em 1998! Pena que é tão difícil de achar. Cheguei a pensar que ele é tudo que o Belle D’Opium deveria ser…

Notas olfativas: tangerina,, pimenta, gengibre, canela, jasmim, cravo (flor), coentro, almíscar, âmbar, patchouli, madeiras e resinas (aposto alto na mirra!).

Sumo ritualístico, transita entre o sacro e o profano! Uma auto-oferenda perfumada!