Secret de Vénus, Weil

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Acho que já deu para perceber que eu adoro uma antiguidade, em se tratando de perfumes né? Os que muitos chamam de “perfume de vó” fazem minha alegria e me transportam a décadas passadas, onde a perfumaria tinha todo um mistério, glamour e particularidade.
Secret de Vênus foi criado pela casa Weil em 1933. Tal casa tem uma história um tanto quanto curiosa. Vamos a ela…
Fourrures Weil era uma pequena empresa familiar de peles, fundada em 1912. Os três irmãos Jacques, Marcel e Alfred Weil, que fizeram artigos de peles para os abastados durante anos, decidiram ofertar perfumes para seus clientes.
A Parfums Weil foi criada, então, em 1927. Todos os perfumes que foram vendidos entre 1927 e 1954 vieram em garrafas feitas por Baccarat.
Durante a guerra, em 1940 a empresa fechou seus escritórios em Paris e mudou-se para os EUA. A fábrica de Paris foi confiscada pelos nazistas e com ela, vários perfumes ali produzidos. Tais fragrâncias nem mesmo chegaram a ser apresentadas ao público. Depois da guerra, a fábrica voltou oficialmente a ser propriedade da família Weil.As primeiras fragrâncias da casa, criadas em colaboração com a perfumista Claude Frayesse, foram feitas para serem usadas em casacos de pele, para mascarar o odor da própria pele do animal. As fragrâncias foram nomeadas Hermine, Chinchilla, Zibeline e deveriam ser usadas ​​na pele equivalente. Zibeline, por exemplo, era uma fragrância forte com algália, jasmim, sândalo, aldeídos, mel, íris, estragão e coentro em sua composição.

Weil lançou uma série de fragrâncias para uso como perfume propriamente dito, e não para odorizar casacos e demais artigos de pele. Secret de Vénus, um clássico e feminino perfume da família chypre floral foi apresentado em 1933. Antilope, em 1946; em 1971 foi lançado Weil de Weil. Lançamentos mais recentes são Weil Pour Homme, Bambou, de 2005, Eau de Weil e So Weil.

Voltemos agora ao Secret de Vénus…
Opulento, e clássico perfume chypre floral, daqueles que ofendem olfatos mais sensíveis e desacostumados as fortes fragrâncias dos anos 30/40. Bom, é claro, adquiri o perfume que está a venda atualmente (a versão Eau de Cologne), acredito que tenha passado por muitas reformulações e esteja longe do que era nos anos 30, mas enfim…
Notas de saída: lavanda, bergamota, limão almafitano, pêssego, cassis.
Notas de coração: jasmim, gardênia, frésia.
Notas de fundo: sândalo, patchouli, cedro, baunilha.
Se você gosta de grandes clássicos como Chanel nº5, Madame Rochas, Caleche, acredito que Secret de Vénus vá te agradar. Ele é um pouco cru, como o contato de um casaco de peles sobre a pele nua, e acho que é isso que a Weil queria fazer! Entenda: embora tal contato, imagino que seja de extrema maciez e conforto, não deixa de ter o toque rústico, selvático e primitivo.
Cheira como um perfume clássico deve cheirar. Tem um quê de aldeídico. Tem todas as características que um bom chypre floral deve ter. Tem um opulento e melífluo buquê floral. As notas de saída deixam claras e as notas da infalível dupla bergamota/pêssego. Tem as notas de fundo amadeiradas e bem marcadas, distintas. E inevitavelmente, muitos dirão que lembra o talco que a tia solteirona ou a avó usava. Pronto, temos a fórmula de um perfume datado. Então vai entrar com honras para a coleção da loucadosperfumes!
Para mim, é o perfume da obra “Venus in Furs” do italiano Guido Crepax.
Deixo claro que sou contra o uso de peles para qualquer finalidade. Sou contra a exploração animal, seja ela de qualquer tipo.
A propósito, outro dia me questionaram se eu aceitaria um perfume que tal pessoa considerou datado demais e “antiquado”. Resposta: sim, aloucadosperfumes recebe de braços abertos perfumes que estão jogados em algum canto, mal amados. Inclusive os meus amados senhores vindos de décadas passadas!
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3 comentários sobre “Secret de Vénus, Weil

  1. Tenho a edição brasileira de A VÊNUS DAS PELES de Sacher Masoch ilustrada por Guido Crepax, que delícia ler a referência na sua resenha. Não tenho medo desse tipo de perfume, adoro, e só encontrar ocasião para usar. E assim como você disse certa vez, também aproveito a proposta “vintage” para viajar ao passado.

    Parece ser um perfume perfeito para uma dominatrix. 😉

    • Que bom que gostou da referência, Rafaella! Guido Crepax foi um mestre na arte de retratar melheres em sua plena sensualidade e erotismo, mas sem um pingo de vulgaridade, vide sua personagem mais famosa, a Velentina. Também admiro demais a arte de Milo Manara e a de Luis Royo, embora esse último tenha um apelo sexual mais evidente, mas nada vulgar também…
      Delicioso encontrar aqui outra admiradora de tal tipo de arte, bem como dos perfumes “vintage”. São sexies né?
      Não sei se cairia bem em uma dominatrix, embora o nome seja perfeito. Ainda sou mais o Opium para tal mulher…

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