Un Jardin en Méditerranée, Hermès

Um passeio em uma cidade mediterrânea, mas não necessariamente a beira-mar. Sabe onde? Na bucólica e bonita estradinha que leva até tal cidade, onde de certos pontos de tal estradinha se vê um pedaço do mar…
Um Jardin en Méditerranée integra a coleção de jardins da Hermès, foi criado em 2003 por Jean-Claude Ellena e foi inspirado no poéticos jardins da terra natal de Leïla Menchari (designer das vitrines da Hermès desde 1977), a Tunísia.
O perfume, de fato, te faz viajar para tal local exótico, fresco e úmido. É sensação de frescor e bem-estar é imediata, uma coisa linda! Só fechar os olhos e deixar sua imaginação trabalhar!
Logo na saída sinto cheiro de casca de figos, chá verde, algo de menta, notas cítricas levemente aquecidas, folhas de pinheiro esmagadas. As notas florais são delicadas, esverdeadas, logo ao amanhecer.
Depois de algumas horas adquire uma consistência adocicada, cremosa porém ainda verde e fresca! Mais tarde li que tinha notas de pistache ao fundo, deve ser isso! E depois que fiquei sabendo de tal nota cismei que tem algo de sorvete de pistache no fundo dele… Tem ainda uma nota amadeirada discreta: como se fossem pequenos galhos ainda verdes recém cortados.
Notas de saída: mandarina, limão, bergamota.
Notas de coração: neroli, oleandro (também conhecido como loendro, loandro, aloendro, loandro-da-índia, alandro, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha ou flor-de-são-josé, é uma planta ornamental extremamente tóxica).
Notas de fundo: cipreste, folhas de figo, almíscar, cedro-vermelho (ou junípero-vermelho, cedro-de-lápis).
Olha só: o cedro-vermelho (que botanicamente falando não é um cedro) é usado nos Estados Unidos na fabricação de lápis! Achei então o cheiro de tais galhos de madeira que eu citei antes: lembram do cheiro dos seus velhos lápis Faber-Castell exalavam quando apontados? Exatamente esse cheiro!
Un Jardin en Méditerranée é uma deliciosa viagem olfativa! Te agradeço, Adriana Meire pelo convite…

Exposição ‘Perfume de Princesa’

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Pois então, eu trabalho pertinho do Solar da Marquesa, e fui lá ver a exposição “Perfume de Princesa”. Na verdade, fui 2 vezes: na primeira o Beco do Pinto – onde está a  maior parte da instalação – estava fechado por causa da chuva, segundo o segurança do local a água pode danificar as ventoinhas que espalham os aromas. Desta vez então aproveitei para visitar a exposição permanente do Solar. Lá estão objetos particulares e outros da época em que viveu a Marquesa (Domitila de Castro, 1797 -1867).
Não tem preço ver aqueles objetos que fizeram parte da história de nosso país de pertinho. E no tal dia chuvoso só tinha eu no Solar, que dizem as línguas ser assombrado pelo próprio espírito da Marquesa. E eu torcendo pra ver a dama…
No ambiente que teoricamente seria o quarto da Marquesa, além de sua cama, cadeira sanitária e outros pertences, temos expostos objetos de toucador e dois perfumeiros de cristal e prata.
Mas o foco desse post não são os pertences da Bela Titilia. O foco é o “Perfume da Princesa”. Diz a lenda que no local já encontraram poças de perfume que apareceram e desapareceram sem deixar vestígio, funcionários afirmam ter visto e até mesmo conversado com Domitila. Diz-se ainda que ela ‘contava’ aos outros sobre seu estado de espírito através do perfume das flores que espalhava pela casa.  Seria assim que seu amante, D. Pedro I, sabia como que humor a iria encontrar…
Enfim, voltei ao Solar em um dia de sol escaldante, garantia que as ventoinhas não estavam ameaçadas.
Temos uma parte da instalação do artista Wagner Malta Tavares no Museu da Cidade de São Paulo, outra na sala da banheira, dentro do Solar, e a maior parte dela no Beco do Pinto (veja aqui:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/11/1365390-instalacao-exala-no-centro-de-sp-aromas-inspirados-na-marquesa-de-santos.shtml, e entenda o porque da exposição aqui: http://www.museudacidade.sp.gov.br/exposicoes-expo.php?id=113).
Bom, o vento que estava bem forte no Beco acabou atrapalhando um pouco, e os aromas acabam por se misturar. O que posso dizer é que logo na entrada somos invadidos por rosas vermelhas! Nas outras ventoinhas (que liberam aromas, e como residual, deixam no chão gotículas de algo que parece cera de vela) pude sentir aromas de íris, lírios, almíscar com sândalo, rosas brancas, angélica, patchouli (esse eu achei que tinha algo de doce, como se fosse marzipã, mas acredito que tenha sido o efeito da mistura de aromas e do sol…). O aroma que vem da sala da banheira é curioso: Tavares, o artista criador da obra chamou de ‘cheiro de orgia’. O que senti foi uma aroma amanteigado, ceroso, almiscarado, morno. Tem cheiro de pão-doce quente!
Não deixem de visitar, tanto a exposição quanto o Solar! Ambos são incríveis!
Mais uma coisa… lembram quando eu falei da leitura do livro de Alain Corbin, “Saberes e Odores – O olfato e o imaginário social nos séculos XVIII e XIX” (http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=10043)? É curioso observar o contraste: de uma lado, as flores da Marquesa, de outro os aromas humanos (até demais) e das sujidades produzidas dos moradores de rua instalados em barracas ali pertinho… Será que eles percebem o aroma das rosas?
Maiores informações sobre o Solar da Marquesa aqui: http://www.museudacidade.sp.gov.br/solardamarquesadesantos.php

Parfum D’Ete, Kenzo

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Fresco, verde, limpo, arejado! Parfum D’Ete, para os dias quentes, é a perfeição! Hoje é um desses dias, amanheceu nublado, abafado e quente, um verdadeiro forno! Aliás, acho que esse verão será infernal, mas ok, não estamos aqui para falar do clima…
Mesmo assim registro minha queixa: odeio calor!
Voltando ao Parfum D’Ete. Faz tempo, tive uma miniatura dele. Folhinha pequena, delicada. Usei até o final, e depois acabei ganhando um frasco de 50ml da amiga de uma amiga que recebeu o perfume do namorado e detestou… bom pra mim!
O perfume foi lançado em, 1992 e seu frasco era outro: tinha tampa, textura, era mais redondo. Foi relançado em 2002 com novo frasco: longilíneo, liso, daqueles que você demora para descobrir que fica ‘de pé’, e mesmo assim, morre de medo dele tombar e se arrebentar todo… Foi criado por Antonie Lie.
Ele é um perfume com cor: tem cheiro de verde! Cheiro de folha, cheiro de planta inteira. Tudo está ali: folhas, caule, florzinhas brancas, a água da rega.
Tem cheiro de folha esmagada, folha cortada, folha inteira. Tem cheiro de flores brancas ainda não desabrochadas, são flores brancas sem evidência na porção doce e narcótica. São virginais. Tem cheiro de caule verde, de talinho de mato. Tem cheiro de água limpa e fresca, mas sem parecer marítimo ou ozônico. É água limpa e refrescante, daquelas que não tem cheiro, mas acentuam o odor da planta regada, entende?
No fundo, tem breves notas de madeira de facetas adocicadas e verdes. Eu acho que na verdade o final dele cheira a lustra-móveis.
Notas de saída: lírio-do-vale, notas verdes.
Notas de coração: peônia, jasmim, jacinto.
Notas de fundo: sândalo, almíscar branco.
Apesar desta frescura toda, Parfum D’Ete não é um perfume fácil! Ele é de grande delicadeza, mas de personalidade forte. Muitas pessoas não gostam dele, já ouvi que ele ‘cheira a produto de limpeza’, que é enjoativo. Eu gosto deste jogo: é casto, limpo, puro, mas promete que vai desabrochar a qualquer momento. As flores vão entreabrindo de leve e o jasmim deixa um suave rastro orgânico e viciante, e para por aí. Virginal, mas não assexuado, é a promessa do que acontecerá depois…
Para mim, Parfum D’Ete cheira a elfo. Isso, elfo, daqueles do Senhor dos Anéis. Me diz aí, quem conhece o perfume e os livros/filmes, se Galadriel não tem tal aroma!
E para mim também é perfume de noiva…
     

Patchouli Magique, Nouvelle Etoile Brocard

Bom, já falei anteriormente sobre o patchouli e sobre a marca Novaya Zarya, que agora se chama Nouvelle Etoile. Comprei o Patchouli Magique depois de ler que ele se pareceria com o exótico e difícil de encontrar Borneo 1834, de Serge Lutens.
Se parece, não vou poder dizer, pois não possuo ou conheço o tal Borneo. Mas fiz uma boa compra, isso posso garantir!
Tenho minha queda pelos anos 60/70, pelo movimento Flower Power, amo rock progressivo e a estética de tal época… E gosto muito do aroma terroso, doce, picante e místico do patchouli.
O tal perfume russo de parcos 16ml é puro patchouli, temperado com fumaça de incenso, sândalo e algumas notas frutais bem no início. Abre com a terra-doce-sujinha do patchouli misturado com notas cítricas abafadas que duram segundos. Desdobra-se em facetas do patchouli: ora esfumaçado e ritualísitco, ora adoçado e absolutamente ‘casa de artigos indianos’ por causa do sândalo, ora mais ‘pesado’ e quase animálico por causa do almíscar e da baunilha.
É um perfume pesado, denso. O engraçado é que o patchouli aqui tem um aroma carnal – humano – eu diria. Cheiro de pele, de leve camada de suor fresco e gordura. Não tem cheiro de ‘hippie que não toma banho e disfarça com óleozinho de patchouli da farmácia’, tem cheiro de gente que esfregou folhas e caules de patchouli no braço. Dá pra entender?
O fundo do perfume é abaunilhado, atalcado, abafado, poeirento, tem algo de Boudoir, de ultra-feminino-sensual-vintage…
Tem que gostar de aromas intensos, profundos, duradouros, do contrário, nem chegue perto do Patchouli Magique. Ele não é um perfume fácil, mas é uma boa (e barata) surpresa…