Opium, Yves Saint Laurent

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Conheci o Opium lá pelos idos de 1995, 1996. Tive uma amiga que mesmo tendo menos do que 18 anos usava Opium como se fosse colônia. O pior não era isso, o pior é que ela ficava irritadíssima se topasse com outra pessoa usando o perfume, ela achava que tal cheiro só poderia emanar de seu pescoço, imagino…
Enfim, o Opium. Foi criado em 1977 por Jean Amic e Jean-Louis Sieuzac, foi um marco da década de 80, fez propagandas polêmicas e exuberantes. Lembram-se do vídeo onde a protagonista ia atrás de um frasco do Opium como se ele fosse algo ilícito? Ou da campanha onde a modelo que tinha cara de nóia parecia beber o conteúdo do frasco? Teve aquela outra, da modelo de pele imaculadamente branca nua, com expressão e postura de êxtase carnal? Pois é, tudo isso é a cara do Opium…
 
 
 
Aliás, sabiam que o frasco mais badalado de tal perfume imita um Inro? O inro era uma espécie de pequenos estojos normalmente achatados e constituído por vários compartimentos sobrepostos, que encaixam perfeitamente uns nos outros. Surgiu no final do século 16, eram geralmente confeccionados em couro fino, madeira ou papel com laca decorativa. Era  utilizado para transportar pós e plantas medicinais (ou ópio) – e mantê-los frescos – preso no cinto característico do traje masculino japonês. As caixas eram ligadas entre si por um cordão, cujas pontas eram enfiadas num elemento designado ojime, uma espécie de ‘conta’ que se destinava a manter as caixas bem unidas. As pontas desse cordão rematavam com outro elemento, o netsuke, que funcionava como botão e permitia prender o inro ao cinto acima referido (fontes: http://www.museu.gulbenkian.pt/obra.asp?num=1337&nuc=a6&lang e http://gaukartifact.com/2013/03/19/what-is-an-inro/).
 
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Opium é um dos perfumes ícones dos anos 80, uma preciosa ‘bomba’ oriental especiada! Cheira como um empoeirado, denso e inebriante perfume vindo de décadas passadas, e frente aos lançamentos atuais, Opium de fato soa como algo assustador! 
Defino ele assim: perfume com cheiro de mobília antiga pertencente a uma senhora libanesa absolutamente vaidosa, que perfuma a casa com flores e incensos, que prepara pratos típicos de sua terra natal e que borrifa generosas doses de perfume nos cabelos e roupas.
Notas de saída: coentro, ameixa, cítricos, mandarina, pimenta, jasmim, cravo-da-índia, bergamota, bay rum tree (Pimenta racemosa).
Notas de coração: cravo (flor), sândalo, patchouli, canela, íris, pêssego, lírio-do-vale, rosas.
Notas de fundo: lábano, bálsamo-tolu, sândalo, opoponax, almíscar, coco, baunilha, benzoin, vetiver, incenso, cedro, mirra, castóreo, âmbar.
Loucura né? A saída do Opium é chocante, tem cheiro de antiguidades, de tapete, de tecido com uma nuvem de especiarias picantes, ardidas. Depois Opium revela uma faceta resinosa, espessa, medicinal e mística! Tem cheiro de poeira perfumada e colorida, pó a ser misturado na bebida de quem se quer enfeitiçar! Acho encantadora a mistura de tantos elementos ‘pesados’ e esfumaçados! As notas de fundo são bem pronunciadas, desfilam lentamente para que todos possam admirar seus predicados.
E ainda tem nele um toque animálico, selvagem e arisco, que fica o tempo todo a espreita. Aparece e some, enche o perfume de mistério e ousadia.
Sabe o que eu acho mais doido em tudo isso? A doçura mentirosa do Opium. Suas nuances doces são uma armadilha, na verdade não tem nada declaradamente doce ali. São truques a fim de capturar incautos…
Opium é deliciosamente perigoso!
Sabe quem usava? Hebe Camargo. A cara dela…
 
 
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16 comentários sobre “Opium, Yves Saint Laurent

    • Por incrível que pareça conheci opium agora e vou dizer que delicia. Adoro objetos, móveis e cheiros orientais. Incenso, canela. Isso deve ser parte da minha outra vida, fico louca com essas coisas. Detesto o mundo ocidental rsrsr. Há quem diga que opium é só incenso. Que seja e é o que basta. Por mim o mundo inteiro poderia cheirar a incenso, que delicia. Opium é diferente, maravilhoso. Junto com Poison, pra mim são duas obras de arte. Dizem que é forte mas não achei. Saída marcante, mas evolui e fica bem incensado com uma mistura de canela que inebria. É sexy. O que adianta comprar perfume e ter que colar o nariz na pele pra sentir alguma coisa. Pena hoje em dia não focarem em perfumes assim. Essa coisa de fazer tudo comercial é muito triste. Perdeu-se a qualidade. Enfim, vou já já adquirir um frasco desta maravilha pra minha coleção.

      • Pois é Edna, o Opium é de fato um grandioso perfume! Sexy,opulento, misterioso! Tbém não sou fã desses perfumes rente a pele não, pra mim tem é que deixar rastro! E não me importaria se o mundo cheirasse a incenso, ia amar! Adoro entrar em lojas de produtos indianos que tem móveis e eles rescendem a incenso e madeira doce! Beijos!

  1. Muito boa resenha! Eu uso Opium masculino ha mais de dez anos e só ganho elogios. Mas realmente é um perfume muito diferente dos atuais, principalmente dos masculinos que as pessoas gostam aqui no Brasil, como perfumes oceanicos, perfumes mais leves.

  2. De verdade, é o único perfume que eu ODEIO. Estraga minha refeição, meu dia, meu fígado, meu humor. Tenho vontade de jogar quem usa debaixo de um chuveiro.

  3. Fantástico!! Nossa, quero um Inro kkkkkkkkkkkk. Não sabia disso e amei saber :). Adoro essas resenhas informativas!!
    Opium é tão lindo que faltam palavras para descrevê-lo. Esse é o tipo de perfume que só conhecendo. Ele encarna absolutamemente tudo que eu amo num perfume. Tão exótico, com a medida exata de sabonete e especiarias.
    Outro dia estávamos eu e Henrique conjecturando sobre o Kenzo King Kong e ele falou uma coisa que faz sentido. Que o KK foi lançado na mesma época do Opium e que talvez tenha sido uma tentativa, bem como outras casas fizeram, de fazer frente a esse lançamento sem paralelo que,com certeza, desestabilizou as demais grifes. Eu imagino o trabalho que tiveram para colocar no mercado algo à altura de Opium. Para sempre um marco no mundo da perfumaria.

    • Certamente, o Opium sempre será um ícone, uma obra-prima da perfumaria! Ele é tão ‘na medida’, né? Tudo nele se encaixa, se completa! Não vi muitas semelhanças entre ele e o KK, mas houve de fato uma época em que os perfumes seguiam tal linha olfativa, deve ser isso… Aliás, época que podia voltar né? Tbém quero um Inro! Nem que seja pra guardar orégano nele…

  4. Você disse que ele é um Oriental Especiado, né? Ele por acaso lembra um pouco o Jungle l’elephant?? Eu adoooro este perfume e queria saber se existem outros parecidos, na minha opinião o Jungle é quase igual ao Coco Chanel, mas pelo Coco ter Civeta nas notas de fundo e eu não saber se esta nota é sintética eu opto por não usá-lo, porque sou vegetariana e tento não usar produtos que contenham alguma coisa de origem animal…

    • Taylla, na verdade ele em nada lembra o Elephant. Ele é especiado sim, mas nada de doçuras nele! É mais ‘seco’, mais femme fatale, mais ‘madame’, mais oitentista. Olha, fica tranquila, atualmente não se usa mais produtos de origem animal em perfumaria, são todos de origem vegetal ou sintética, mesmo que imitando os aromas da civeta, do almíscar, do âmbar gris. Tanto pela questão alergênica, quanto pelos altos preços. Adoraria ter certeza que também em respeito aos animais, mas não posso afirmar… Eu sou contra o abuso de animais, tenho 5 animais adotados e me recusaria a comprar perfumes com a mácula do sofrimento.

  5. Sempre q vejo resenha, tenho vontade de conhecer, mas vejo pelos comentários que é um perfume amor e odio. Tenho medo de comprar e me arrepender. Ja fui em lojas e não tinha para sentir. Ou seja, ainda não aconteceu nosso encontro. Veremos se vai acontecer.

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