São Paulo perfumado na década de 30…

Hoje é feriado de 9 de Julho em São Paulo, em homenagem a Revolução Constitucionalista de 1932. E quais cosméticos eram moda nesta década? 

Vamos ver?

Em 1935 era lançado o mítico Joy, como um ‘antídoto ao pessimismo’ decorrente da crise na Europa. Era produzido com as matérias primas mais caras da época e seu frasco era selado com fios de ouro.

Na década de 30 também surgiram duas fragrâncias opulentas: Tabu, da Dana e Shocking, de Schiaparelli.

Também em 1935 a Lancôme lançava Kypre e Tropiques, o primeiro inspirado no Egito e em Cleópatra e o segundo nos países tropicais.

No Brasil – embora todo luxo ainda viesse da Europa, principalmente de Paris – acontecia o surto industrial dos anos 30 e a propaganda estava mais presente do que nunca, através do rádio e das revistas. Era a época do Leite de Rosas (‘o preparado que dá it‘), dos sabonetes perfumados Eucalol, Lever (o nome antigo do Lux) e Gessy. Homens contavam com óleos e quinas perfumadas para os cabelos.

Nesta década também chegou ao Brasil os salões de beleza de Helena Rubinstein e Elizabeth Arden, oferecendo inúmeros tratamentos de beleza.

Chegava também ao Brasil a marca de maquiagem Max Factor e a gigante Coty.

As ‘musas’ da época eram as atrizes Greta Garbo, Jean Harlow, Joan Crawford e Marlene Dietrich. A luso-brasileira Carmen Miranda emprestava seu sorriso para as propagandas do sabonete (e creme dental) Eucalol e a paulista Patricia Galvão, a Pagu, desafiava fumando em público e exibindo pele alva contrastando com lábios meticulosamente pintados.

Visite este link: http://www.ideafixa.com/saloes-de-beleza-dos-anos-30-40/

 

Angel Aqua Chic, Thierry Mugler

Eis um Angel para quem odeia o Angel! Verdade, gente! O Angel sem a avalanche de patchouli, caramelo e aquele toque de algodão-doce!

Esse anjo mais comedido e de modos mais suaves teve duas edições: 2012 e 2013 e pelo que pesquisei as notas olfativas de cada uma delas eram diferentes. Falo aqui da versão 2012, criado por Aurelian Guichard, com o belo frasco-estrela todo salpicado de brilhos prateados.

Embora a ‘decoração’ do frasco lembre uma noite estrelada, esse anjo é diurno e eu diria que lembra aquela hora quase fria do amanhecer, onde ainda vemos as estrelas junto com os primeiros raios de sol, sabe? Aquelas horas mágicas que ficam no céu, juntos, sol e lua? Pois Angel Aqua Chic tem a cara dessas horas!

Abre com cítricos, patchouli e algo de fruta: entre a framboesa e o marcaujá. Logo o patchouli se acalma, deixa lugar para notas apimentadas e um floral exótico que não sei nomear. É um toque floral ‘grudentinho e crocante’, talvez uma flor que não tenha aroma inebriante, e sim curioso, brejeiro, daqueles que a gente toda hora leva perto do nariz para tentar desvendar,,,

No final aparece a baunilha e volta o patchouli com poucos aspectos terrosos, mais a tonalidade doce mesmo.

O tempo todo sinto o cheiro do patchouli-domado, de casca de cítricos, o floral-maroto e um frutado-azedinho que me fez pensar em frutas vermelhas ou maracujá.

Não vou entrar no mérito da fixação e projeção, que nem de longe se comparam ao do Angel EDP: afinal ele já trás no nome o ‘Aqua’, que sugere maior diluição, frescor e todas essas coisa…

Notas olfativas oficiais:

Notas de saída: cítricos.

Notas de coração: pimenta-rosa, centáurea (também conhecida como ‘escovinha’ ou ‘fidalguinhos’, são grandes produtoras de néctar – especialmente quando plantadas em solos calcários – tornando-se muitos usadas na produção de mel. Também são usadas como plantas ornamentais em jardins em virtude das cores vivas de suas flores).

Notas de fundo: patchouli, baunilha.

Angel para todos!

 

 

 

Iris Oriental, Parfumerie Generale

Fui apresentada a tal precioso pela consultoria da Ego in Vitro, essa marota dos perfumes espetaculares!

A marca Parfumerie Generale de Pierre Guillaume é primorosa e todos os perfumes da marca que conheci até agora são magníficos! Iris Oriental ‘nasceu’ em 2006, era chamado anteriormente de Iris Taizo e não sei o motivo da mudança de seu sobrenome. Seu número dentro da coleção da marca continua sendo o ’14’.

Começa com flores melífluas, frutas maduras levemente salpicadas de especiarias! Gardênia? Pêssegos? Cardamomo? Incensos e resinas? Almíscares, madeiras, baunilhas: calor! E tudo isso só de cenário, de pano de fundo para a atuação da aqui soberana íris!

Íris vestida de seda dourada, que farfalha e acaricia a pele a cada passo! A cada movimento liberta um de seus coadjuvantes: ora o mel, ora os incensos resinosos, ora as madeiras quentes e macias. Volta e meia ainda aparecem especiarias picantes, doces e profundas. Daquelas que a gente nem sabe o nome, mas quer levar à boca para conhecer o sabor…

Segundo o site da marca, seus ‘ingredientes’ são: “cardamomo da Guatemala, íris, madeira Jinko, mel de figueira, baunilha do México e preciosos ungüentos infundidos com o calor do sol…”

Engraçado como tudo nele me lembra ouro: o mel, os incensos em resina – pequenas pepitas aromáticas – a raridade das especiarias, o calor do sol irradiando das madeiras…

Se Iris Oriental fosse um tecido, a seda dourada que falei antes, seria essa rara seda produzida com o fio de mais de um milhão de aranhas nativas de Madagascar: naturalmente dourado!

John Brown/Victoria and Albert Museum

Links: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,museu-londrino-expoe-tecidos-dourados-feitos-com-teia-de-aranha,824997

http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6192-tecidos-dourados-feitos-com-teia-de-aranha#foto-116983

 

 

 

 

Ambretta, Companhia da Terra

Ambreta -  Perfume de Ambergris. Exótico, seco, suave, sensual...

Veio entre as amostrinhas da Barbarella, e matou um pouco da minha curiosidade pelos perfumes da Companhia da Terra, marca nacional lá de Petrópolis, atuante desde 1976.

A marca possui várias fragrâncias em seu portfólio, os frascos são lindos e ‘puxam’ para a estética vintage, tudo tem cara de produto de botica de antigamente, sabe? O ruim é que existem muitos comentários de falhas nas entregas de compras feitas no site e no atendimento em geral… Eu nunca tentei, não posso dizer nada.

O Ambretta é feito com almíscar vegetal, extraído da planta Abelmoschus moschatus (planta aromática originária da Índia. Conhecida por suas propriedades medicinais e seu aroma único, tem sido utilizado como um substituto à base de plantas para o musk animal em fragrâncias. As sementes, vagens, folhas e brotos são usados ​​na culinária, e as flores são por vezes usados ​​para dar aroma e sabor do tabaco. Os frutos contidos nas vagens são moídos e depois destilados para a obtenção de um sólido denominado manteiga de ambretta. A planta também é conhecida pelo nome de Musk Mallow).

Curiosidade: a planta pertence ao mesmo gênero que nosso conhecido quiabo. Sim, ele mesmo, o Abelmoschus esculentus. E sabe como descobri isso? Buscando imagens da planta pra colocar aqui. Achei as flores e as vagens tão parecidas com os pés de quiabo que meu pai tem lá no sítio… Olha só:

Quiabo:                                                        Musk Mallow:

no HD illustration available(4)    no HD illustration available(4)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O perfume lembrou-me do Wild Musk da Coty! Mas calma, não desmaiem, falo da colônia, e não da mágica poção vendida em pequenos vidrinhos nos anos 80/90. E tem um quê a mais: inicia seco e adquire cremosidade rapidamente, como aquela receita que você tem certeza que não vai pegar ‘ponto’, e de repente fica do jeito que a ilustração do livro culinário mostra! Pura alquimia!

Depois de 2 horas na pele já estava bem suave, e daí me lembrou de tantas colônias que levam o nome ‘Musk’: aquela coisa meio sabonete, confortável, morninha de sol. A sensualidade discreta de uma cama de lençóis brancos, sabe?

Não tem traços alcoólicos nem mesmo na saída, embora em minha percepção seja daqueles perfumes de uma única nota, matéria prima dissolvida em álcool de cereais, sabe? Clássico, em produção pela marca desde 1978.

Prato cheio para os saudosistas dos anos 80 e para os amantes de colônias clássicas!

Lembra:

Deo Colônia Coty Wild Musk 500 ml