Xocoalt, Fueguia 1833

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“Já escrevi sobre esse perfume no blog?” Sim. “Então, sua louca, por que está escrevendo de novo, com tanto perfume por aí para resenhar?”

Por dois motivos… primeiro porque muitas vezes nossa percepção sobre um cheiro muda. Não é assim com todos os sentidos? O que hoje lhe é delicioso ao paladar amanhã poderá ser enjoativo e assim por diante. Segundo, porque eu quero! Achei hoje o restinho da amostra do Xocoalt e o senti como que pela primeira vez! E resolvi relatar esse reencontro…

Vamos falar um pouco do chocolate, de sua origem. Pois para mim o Xocoalt da argentina Fueguia está bem mais perto do original do que do cremoso e leitoso produto que hoje conhecemos.

Nasceu como a bebida dos deuses maias e era utilizado em transações comerciais como moeda. Por volta de 1400, os astecas dominam a civilização maia. O cacau novamente servia de alimento e oferenda para os Deuses. A bebida feita com o cacau adicionada de pimenta, baunilha, mel, flores e outros ingredientes recebe o nome de cacauhatl (água de cacau) ou xocoatl (água amarga) e era consumida pela nobreza. Os pobres consumiam em ocasiões especiais – como casamentos – misturados a um mingau de milho. Mas havia outro jeito de apreciar a bebida tão preciosa: o indivíduo que se oferecesse a sacrifício receberia o xocoalt como um agrado, antes de partir. Isso acontecia em eventos como o festival feito em homenagem a Huitzilopochtli.
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Segundo o site de uma conhecida marca: quando as caravelas espanholas apareceram pela primeira vez na linha do horizonte, os astecas acreditaram que estavam assistindo ao cumprimento de uma antiga profecia religiosa: a volta à terra do deus Quetzalcóatl, a serpente sagrada, que teria originalmente trazido o cacau do mundo das divindades para o mundo dos homens. Os historiadores afirmam que, ao confundir o colonizador Fernando Cortez com Quetzalcóatl, os astecas o receberam de braços abertos. Quando viram que estavam enganados já era tarde demais. Durante o processo de conquista, os espanhóis destruíram a complexa civilização nativa. E levaram o chocolate para a Europa.

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Xocoalt possui um desempenho incrível, em minha percepção. Inicia com um floral adocicado narcótico e enquanto você ainda está inalando profundamente esse elixir, surge uma nota picante, dessas de fazer coçar a ponta do nariz. Tem uma pimenta aqui né?

De repente sinto algo que lá no fundo, lá no âmago tem um quê salgado: castanhas ou algo do gênero.

E aí começa a se apresentar o cacau. Polvoroso, brincando de ser doce, de ser amargo. As vezes é alcoólico e licoroso, outras é íntimo da baunilha e ainda em uma terceira opção tem uma companhia floral atalcada e cremosa. Seria capaz de jurar que tem íris aqui…

Assim mutante, Xocoalt foi seduzindo e conquistando. E me fez desejar um vidrão dele, para sempre que quiser me tornar uma princesa asteca. Aí entro no site da marca e vejo que um vidro de 100ml custa a bagatela de 351 dólares.

A triste realidade mostra que eu não descendo da nobreza asteca. Acredito que atualmente não mais ofereçam sacrifícios humanos a Huitzilopochtli. E sei que não tenho R$ 1.138,74 reais para gastar em um único perfume…

Assim termina minha amostra e minha história com o Xocoalt. Nunca te esquecerei viu…

Lançado em 2010, filho do perfumista Julian Bedel, tem como notas olfativas oficiais: orquídea, baunilha, cacau e rum.

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2 comentários sobre “Xocoalt, Fueguia 1833

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