Exposição ‘Perfume de Princesa’

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Pois então, eu trabalho pertinho do Solar da Marquesa, e fui lá ver a exposição “Perfume de Princesa”. Na verdade, fui 2 vezes: na primeira o Beco do Pinto – onde está a  maior parte da instalação – estava fechado por causa da chuva, segundo o segurança do local a água pode danificar as ventoinhas que espalham os aromas. Desta vez então aproveitei para visitar a exposição permanente do Solar. Lá estão objetos particulares e outros da época em que viveu a Marquesa (Domitila de Castro, 1797 -1867).
Não tem preço ver aqueles objetos que fizeram parte da história de nosso país de pertinho. E no tal dia chuvoso só tinha eu no Solar, que dizem as línguas ser assombrado pelo próprio espírito da Marquesa. E eu torcendo pra ver a dama…
No ambiente que teoricamente seria o quarto da Marquesa, além de sua cama, cadeira sanitária e outros pertences, temos expostos objetos de toucador e dois perfumeiros de cristal e prata.
Mas o foco desse post não são os pertences da Bela Titilia. O foco é o “Perfume da Princesa”. Diz a lenda que no local já encontraram poças de perfume que apareceram e desapareceram sem deixar vestígio, funcionários afirmam ter visto e até mesmo conversado com Domitila. Diz-se ainda que ela ‘contava’ aos outros sobre seu estado de espírito através do perfume das flores que espalhava pela casa.  Seria assim que seu amante, D. Pedro I, sabia como que humor a iria encontrar…
Enfim, voltei ao Solar em um dia de sol escaldante, garantia que as ventoinhas não estavam ameaçadas.
Temos uma parte da instalação do artista Wagner Malta Tavares no Museu da Cidade de São Paulo, outra na sala da banheira, dentro do Solar, e a maior parte dela no Beco do Pinto (veja aqui:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/11/1365390-instalacao-exala-no-centro-de-sp-aromas-inspirados-na-marquesa-de-santos.shtml, e entenda o porque da exposição aqui: http://www.museudacidade.sp.gov.br/exposicoes-expo.php?id=113).
Bom, o vento que estava bem forte no Beco acabou atrapalhando um pouco, e os aromas acabam por se misturar. O que posso dizer é que logo na entrada somos invadidos por rosas vermelhas! Nas outras ventoinhas (que liberam aromas, e como residual, deixam no chão gotículas de algo que parece cera de vela) pude sentir aromas de íris, lírios, almíscar com sândalo, rosas brancas, angélica, patchouli (esse eu achei que tinha algo de doce, como se fosse marzipã, mas acredito que tenha sido o efeito da mistura de aromas e do sol…). O aroma que vem da sala da banheira é curioso: Tavares, o artista criador da obra chamou de ‘cheiro de orgia’. O que senti foi uma aroma amanteigado, ceroso, almiscarado, morno. Tem cheiro de pão-doce quente!
Não deixem de visitar, tanto a exposição quanto o Solar! Ambos são incríveis!
Mais uma coisa… lembram quando eu falei da leitura do livro de Alain Corbin, “Saberes e Odores – O olfato e o imaginário social nos séculos XVIII e XIX” (http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=10043)? É curioso observar o contraste: de uma lado, as flores da Marquesa, de outro os aromas humanos (até demais) e das sujidades produzidas dos moradores de rua instalados em barracas ali pertinho… Será que eles percebem o aroma das rosas?
Maiores informações sobre o Solar da Marquesa aqui: http://www.museudacidade.sp.gov.br/solardamarquesadesantos.php
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2 comentários sobre “Exposição ‘Perfume de Princesa’

  1. Interessantíssimo! Contudo, caso eu vá, comprarei uma Pampers. É melhor estar prevenida ao entrar no recinto onde está aquela banheira sendo sugada por um túnel obscuro.

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