CH L’Eau, Carolina Herrera – cortesia da Perfumaria Aromatta

 

 

 

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Recebi da perfumaria Aromatta uma série de amostras para resenhar aqui no blog! Diante da gentileza, falarei dos perfumes que recebi e que me agradaram. Meninos, aguardem, têm masculinos pra vocês!

Fiquei meio receosa frente ao CH L’Eau, pois não tenho lá relação muito boa com os perfumes da Sra. Carolina. Mas ele é diferente viu? Em todas as fases ele tem nuances azedinhas e picantes, daquelas que fazem uma coceirinha gostosa e borbulhante na ponta do nariz. Consequência, você fica cheirando ele o tempo todo por causa da sensação!

Na verdade, achei que ele mistura as partes boas do 212 Sexy e do Mademoiselle Ricci, de Nina Ricci…

É um perfume primaveril, jovem, abre com exuberância cítrica, mostra flores empoadas e quase adultas, daquelas meninas-moças, sabe? Mas é nas notas de fundo que mora a graça do CH L’Eau! Picantes, amadeiradas, azedinhas!

Tem cheiro de limonada suíça! E (viva a sinestesia!) tem cheiro do gosto e da textura do jambo…

Notas de saída: flor-de-limão, laranja, frésia, laranja-amarga, bergamota.

Notas de coração: jasmim, rosa, lírio-do-vale, violeta.

Notas de fundo: sândalo, canela, heliotrópio, oleandro, madeira de macieira.

Você encontra o CH L’Eau aqui: http://aromatta.com/site/ch-l-eau-feminino-eau-fraiche-parfumee-carolina-herrera.html?utm_source=aloucadosperfumes&utm_medium=blog&utm_campaign=aloucadosperfumes

Índice

Aviso: A Aromatta mandou as amostras, e eu resenho as que achei interessantes – não as determinadas pela loja. O blog ganha comissão pelas compras feitas no site através do link aqui divulgado.

Seu Madruga e a ‘Loção Francesa’!

Conversando com amigos no final de semana, lembramos, no meio de uma outra conversa, do episódio do Chaves onde o Seu Madruga mostra-se encantado por uma ‘Loção Francesa’ que ganhou de presente da Dona Clotilde, a Bruxa do 71.
Seu Madruga… que já foi professor, lutador de boxe, toureiro, vendedor de churros, vendedor de balões, barbeiro, sapateiro e homem do saco, quem diria! Encantado por um perfume! Bem vindo ao nosso mundo, Seu Madruga!

 

 

 

 

 

 

Jour d’Hermès, Hermès

 

Uma leitora perguntou se eu já tinha falado do Jour d’Hermès, e me perguntei: por que não falei dele ainda? Se contei, toda empolgada, sobre o lançamento do livro ‘Diário de um Perfumista’, do Jean-Claude Ellena e lá ganhei uma miniatura do perfume, filho de Jean-Claude nascido no início de 2012, por que deixei o menino largado em um canto do armário?

Sei não… mas enfim, lá fui eu usar por alguns dias o Jour para poder falar dele. Ele não me arrebatou. Mas também não desagradou. É um bom perfume: tem um contraste instigante entre a higiene (acho que essa é a sensação da mistura das notas cítricas e aquáticas da saída) e o pudor que a vida em sociedade nos pede e o ‘quê’ orgânico das flores brancas e da gardênia.

Jour ‘brinca’ na pele. Ora são vagens, bagas, folhas, flores ainda em botão; outra são flores e frutas plenas, tonalidades adocicadas.

Sinto nele cheiro de pêra d’água madurinha, daquelas que a gente morde e o sumo escorre desavergonhado pelo braço ou queixo. Sabe a ervilha-de-cheiro ao mesmo tempo exótica e familiar do Si Lolita? Está lá no Jour também.

Ele é perfume para dias de sol e chuva casamento de viúva. É. Algo ao mesmo tempo quente, úmido, leves brisas. É morninho, é perfume ‘de dobrinha’ de pele e talvez agora eu entenda a sensualidade dele. Tem que chegar perto, buscar nos lugares menos expostos… Mas é devagar e com carinho viu? Jour não é dado a explosões de libido…

Notas de saída: grapefruit, limão, notas aquáticas.

Notas de coração: gardênia, flores brancas, notas verdes, ervilha-de-cheiro.

Notas de fundo: almíscar, notas amadeiradas.

 

 

 

A Lenda da Priprioca (Cyperus articulatus L.)

A priprioca ou piripirioca (Cyperus articulatus L.), é uma espécie ciperácea, aromática e medicinal que natural na Amazônia. Da mesma família do junco e do papiro, suas raízes exalam uma fragrância incomum, leve, amadeirada e picante. É um dos perfumes mais tradicionais da região amazônica e, atualmente, seu óleo essencial é bastante valorizado na indústria farmacêutica e cosmética.

Mas hoje daremos destaque ao rico e esquecido folclore brasileiro, falaremos da lenda que explica e justifica a existência de tão aromática planta! Vamos lá?

A lenda conta que na tribo dos Manaus existia um ser misterioso chamado Piripiri, um guerreiro que era meio material e meio espiritual, que exalava um perfume intenso e inebriante por onde passava. O perfume era tão mágico que atraía a atenção de todas as donzelas da aldeia. As índias, enfeitiçadas pelo aroma, tentavam a todo custo prender o ser misterioso, mas nunca conseguiam, pois Piripiri, ao ser capturado, sempre se transformava em vapor perfumado e escapava.
 
Vendo que não conseguiam aprisioná-lo, algumas moças da aldeia recorreram ao pajé Supi, que lhes aconselhou utilizar amarrar os pés de Piripiri com fios de cabelo. 
 
Na mesma noite, as jovens aguardaram até Piripiri dormir. Quando ele adormeceu, as índias o amarraram com os fios de cabelo e adormeceram ao seu lado. Enquanto as índias dormiam Piripiri se transformou novamente em fumaça e desapareceu para nunca mais voltar. Quando o dia amanheceu as moças encontraram apenas uma raiz perfumada no lugar onde Piripiri estava amarrado.
 
Desesperadas, as jovens foram até o pajé Supi para tentar entender o que havia ocorrido. Supi lhes explicou que Piripiri havia se transformado na constelação de Arapari (Três Marias) e que tinha lhes deixado a raiz aromática como presente. O sábio pajé Supi também ensinou as moças a utilizar o perfume daquela raiz mágica para enfeitiçar o coração dos homens.
 
A partir daí, a planta recebeu o nome de “piripiri-oca”, que significa “morada de Piripiri”. A raiz é usada até hoje para perfumar e trazer poder de sedução e sorte.”
 
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Teint de Neige, Lorenzo Villoresi

 

 

 

 

Lembram do Encontro Perfumado da APP? Tenho ainda muitas preciosidades advindas desta reunião para vocês…

Outro dia falei sobre o Iris L’Erbolário, e hoje falarei do seu primo rico, o Teint de Neige, amostra que me foi gentilmente e generosamente cedida pela amiga Andréa.

As rosas aqui reinam absolutas, tem ar de íris e outras flores coadjuvantes, todas damas de companhia da Rainha das Flores.

Começa com rosas atalcadas, empoadas. De todos os estilos: juvenis, maternais, ultra-femininas e delicadas, seguras de si e sensuais, matronas! Jasmim domado e ylang-ylang exótico são acompanhantes a altura, mas sabem que não devem ter comportamento de estrela perante as Rainhas.

E são mais e mais rosas-regentes, agora acompanhadas de mais flores inominadas e servis – de cores pálidas e aromas delicados – e da doce e exuberante fava-tonka, que não sabe direito como se portar e rouba a atenção para si por algum tempo. 

Ainda mais tarde, em tal desfile desta corte, surge o quente heliotrópio, o macio almíscar e mais e mais rosas e jasmins! Notas açucaradas (pra mim, a leveza do aroma e dulçor do açúcar de confeiteiro) discretamente polvilhadas (mas nada culinárias ou gourmands) encerram os cortejo com e devida elegância e beleza!

O perfume foi lançado em 2000, o nariz responsável é o próprio Lorenzo Villoresi.

Notas de saída: rosa, jasmim, ylang-ylang, notas atalcadas.

Notas de coração: fava-tonka, rosa, jasmim, notas florais.

Notas de fundo: heliotrópio, almíscar, rosa, jasmim, açúcar.

E hoje eu mereço, porque é meu aniversário!

(imagem retirada daqui: http://sitedepoesias.com/poesias/49030)

 

Marina de Bourbon, Princesse Marina de Bourbon

 
Então, eu gosto da marca Princesse Marina de Boubon. Geralmente os perfumes têm preços bons e qualidade!
O Marina ali de cima já é antigo, foi lançado em 1994 e leva o nome da marca. 
O frasco é bonito, e muitos outros saíram do mesmo molde (Rouge Royal, Bleu Royal, Mon Bouquet, Nuit des Bourbon…). Vamos fazer uma brincadeira? O que o frasco dele te lembra? Eu já pensei em um barco, em uma parte de um diadema, em algo estrelar…
Mas deixemos o frasco de lado e vamos ao perfume! Floral frutal bem feminino, marcante, de excelente fixação! Tem um pezinho lá nos exuberantes perfumes dos anos 80, então é bom moderar nas borrifadas.
Logo ao borrifar, sinto um cheiro bem intenso de qualquer coisa sintética de uva verde. A exemplo: suco de pó de uva verde. Bala de uva verde, seguida de licor doce de cassis! Depois vem o aroma do maracujá que rompe com a doçura, e algumas flores de cheiro intenso e exótico. Para falar a verdade, Marina de Bourbon é quase um perfume só frutal, a maioria de suas notas são frutas: exóticas, tropicais, vermelhas, cítricas, suculentas. Tudo bem maduro, no ponto certo de ser degustado!
Tem base abaunilhada e com um quê de mel e mesmo tendo essa baciada de coisas comestíveis, não chega na fronteira do gourmant. Interessante né? Flerta, mas depois despista.
Acho sim que ele tem muitos aromas sintéticos, mas é justamente isso que o torna brilhante, divertido, descontraído. Nesse ponto me lembra o Insolence, não no aroma, mas na questão lúdica.
 
Notas de saída: cassis, limão, melancia.
Notas de coração: maracujá, jasmim, ylang-ylang.
Notas de fundo: baunilha, framboesa, pêssego, frutas exóticas.
 
Não sei de onde tirei a uva verde e o mel…
 
Receita simples: coloque em uma taça bonita as frutas picadas, regue com mistura de suco de maracujá misturado a algumas colheres de licor de cassis. Decore com um flor exótica. Está pronto para servir.
 
 
 
 

Elie Saab Le Parfum, Elie Saab

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Uma leitora do blog pediu que eu falasse do Elie Saab Le Parfum. Por acaso eu tenho uma fração dele, então vamos lá!

Foi lançado em 2011 e criado pelo cultuado nariz Francis Kurkdjian e é de fato um perfume bom, muito bom!

Ultra-feminino como sugere a campanha publicitária, é daqueles que com certeza não te deixará passar despercebida. Inicia com intensa nota de flor-de-laranjeira, e nada de florzinha limpinha, campestre, mediterrânea! Ela vem ousada, com um leve toque animálico (acho que esse proveniente do jasmim), cor vibrante! Como se estivesse anunciada em letreiro de neon, para chamar a atenção mesmo!

O jasmim logo dá as mãos pra flor-de-laranjeira e juntos eles rodopiam, criam ao redor de si algo esfumaçado, inebriante, incensado e profundo. E dura essa dança viu? Horas! Quando se cansam, deixam aparecer as notas de fundo: rosas discretas, o tom picante e doce do patchouli em perfeita sintonia com o ‘verde lenhoso’ do cedro. E tem o mel… que deixa a composição voluptuosa, sensual.

Na minha pele senti muito do tal ‘esfumaçado, incensado’, embora tais notas não constem na composição do perfume. Não sei explicar bem, é como se as flores brancas do começo virassem pó e fossem lançadas sobre chamas… Fumaça de jasmim e neróli, como pode? As rosas do fundo são discretas, mas emprestam uma feminilidade mais terna, menos exibida, vamos colocar assim. O patchouli… achei um patchouli-meio-vetiver, dá pra entender? O mel é ‘queimadinho’, doce com um leve toque amargo.

Mas eu juraria de pé junto que tem incenso nele…

Notas de saída: flor-de-laranjeira.

Nota de coração: jasmim (Sambac e Grandiflorum).

Notas de fundo: rosa, cedro, patchouli, mel.

Uma deliciosa surpresa, o Le Parfum Elie Saab!

 

Aouda, Comptoir Sud Pacifique

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A marca Comptoir Sud Pacifique apresentou em 2009 a coleção ‘Voyages to the Orient’. Aqui temos como estrela o Oud! Curiosidade: aprendemos na palestra da Julia que no Oriente, quanto mais Oud um perfume tem em sua formulação, mais poderosa, rica e bem posicionada socialmente é a pessoa que usa-o. 
Concluo então que o Aouda é o perfume do Saladino. Aquele, todo trabalhado no óleo e no ôro do filme Cruzada, lembram?

 

 
Segundo a marca, o perfume é unissex, mas cá entre nós, eu achei ele bem masculino. BEM masculino. As flores aparecem intensas e levemente metálicas na saída. 
E aí vem uma avalanche de notas amadeiradas e resinosas impiedosa! (nada de resina melíflua, mas resina seca, esfarelenta, com toque amargo). De repente madeiras exóticas e quase narcóticas invadem, te transportam para longe… algum lugar quente e seco, onde o sol inclemente castiga os troncos, folhas e cascas das árvores e fazem com que elas liberem a força o aroma precioso de seus cernes…
A fixação é muito boa e o aroma do Oud precioso (e caro) é o grande destaque do perfume. 
Depois de 2 horas, aproximadamente, o Oud e as demais madeiras e resinas se tornam um pouco mais mansas, ficam levemente adocicadas, picantes e deixam pra lá a virildade agressiva com a qual se apresentaram no começo. Continuam sim masculinas e contundentes, mas são um pouco mais ternas e tem lá suas ‘brechas’ de delicadeza e conforto… e convenhamos: até o grande Saladino tem que descansar né?
 
Notas de saída: rosas, gerânio, camomila.
Notas de coração: cedro, torchwood (Amyris elemifera), murta, bálsamo copahu (copaíba).
Notas de fundo: bálsamo tolu, patchouli, agarwood (oud).
 
Aouda é um das melhores fragrâncias ocidentais de Oud que já senti! Precioso!
 

Sobre o resfriado e um sabonete…

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Pois é gente, estou resfriada. Não para cheiro ou sabor. E sim para coriza, dor no corpo e tosse chatinha…

Mas mesmo assim passo brevemente para falar que outro dia, numas voltinhas descompromissadas na hora do almoço pelas perfumarias aqui do Centro de SP (nada de perfume, mas de cosméticos e produtos de higiene em geral), achei esse sabonete novo da Lux: o Toque de Baunilha. Tem líquido e em barra, e o aroma dele lembra a baunilha do Eau des Missions, da Les Couvent des Minimes. É super em conta, cheira bem, deixa a pele macia. E pra quem não é fã de baunilha tem outros aromas, mas não comprei nenhum deles, então nada tenho a dizer…

Só pra esclarecer, isso não é publicidade, a Gessy Lever e o ‘Sabonete das Estrelas’ nem sabem que eu existo. Eu que comprei.

Baunilheiras de plantão, vão fundo!

*imagem retirada desse link: http://www.gosteieagora.com/2014/03/18/lux-toque-de-baunilha-sabonete-liquido-e-em-barra/