Ambre Narguile, Hermès

No Encontro Perfumado da APP tive a oportunidade de conhecer uma ‘fatia’ da incrível coleção do gentil Leandro de Castro, que me deu uma amostra do maravilhoso Ambre Narguile, da coleção Hermessence, da Hermès.
Hermessence é uma coleção de fragrâncias únicas concebidas como poemas olfativos usando os  elementos mais exclusivos da perfumaria. Reinventa-se uma natureza que é tão preciosa quanto é incomum, enriquecida cada vez que o perfumista descobre um novo país, uma língua,uma cultura ou novos ingredientes simplesmente extraordinários. A coleção é composta por oito fragrâncias (se eu pudesse, e meu dinheiro desse, teria todas).
Ambre Narguile foi criado em 2004 pelo festejado Jean-Claude Ellena.
O perfume é de fato uma viagem sensorial, gustativa, imagética. Nos leva a uma paisagem oriental idealizada nos contos, onde escorrem regatos de mel, especiarias são abundantes como areia e onde muitos prazeres estão acessíveis: o de uma massagem com óleos aromáticos; o de experimentar pratos exóticos, doces desconhecidos e bebidas inebriantes; a fumaça aromática e quente do tabaco nos narguiles e dos incensos…
E as cores? Tons de açafrão, dourado, alaranjados, vermelhos e detalhes em ébano…
Sinto em Ambre Narguille uma profusão de mel, noz-moscada, canela, pimenta, cumarina, conhaque, tabaco (não o tabaco em sim, mas a fumaça de tabaco para cachimbo aromatizada), frutas secas. Em outro momento encontrei nele doce-de-leite com passas ao rum, gengibre e pimenta-do-reino.
Depois de algumas horas de uso senti uma ‘macio-floral’, coisa de pétala, frutas secas, incenso, âmbar, baunilha e pão doce de canela recém saído do forno…
Eu disse que Ambre Narguile é puro prazer! Onde já se viu cheirar a mel, pão de canela, doce-de-leite, passas ao rum, conhaque e tabaco?
Bom as notas oficiais do perfume são: mel, benzoim, ládano, almíscar, baunilha, caramelo, fava-tonka, gergelim, canela, rum, cumarina, orqúidea.
Ambre Narguile é desejo e fartura!!

Royal Bain de Caron

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Ah, que riqueza! Segundo o maravilhoso site da marca, foi criado para satisfazer os caprichos de um bilionário californiano que queria substituir seus extravagantes banhos de champanhe por um perfume. Especula-se que William Randolph Hearst (http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Randolph_Hearst) tenha sido o milionário em questão…
A tal falta de champanhe para os banhos de William deve-se as restrições impostas pela Lei Seca (1920-1933).
E o Rei dos Camarotes se achando…
Mas o Royal Bain data de 1941! Explico: diz-se que antes de ter tal nome e atribuir-se tal data de nascimento a ele, ele teve outro nome! Teria sido criado originalmente como Bain de Champagne (Champagne Bath), em 1924 e seu frasco foi idealizado por Félicie Vanpouille. Teria sido feito pela primeira vez como uma “eau Parfumee pour le bain” (água perfumada para o banho) antes de se relançado como um eau de toilette em 1941.
A propaganda dos anos 20/30 mostra Bain de Champagne descrito como “Um banho requintado e preparação de toilet” o que parece implicar um uso duplo, como produto de banho e produto de toalete. Em um anúncio de 1967 recomenda-se o uso de Royal Bain de Champagne “Antes do banho. Durante o banho. Após o banho.”
Mas vamos ao Royal Bain atual, que é o que eu tenho pra hoje. Como não se encantar pela garrafinha? Sei que tem dele na embalagem clássica da Caron, mas eu prefiro essa.
Ele não tem borrifador, dá aquela impressão de ser uma água de colônia que você vai passar aos montes, se esbaldar após o banho… espera! Faz isso não. Como disse antes, desde 1941 ele é um EDT. Intenso, de boa fixação.
Ele é vintage. Tem aquele toque atalcado, baunilha abafada, algo resinoso, medicinal, balsâmico. É um elixir. Tem cara de anos 20, de dançarinas de charleston e seus cabelos à la garçonne.
Tem cheiro de cumarina, tabaco, incenso, de mirra. Tem forte presença de opoponax e sândalo. A rosa aparece semelhante a rosa do Flower by Kenzo: empoada, picante, incensada.
Royal Bain em alguns momentos me lembra caramelo. A cor, não o doce.
Foi criado (teoricamente), em 1941 pelo mestre Ernest Daltroff.
Notas de saída: lilás, rosas.
Notas de coração: opoponax, benzoim, incenso.
Notas de fundo: sândalo, âmbar, almíscar, baunilha, cedro.
Não é um perfume que agrada multidões. Mas aposto que tem fãs fiéis além de mim e de William Randolph…