Midnight Oud, Juliette Has a Gun

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Juliette agora vem munida de oud, ao que parece, o novo ‘queridinho’, a nova ‘tendência’ logo logo terá o Axe Oud, vão ver. Agradeço a amiga Erica Fabri que enviou a amostra!

É um perfume cheio de atitude, andrógino, vistoso! A começar pelo frasco: dourado (muito ôro!). Me fez pensar nos locais imaginários do Oriente das ‘Mil e uma Noites’, mas do ponto de vista masculino: como era a vida daqueles sultões e sheiks (também imaginários, claro) em seus camelos, cavalos, caravanas, em seus palácios e haréns… Quais eram suas vaidades e preferências?

Pelo que li e pesquisei, faz pouco tempo que o Oud está indo, gota a gota, para os lados da perfumaria feminina, e entendo o porquê. Tem um aroma resinoso, agridoce e másculo. Lembrou-me do seguinte: aqui perto de casa tem uma sorveteria artesanal super conhecida e antiga chamada Alaska (existe desde 1910), e lá tem um sorvete sabor Miski, que é uma resina retirada da casca de árvore de origem árabe*. É meio seco, meio amadeirado, meio balsâmico, meio amarguinho, meio agridoce. É bom, mas causa certa estranheza num primeiro momento. Tanto o oud como o sorvete de Miski.

Midnight Oud começa com rosas especiadas, mas já ‘atropeladas’ e invadidas pela tonalidade do oud.

Logo aparece um aroma verde terroso que parece vir de algo em decomposição, que libera aquele cheiro agridoce e invasivo, mas nada ruim, pelo contrário, atraente, sensual! Louca e poderosa a mistura de oud com castóreo! Atrevida!

Apesar do Oud ditar todo o caminho trilhado pelo perfume, ele as vezes torna-se mais ou menos forte, dependendo da nota que faz páreo para ele: no começo ele parece polvilhar as rosas, no meio ele é sensual e dominador. No final ele se retira para um canto e deixa as notas ambarinas, terrenas e as outras madeiras desfilarem em paz! Mas não sumiu não, volta e meia ele grita um ‘palpitezinho’ ali do canto onde está fingindo que descansa…

Notas de saída: bergamota, rosa Damascena, papiro, açafrão.

Notas de coração: oud, rosa Marroquina, gerânio, castóreo.

Notas de fundo: âmbar, almíscar, patchouli, sândalo.

Meio Khaleesi Daenerys, meio Khal Drogo…  Tão bonito!

* mais sobre tal resina nestes links:

http://gastrolandia.uol.com.br/viagem/mastiha-a-poderosa-lagrima-grega/

http://thinkfood.com.br/index.php/2010/04/21/miski-a-lagrima-dourada/

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E o ‘cheiro da chuva’? E o de livros velhos?

Links interessantes sobre os queridos ‘cheiro de chuva’, de terra molhada e de livros velhos – daqueles amarelados, manipulados e que já enfeitaram tantas vidas… Cheiro de prateleira de sebo!

http://www.megacurioso.com.br/fenomenos-da-natureza/36329-o-cheiro-bom-da-chuva-e-um-resultado-quimico-ou-cultural-.htm

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/de-onde-vem-o-cheiro-da-chuva

http://hypescience.com/de-onde-vem-o-cheiro-de-livros-velhos/

Aliás, que vontade de um final de semana chuvoso, fresco e cinzento pra ficar em casa lendo um livro…

Egeo Choc, seu companheiro de aventuras*

 

Ai, desculpa, a foto do perfume é essa de baixo:
Ganhei uma amostra da querida Barbarella, e só agora, só HOJE, descobri o que o cheirinho tão gostoso dele me lembrava: Toddynho Napolitano! Esse tal Toddynho já foi e voltou do mercado algumas vezes, lembro dele de quando era mais nova e comprei recentemente em algum mercado por aí… Ou ainda de outra coisa que trará a muitas pessoas um sorrisinho saudoso: quem aqui já misturou leite, achocolatado em pó e Quick de morango? (lembram do Quick? Eu gostava do sabor caramelo…).
Egeo Choc tem todos esses cheiros gustativos e deliciosos, nos remetem a infância e despertam a gula por besteiras gorduchas e deliciosas!
Aliás, se eu não disse antes, digo agora: acho que o ‘pai de todos’, o Egeo Dolce foi uma das melhores criações do Boticário. O problema não foi nem a banalização e o uso em massa pela população feminina, mas sim a quantidade usada ‘per capita’. Acaba enjoando e fazendo surgir certo ‘preconceito’ ao perfume…
Voltando a versão Choc: cheirinho de frutas vermelhas azedinhas, algo leitoso e cremoso (pra mim tem cheiro de sorvete de casquinha de creme do Mc’Donalds), chocolate ao leite, baunilha culinária, dessas essências de bolo. Tem ali no meio uma florzinha branca que dá certo equilíbrio a tal orgia gastronômica e empresta um quê de delicadeza ao perfume. Termina com as notas gourmands esmaecidas, aparecem notas ambarinas esfumaçadas, incensadas. Incenso doce, parece a queima do ‘Oro Nero’ (http://milagros.webstorelw.com.br/t/incensos/nero-oro/). Madeiras doces, leitosas e confortáveis arrematam a composição. 
Tal perfume só é vendido na época da Páscoa (pelo menos foi essa informação que eu recebi). É bom, assim não vira ‘carne de vaca’, como aconteceu com o Dolce.
Foi lançado em 2011 e a perfumista responsável pela criação é Marion Costero.
Notas de saída: chantilly, limão amalfi, frutas vermelhas, pêssego.
Notas de coração: flor-de-laranjeira, chocolate, leite.
Notas de fundo: baunilha, almíscar, benzoim, âmbar, madeiras, sândalo.
Egeo Choc, esse coração que se encanta pelas fragrâncias gourmands, gustativas, doces e meladas hoje é seu! Vontade de lamber…

*slogan do Toddynho na minha época de infância, não sei se ainda é…

Eaudemoiselle, Givenchy

E esse calor, gente? Terrível… Escolher o perfume se torna tarefa árdua para fãs de ‘bombas’ como eu. Outro dia me enchi de coragem e foi trabalhar as 8 da manhã com 2 borrifadinhas minimas do Ambre Sultan (Serge Lutens) e tenho certeza que matei 5 no ônibus…

Hoje resolvi usar o delicado-em-termos Eaudemoiselle (assim, tudojuntomesmo)! Criado em 2010 por Francois Demachy para a Givenchy, ele é um oásis para dias quentes!

Embora admire muito o perfume, tem duas coisas nele que não me convencem ou eu que não entendi mesmo… os ‘camafeus’ ou porta-retratos da embalagem (achei esquisito), e a propaganda com a modelo usando um modelo pra lá de vampiresco em pleno sol. Não ornou. Fazer a ‘gótchyca’ no parque, com solzinho na cara não rola…

Venenos a parte, voltamos ao perfume… Eaudemoiselle é peculiar, diferente, com cheiro de algo até então inédito para mim. Abre com notas cítricas e com toque herbal desconhecido, meio aquático, meio terroso, meio fresco, meio picante, meio de alga… intrigante!

Esse tal aroma herbal vem da planta chamada shiso, manjericão-japonês ou perilla (nome comum para uma erva da família das mentas, Lamiaceae. Embora conhecido por várias culturas por nomes diferentes, as variedades diferentes são agora classificadas sob as espécies únicas denominadas Perilla frutescens. É uma parte importante da dieta japonesa em suas formas verde e arroxeadaO aroma e pungência do tipo shiso pode ser comparado com o de menta ou funcho*).

Pronto! Achei um comparativo: sabe aquele cheiro ao mesmo tempo fresco e quente da erva-doce fresca? Aquele coisa entre o doce e o ardido que faz você pensar por um breve momento se aquilo é ‘de comer’ mesmo? É isso!

O cheiro de tal erva acompanha toda a evolução de Eaudemoiselle, que não é assim tão vistosa. Aos poucos surgem notas florais que dão uma breve ‘adocicada’ no perfume e o torna mais feminino e elegante. As notas de fundo demoram muito a aparecer e  senti ‘momentos’ de almíscar limpo e assabonetado e o toque amadeirado, quente e suavemente metálico do ambrette (abelmosco).

Eaudemoiselle é bom para o calor, desde que usado com moderação. Tem cheiro de limpeza, mas acredito que se nos excedermos nas borrifadas ele ficará sufocante.

Notas de saída: limão amalfi, tangerina, shiso.

Notas de coração: tintura de rosas, ylang-ylang.

Notas de fundo: almíscar, fava-tonka, ambrette.

Acho que a Givenchy soube ousar no Eaudemoiselle! Inovou com uma pitada de estranheza, fez um perfume de proposta jovem sem cair no ‘mais do mesmo’ de tantas outras marcas.

Não conheci os flankers, mas morro de curiosidade neste aqui: http://www.fragrantica.com/perfume/Givenchy/Eaudemoiselle-de-Givenchy-Ambre-Velours-18920.html

*Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Perilla

Castóreo (Castoreum)

O castóreo é a secreção oleosa glandular do castor (Castor fiber, Castor canadensis), usado pelo animal para se impermeabilizar, engordurando sua pelagem. Tem ainda a função de demarcar território e atrair parceiros. As duas glândulas secretoras situam-se junto aos órgãos genitais do animal.

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Tem a cor parda, sólida, forte odor característico, é composta basicamente por colesterol, ácido benzóico e ácido salicílico, tendo seu uso em perfumaria e na farmacologia, como estimulante e antiespasmódico.

Existem dois tipos de castóreo: o extraído do castor-europeu e outro extraído do castor-americano. Tem consistência mole e untuosa quando fresca, e dura e quebradiça quando desidratada. De cor escura, tem odor forte e característico. O gosto é muito amargo.

Ao fim do século XIX já estava em desuso na medicina, mas era usado no preparo de certas pílulas.

O cheiro de castóreo é selvagem e corporal, lascivo e apaixonado, dando a quem usa uma aura de sensualidade delicada. O odor de castóreo é muitas vezes descrito como agudo, espalhando uma nota que lembra o odor de alcatrão, baunilha, bétula ou couro russo. Quando diluído em álcool, o aroma fica mais agradável e ganha nuances frutais.

‘Castoreum’ é derivado da palavra grega Κάστωρ (Kastor), que significa “castor”. Castor também foi um dos gêmeos da mitologia greco-romana. Castor e Pollux eram irmãos gêmeos que compartilhavam uma mesma mãe, mas tinham pais diferentes. Pollux era imortal, mas Castor não era. Quando Castor morreu, Zeus ouviu a oração de Pollux para compartilhar sua imortalidade com o irmão morto, e transformou os dois em estrelas unidas na constelação de Gêmeos. Também é dito que a origem da palavra grega parece estar ligado com uma palavra em sânscrito para musk, que era Kasturi.

Na verdade, castores foram caçados não exclusivamente por causa de suas glândulas, mas por sua carne, sua pele à prova d’água usada para fazer vestimentas – e por último – para a extração da secreção de suas duas glândulas anais presentes em ambos os sexos, usada para secretar o tal aroma com poder de atrativo sexual. Por esta razão, o castóreo ganhou a fama de afrodisíaco.

É conhecido na antiga e rudimentar medicina como remédio para a dor de cabeça, febre e histeria. Paracelso, um suíço renascentista médico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista, ensina sobre este óleo odorífero como cura para a epilepsia. Não há nenhuma evidência para apoiar a afirmação de que o castóreo tem propriedades medicinais, mas é sabido que os castores se alimentam da casca interna de salgueiro, que contém ácido salicílico, quimicamente semelhante ao componente ativo da aspirina.

Em tempos mais recentes, no início do século 20, a secreção obtida dos animais ainda era usada na produção de perfumes de luxo. Porém, muito antes – por volta do século 16 – este animal tinha sido caçado até a extinção na Escócia, e não para produção de fragrâncias…

Defensores dos Direitos dos Animais (eu, a exemplo), relaxem!

Hoje em dia é substituído por castóreo quimicamente sintetizado, o que é totalmente obtido a partir do laboratório. Não duvido que algumas marcas de nicho ainda utilizem o castóreo de origem animal, mas na grande indústria é tudo sintético! Ainda bem!

Alguns perfumes com castóreo sintético em sua formulação:

Shalimar, Guerlain

Opium, Yves Saint Laurent

Paloma Picasso, Paloma Picasso

Antaeus, Chanel

Yatagan, Caron

Cruel Intentions, By Kilian

Coeur de Vetiver Sacre, L’Artisan Parfumeur

Calamity J., Juliette Has a Gun

Excelente texto sobre aromas de origem animal no blog 1nariz, neste link: http://1nariz.com.br/2013/falando-perfumes/materiais-animais-em-perfumaria-ambergris-castoreum-civet-musk