Must, de Cartier

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Quanta riqueza Must encerra em seu frasco! Ganhei tal perfume em um sorteio ou em uma gincana, como preferirem, da querida amiga Ju Toledo. Pois é, dei sorte. Logo eu que nem rifa de quermesse nunca ganhei!
Must tem cor de perfume oriental, é de suma elegância, sensualidade, calor e tem tantas notas que é impossível distinguir todas elas.
É desses perfumes que não se faz mais, que pode agredir o olfato alheio se aplicado em excesso. Em resumo, é dos anos 80.
Foi criado por Jean-Jacques Diener em 1981 e tem notas portentosas, intensas, ricas e até mesmo agressivas.
Notas de saída: aldeídos, abacaxi, mandarina, gálbano, pêssego, bergamota, pau-rosa, limão.
Notas de coração: cravo (flor), couro, narciso amarelo, almíscar, orquídea, jasmim, vetiver, neroli, ylang-ylang, rosa.
Notas de fundo: sândalo, âmbar, fava-tonka, baunilha, vetiver, civeta.
E não vou mais falar de notas. São muitas, assumo que não consegui achar a maioria. Vou falar de sensação, de subjetividade.
Must inicia na cozinha, com cheiro de frutas maduras em calda, daquelas que foram fervidas por um bom tempo com ramas de canela e outras especiarias em abundância. Logo deixo as frutas de lado, e sou levada a um salão mobiliado com os mais ricos móveis, das mais raras madeiras polidas com o mais importante dos lustra-móveis. Móveis impossíveis e rebuscados trazidos do oriente, feitos de jacarandá, sândalo, madeira-caxemira e canela. Alguns desse móveis abrigam peças de vestuário em couro macio, ou melhor: pelica e camurça. Tal cheiro de couro ‘morde’ o cheiro das madeiras polidas e cálidas, dá um toque selvagem e sensual.
No cômodo ao lado do salão dos móveis impossíveis temos uma profusão de vasos e jarras cheias de flores, das mais diversas flores e formatos, exóticas! Temos arranjos de ylang-ylang e orquídeas aos montes! Estariam preparando a casa pra uma festividade, para o casamento do sultão com Sherazade?
Depois de tudo ainda passamos por uma saleta de paredes douradas e texturizadas onde ficam armazenadas preciosidades: essências, pós, grãos e garrafas contendo líquidos castanhos, rubros, amarelos! 
E tal ‘viagem’ dura muito tempo. Must tem fixação e projeção épicas! Tudo que penso quando lembro de Must é acobreado, profusamente decorado, com detalhes dourados e plenos de fartura e riqueza. 
Must foi trazido como prenda para Sherazade por Simbad, o Marujo…

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5 comentários sobre “Must, de Cartier

  1. Linda resenha Diana! Sinto a saída do Must da forma que vc descreveu, depois não consigo mais destrinchar as notas, sinto couro adocicado e não consigo sentir as flores…
    Aproveite bastante o Must! Bjo grande!

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