CH L’Eau, Carolina Herrera – cortesia da Perfumaria Aromatta

 

 

 

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Recebi da perfumaria Aromatta uma série de amostras para resenhar aqui no blog! Diante da gentileza, falarei dos perfumes que recebi e que me agradaram. Meninos, aguardem, têm masculinos pra vocês!

Fiquei meio receosa frente ao CH L’Eau, pois não tenho lá relação muito boa com os perfumes da Sra. Carolina. Mas ele é diferente viu? Em todas as fases ele tem nuances azedinhas e picantes, daquelas que fazem uma coceirinha gostosa e borbulhante na ponta do nariz. Consequência, você fica cheirando ele o tempo todo por causa da sensação!

Na verdade, achei que ele mistura as partes boas do 212 Sexy e do Mademoiselle Ricci, de Nina Ricci…

É um perfume primaveril, jovem, abre com exuberância cítrica, mostra flores empoadas e quase adultas, daquelas meninas-moças, sabe? Mas é nas notas de fundo que mora a graça do CH L’Eau! Picantes, amadeiradas, azedinhas!

Tem cheiro de limonada suíça! E (viva a sinestesia!) tem cheiro do gosto e da textura do jambo…

Notas de saída: flor-de-limão, laranja, frésia, laranja-amarga, bergamota.

Notas de coração: jasmim, rosa, lírio-do-vale, violeta.

Notas de fundo: sândalo, canela, heliotrópio, oleandro, madeira de macieira.

Você encontra o CH L’Eau aqui: http://aromatta.com/site/ch-l-eau-feminino-eau-fraiche-parfumee-carolina-herrera.html?utm_source=aloucadosperfumes&utm_medium=blog&utm_campaign=aloucadosperfumes

Índice

Aviso: A Aromatta mandou as amostras, e eu resenho as que achei interessantes – não as determinadas pela loja. O blog ganha comissão pelas compras feitas no site através do link aqui divulgado.

Seu Madruga e a ‘Loção Francesa’!

Conversando com amigos no final de semana, lembramos, no meio de uma outra conversa, do episódio do Chaves onde o Seu Madruga mostra-se encantado por uma ‘Loção Francesa’ que ganhou de presente da Dona Clotilde, a Bruxa do 71.
Seu Madruga… que já foi professor, lutador de boxe, toureiro, vendedor de churros, vendedor de balões, barbeiro, sapateiro e homem do saco, quem diria! Encantado por um perfume! Bem vindo ao nosso mundo, Seu Madruga!

 

 

 

 

 

 

Jour d’Hermès, Hermès

 

Uma leitora perguntou se eu já tinha falado do Jour d’Hermès, e me perguntei: por que não falei dele ainda? Se contei, toda empolgada, sobre o lançamento do livro ‘Diário de um Perfumista’, do Jean-Claude Ellena e lá ganhei uma miniatura do perfume, filho de Jean-Claude nascido no início de 2012, por que deixei o menino largado em um canto do armário?

Sei não… mas enfim, lá fui eu usar por alguns dias o Jour para poder falar dele. Ele não me arrebatou. Mas também não desagradou. É um bom perfume: tem um contraste instigante entre a higiene (acho que essa é a sensação da mistura das notas cítricas e aquáticas da saída) e o pudor que a vida em sociedade nos pede e o ‘quê’ orgânico das flores brancas e da gardênia.

Jour ‘brinca’ na pele. Ora são vagens, bagas, folhas, flores ainda em botão; outra são flores e frutas plenas, tonalidades adocicadas.

Sinto nele cheiro de pêra d’água madurinha, daquelas que a gente morde e o sumo escorre desavergonhado pelo braço ou queixo. Sabe a ervilha-de-cheiro ao mesmo tempo exótica e familiar do Si Lolita? Está lá no Jour também.

Ele é perfume para dias de sol e chuva casamento de viúva. É. Algo ao mesmo tempo quente, úmido, leves brisas. É morninho, é perfume ‘de dobrinha’ de pele e talvez agora eu entenda a sensualidade dele. Tem que chegar perto, buscar nos lugares menos expostos… Mas é devagar e com carinho viu? Jour não é dado a explosões de libido…

Notas de saída: grapefruit, limão, notas aquáticas.

Notas de coração: gardênia, flores brancas, notas verdes, ervilha-de-cheiro.

Notas de fundo: almíscar, notas amadeiradas.

 

 

 

A Lenda da Priprioca (Cyperus articulatus L.)

A priprioca ou piripirioca (Cyperus articulatus L.), é uma espécie ciperácea, aromática e medicinal que natural na Amazônia. Da mesma família do junco e do papiro, suas raízes exalam uma fragrância incomum, leve, amadeirada e picante. É um dos perfumes mais tradicionais da região amazônica e, atualmente, seu óleo essencial é bastante valorizado na indústria farmacêutica e cosmética.

Mas hoje daremos destaque ao rico e esquecido folclore brasileiro, falaremos da lenda que explica e justifica a existência de tão aromática planta! Vamos lá?

A lenda conta que na tribo dos Manaus existia um ser misterioso chamado Piripiri, um guerreiro que era meio material e meio espiritual, que exalava um perfume intenso e inebriante por onde passava. O perfume era tão mágico que atraía a atenção de todas as donzelas da aldeia. As índias, enfeitiçadas pelo aroma, tentavam a todo custo prender o ser misterioso, mas nunca conseguiam, pois Piripiri, ao ser capturado, sempre se transformava em vapor perfumado e escapava.
 
Vendo que não conseguiam aprisioná-lo, algumas moças da aldeia recorreram ao pajé Supi, que lhes aconselhou utilizar amarrar os pés de Piripiri com fios de cabelo. 
 
Na mesma noite, as jovens aguardaram até Piripiri dormir. Quando ele adormeceu, as índias o amarraram com os fios de cabelo e adormeceram ao seu lado. Enquanto as índias dormiam Piripiri se transformou novamente em fumaça e desapareceu para nunca mais voltar. Quando o dia amanheceu as moças encontraram apenas uma raiz perfumada no lugar onde Piripiri estava amarrado.
 
Desesperadas, as jovens foram até o pajé Supi para tentar entender o que havia ocorrido. Supi lhes explicou que Piripiri havia se transformado na constelação de Arapari (Três Marias) e que tinha lhes deixado a raiz aromática como presente. O sábio pajé Supi também ensinou as moças a utilizar o perfume daquela raiz mágica para enfeitiçar o coração dos homens.
 
A partir daí, a planta recebeu o nome de “piripiri-oca”, que significa “morada de Piripiri”. A raiz é usada até hoje para perfumar e trazer poder de sedução e sorte.”
 
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Teint de Neige, Lorenzo Villoresi

 

 

 

 

Lembram do Encontro Perfumado da APP? Tenho ainda muitas preciosidades advindas desta reunião para vocês…

Outro dia falei sobre o Iris L’Erbolário, e hoje falarei do seu primo rico, o Teint de Neige, amostra que me foi gentilmente e generosamente cedida pela amiga Andréa.

As rosas aqui reinam absolutas, tem ar de íris e outras flores coadjuvantes, todas damas de companhia da Rainha das Flores.

Começa com rosas atalcadas, empoadas. De todos os estilos: juvenis, maternais, ultra-femininas e delicadas, seguras de si e sensuais, matronas! Jasmim domado e ylang-ylang exótico são acompanhantes a altura, mas sabem que não devem ter comportamento de estrela perante as Rainhas.

E são mais e mais rosas-regentes, agora acompanhadas de mais flores inominadas e servis – de cores pálidas e aromas delicados – e da doce e exuberante fava-tonka, que não sabe direito como se portar e rouba a atenção para si por algum tempo. 

Ainda mais tarde, em tal desfile desta corte, surge o quente heliotrópio, o macio almíscar e mais e mais rosas e jasmins! Notas açucaradas (pra mim, a leveza do aroma e dulçor do açúcar de confeiteiro) discretamente polvilhadas (mas nada culinárias ou gourmands) encerram os cortejo com e devida elegância e beleza!

O perfume foi lançado em 2000, o nariz responsável é o próprio Lorenzo Villoresi.

Notas de saída: rosa, jasmim, ylang-ylang, notas atalcadas.

Notas de coração: fava-tonka, rosa, jasmim, notas florais.

Notas de fundo: heliotrópio, almíscar, rosa, jasmim, açúcar.

E hoje eu mereço, porque é meu aniversário!

(imagem retirada daqui: http://sitedepoesias.com/poesias/49030)

 

Marina de Bourbon, Princesse Marina de Bourbon

 
Então, eu gosto da marca Princesse Marina de Boubon. Geralmente os perfumes têm preços bons e qualidade!
O Marina ali de cima já é antigo, foi lançado em 1994 e leva o nome da marca. 
O frasco é bonito, e muitos outros saíram do mesmo molde (Rouge Royal, Bleu Royal, Mon Bouquet, Nuit des Bourbon…). Vamos fazer uma brincadeira? O que o frasco dele te lembra? Eu já pensei em um barco, em uma parte de um diadema, em algo estrelar…
Mas deixemos o frasco de lado e vamos ao perfume! Floral frutal bem feminino, marcante, de excelente fixação! Tem um pezinho lá nos exuberantes perfumes dos anos 80, então é bom moderar nas borrifadas.
Logo ao borrifar, sinto um cheiro bem intenso de qualquer coisa sintética de uva verde. A exemplo: suco de pó de uva verde. Bala de uva verde, seguida de licor doce de cassis! Depois vem o aroma do maracujá que rompe com a doçura, e algumas flores de cheiro intenso e exótico. Para falar a verdade, Marina de Bourbon é quase um perfume só frutal, a maioria de suas notas são frutas: exóticas, tropicais, vermelhas, cítricas, suculentas. Tudo bem maduro, no ponto certo de ser degustado!
Tem base abaunilhada e com um quê de mel e mesmo tendo essa baciada de coisas comestíveis, não chega na fronteira do gourmant. Interessante né? Flerta, mas depois despista.
Acho sim que ele tem muitos aromas sintéticos, mas é justamente isso que o torna brilhante, divertido, descontraído. Nesse ponto me lembra o Insolence, não no aroma, mas na questão lúdica.
 
Notas de saída: cassis, limão, melancia.
Notas de coração: maracujá, jasmim, ylang-ylang.
Notas de fundo: baunilha, framboesa, pêssego, frutas exóticas.
 
Não sei de onde tirei a uva verde e o mel…
 
Receita simples: coloque em uma taça bonita as frutas picadas, regue com mistura de suco de maracujá misturado a algumas colheres de licor de cassis. Decore com um flor exótica. Está pronto para servir.
 
 
 
 

Elie Saab Le Parfum, Elie Saab

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Uma leitora do blog pediu que eu falasse do Elie Saab Le Parfum. Por acaso eu tenho uma fração dele, então vamos lá!

Foi lançado em 2011 e criado pelo cultuado nariz Francis Kurkdjian e é de fato um perfume bom, muito bom!

Ultra-feminino como sugere a campanha publicitária, é daqueles que com certeza não te deixará passar despercebida. Inicia com intensa nota de flor-de-laranjeira, e nada de florzinha limpinha, campestre, mediterrânea! Ela vem ousada, com um leve toque animálico (acho que esse proveniente do jasmim), cor vibrante! Como se estivesse anunciada em letreiro de neon, para chamar a atenção mesmo!

O jasmim logo dá as mãos pra flor-de-laranjeira e juntos eles rodopiam, criam ao redor de si algo esfumaçado, inebriante, incensado e profundo. E dura essa dança viu? Horas! Quando se cansam, deixam aparecer as notas de fundo: rosas discretas, o tom picante e doce do patchouli em perfeita sintonia com o ‘verde lenhoso’ do cedro. E tem o mel… que deixa a composição voluptuosa, sensual.

Na minha pele senti muito do tal ‘esfumaçado, incensado’, embora tais notas não constem na composição do perfume. Não sei explicar bem, é como se as flores brancas do começo virassem pó e fossem lançadas sobre chamas… Fumaça de jasmim e neróli, como pode? As rosas do fundo são discretas, mas emprestam uma feminilidade mais terna, menos exibida, vamos colocar assim. O patchouli… achei um patchouli-meio-vetiver, dá pra entender? O mel é ‘queimadinho’, doce com um leve toque amargo.

Mas eu juraria de pé junto que tem incenso nele…

Notas de saída: flor-de-laranjeira.

Nota de coração: jasmim (Sambac e Grandiflorum).

Notas de fundo: rosa, cedro, patchouli, mel.

Uma deliciosa surpresa, o Le Parfum Elie Saab!

 

Aouda, Comptoir Sud Pacifique

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A marca Comptoir Sud Pacifique apresentou em 2009 a coleção ‘Voyages to the Orient’. Aqui temos como estrela o Oud! Curiosidade: aprendemos na palestra da Julia que no Oriente, quanto mais Oud um perfume tem em sua formulação, mais poderosa, rica e bem posicionada socialmente é a pessoa que usa-o. 
Concluo então que o Aouda é o perfume do Saladino. Aquele, todo trabalhado no óleo e no ôro do filme Cruzada, lembram?

 

 
Segundo a marca, o perfume é unissex, mas cá entre nós, eu achei ele bem masculino. BEM masculino. As flores aparecem intensas e levemente metálicas na saída. 
E aí vem uma avalanche de notas amadeiradas e resinosas impiedosa! (nada de resina melíflua, mas resina seca, esfarelenta, com toque amargo). De repente madeiras exóticas e quase narcóticas invadem, te transportam para longe… algum lugar quente e seco, onde o sol inclemente castiga os troncos, folhas e cascas das árvores e fazem com que elas liberem a força o aroma precioso de seus cernes…
A fixação é muito boa e o aroma do Oud precioso (e caro) é o grande destaque do perfume. 
Depois de 2 horas, aproximadamente, o Oud e as demais madeiras e resinas se tornam um pouco mais mansas, ficam levemente adocicadas, picantes e deixam pra lá a virildade agressiva com a qual se apresentaram no começo. Continuam sim masculinas e contundentes, mas são um pouco mais ternas e tem lá suas ‘brechas’ de delicadeza e conforto… e convenhamos: até o grande Saladino tem que descansar né?
 
Notas de saída: rosas, gerânio, camomila.
Notas de coração: cedro, torchwood (Amyris elemifera), murta, bálsamo copahu (copaíba).
Notas de fundo: bálsamo tolu, patchouli, agarwood (oud).
 
Aouda é um das melhores fragrâncias ocidentais de Oud que já senti! Precioso!
 

Sobre o resfriado e um sabonete…

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Pois é gente, estou resfriada. Não para cheiro ou sabor. E sim para coriza, dor no corpo e tosse chatinha…

Mas mesmo assim passo brevemente para falar que outro dia, numas voltinhas descompromissadas na hora do almoço pelas perfumarias aqui do Centro de SP (nada de perfume, mas de cosméticos e produtos de higiene em geral), achei esse sabonete novo da Lux: o Toque de Baunilha. Tem líquido e em barra, e o aroma dele lembra a baunilha do Eau des Missions, da Les Couvent des Minimes. É super em conta, cheira bem, deixa a pele macia. E pra quem não é fã de baunilha tem outros aromas, mas não comprei nenhum deles, então nada tenho a dizer…

Só pra esclarecer, isso não é publicidade, a Gessy Lever e o ‘Sabonete das Estrelas’ nem sabem que eu existo. Eu que comprei.

Baunilheiras de plantão, vão fundo!

*imagem retirada desse link: http://www.gosteieagora.com/2014/03/18/lux-toque-de-baunilha-sabonete-liquido-e-em-barra/

 

 

 

Perfumaria Árabe, palestra com Julia de Biase

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Na quarta, dia 19/03, aconteceu no Espaço BibliAspa a palestra “Fragrâncias do Oriente Médio: História e Cultura da Perfumaria Árabe”, como parte do calendário de eventos da 5ª edição do Festival Sul-Americano de Cultura Árabe (veja mais sobre os eventos e programação completa aqui). A palestrante foi a simpática e linda Julia de Biase que trouxe para as terras tupiniquins a marca  Asgharali, que iniciou no ramo da perfumaria 1924.

Bom, saí eu correndo do trabalho (as 19:00 para chegar lá as 19:30), peguei metrô lotado, subi a Rua Alburquerque Lins como se não houvesse amanhã. Estava a metros de distância da BibliAspa e já comecei a ser conduzida por um aroma quase hipnótico, denso, rico, quase palpável: bakhoor

Fui muito bem recebida, a BibliAspa é um espaço incrível, recomendo a visita! Engraçado, ao chegar comentei que estava ali pela palestra e que fui praticamente ‘levada’ ao lugar pelo perfume que se alastrava pelas imediações. Me responderam que essa era a intenção…

Além de tudo encontrei a amiga moderadora dos grupos da APP (Apaixonados por Perfumes), a Elaine! Que prazer assistir a uma palestra tão interessante ao lado de uma pessoa tão querida! A noite prometia, de fato!

Logo a palestra iniciou, com a Julia contando sobre sua ‘imersão’ no mundo dos perfumes do Oriente Médio: em 2008 fez uma viagem a tais países e lá foi praticamente ‘abduzida’ (palavras dela!) por aqueles aromas tão presentes, tão ricos, tão especiais! Diferente da perfumaria ocidental, onde tudo é produzido em larga escala de forma a atender multidões, a perfumaria árabe é artesanal, carrega significados especiais para cada pessoa e é preciosa: da embalagem aos ingredientes!

A palestra nos fez viajar pela história da perfumaria: nos levou até o Egito dos faraós, do kyphi, onde os aromas eram sinônimos de riqueza e nobreza e elo de ligação do homem com as Divindades. Estavam presentes no cotidiano dos faraós e de pessoas de classe social elevada. Os bálsamos, unguentos, incensos e demais produtos aromáticos estavam nas paredes dos templos, e eram ofertados aos Deuses. Aliás, o Egito deixou sua influência e tradições sobre a produção de perfumes, cosméticos e remédios para todo o Oriente!

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Vimos que a mais famosa das rainhas – Cleópatra – fazia dos aromas sua arma de sedução – e fazia bem feito – afinal, Marco Antônio e Júlio César não eram pra qualquer uma! Dois dos homens mais poderosos do mundo! Os faraós, a nobreza e outras pessoas importantes na sociedade egípcia, após a morte, eram mumificadas com os mais finos óleos e bálsamos aromáticos e levavam para sua viagem jarros, frascos cheios de substâncias aromáticas para que os Deuses reconhecessem suas almas através de seu aroma… Dizem que quando descobrirem o mausoléu de Tutankamon, um jarro foi aberto (após ter ficado lacrado por aproximadamente 3.300 anos) e dele exalou um intenso aroma de perfume!

Os egípcios utilizavam especiarias, flores, plantas, óleos e gordura animal na produção de seus bálsamos perfumados. Era costume das mulheres da nobreza usar no topo da cabeça cones de gordura impregnados de substâncias aromáticas que, com o calor do corpo e do ambiente, iam derretendo, perfumando e hidratando os cabelos…

 

Do Egito fomos para a Índia, onde até hoje a perfumaria é artesanal e também está relacionada ao culto religioso. Muitas estátuas de divindades hindus são untadas com óleos preciosos e aromáticos. A Índia tem a maior variedade de jasmins e ele é muito utilizado na decoração de seus altares e as mulheres costumam usar suas flores nos cabelos. Lá a utilização do incenso sempre foi muito forte e também fazia o elo de ligação entre o homem e seus Deuses.

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Só por curiosidade: no ritual do maithuna,que é o ato sexual ritualizado parte do Yoga Tântrico ou outras práticas Tântricas, recomenda-se o uso do mais puro óleo de jasmim nas mãos, óleo de patchouli no pescoço e faces, âmbar ou almíscar sintéticos nos seios e nos órgãos sexuais; extrato de valeriana no cabelo, óleo de sândalo nas coxas e perfume de açafrão nos pés da Shakti (mulher). No Shiva (homem) aplica-se sândalo na testa, pescoço, barriga, peito, genitais, braços, pernas e pés..

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Segue link sobre a produção atual de perfumes na Índia, infelizmente ameaçada pela ‘industrialização’ do processo.

Demos um pulinho na China e Japão, e vimos que a maior contribuição chinesa para o mundo da perfumaria foi a invenção da porcelana, que era utilizada para armazenar fragrâncias. Muitos materiais já foram usados para o armazenamento de substâncias aromáticas, entre elas o alabastro, madeira, ossos, cerâmica. Mas  não podemos negar que, sem dúvidas, o material que revolucionou o modo de armazenamento de tais produtos foi o vidro, descoberta atribuída aos fenícios.

Fomos para Roma e descobrimos o amor dos romanos pelos perfumes e aromas! Em suas festas e banquetes os convidados lavavam as mãos em água de rosas, as mesas eram enfeitadas com guirlandas e pétalas de flores. Era última moda por lá perfumar os cavalos e as solas das sandálias, para deixar aquele delicioso rastro… Pompéia, esposa de Nero ao falecer, não teve o corpo cremado, mas estufado com ervas aromáticas, embalsamado e colocado no Mausoléu de Augusto. Nero concedeu a esposa honrarias divinas, e acredita-se que teria queimado o equivalente à produção de dez anos de incenso da Arábia.

Como deixar de falar dos banhos romanos seus rituais de beleza e uso dos ‘poderes’ dos aromas?

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Visitamos brevemente os povos semitas (seus principais representantes eram os árabes e os hebreus), que também valorizavam substâncias aromáticas e também faziam ligação das mesmas com seus ritos religiosos. Na Bíblia temos a passagem sobre os presentes dados os Menino Jesus, a mirra e o incenso, tão valoroso quanto o ouro. Em outro momento, quando já adulto, Jesus tem os cabelos untados com o mais raro (e caro) óleo de nardo, e em outra passagem tem seus pés lavados com essências por Maria Madalena. O Cântico dos Cânticos, o que dizer? Um ode aos aromas!

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Chegamos enfim nos países Árabes! Segundo Julia, em cada comércio, hotel, residência, existem incensários que exalam os mais variados aromas e que inebriam, intoxicam, deleitam! Os árabes, aliás, através do comércio que realizavam com outras regiões com suas caravanas, ajudaram a difundir do Egito para outros países a cultura da perfumaria. Traziam também matérias primas preciosas!

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E os perfumes? Puros extratos vendidos a granel em frasquinhos de acordo com o ‘gosto do freguês’! Nesses países tudo é perfumado, até mesmo os alimentos. Um exemplo? Os árabes fizeram da água de rosas, produto resultante da destilação aprimorada pelo médico, alquimista (e gênio) Avicena ingrediente de diversas preparações culinárias! Alguns homens que enfrentam problemas com sua virilidade costumam ingerir óleo de rosas (o chamado attar) junto com seus alimentos, pois segundo a medicina árabe tal óleo vai devolver ‘a força’ perdida… E agora somente me lembro do que foi dito antes, dos imperadores chineses que faziam suas concubinas ingerirem pedaços de almíscar para que, durante o ato sexual, o suor das mesmas cheirasse a tal substância… Bom, não sei vocês, mas eu comia fácil… naquela época, pois hoje produtos de origem animal são praticamente abolidos da perfumaria.

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Outras curiosidades: nas construção das mesquitas eram utilizados ‘bolotas’ de almíscar entre as estruturas das paredes, para que exalassem aroma quando o sol aquecesse o templo.

Minha nossa, foi tanta coisa…  tanta informação, tanta história! Já começa a me falhar a memória! Ao terminar a palestra, Julia abriu espaço para discussão e nos falou a respeito do mito do ‘fixador’ dos perfumes. Isso não existe. Viu, gente, NÃO existe. O que vai determinar o poder de fixação do perfumes são os ‘ingredientes’, as notas utilizadas em sua base, se mais ou menos persistentes.

Falou ainda sobre a infante perfumaria brasileira, que ainda não sabe ao certo como utilizar suas matérias primas, não criou ainda uma ‘identidade’. Plenamente de acordo, Julia…

Desmitificou o uso de colônias em locais de clima quente, afinal, mais quente que o Saara vai ser difícil… e lá os perfumes são intensos e persistentes. Inclusive, falou que o perfume nos países árabes é uma das poucas formas que as mulheres, vestidas da cabeça aos pés, têm de chamar a atenção para si! É o perfume e o olhar… E quer combinação mais instigante?

E pensa que acabou? Nada… A palestra ainda contava com uma IMENSA e MAGNÍFICA exposição (e mais: experimentação) de perfumes do Oriente. Frascos, incensários, bahkoor, perfumes sólidos, extratos, perfumes com base de óleos e não de álcool (aliás, hábito esse da perfumaria ocidental). Tirei fotos que seguem abaixo, mas não fazem jus ao que vi. Quanta beleza, quanto capricho e luxo! Cada frasco é uma jóia! E os aromas… me senti uma criança descobrindo novos sabores, odores, texturas. Esqueci tudo o que conheço sobre rosas, vetiver, patchouli, olíbano. São inebriantes, diferenciados, êxtase olfativo! cada vidrinho-jóia escondia um mundo, um mistério, uma sensação!

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Não saberia descrevê-los como faço com perfumes ocidentais. Identifiquei notas? Sim, algumas. Mas é tudo tão diferente, tudo tão particular que me fizeram viajar para longe…

Além de tudo isso, amigos, ganhamos uma generosa e deliciosa amostra dos perfumes Asgharali.

Agradeço demais a oportunidade, o verdadeiro presente que recebemos da BibliAspa e da Julia de Biase, que foi a palestra e a oportunidade de conhecer tais tesouros tão desconhecidos dos público brasileiro! Obrigado a todos os envolvidos na realização desse fantástico evento que nos aproxima da milenar e riquíssima cultura Árabe!

Shukran!

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O post está cheio de links, e explico o motivo: alguns assuntos abordados na palestra já foram discutidos aqui no blog, então, quem tiver interesse, fica mais fácil acessar!

Elaine querida, descaradamente roubei suas fotos do álbum da APP! Me desculpa?