
Tais viagens são contadas através desta colônia que combina baunilha, plantas exóticas e aimagem de uma antiga paisagem de Java.

Já falei sobre meu primeiro (e querido) perfume no Village Beauté.
Hoje acordei saudosista… lembrei de perfumes que usei na infância e na adolescência, e resolvi dividir minhas lembranças com vocês!

Aliás, conhecem a história dos saudosos (e bonitos) frascos-ânfora do Boticário? Tudo começou quando o empresário Miguel Krigsner, então proprietário de uma botica na rua Saldanha Marinho comprou um lote com 70 mil vidros de perfume do Sílvio Santos. Pois é, o Homem do Baú havia desistido da idéia de abrir uma fábrica de perfumes (então a Jequiti é plano véio, heim…) e resolveu desovar seu estoque de frascos. Logo então surgiu a colônia ‘Acqua Fresca’ dentro de tais ânforas, e até hoje é um dos perfumes mais usados no Brasil e está no catálogo fazem mais de 30 anos. Devido ao sucesso, muitos outros perfumes da marca também foram embalados em tais frascos. Olha aí o Lavanda Pop e o Innamorata! 


Antes de tudo, um pouco da rica história da marca e do perfume:
Krasnaya Moskva (ou Red Moscou) foi a primeira fragrância ‘soviética’ e certamente a mais popular. De acordo com os perfumistas que trabalham para Novaya Zarya (a fábrica de cosméticos em Moscou, Rússia), a fragrância foi criada por Auguste Michel, mas a data em que foi lançada a fragrância permanece obscura: ou aconteceu em 1913, ou em 1917. De acordo com os arquivos do Osmotheque, Krasnaya MosKva foi criado em 1925.
Krasnaya Moskva é conhecido por todos os cidadãos da ex-União Soviética e seu nome é repleta de associações emocionais. A fragrância é um exemplo clássico de um chypre floral suave, com uma nota fresca de cabeça (bergamota, coentro, neroli, aldeídos), um coração floral picante, com base no cravo, rosa, jasmim e ylang-ylang e uma nota de base, composta de madeiras, notas balsâmicas, íris e tonka bean.
Um cheiro típico de seu tempo, a composição combina notas frescas, quase metálicas com quentes acordes florais e amadeirados. É agradavelmente forte, um pouco picante e se desenvolve muito bem na pele. Krasnaya Moskva e outras fragrâncias por Novaya Zarya estão disponíveis para compra na boutique da fábrica em Nikolskaya Street (no centro da loja de Gostiniy Dvor), bem como via Internet (fonte: http://www.fragrantica.com/perfume/Novaya-Zarya/Krasnaya-Moskva-4758.html).
Novaya Zarya era antes a fábrica de Henri Brocard em Moscou (antes da Revolução, em 1917) e mais tarde foi nacionalizada e recebeu um novo nome soviético – Novaya Zarya.
Henri Brocard foi para a Rússia após a tentativa fracassada de seu pai, Athanase Brocard em desenvolver seus próprios cosméticos e sabão na França e depois nos EUA. A concorrência lá era muito forte, mas a Rússia, com a sua aristocracia e sua emergente burguesia ávida de luxos, parecia ser um vasto e altamente atraente mercado.
Henri Brocard começou sua própria fábrica em Moscou, em 1861: ele começou produzindo cosméticos baratos, tais como sabão e pó dentifrício para a classe mais baixa. Seu sabão foi um sucesso instantâneo, devido ao seu preço atraente baixo e a boa qualidade.
Sua mercadoria foi apoiada por publicidade inteligente e bem-humorada: as pessoas nos cartazes da marca eram civis ou camponeses e as cenas retratadas eram muitas vezes bastante cômicas. Acabou por adotar o slogan: ‘O Sabão Nacional’.
O mercado de cosméticos da Rússia já existia muito antes da chegada de Brocard: a enorme fábrica francesa, A.Rallet & Co. (um dia conto sobre a polêmica entre um dos perfumes da Rallet e o Chanel °5), fundada por Alfonse Rallet em 1843, já havia operado com sucesso em Moscou. No entanto, a fábrica da Rallet produzia principalmente pomadas e perfumes caros. Após a Revolução, a fábrica foi nacionalizada e ganha um novo nome, Svoboda (‘Liberdade ‘), e ainda está em funcionamento.
Brocard, feliz com seu sucesso inicial na Rússia, começou a produzir cosméticos de alta qualidade, acrescentando óleos essenciais e glicerina na esperança de ganhar uma clientela de mais alto nível. Logo a mercadoria de Brocard despertou o interesse da família real e muito em breve a fábrica tornou-se a fornecedora oficial de Sua Alteza Real, Alexandra Fiódorovna, a esposa do último czar russo Nicolau II. O sabonete de luxo que ele começou a produzir não era simplesmente de alta qualidade, também foi muito atraente: oval ou redondo, com letras esculpidas em cada um. É altamente provável que a esposa de Brocard, Charlotte Ravey, que cresceu e estudou na Rússia (mas era na verdade de origem belga), o ajudou muito, já que ela conhecia a cultura e costumes russos.
A fábrica mais tarde acrescentou fragrâncias a sua lista de produtos. A marca ganhou vários prêmios em diversas mostras e feiras, como as realizadas em Nizhny Novgorod, Rússia e até mesmo Paris, na França. Henri Brocard morreu em Cannes, França, em 1900.
A fábrica foi nacionalizada em 1917, depois da Revolução Comunista, e foi atribuído um nome sem sentido ‘ fábrica de Sabão # 5’. Só mais tarde, em 1922, foi dado o nome do novo Novaya Zarya, que ainda perdura. Curiosamente, Polina Zhemchuzhina, a esposa do famoso político soviético Molotov (e amigo íntimo de Stalin esposa Svetlana Allilueva), foi CEO da fábrica por dois anos ( 1930-1932).
Durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica, como muitas outras, foi transferida para Sverdlovsk (anteriormente e recentemente Ekaterinburg ), na área de Ural.
Novaya Zarya tem aproximadamente 64 perfumes criados. O nariz que trabalhou nas fragrâncias é Auguste Michel. (fonte: http://www.fragrantica.com/designers/Novaya-Zarya.html)
……………..
Por tudo isso, acabei comprando o Red Moscou. Pelo contexto histórico.
Ele é um floralzão extremamente datado, com um quê de Guerlinesco. É sim, tem algo das fragrâncias antigas de Guerlain. Acho que é a tonalidade atalcada.
O melhor dele? E pura história! Gente, é o perfume que assistiu as mudanças sociais da Revolução Russa! Isso me emociona e me faz viajar aos invernos rígidos e aos palácios rebuscados dos czares bigodudos (vamos falar a verdade: o povão na Rússia de tal época mal podia comprar pão, quanto mais perfume. Então é coisa de czar mesmo…).
Notas de saída: bergamota, flor-de-laranjeira, coentro.
Notas de coração: jasmim, rosa, cravo (flor), ylang-ylang. E digo: tais flores somadas ao coentro são a verdadeira alma do perfume. Reinam sobre as demais notas olfativas… O cravo aqui é rei!
Notas de fundo: íris, baunilha, fava-tonka. A íris é soberana nesse tríade. A baunilha e a fava-tonka só fazem figuração…
Todo mundo aqui em casa odiou. Eu não gostei tanto do aroma, achei ‘carregado’ demais. Mas quer saber: sou uma profunda admiradora do Red Moscou. Ele atravessou um século, assistiu duas guerras mundiais, resistiu às mudanças da Rússia, do Comunismo, da Perestróika. Nunca deixou de ser produzido.
É um monumento russo!
Essa semana foi muito especial! Fui presenteada por lindas e muitas, muitas amostras de perfumes incríveis! Vieram das queridas Vanessíssima e da Adriana Meire (Dri Sama) e da querida amiga Li, da APP!
Aos pouquinhos falarei deles com muito carinho aqui no blog!
Meninas, desejo flores para vocês! Muito obrigada!


Seguem excelentes links sobre o histórico das embalagens desses dois ícones da perfumaria mundial!
Porque saber sobre a História da Perfumaria nunca é demais! Aproveitem!

Seu nome é traduzido para ‘A Hora Azul’, e isso pode receber muitas interpretações: o momento do entardecer; uma esperança; a expectativa de uma resposta sobre algo muito esperado. Tudo isso pode ser ‘a hora azul’, para mim…

Serei breve e pontual ao falar do Love Potion.
Comprei ele por alguns motivos:
– Por causa do vidro, é lindo demais.
– Por curiosidade pela marca Oriflame. Tem embalagens lindas, é baratinha e faz o maior sucesso lá fora. Vende por catálogo, tipo Avon.
– Pela descrição do Fragrantica, pois achei que seria um desbunde. Olha só as notas olfativas:
Notas de saída: gengibre, rum.
Notas de coração: baunilha, tangerina, cacau, café, lírios.
Notas de fundo: sândalo, fava-tonka, chocolate.
Então, eu estava esperando um delirante e intenso perfume oriental gourmand a láThierry Mugler. Só que não…
Sabe o que o Love Potion é? Uma cópia do Amor Amor. De fixação pífia.
E eu nem gosto tanto do Amor Amor.
Fim!


