Como deixar de publicar aqui essas excelentes ‘coletâneas’ que o Daniel Barros vem fazendo, né… e agora, para todos que foram baixinhos da Xuxa, usaram ombreiras, polainas, assistiram Armação Ilimitada, Viva a Noite, Jen, MacGyver, Goonies, Caravana da Coragem, He-Man e She-Ra, ouviram Menudos, Cindy Lauper e Madonna Like a Virgin, eram fãs de bandas New Wave, pintaram o cabelo com papel crepom, tiveram caneta de 10 cores… (chega né), chegou o texto sobre os maiores 50 perfumes da década de 80! Década Mágica, década de inovações tecnológicas, de revolução política no Brasil e dos perfumes bomba!
Ah, os perfumes vintage…nos fazem sonhar, morrer de saudades e gastar longo tempo tentando achar uma preciosidade dando sopa por aí. Mas o que seria vintage? O mesmo que retrô? Não é não. Segundo o exemplo do Daniel Barros, “Um vestido vintage não é uma cópia de um vestido antigo (isso seria “retrô), mas sim o modelo original preservado por décadas“. É isso mesmo. Retrô é algo moderno feito buscando referências quanto a estética ou outras características de algo feito no passado. Vintage, é algo que é de fato antigo, preservado e autêntico.
Um exemplo? Meu Cabochard, adquirido no Mercado Livre:
O que seria um perfume icônico… seria aquele que atravessa as décadas sem perder o ‘poder de fogo’? Ou aqueles que, mesmo descontinuados, continuam a provocar desejo e nostalgia? Ou ainda aqueles que revolucionaram ou inovaram o modo de ‘fazer perfumes’?
Vamos ver uma lista de 50 perfumes considerados ícones da perfumaria?
O cardamomo é uma planta cujo nome científico é Elettaria cardamomum (embora existam outros gêneros, esse é o mais comum e mais usado na culinária, medicina natural e perfumaria). Originário da Índia, o cardamomo chegou à Europa com as rotas das caravanas e seguiu com os vikings de Constantinopla à Escandinávia, onde é popular.
A planta é da família do gengibre, com folhas grandes, flores brancas e frutos secos de cor esverdeada ou branca contendo sementes negras e aromáticas de sabor picante, que podem ser transformadas em pó ou em óleo.
Tem propriedades anti-sépticas, digestivas, diuréticas, expectorantes e laxantes. Não deve ser consumido em altas doses, pois pode provocar vômitos.
As vagens contém, cada uma, entre 15 a 20 pequenas sementes pretas ou marrom-escuras e viscosas. As vagens inteiras, levemente partidas, são usadas como tempero em arroz, ensopados e carnes refogadas lentamente. As sementes podem ser fritas ou tostadas e moídas antes de adicionadas ao alimento.
O cardamomo éuma dasespeciariasmuitoantigas do mundoetambém a terceiramais cara,ao lado deaçafrão e da baunilha. Era bem conhecidonos tempos antigos: os egípciosusavam emperfumese incensos, além de mastigarem as sementes para branquearseus dentes. Osromanos utilizara-loparaamenizar problemas estomacais. A medicina indiana recomenda para a insônia leite morno com noz-moscada e pó de 1 semente aromática de cardamomo. A mistura deve ser tomada em pequenos goles antes de ir para a cama. Entre os árabes, ganhou a fama de ser afrodisíaco e é misturado ao café.
Na França e nos Estados Unidos, seu óleo é utilizado em perfumaria.
O cardamomo tem um gosto forte e fragrância resinosa, intensamente aromática. O óleo essencial de cardamomo é extraído por destilação a vapor das sementes secas. Óleo de cardamomo é doce, picante e quase balsâmico. Tem coloração amarelo-pálido e é um pouco aguado na viscosidade. Combina bem com as colônias frescas, com os perfumes masculinos com notas conífera e com chipres. Combina também com notas de chá.
Em minha opinião o cardamomo tem odor exótico, sensual, ao mesmo tempo quente e fresco. Uma coisa meio agridoce de suor… dá um toque misterioso e selvagem!
Meus preferidos com cardamomo? Jacomo Art Collection #08; NU, de Yves Saint Laurent e Kenzo Jungle L’Elephant.
Da série ‘Amostras Luxuosas da Andréa Faria’, hoje é dia de Coccobello!
Apesar de estar profundamente curiosa por ele, hesitei em usar porque a nota de coco não é das minhas preferidas. Embora eu já saiba que o coco, quando não trabalhado como um drink tropical – uma pinã colada – até me agrada. Tem uma cremosidade, um quê mineral e orgânico que me instiga.
Coccobello começa falsamente fresco, senti água de coco, clima de praia, ar salgado… Logo essa impressão vai embora e fica o lactônico do leite de coco misturada a um cheiro doce-plástico-emborrachado que me fez pensar em pneus e solas de sapatos que ainda não conheceram o chão. É um cheiro industrial, porém limpo.
E depois vira um spumone de coco aromatizado com fava de baunilha. Calma, não ficou gourmand não! É um spumone de mentira, daqueles que enfeitam a vitrine das sorveterias e confeitarias, é cenográfico! Em nenhum momento Coccobello deixa de lado a nota emborrachada e leitosa.
Aos poucos adquire mais e mais cremosidade, é orgânico, cheiro de pele ao acordar, cheiro de bebê! Coisa louca esse Coccobello! Transite entre o verde, o salgado, o doce, o sintético e o absurdamente natural. Estranho no primeiro contato, mas bem construído e de excêntrica beleza!
Notas de saída: folha de palmeira, gardênia (achei o cheiro emborrachado!)
Sabe, eu nasci em 1980. E acho que é um mal de toda a geração 80 ser saudosista. Ou talvez porque de fato, os anos 80 foram os últimos que permitiram a fantasia e a real demonstração do que de fato somos. Depois que vieram os perfumes de ar-condicionado dos anos 90 (entre tantas outras inovações tecnológicas), essa ‘fantasia’ acabou se perdendo…
Fato é que esses dias assisti o trailer do que deveria ser a personificação de um dos desenhos preferidos das meninas da década mágica: Jem e as Hologramas! O desenho era tão, mas tão glam rock que acho que influenciou meu gosto musical para sempre! E tinha a ‘banda rival’, as Desajustadas (Urânia, Roxy, Electra e Jetta). Bom, para mais da história do desenho clica no link aí em cima!
O tal do filme NADA tem a ver com o desenho que em 1988 passava no SBT. Se passa nos dias atuais, não tem brinco de estrela, não tem computador holográfico, não tem cabelo de poodle, não tem glam rock. E eu que pensei que as ‘novas’ Hologramas e a própria Jem cheirariam a Black XS, me enganei. Não merecem o Black XS, não merecem… As meninas do desenho oitentista deviam usar o que? Opium pras Desajustadas e Poison pra banda da Jem?
Enfim, saudosismo, descontentamento e Jem a parte, vamos ao Black XS… O perfume tem uma campanha publicitária focada no rock, em atitude. Teve flanker com o Iggy Pop como garoto propaganda! Teve ‘Heart of Glass’, do Blondie!
Black XS tem um belo frasco e um cheiro bem bom! Começa com notas frutais adocicadas e com o patchouli marcando presença desde o primeiro momento, escuro e achocolatado. Passado algum tempo ele se cansa de doçura arrogante/misteriosa e parte para uma feminilidade mais segura, deixa aparecer as rosas e as violetas que me fazem lembrar de maquiagem e batom. O cacau disputa espaço com o patchouli, mas acabam por se entender e ficam bem bonitos juntos.Lá no final ainda aparece uma baunilha comedida, que vai reforçar a união do patchouli e do cacau. Tem mais coisa, tem uma nota amadeirada e leitosa, lembra um pouco o sândalo mas não é. Tem algo de coco, algo de noz-moscada…
O mais divertido é que o patchouli perceptível nas notas de saída dá uma pinta de macheza às frutinhas! E aí vem o cheirinho boudoir da maquiagem e se junta a descompromissada brincadeira… interessante isso!
Embora seja sim intenso, Black XS tem projeção mediana, se não usado em excesso não vai ferir o sentido alheio.
Foi criado em 2007 por Emilie (Bevierre) Coppermann e Mark BUxton.
Notas de saída: cranberry (oxicoco), pimenta rosa, tamarindo.
Notas de coração: rosa, violeta, cacau.
Notas de fundo: patchouli, baunilha, madeira massoia.
E um último desejo: Paco Rabanne, desejo um flanker que tenha a campanha publicitária estrelada pelo Def Leppard!!!!
Faz uns dias recebi o gentil contato do Fabiano, perfumista responsável pelas criações da Charme Essência. Ele ficou de mandar algumas amostras e no dia 7, recebi uma bela caixinha de madeira pirografada com o nome da marca recheada de palha e decants!
Lógico, a louca aqui rapidamente borrifou TODOS os perfumes recebidos nos braços (não me julguem, aposto que fariam o mesmo). Senti mil e um cheiros, todos bem marcantes e de boa projeção!
Vou falar de 2 dos perfumes que mais me agradaram, o Le Charmand Absolu e o Encanto D’Charme.
O primeiro é um perfume gourmand, que, se borrifado com moderação fica delicado, nada daqueles mergulhos em uma confeitaria. Começa com mel (pra mim, mel diluído em leite morno) e uma interessante hortelã que, se dermos aquela senhora fungada na pele onde o perfume foi aplicado, até dá uma ardorzinho gelado no nariz! E justamente esse toque verde/fresco da hortelã que controla os eflúvios demasiadamente doces! Depois das notas de saída, o mel e outras notas florais intensas e exóticas intensificam e surge uma nota frutal e tropical que eu não soube nomear. No fundo, notas amadeiradas mornas embebidas no mel e na infusão de baunilha! Perfume ótimo para o outono! E sim, me lembrou leite com mel e especiarias!
O Encanto D’Charme me trouxe uma deliciosa memória olfativa, um incenso de rosas que nunca mais achei pra comprar. Esse aqui ó:
Para mim o perfume é uma linda mistura de rosas, mirra e sândalo! Opulento, sedutor e quase sacro. Me senti dentro de um templo fumegante de incenso! Lá no fundo aparece uma baunilha elegante que dá uma boa ‘sustentação’ para as demais notas. Gostei muito da nota de mirra aqui: doce/picante/fumegante!
Notas olfativas oficiais: groselha vermelha, baunilha, rosa vermelha, mirra e sândalo.
Olha só que SUPER prêmio! O combo “505 Perfumes para Provar antes de Morrer”! Não é um, são DOIS livros!
São 10 combos de livros para quem primeiro preencher o questionário (link abaixo) com 100% de acertos. Os vencedores receberão um combo com os livros 202 Perfumes – Edição Masculina e 303 Perfumes – Edição Feminina. O envio será feito por carta registrada. A participação implica na autorização do uso do nome para fins de divulgação. Os resultados serão divulgados na fan page da Ego In Vitro!!!
Ganhei da querida amiga Rosangela Correa um belo decant do Love Eau Intense da Chloe. Eu, que já achei o primogênito Love uma belezinha, agora caí de amores pelo Love Intense!
Aos admiradores dos perfumes polvorosos, deliciosamente talcados, de feminilidade ímpar e cremosos, Love Eau Intense é uma dádiva! E tem uma vantagem: seu adjetivo ‘intense’ é merecido! Dura na pele bem mais do que o Love de 2010.
Inicia com uma cintilante e adocicada nuvem de íris e heliotrópio. Parece que uma ninfa gentil tinha as mãos cheias de tal pó e ao te encontrar, soprou parte dele em seu rosto, como um gesto de boas vindas! É de fato um cheiro acolhedor!
Depois chegam flores mais melífluas, mais sensuais. Agora a ninfa sopra o pó em seu corpo, com um olharzinho de malícia…Lá no fundo tem um cheiro doce penetrante, quase um xarope. Deve ser o exótico bálsamo do Peru, extraído da Myroxylon, (“madeira perfumada”, em grego) popularmente chamada de Quina ou Balsamo (e que também produzbálsamo Tolu). Fica tão harmoniosa a combinação do balsâmico, ‘xaroposo’ (e se fosse sozinho, enjoativo) com o melífluo dos cachos de flores! E sempre, o tempo todo, envoltos pela nuvem do talco soprado pela ninfa marota!
Me faz pensar em festa de casamento. Naqueles vestidos brancos amplos, mas que sempre tem um detalhe que permite ver uma parte do corpo, seja o colo os braços ou a nuca da noiva! Pensei em bolo coberto com pasta americana. Em véu, tule, velas e tacinhas. A festa de casamento perfeita cheiraria a Love Eau Intense!
Foi criado em 2011 por Louise Turner e Nathalie Garcia-Cetto.
Notas de saída: íris, heliotrópio.
Notas de coração: jacinto, lilás, glicínia.
Notas de fundo: almíscar, baunilha, bálsamo do Peru.