Eau de Missions Cologne, Le Couvent des Minimes

Vamos falar da tal colônia! Comercializada em uma famosa rede de supermercados e em lojas virtuais, essa belezinha da marca Le Couvent des Minimes (o convento foi fundado em 1613, a marca surgiu em 2004) é de fato deliciosa!
A colônia presta homenagem as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, que viveram no convento, e desenvolveram trabalhos humanitários principalmente em Madagascar, Indonésiae nas Américas.
Tais viagens são contadas através desta colônia que combina baunilha, plantas exóticas e aimagem de uma antiga paisagem de Java.
Notas olfativas: mirra, baunilha, centella asiática, benzoim, camélia, cedro.
O aroma é deliciosamente gustativo, medicinal, revigorante, delicado. Transmite grande sensção de conforto, tranquilidade. Tráz tanto conforto que parece que você acabou de comer uma fatia de bolo ainda morno com chá quente, feito pela sua mãe em uma tarde de outono… Bolo de baunilha, chá flores e frutas. 
A baunilha e as notas resinosas imperam. Mas ainda tem nela algo de verde, algo de flor, de mel, de lenha. 
Fixação média de 3 a 4 horas, bom demais para uma colônia. Agora que minha amostrinha está acabando, sei que vou ter que comprar um vidrão dessa delícia… 

Lembranças perfumadas…

Já falei sobre meu primeiro (e querido) perfume no Village Beauté.

Hoje acordei saudosista… lembrei de perfumes que usei na infância e na adolescência, e resolvi dividir minhas lembranças com vocês!

Lavanda Pop, Boticário: uma vez fui com uma amiguinha do prédio onde eu morava e sua família ao shopping, acho que era o Center Norte. Lá, as meninas mais velhas da família entraram em comboio no Boticário. Era moda, bacana, saía anúncio na Capricho! Lembri que acabei ganhando um frasquinho ânfora dos pequenos do Lavanda Pop. Era tão gostoso e eu me sentia tão moça usando ele… Notas olfativas: lavanda, alecrim, flor-de-laranjeira, cravo, gerânio, almíscar e cedro.
 
Innamorata: engraçado como O Boticário faz parte das memórias olfativas de tantos brasileiros. Qualquer dia conto a história dele aqui, não posso negar sua importância para a perfumaria nacional… Enfim, o Innamorata. Ganhei de um namoradinho (namorados da época SEMPRE davam tal perfume para as namoradas, era o apelo do nome, eu acho…). Adorava! Até hoje lembro do aroma dele com perfeição! Notas olfativas: flores brancas, camomila, narciso, notas frutais, jasmim, lírios, tuberosa, sândalo e almíscar.
Aliás, conhecem a história dos saudosos (e bonitos) frascos-ânfora do Boticário? Tudo começou quando o empresário Miguel Krigsner, então proprietário de uma botica na rua Saldanha Marinho comprou um lote com 70 mil vidros de perfume do Sílvio Santos. Pois é, o Homem do Baú havia desistido da idéia de abrir uma fábrica de perfumes (então a Jequiti é plano véio, heim…) e resolveu desovar seu estoque de frascos. Logo então surgiu a colônia ‘Acqua Fresca’ dentro de tais ânforas, e até hoje é um dos perfumes mais usados no Brasil e está no catálogo fazem mais de 30 anos. Devido ao sucesso, muitos outros perfumes da marca também foram embalados em tais frascos. Olha aí o Lavanda Pop e o Innamorata! 
 
 
Pretty Blue: usei essa colônia da Avon mais pro final da adolescência. Um amigo meu dizia que ‘Pretty Blue’ seria um bom nome para um bar onde tocasse blues e jazz. E só depois de muito tempo me dei conta que ele era uma imitação do Thaty, também do Boticário. E do famoso Thaty só tive um meio-frasco que uma amiga, enjoada dele, me deu. Notas do Azul Bonito: lavanda, notas verdes, rosas, almíscar.
 
E todas aquelas colônias de farmácia: Snoopy, Lavanda Jonhson’s, as tantas imitações do ‘Mamãe e Bebê’ da Natura? E as saudosas colônias que eu insistia que minha mãe comprasse nas Lojas Brasileiras e Americanas, das marcas Naturelle, Gellu’s, Dote… 
 
Bateu saudades. E mais uma: meu primeiro Giovanna Baby só tive aos 21 anos…

King Kong, Kenzo

Entre as amostras que recebi da Li, está o raro, descontinuado e exótico King Kong, da Kenzo.
Tal perfume foi o primeiro do designer japonês, foi criado em 1978 e eu diria que ‘mora’ na mesma selva que seus irmãos mais novos, o Tigre e o Elefante.
Quando recebi o flaconete, movida pela curiosidade logo passei no pulso e fiquei tentado adivinhar notas. Pensei logo em folhas de menta/hortelã amassadas, especiarias, bálsamos dourados, âmbar, madeira úmida e senti algo terroso que não soube dizer se era ou não patchouli, pois não era tão doce.
Quando li as notas reais do perfume, veio a surpresa: nada de patchouli (então o aroma de madeira úmida e a tonalidade terrosa devem ter vindo do musgo-de-carvalho), muitas especiarias, âmbar e bananas! E aí lembrei de uma passagem do livro ‘Clarissa’, do Erico Veríssimo, onde a personagem fica em dúvida quanto a qual fruta comprar na quitanda: morangos suculentos ou bananas descritas como pastosas e doces…
Pois é: bananas! Como bons primatas, Kong e eu gostamos.
No perfume aparece levemente licorosa, dourada. É o tal ‘bálsamo dourado’ de minha percepção. Parece o aroma de uma sensacional cachaça de banana que comprei uma uma loja de souvenir dentro do Horto Florestal, em Campos dos Jordão…
As especiarias e o âmbar nos levam ao tropical e deslumbrante coração dessa selva, onde existem animais, frutos e plantas nunca antes vistos. Tudo têm cheiros, cores e sabores tão intensos…
Notas: banana, especiarias, cravo-da-Índia, menta, notas verdes, musgo-de-carvalho, resinas, âmbar, rosa.
King Kong é intenso, latente, orgânico, pulsante. Tem uma sensualidade forte, indiscreta, instintiva. Com a evolução ganha um quê de couro, animálico. Suas especiarias e resinas são pura luxúria e fartura.
No começo achei o nome ‘King Kong’ meio sem pé nem cabeça, mas agora acho que ele não poderia ser mais adequado: forte, instintivo, intenso, apaixonado, viril, arquetípico.
Acho que me apaixonei por esse macacão…

Vanille Sauvage de Madagascar, La Maison de la Vanille

Baunilha, como eu gosto de você! Semana passada recebi uma série de amostras de amigas queridas, entre elas a Vanille Sauvage de Madagascar, da Dri Sama.
A marca La Maison de la Vanille, dona da coleção “All Vanillas of the World”, trouxe lá da exótica Madagascar (onde tradicionalmente é cultivada a orquídea) uma das baunilhas mais gustativas, cremosas e táteis que já senti!
É deliciosa!
Notas de saída: lavanda, bergamota.
Notas de coração: coentro, gerânio, ládano.
Notas de fundo: baunilha, sândalo, incenso, vetiver.
Juro que fiquei boba quando vi tantas notas olfativas na descrição de tal perfume! E eu que achava que o negócio era baunilha, heliotrópio, sândalo e um quezinho de praliné… Pelo menos acertei a baunilha e o sândalo né…
Então, o que sinto nele mesmo é a baunilha: achocolatada, morna, aconchegante, gustativa. Não acho que tenha cheiro de bolo ou de biscoito, como é comum em tais fragrâncias. Tem um aroma exótico, sensual, pulsante e convidativo! Parece mais uma bebida do que uma comida, dá pra entender?
Só me decepcionei um pouco com a fixção dele, na minha pele dura em média 3 horas, eu esperava mais.
Mas olha: La Maison de la Vanille, aceito prontamente seu convite para rodar o mundo conhecendo e degustando suas desejáveis baunilhas…

Red Moscou (Krasnaya Moskva), Novaya Zarya

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Antes de tudo, um pouco da rica história da marca e do perfume:

Krasnaya Moskva (ou Red Moscou) foi a primeira fragrância ‘soviética’ e certamente a mais popular. De acordo com os perfumistas que trabalham para Novaya Zarya (a fábrica de cosméticos em Moscou, Rússia), a fragrância foi criada por Auguste Michel, mas a data em que foi lançada a fragrância permanece obscura: ou aconteceu em 1913, ou em 1917. De acordo com os arquivos do Osmotheque, Krasnaya MosKva foi criado em 1925.

Krasnaya Moskva é conhecido por todos os cidadãos da ex-União Soviética e seu nome é repleta de associações emocionais. A fragrância é um exemplo clássico de um chypre floral suave, com uma nota fresca de cabeça (bergamota, coentro, neroli, aldeídos), um coração floral picante, com base no cravo, rosa, jasmim e ylang-ylang e uma nota de base, composta de madeiras, notas balsâmicas, íris e tonka bean.

Um cheiro típico de seu tempo, a composição combina notas frescas, quase metálicas com quentes acordes florais e amadeirados. É agradavelmente forte, um pouco picante e se desenvolve muito bem na pele. Krasnaya Moskva e outras fragrâncias por Novaya Zarya estão disponíveis para compra na boutique da fábrica em Nikolskaya Street (no centro da loja de Gostiniy Dvor), bem como via Internet (fonte: http://www.fragrantica.com/perfume/Novaya-Zarya/Krasnaya-Moskva-4758.html).

Novaya Zarya era antes a fábrica de Henri Brocard em Moscou (antes da Revolução, em 1917) e mais tarde foi nacionalizada e recebeu um novo nome soviético – Novaya Zarya.

Henri Brocard foi para a Rússia após a tentativa fracassada de seu pai, Athanase Brocard em desenvolver seus próprios cosméticos e sabão na França e depois nos EUA. A concorrência lá era muito forte, mas a Rússia, com a sua aristocracia e sua emergente burguesia ávida de luxos, parecia ser um vasto e altamente atraente mercado.

Henri Brocard começou sua própria fábrica em Moscou, em 1861: ele começou produzindo cosméticos baratos, tais como sabão e pó dentifrício para a classe mais baixa. Seu sabão foi um sucesso instantâneo, devido ao seu preço atraente baixo e a boa qualidade.

Sua mercadoria foi apoiada por publicidade inteligente e bem-humorada: as pessoas nos cartazes da marca eram civis ou camponeses e as cenas retratadas eram muitas vezes bastante cômicas. Acabou por adotar o slogan: ‘O Sabão Nacional’.

O mercado de cosméticos da Rússia já existia muito antes da chegada de Brocard: a enorme fábrica francesa, A.Rallet & Co. (um dia conto sobre a polêmica entre um dos perfumes da Rallet e o Chanel °5), fundada por Alfonse Rallet em 1843, já havia operado com sucesso em Moscou. No entanto, a fábrica da Rallet produzia principalmente pomadas e perfumes caros. Após a Revolução, a fábrica foi nacionalizada e ganha um novo nome, Svoboda (‘Liberdade ‘), e ainda está em funcionamento.

Brocard, feliz com seu sucesso inicial na Rússia, começou a produzir cosméticos de alta qualidade, acrescentando óleos essenciais e glicerina na esperança de ganhar uma clientela de mais alto nível. Logo a mercadoria de Brocard despertou o interesse da família real e muito em breve a fábrica tornou-se a fornecedora oficial de Sua Alteza Real, Alexandra Fiódorovna, a esposa do último czar russo Nicolau II. O sabonete de luxo que ele começou a produzir não era simplesmente de alta qualidade, também foi muito atraente: oval ou redondo, com letras esculpidas em cada um. É altamente provável que a esposa de Brocard, Charlotte Ravey, que cresceu e estudou na Rússia (mas era na verdade de origem belga), o ajudou muito, já que ela conhecia a cultura e costumes russos.

A fábrica mais tarde acrescentou fragrâncias a sua lista de produtos. A marca ganhou vários prêmios em diversas mostras e feiras, como as realizadas em Nizhny Novgorod, Rússia e até mesmo Paris, na França. Henri Brocard morreu em Cannes, França, em 1900.

A fábrica foi nacionalizada em 1917, depois da Revolução Comunista, e foi atribuído um nome sem sentido ‘ fábrica de Sabão # 5’. Só mais tarde, em 1922, foi dado o nome do novo Novaya Zarya, que ainda perdura. Curiosamente, Polina Zhemchuzhina, a esposa do famoso político soviético Molotov (e amigo íntimo de Stalin esposa Svetlana Allilueva), foi CEO da fábrica por dois anos ( 1930-1932).

Durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica, como muitas outras, foi transferida para Sverdlovsk (anteriormente e recentemente Ekaterinburg ), na área de Ural.

Novaya Zarya tem aproximadamente 64 perfumes criados. O nariz que trabalhou nas fragrâncias é Auguste Michel. (fonte: http://www.fragrantica.com/designers/Novaya-Zarya.html)

……………..

Por tudo isso, acabei comprando o Red Moscou. Pelo contexto histórico.

Ele é um floralzão extremamente datado, com um quê de Guerlinesco. É sim, tem algo das fragrâncias antigas de Guerlain. Acho que é a tonalidade atalcada.

O melhor dele? E pura história! Gente, é o perfume que assistiu as mudanças sociais da Revolução Russa! Isso me emociona e me faz viajar aos invernos rígidos e aos palácios rebuscados dos czares bigodudos (vamos falar a verdade: o povão na Rússia de tal época mal podia comprar pão, quanto mais perfume. Então é coisa de czar mesmo…).

Notas de saída: bergamota, flor-de-laranjeira, coentro.

Notas de coração: jasmim, rosa, cravo (flor), ylang-ylang. E digo: tais flores somadas ao coentro são a verdadeira alma do perfume. Reinam sobre as demais notas olfativas… O cravo aqui é rei!

Notas de fundo: íris, baunilha, fava-tonka. A íris é soberana nesse tríade. A baunilha e a fava-tonka só fazem figuração…

Todo mundo aqui em casa odiou. Eu não gostei tanto do aroma, achei ‘carregado’ demais. Mas quer saber: sou uma profunda admiradora do Red Moscou. Ele atravessou um século, assistiu duas guerras mundiais, resistiu às mudanças da Rússia, do Comunismo, da Perestróika. Nunca deixou de ser produzido.

É um monumento russo!

 

 

 

 

 

L’Heure Bleue, Guerlain

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Seu nome é traduzido para ‘A Hora Azul’, e isso pode receber muitas interpretações: o momento do entardecer; uma esperança; a expectativa de uma resposta sobre algo muito esperado. Tudo isso pode ser ‘a hora azul’, para mim…

Foi criado em 1912 por Jacques Guerlain, e é todo nostalgia!
Estou lendo uma saga denominada ‘Trilogia O Século’, escrita pelo Ken Follet. O primeiro livro (‘Queda de Gigantes’) tem como cenário o mundo do pré, durante e pós 1ª Guerra Mundial. E L’Heure Bleue poderia ser a ‘trilha olfativa’ de tal livro. Ao mesmo tempo em que apresenta a riqueza e o luxo da aristocracia, mostras as infinitas dificuldades dos operários, classes sociais menos favorecidas e soldados no front. Aqui o perfume aparece duas vezes: na alva pele e roupas de tecidos luxuosos das damas da sociedade, frequentando eventos sociais e flertando com cavalheiros e aparece na obstinada perseverança das costureiras, das operárias, das mães solteiras, das criadas que sofrem os horrores da guerra sem perder a esperança de dias melhores e mais justos.
Delírios literários findos, vamos falar do perfume: tem a aura do início do século mas não soa datado como seus contemporâneos. É oriental floral, é rico em notas, e sim, é daqueles perfumes tão bem estruturados que fica difícil reconhecer notas olfativas, pois elas são entrelaçadas com tanta harmonia que senti-las ‘avulsas’ é tarefa para especialistas, coisa que estou longe de ser…
Notas de saída: anis, coentro, neróli, bergamota, limão siciliano.
Notas de coração: cravo (flor), orquídea, heliotrópio, jasmim, neróli, cravo-da-India, rosa búlgara, violeta, ylang-ylang, tuberosa.
Notas de fundo: íris, sândalo, almíscar, benjoin, baunilha, vetiver, fava-tonka.
Começa com toque herbal picante, especiarias, notas cítricas. Logo revela uma impressionante harmonia floral onde pude sentir a rosa, a violeta, o ylang-ylang. Sinto flores ‘quentes’ em L’Heure Bleue: como se eu estivesse em uma estufa cheia de flores, sem ventilação, sob sol do meio dia. São flores abafadas, cálidas, extremamente femininas e de uma elegância cheia de atitude: as flores-dama de L’Heure Bleue estão é loucas para arrancar os espartilhos e vestidos com metros e mais metros de tecido, colocar calças compridas e levar sua feminilidade forte para assistir e participar das mudanças sociais que estão por vir.
As notas de fundo são bem orientalizadas, com o toque levemente amargo-resinoso-medicinal do benjoin, o atalcado da íris, o amadeirado-doce do sândalo, o frescor exótico do vetiver e a inconfundível baunilha da casa Guerlain (o famoso ‘Guerlinade’).
L’Heure Bleue soube envelhecer sem perder a beleza e o encanto! É uma mulher madura, sábia, sedutora e que guardou no coração a esperança e a intensidade de seus 15 anos.
Um obra de arte!

Love Potion, Oriflame

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Serei breve e pontual ao falar do Love Potion.
Comprei ele por alguns motivos:
– Por causa do vidro, é lindo demais.
– Por curiosidade pela marca Oriflame. Tem embalagens lindas, é baratinha e faz o maior sucesso lá fora. Vende por catálogo, tipo Avon.
– Pela descrição do Fragrantica, pois achei que seria um desbunde. Olha só as notas olfativas:
Notas de saída: gengibre, rum.
Notas de coração: baunilha, tangerina, cacau, café, lírios.
Notas de fundo: sândalo, fava-tonka, chocolate.
Então, eu estava esperando um delirante e intenso perfume oriental gourmand a láThierry Mugler. Só que não…
Sabe o que o Love Potion é? Uma cópia do Amor Amor. De fixação pífia.
E eu nem gosto tanto do Amor Amor.
Fim!

 

Opoponax

Opoponax (Commiphora Erythraea ou Opopanax chironium, achei as duas plantas como Opoponax), também é conhecida como mirra doce ou mirra bisabolpossui aroma balsâmico, quente e doce. A cor de sua resina é marrom, no entanto, resinas de melhor qualidade tem a coloração vermelho escuro. É utilizado como componente de incenso e perfumes desde os tempos bíblicos.
A árvore produtora de tal resina cresce na Somália, Quênia, Etiópia e outros países. A Somália e a Etiópia são consideradas as principais fontes de opoponax. O arbusto mede de 1 a 5m de altura, as folhas possuem 2,5 x 10 cm de comprimento quando completamente madura e são ovais. As flores são de cor creme e muito pequenas, tendo apenas alguns milímetros de largura, no máximo. O fruto é arredondado, de cerca de 1 cm de diâmetro e contém uma única semente.
A extração do opoponax é feita através de incisões na casca e também pela quebra dos galhos. A goma escoa para fora dessas incisões que depois solidifica e forma protuberâncias. Tal resina possui sabor acre e amargo, é altamente inflamável e pode ser queimada como incenso. A resina já foi usada no tratamento de espasmos, como emenagogo,no tratamento da asma, infecções crônicas viscerais, hipocondria e histeria.
Commiphora Erythraea
É freqüentemente vendida em pedaços irregulares, secas e gemas em forma de lágrimas não são incomuns. O extrato de Opoponax é obtido por extração com solvente ou destilação a vapor a partir da goma extraída do tronco.
O óleo de Opoponax é um material muito utilizado na perfumaria por seu aroma doce e balsâmico. É usado principalmente em perfumes orientais e utilizado como nota de base.
Curiosidades ‘literárias’ sobre o Opoponax:
– Segundo rei Salomão teria considerado o opoponax como o mais nobre dos incensos.
– No décimo terceiro capítulo de Ulisses, de James Joyce, Leopold Bloom reconhece o opopanax como um ingredienteno perfume de sua esposa, Molly.
– No romance Casa Negra, de Stephen King e Peter Straub, a palavra opopanax é usada repetidamente e constantemente de uma forma absurda, tanto como um verbo e um adjetivo (por exemplo, “grito distante do opopanax”, o opopanax isso, o opoponax que, etc) acabou se tornando um símbolo para todos os eventos estranhos e incompreensíveis que se desenrolam no livro.
– Em outro romance de Stephen King, Lobos de Calla (o quinto livro da série A Torre Negra), um personagem tem um “opopanax pena”, sugerindo, assim, que é o nome de um pássaro. Nenhuma outra explicação é dada na história.
– O título do romance L’Opoponax, pela escritora feminista francês e teórico Monique Wittig, que descreve as experiências de uma jovem rebelde em um colégio de freiras.
– No romance L’Écume des jours, de Boris Vian (1946), o hábito do personagem Dr.Mangemanche é perfumar o cavanhaque com uma escova embebida em extrato de opoponax.
– Do autor John Brosnan, temos o romance chamado The Invasion Opopânace, onde um DNA alienígena está contida em uma resina semelhante ao opopanax (fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Opopanax).