Una Senses, Natura

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Antes de tudo, perdoem meu sumiço. Tive (e tenho) algumas questões familiares pendentes. Maaaas – como diz a Aracy – vamos falar de coisa boa, Iogurteira TopTherm.

Mentira, vamos falar do Una Senses, lançamento da Natura. A linha Una já é bem conhecida e bem sucedida, tanto os perfumes quanto a linha da maquiagem.

Senses foi criado por Veronica Kato e pelos perfumistas da Firmenich Yves Cassar e Pascal Gaurin. Une a força da terra e o calor do fogo, inspirado nas sensações dos elementos da natureza. O frasco tem as cores bronze e verde, belíssimo olhado contra a luz. Tenho essa mania, adoro ver os frascos contra a luz, as cores se revelam…

A saída do Una Senses vem frutada, levemente picante e coberta de caramelo. Parece que vai ser um perfume enjoativo, mas longe disso…

Logo aparecem flores. Jasmim e tuberosa de pétalas carnudas, macias. Tem uma textura deliciosa! Sabe aquelas flores cerosas que dá vontade de arrancar uma pétala e passar no rosto, sentir sua suavidade, umidade e fazer com que o perfume se transfira para nossa pele? Essa!

As notas de fundo descritas pela marca me deixaram confusa. Sim, pois elas não são exatamente de fundo. Elas estão aí bem antes disso, rodeiam o perfume, trazem sensações. O acordo gourmand caramelado e picante existe desde o início, o sândalo e as madeiras lactônicas vão e vem em ondas, o tempo todo! Tem o toque achocolatado da fava tonka de mãozinha dada com a baunilha bem culinária, coisa de extrato para doces e bolos mesmo.

Mais pra frente percebemos um toque resinoso, doce e quase místico. Benjoin! O âmbar e o almíscar trazem conforto, aquela sensação de calor e aconchego que transformam alguns perfumes em uma ‘casaco líquido’. Ouvi uma vez esse termo e ele nunca saiu da minha cabeça. Temos pouco vocabulário para o sentido do olfato, e esse termo emprestado do tato parece cair como uma luva!

Bem no final tem um toque polvoroso e achocolatado que eu juraria ser heliotrópio. Mas pela descrição oficial é patchouli.

Una Senses é quente como o fogo, acolhedor como a terra!

Um perfumão!

Notas de saída – mandarina, blackcurrant.

Notas de coração – tuberosa, jasmim, floral transparente.

Notas de fundo – sândalo, cedro, baunilha, musk, cashmeran, benjoin, âmbar, patchouli,  acorde gourmand lactônico, fava tonka.

Mitsouko, Guerlain (post republicado)

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Mitsouko foi criado por Jacques Guerlain em 1919. Foi inspirado na heroína do romance de Claude Ferrièrre, ‘La Bataille’, uma história de um amor entre Mitsouko, a esposa do japonês almirante Togo, e um oficial britânico. A história se passa em 1905, durante a guerra entre a Rússia e o Japão. Ambos os homens foram para a guerra, e Mitsouko, escondendo seus sentimentos com dignidade, aguarda o resultado da batalha para descobrir qual dos dois homens vai voltar para ela e ser seu companheiro.

Uma especulação: o nome pessoal “Mitsouko” no uso dos caracteres chineses na língua japonesa é Mitsuko. O “Mitsu-” significa “mistério” ou “misterioso”.

Possui o mesmo frasco de L´Heure Bleue (1912). De maneira simbólica, esses dois frascos abrem e fecham os parênteses entre o início e o fim da guerra.

Mitsouko é fragrância misteriosa, não permitindo que todos possam ver a sua beleza. A abertura é longa, como um jogo de todas as belas notas, e, é claro, esta fragrância não é para uso diário comum. Na pele soa como se ele começa de longe, sem qualquer alusão à sua intensidade e do lado sensual. Mitsouko é um dos aromas bem conhecidos do grupo olfativo chypre com notas de cabeça frescas e musgo de carvalho na base. Mas também tem uma nota de um pêssego suculento, o que dá uma nuance clara e bastante gourmand. Possui bergamota, pêssego, jasmim, rosa de maio, especiarias (canela), musgo de carvalho, vetiver e madeira. A fragrância é exuberante, incomum e elegante, não muito doce, nem pesado, é bem equilibrada. Eau de Toilette é muito mais nítida, enquanto a Eau de Parfum é mais quente e agradável. A riqueza total da composição, no entanto, é revelado apenas na concentração de perfume” (Fonte: Fragrantica).

Lançado 2 anos depois do mítico Chypre, da Coty (1917) – que deu nome a toda uma família olfativa – Mitsouko é o chypre perfeito! Diz-se que foi um dos primeiros a utilizar o acento sintético de pêssego – aldeído C14.

Mais uma vez a “Guerlain antiga” me confunde e me atordoa… E nem sou fã número um da família chypre… Por que não consigo distinguir as notas com tanta facilidade como consigo com a maioria das elaborações atuais? A resposta é tão simples: maestria, boa elaboração, boas matérias primas, inspiração! Bem como Shalimar, Jicky e Habit Rouge, Mitsouko abre portais. Permite-nos viajar a uma época onde perfumaria era arte, e não comércio. É um dos perfumes mais completos, bem feitos, ricos e atemporais que conheço. Muitos poderão dizer que “cheira a coisa velha”, ou que “é o perfume da avó”, mas por favor, mais uma vez eu digo: não falem isso! Abstraiam essa questão do que “cheira a novo” e do que “cheira a velho”, substitua por ‘cheira a clássico” e “cheira a moderno”, ou qualquer outra terminologia menos chucra, por favor… Mitsouko, apesar de ser inabalável, entristece quando alguém o rotula como perfume de velha…

Mitsouko é perfeito. Ao mesmo tempo leve e pesado, sutil e impactante, delicado e agressivo, conservador e transgressor. O aspecto “guerlinade” é suave e com pouco do atalcado característico desta época da perfumaria Guerlain. Mitsouko é seco, é frio, mas não distante. É reservado, é misterioso, como seu nome sugere. Passou sim por reformulações ao longo dos anos para substituição dos componentes ditos alergênicos, mas não acredito que seu aroma tenha sofrido alterações drásticas.

Poderia ficar horas falando bem dele, mas acho que seria redundante… Mitsouko é beleza e refinamento. Mas digo: se você está acostumada (o) a formulações modernas, frutadinhas, docinhas e gourmands (e quem não está? É a maior parte dos lançamentos comerciais…), ele vai te agredir, te fazer torcer o nariz e espirrar, vai te despertar certa aversão. Nesse momento, por favor, lembre-se que estará na frente de um dos maiores clássicos da perfumaria, um verdadeiro monumento. Solenemente, curve-se e preste reverência…

Notas de saída: cítricos, jasmim, bergamota, rosas.

Notas de coração: pêssego, lilás, jasmim, ylang-ylang, rosas.

Notas de fundo: especiarias, âmbar, canela, musgo-de-carvalho, vetiver.

Abre com jasmim e rosas fortemente aldeídicos, deixando logo o pêssego adornado pelo ylang-ylang sobressair e dominar a composição. As rosas sempre presentes tornam a composição mais feminina e dócil. As especiarias (sinto uma leve ardência: seria cardamomo? Cominho? Pimenta?) mais especificamente a canela são exóticas e ariscas! O musgo-de-carvalho que é parte obrigatória de um perfume chypre é profundo. O vetiver torna a base do perfume menos pesada, parece que faz as demais notas ‘levantarem’…

E no final das contas, com quem Mitsouko, heroína resignada e indecisa ficou? Não sei, confesso que não li o livro. Quanto ao Mitsouko perfume, espero que ele fique comigo, que não me falte…

E se grandes sucessos musicais fossem perfumes?

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Olha só que projeto bacana! Grandes sucessos da música mundial foram transformados em perfumes!

David Redon (também conhecido como Ads Libitum) é um artista francês admirador da cultura pop e de cartazes publicitários antigos. Em sua série ‘Perfume’, ele tornou grandes álbuns e grandes sucessos musicais em anúncios de perfumes, com aquela estética retrô que nós amamos!

Dá uma olhada na galeria aqui neste link: http://www.fubiz.net/2016/05/31/famous-albums-revisited-as-vintage-perfumes-ads/

Reconheceu algum frasco nas propagandas idealizadas por Redon? Olha só aí em cima se não é a carinha do Arpège, da Lanvin? E o ‘Nirvana’, não é igualzinho ao Mitsouko e ao L’ Heure Bleue da Guerlain?

Detalhe: só eu achei um pouco mórbida a propaganda abaixo, de uma pessoa com esse tamanho de cabelo e em uma posição ‘desacordada’, justamente quando se atribui o perfume ao icônico e suicida Kurt Cobain?

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Orchid Soleil, Tom Ford

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Da série ‘amostras que amei ganhar mas também odiei porque o perfume é maravilhosíssimo e também caríssimo e eu agora to desejando ele loucamente...’ Quem nunca passou por isso não é mesmo, amiguinhos?

Orchid Soleil nasceu oficialmente em 2016 assinado por Sonia Constant. O líquido é alaranjado e o frasco cobre nos trás a impressão de algo quente mesmo! Radiante!

Que evolução linda ele tem! Logo ao passar na pele senti uma lufada de flores brancas inebriantes. Mas espera, antes delas triunfarem temos notas picantes e agrestes de pinheiro e pimenta rosa. Daquelas que fazem far um breve frêmito na ponta do nariz.

Aí chega a Rainha Tuberosa! Animalesca, plástica, narcótica, tão natural quanto possível! Junto dela tem um lírio cremoso e angelical (parecido com o do Murmure, da Van Cleef & Arpels). Engraçado como são antagônicos: a tuberosa profana e luxuriosa, o lírio aveludado e virginal. Que brincadeira é essa, Sr. Tom Ford?

E depois? Cobre tudo com chantilly de baunilha! Isso mesmo! Deixa ainda mais cremoso, texturizado e lambível (acabei de inventar. Traduz-se para ‘o que se pode lamber‘). Polvilha ainda uma nota achocolatada que não sei se veio do patchouli, da orquídea ou da castanha descritas nas notas olfativas oficiais.

Agora passa o resto do dia se cheirando… Tom Ford, Tom Ford, seu safadinho..

Belíssimo e sensualíssimo o Orchid Soleil. É como as Deusas Solares devem cheirar.

A propósito, seja bem vinda Primavera, bem vinda fértil Ostara!

Notas de saída: pimenta rosa, cipreste, laranja amarga.

Notas de coração: tuberosa, lírio vermelho.

Notas de fundo: baunilha, patchouli, castanha, chantilly, orquídea.

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Curtidas de Humor, Natura

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Não sei vocês, mas eu tenho guardadas comigo amoras imaginárias. Sim, amoras imaginárias! Um pé frondoso de frutinhas roxas, pretas e azuis, azedinhas no primeiro contato com a língua e doces e sumarentas ao serem mordidas. Todas elas são grandinhas e quanto mais próximas do negro mais doces!

Mas vamos voltar pra realidade e confirmar que atualmente tá difícil achar no meio do caminho um pé de amora carregadinho. E quando tem elas são raquíticas e azedas. Mazelas das grandes capitais…

Aí me chega o Curtidas de Humor e cheira exatamente do jeito que o meu pé de amoras imaginárias! Que alegria!

Até a cor do frasco se assemelha ao meu ideal-amora, azul e roxo!

Curtidas de Humor começa com as tais amoras imaginárias já citadas acima. Tem um lado brevemente picante vindo da pimenta rosa. Acompanhando as amoras tem alguns mirtilos e meia dúzia de framboesas só para acrescentar doçura.

Na sequência temos notas cremooooooosas! Heliotrópio, baunilha, orquídea e um quê de jasmim.

As notas de fundo são doces e exóticas. Tem praliné (que confesso, já está me cansando), patchouli, sândalo, tonka e aquela base amadeirada tão conhecida dos perfumes da Natura.

Mas na verdade, o que me importa no Curtidas de Humor são as amoras! Todas as outras notas estão ali para sustentá-las e permitir que elas façam o show. Tenho usado ele com frequência e aqui as amorinhas nunca decepcionam!

Notas de Saída: pimenta rosa, framboesa, mandarina, amora negra.

Notas de Coração: jasmim,heliotrópio, orquídea negra, frésia, acorde avelã.

Notas de Fundo: vanila, malton, cedro, praliné, sândalo, patchouli, coumarina, musk, madeiras ambaradas.

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Especially Escada Delicate Notes, Escada

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Sim, sim, eu sei: quando o perfume tem ‘delicate’ no nome quer dizer que ele é uma versão suavizada do original. As vezes acho até que é um flanker bobinho para quem não gosta de perfume…

O tal Especially Escada Delicate Notes (a partir de agora EEDN) é bem gostoso, mas não durou mais de 1 hora na minha pele.

É extremamente feminino, juvenil, vaporoso, muito bom para dias quentes e passeios ao ar livre.

Eu tô rodeando, rodeando e enfim vou falar: se ele não fosse tão efêmero, tão discreto e tão sem personalidade, seria um bom perfume para borrifar no vestidinho das daminhas de honra de um casamento diurno ao ar livre…

Começa com pera e rosa aquosas. Me fez pensar em uma garrafona daquelas águas aromatizadas que estão na moda sabe? Daquelas suqueiras com torneirinha e cara hipster? Dentro dessa tem rosas, fatias de lima da pérsia e peras.

Na sequencia surgem notas florais desmaiadas e descoradas. São flores ao longe… Senti mais rosas e peônias. Flores que estavam na geladeira para ficarem mais tempo viçosas e perderam a graça do perfume…

No fundo EEDN tem aquela dose de almíscar com pinta de sabão em pó e roupa recém lavada que muitas criações usam porque é seguro, agrada a gregos e troianos… agrada até a quem não gosta de perfume, olha só!

Eu não gastaria dinheiro com o EEDN. É bonitinho mas me entedia…

EEDN foi criado em 2012 por Jean-Michel Duriez. É um flanker do Especially Eacada.

Notas de saída: toranja, pera, rosa japonesa.

Notas de coração: rosa, ambrette, ylang ylang.

Notas de fundo: madeiras, almíscar.

Sobre as Ocasiões Especiais…

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Imagem: http://marjoleincaljouw.blogspot.com/2010/10/perfume.html

Faz um tempo que não faço resenhas para o Blog. Os dias estão demasiadamente corridos e outras coisas têm exigido minha atenção. Mas hoje acordei inspirada a usar um perfume inédito e iniciar a jornada de compreendê-lo, interpretá-lo e ver o como nosso ‘caso’ iria se desenvolver. Fui lá na caixinha de amostras e peguei um dos precisos: caro e difícil de achar no Brasil, o Interlude Woman da Amouage.

Borrifei o frasquinho contendo a pequena porção do perfume. Veredito: OXIDADO!

Sim sim, eu já sabia que frações de perfumes, amostras, decants têm validade muito menor do que os perfumes em seus frascos originais. O ato de transferir o líquido de um frasco para outro o deixa em contato com o ar, podem existir agentes contaminantes no frasquinho para onde ele foi transferido, entre outros fatores. O processo de deterioração é muito mais veloz.

 

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Eu não fiquei triste por ter perdido a oportunidade de conhecer esse perfume. Fiquei triste de perceber que justamente por ele ser caro e raro, eu o reservei para ‘o dia perfeito, a ocasião perfeita’. E quando esse dia supostamente chegou, o Interlude não estava mais ali para mim. Cansou de esperar.

Como um amante preterido, ele não estava mais ali quando eu finalmente resolvi que hoje seria o dia dele… Que bobagem a minha e a de vocês – que eu sei – também guardam poucas gotas em frasquinhos.

Perfume é um brincadeira com nossos sentidos. É efêmero. E a gente, besta que é, fica tentando aprisionar esse eflúvio. Fica esperando o dia perfeito que nunca chega ou quando chega se revela não tão perfeito assim tamanha a expectativa que  criamos sobre tal situação.

É uma festa? Uma celebração? Um show? Um encontro com uma pessoa especial? Quantas vezes deixamos as preciosas gotinhas guardadas para esses dias e quando eles aconteceram… nem foram tão memoráveis.

Quer saber? Usa seus perfumes preferidos à vontade! Gasta aquela amostra caríssima quando você quiser! Por que essas… esses sim são as ocasiões certas!

Perfume Bottles 2, 12x9, oil on panel

Imagem: http://www.leahhenry.com/portfolio-still-lifes.html

 

Cool Vibe!, Natura

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Estamos em agosto e o inverno tá brincando de existir aqui em SP. Digo isso pq tivemos, na realidade, poucos dias bem frios até agora. Essas últimas semanas que estão mais invernais… Então, logo chega a primavera. Se eu gosto? Não. Detesto o calor que vem junto com ela.

Mas esse ano terei boa companhia, o Cool Vibe!, lançamento da linha Faces da Natura. Se os lançamentos anteriores da linha, o Toxic! Pink e o Rebel Glam têm pegada doce e ‘ultrajovem’, o Cool Vibe! vem agradar quem gosta de fragrâncias frescas e com aquela proposta: serve pra qualquer ocasião, agrada a grande maioria.

Me lembrou bastante uma colônia infantil maravilhosa que minha mãe possuía no final dos anos 90, começo dos anos 2000: a Falbala. Não achei imagens da bendita, mas com isso aqui provo que um dia ela existiu. Senão me engano era a colônia de uma marca de roupas infantis.

Cool Vibe! é floral frutal e muito bem dosada. É daquelas colônias que fazem a gente cheirar o braço com força para ter a sensação revigorante e reconfortante ‘entrando’ por nosso corpo.

Começa com folhas verdes maceradas e aquele cheiro doce-aquoso da maçã e da pêra. Logo aparecem notas florais delicadas, limpinhas e energizadas. As notas de base são cremosas e confortáveis, com jeitão de amaciante. Cool Vibe!, para mim, faz pensar em perfumes infanto-juvenis. Eu pessoalmente adoro e não consigo pensar em melhor companhia para momentos de descontração no calorão dos próximos meses. Para dormir então deve ser delicioso!

Notas de saída: pêra d’água, maçã, acorde verde fresco, pimenta rosa, acorde cítrico e notas aquosas.

Notas de corpo: Rosa, jasmim, violeta e tagette.

Notas de fundo: Complexo de musk, cedro, âmbar radiante e acorde cremoso.

CK One Shock Street Edition For Her

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Eu sei, eu sei, faz mais de um mês que eu não escrevo nada aqui no blog. Mas tenho uma justificativa: tive 2 gripes, sinusite e conjuntivite. Tudo ao mesmo tempo. Meu nariz ficou inutilizado e fiquei três semanas sem sentir o cheiro de nada. Aí desanimei e não fiz posts…

Mas agora tô melhor (não 100%), ao menos consigo sentir os cheiros e sabores.

Nesse tempo, pude mexer naquela caixinha cheia de amostras que estavam esperando uma resenha! E chegou a vez do CK One Shock Street Edition For Her (a partir de agora vamos chamar de Street, tudo bem?

Tenho um amor enorme pelo CK One, então todos os seus flankers me trazem curiosidade. O Street foi lançado para o outono de 2012 e o grafite de sua embalagem é da artista Sharon Lee De La Cruz.

Street foi na contramão de tudo que eu pensei que ele seria! Como pode um CK One doce? Ele é daqueles perfumes que me trazem sensações sinestésicas: o cheiro dele é rosa neon! Ah, então ele é enjoativo? Não. Muito pelo contrário! Ele é um perfume doce que dá pra usar no calor. Contraditório né? Mas assim sempre foi o CK One, assim sempre foi a arte de rua, assim sempre foi a moda…

Não gosto de usar os termos ‘feminino e masculino’ para falar de cheiros. Cheiro não tem gênero, minha gente! Street é bem compartilhável. Começa cor-de-rosa, um doce efervescente e ao mesmo tempo aconchegante. Daqueles perfumes doces que abraçam sabe? Tem notas cítricas doces, tem mais e mais frutas, tem chocolate e caramelo. Tem tudo que o povo gosta!

Logo ele ganha uma aspecto sintético plastificado que me fez pensar que, em alguma de suas camadas, Street tem escondido um tiquinho de tuberosa ou gardênia.

E a partir daí Street entra em um terreno mais sóbrio. As notas de base são bem comuns e já vistas anteriormente, porém são ‘organizadas’ de forma atraente. São doces, cremosas e picantes. E outra vez trazem aquela sensação de aconchego e ‘calorzinho’, sabe?

Aí eu lembrei que o nome CK One já faz alusão a ser um perfume para todos, e que seu primogênito lá de 1994 tinha essa premissa. Menino ou menina, CK One não olha pra isso. Vamos seguir o exemplo e aplicar em mais áreas da nossa vida? Parar dessa coisa de coisas ‘de menina’ e ‘de menino’? É tão limitante!

Street é um perfume bem agradável. Se você gosta dos gourmands e encontrar ele por aí, experimente!

Notas de saída: bergamota, tangerina, ameixa.

Notas de coração: notas frutais, chocolate, caramelo.

Notas de fundo: patchouli, sândalo, âmbar, almíscar.

E para celebrar a linha CK One, deixo com vocês a performance do grande Pepeu Gomes no Rock in Rio de 1985!

4711 Original Eau de Cologne, Maurer & Wirtz

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Falar da conhecidíssma colônia 4711 é falar da história da perfumaria! Nasceu na cidade de Colônia, Alemanha, na rua Glockengasse, nº 4711, propriedade da família Mülhens.

E tem polêmica também. Quer saber do golpe sofrido pelo fundador da marca, o Wilhelm Mulhens, dá uma lida aqui. A questão é que em 1804 ele adquiriu os direitos da já renomada perfumaria Farina e passou a usar o nome a torto e a direita em suas criações. Tudo isso sem saber que o tal Farina que vendeu os direitos nem sequer era da família famosa. Era só um homônimo aproveitador mesmo.

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Demorou, mas em 1840 ele teve que parar de usar o nome do coleguinha famoso… Outras fontes dizem que só em 1881, o sobrinho Ferdinand Mülhens foi sentenciado a não usar o nome Farina na companhia.

Voltando…

A 4711 foi criada em 1792 pelo perfumista caraquetentousedarbemecaiunumgolpe Wilhelm Mülhens, em Colônia. O número 4711 surgiu quando, durante a ocupação francesa na cidade, um comandante francês ordenou uma nova numeração das casas. A casa de Mülhens recebeu o número 4711.

Passado muito tempo e muitas transações comerciais, em 2007 a 4711 passa a ser propriedade da Mäurer & Wirtz.

O 4711 é uma das colônias mais conhecidas do mundo, e mantém sua formula inalterada há mais de 200 anos! E espero que continue assim!

Aos eternos buscadores de ‘projeção e fixação’ no mundo dos perfumes, 4711 pode ser uma grande decepção. Aos que entendem que uma colônia é um prazer, um luxo volátil e revigorante, 4711 pode ser o paraíso.

É refrescante, vigorosa e todas as vezes que usei senti a real sensação de vivacidade, limpeza e frescor. Tem notas cítricas e herbáceas na saída, um delicado e sutil coração floral e a base é amadeirada e verde.

Muitos o comparam ao caríssimo Neroli Portofino do festejado Tom Ford.

4711 é refrescante, tônica e elegante. Um prazer íntimo, para si e para os que chegam bem perto.

Notas de saída: óleo de laranja, pêssego, manjericão, bergamota, limão siciliano.

Notas de coração: ciclamen, lírio, melão, jasmim, rosa búlgara.

Notas de fundo: almíscar, vetiver, patchouli, sândalo, musgo de carvalho, cedro.

 

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Fontes:

http://www.perfumart.com.br/resenhas/4711-original-eau-de-cologne

http://www.porquenaotravels.com/2013/09/colonia-e-a-guerra-dos-perfumes-casa-farina-ou-4711.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/4711

E não deixe de visitar o site do Museu do Perfume da Casa Farina, aquela que foi sacaneada por décadas…

http://farina.org/bem-vindo/