John Galliano EDP, John Galliano

Misture um pouco da estética gótica, um pouco da vitoriana (sem cair no steampunk), algo da melancolia dos pierrots, um pouco de saudosismo e aquela tentativa de fazer tudo parecer vintage. Por isso, ainda não sei se gostei tanto assim dele.

Muito ouvia falar do tal Galliano EDP, e quando dei de frente com ele, parecia que eu já conhecia de algum lugar… Ele tem um nítido apelo ‘antigo’, de algo já visto. Foi criado em 2008 por Christine Nagel e Aurelien Guichard.

A propaganda, embora linda, me trouxe a lembrança de outra mais antiga: do Halloween, de Jesus del Pozo. Sei lá porque, mas achei os conceitos semelhantes… acho que foi a questão dos chifres de cabelo de uma e do atame no pescoço da outra. Bruxaria!

Galliano EDP abre com rosas altamente aldeídicas, tem algo de fruta que eu não soube identificar – achei que eram pêssegos, damascos, depois alguma fruta vermelha – que dá uma tonalidade mais colorida e leve, ‘levanta’ o perfume. Logo somos invadidos por nuvens poeirentas, atalcadas e quase antiquadas de violetas e íris. O fundo tem notas ambarinas, tonalidade amadeirada seca e esfumaçada, algo doce, escuro e terroso do patchouli. O que mais me chamou a atenção foram as notas poeirentas, atalcadas, aquele clima boudoir e meio rococó. O que era para ter atmosfera meio mágica, meio enfeitiçada e misteriosa acabou se tornando um pouco forçada. Empoada demais, Luís XV! Ao mesmo tempo, o interessante é que mesmo com o apelo feérico e dramático da propaganda, não se deixou levar por notas doces viciantes, como temos visto aos montes…

É um perfume dramático, multifacetado, arquetípico. Carrega em si a fada, a bruxa, a viúva, a devoradora.

Contraditório. Gosto, não gosto. Acho exagerado, acho ousado. Oh, dúvida cruel!

Notas de saída: aldeídos, angélica, bergamota.

Notas de coração: violeta, íris, rosa, peônia, lavanda.

Notas de fundo: âmbar, almíscar, patchouli, incenso, cedro

Galliano EDP, ainda não declaro meu amor por você, mas declaro que você me atrai, me provoca, atiça minha curiosidade…

Sabe de quem lembro? De Helena Bonham Carter. Devia ter sido o rosto de tal perfume…

Barbarella, mais uma vez obrigada!

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7 comentários sobre “John Galliano EDP, John Galliano

  1. Obrigada a você, Diana, por nos brindar com resenhas tão lindas, cheias de referências, coisa de quem tem bagagem… e concordo 1000% com a cara de Helena Bonham Carter, atriz monstruosa. John Galliano EDP é boudoir e decadente, perturbador para a perfumaria de mainstream. Tanto que já era, não foi bem recepcionado pela galera.

    O EDT é curiosidade minha. Vou aguardar resenha da dos Anjos.

    Quero aproveitar para lhe desejar um 2014 lindo, próspero e cheirosíssimo!

    • Exato, Barbarella, tem algo de decadente, de pitoresco nele! De fato (o que é uma pena), ele sumiu, nem ‘cheiro’, literalmente dele. Muito pros que se contentam com pouco! Ele é uma dúvida pra mim, gosto, não gosto, me atrai, me atiça!
      Que seu ano novo seja iluminado, e mais uma vez, obrigada Barbarella!!! Não esqueci do decant do Nirmala que te devo heim!!!!

  2. O Galliano EDP é exatamente isso que você descreveu, Diana. Tudo isso. Desde o início, porém, a nota seca de incenso levou-me a relacioná-lo com ambientes sacros e fúnebres. Isso quando senti a amostra. Amei demais desde o primeiro instante. Ele tem mesmo essa alma poeirenta e abafada mas ao usá-lo mais vezes, diretamente do frasco, foi que pude perceber as notas doces e frutais da saída ( eu diria que uva ou frutas similares). Na hora eu senti isso de reconhecê-lo de algum lugar mas nunca descobri de onde. É algum aroma do passado, da infância, algum perfume que adultos usavam nos anos 80, enfim, não sei.Acho incrível!
    Além disso, frasco, caixa e propaganda são perfeitas. Exprimem exatamente o que se espera desta fragrância, inclusive, a Helena Bonham Carter, de Rainha de Copas, é o próprio.

    • Pois é Li, ele é ao seu modo, incrível! Tem algo de funesto, tem algo de antigo, tem algo de doce. Brinca com seus contrastes. O frasco é maravilhoso mesmo! Verdade, agora que vc disse percebo a semelhança do personagem da propaganda com a personagem Rainha de Copas… Algo ‘arlequinesco’, né?

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