A História do Banho – Parte I

Não gosto de Carnaval. Mas, nas minhas buscas por artigos sobre perfumaria e afins na internet, me deparei com isso:  O banho foi enredo do Carnaval da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no ano de 2009. É de lá que tiramos as informações do texto a seguir:

http://www.beija-flor.com.br/2012/por/17-outroscarnavais/carnaval2009/enredo.html

1 – Egito – Origem do Banho

Os primeiros registros do ato de se banhar individualmente ocorreram por volta de 3.000 a.C., e pertencem ao antigo Egito. Os egípcios realizavam rituais sagrados na água e banhavam-se diariamente, dedicando os banhos a divindades como Thot e Bes.

Thot era o Deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita e da medicina, considerado a melhor divindade para cuidar das pessoas que se banhavam. Depois dele, vinha Bes, o Deus da fertilidade e do casamento, que cuidava do parto e do banho das crianças e mulheres.

Mais do que limpar o corpo, os egípcios presumiam que a água purificava a alma, e esta crença era válida tanto para a realeza – cortejada com óleos aromáticos e massagens aplicadas pelos escravos, quanto para as populações mais pobres, que recorriam inclusive a profissionais de rua quando não conseguiam tratar da própria beleza. Os egípcios foram os inventores dos primeiros cosméticos.

2- Termas – Luxúria Líquida

Babilônia, Turcos, Gregos, Romanos

A Grécia foi um dos locais em que o banho prosperou, sendo possível encontrar bem preservados palácios de 1700 a.C. a 1200 a.C. que, mesmo nos dias atuais, surpreendem devido a avançadas técnicas de distribuição da água.

Apollon and the Nymphs, 1666-73, Apollo Grotto, Versailles

Na Grécia, o banho também era uma extensão necessária da prática de ginástica, e comumente os gregos antigos invocavam a proteção de Hera, a mulher de Zeus (também conhecida como Deusa Juno), durante o banho.

Os gregos tomavam banhos por prazer e para ter uma vida saudável, motivados pela higiene, espiritualidade e práticas desportivas, sendo que os médicos da época louvavam as virtudes ocasionadas em função dos diferentes tipos de banho, aconselhando o uso de óleos na água para untar o corpo antes de as pessoas se secarem.

Embora os gregos tenham iniciado a prática dos banhos públicos no Ocidente, os pioneiros nos balneários coletivos foram os babilônios.

Materiais saponificantes anteriores a 2.800 a.C. foram encontrados em cilindros escavados nas ruínas da antiga Babilônia. As inscrições indicam que aquele material era utilizado para a limpeza dos cabelos e para auxiliar na confecção de penteados.

Por volta de 650 a.C a cidade da Babilônia, na Mesopotâmia, tornou-se o centro comercial de especiarias e perfumes da época.

Já no século II a.C., os romanos construíram enormes complexos de banho para homens, sendo que os romanos foram o povo da Antiguidade que mais se importaram em transformar o banho num evento, construindo suntuosas termas públicas onde seus cidadãos podiam desfrutar dos prazeres proporcionados pelo banho. O banho referia-se à idéia de repouso e de convívio, pois era uma prática social e um ritual simbólico.

Os romanos herdaram muito da cultura grega, incluindo a adoração pelo banho. Porém, entre eles, esse hábito adquiriu proporções inéditas. As visitas diárias às termas tinham fundo religioso, visto que o banho público era um ato de adoração à deusa Minerva.

Os romanos consideravam Minerva, a deusa do comércio, da educação e do vigor, especialmente bem dotada para cuidar do banho. Fortuna, a deusa do destino, também era representada nas casas de banho, para proteger as pessoas quando estavam mais vulneráveis. Além disso, havia incontáveis ninfas e espíritos associados a fontes e poços locais, venerados como guardiões do banho.

E o costume não era restrito somente às classes mais abastadas: boêmios, prostitutas, imperadores, filósofos, políticos, velhos e crianças, todos se banhavam no mesmo espaço, sem constrangimento.

Os gregos e os romanos mantiveram o hábito de reunir-se em “banhos públicos”, que eram verdadeiros locais de discussões e decisões políticas e sociais. As termas eram um ponto de encontro e de troca de informações e que se tornaram símbolos de luxo.

Os romanos e os gregos – precursores de sistemas hidráulicos que canalizavam águas pluviais e fluviais, conduzindo-as para as residências e termas – fizeram do banho um ritual de luxo e influenciaram o mundo com suas criações de óleos, ungüentos e maneiras prazerosas de banhar-se.

O rito do banho romano podia ser descrito da seguinte forma, segundo informações de outa fonte (http://algarvivo.com/arqueo/romano/termas-romanas.html):

O banhista devia começar por untar o corpo com óleos e praticar alguns exercícios de ginástica, desporto ou luta livre.

Entrava depois numa sala muito aquecida, o sudatorium, onde transpirava abundantemente.

Passava então ao caldarium, sala aquecida, onde podia lavar-se e retirar os restos de óleo.

Depois de uma curta passagem pelo tepidarium, mergulhava na piscina do frigidarium, cuja água fria lhe revigorava o corpo, sendo em seguida massajado e untado de óleos aromáticos.

Em geral, as manhãs eram reservadas às mulheres e as tardes aos homens.

As mais antigas termas romanas de que há conhecimento datam do século V a.C. em Delos e Olímpia, embora as mais conhecidas sejam as de Caracala.

Normalmente, as termas romanas eram constituídas por diversas salas:

apodyterium – vestiário

tepidarium – banhos tépidos

praefurnium – local das fornalhas que aqueciam a água e o ar.

caldarium – banhos de água quente

palaestra frigidarium – banhos de água fria

sudatorium – uma espécie de sauna.

O apodyterium era a entrada principal, constituída por um quarto comprido ou largo, dotado de compartimentos ou estantes, nos quais os cidadãos guardavam suas roupas e pertences, enquanto tomavam seu banho.

Escravos particulares, ou funcionários das termas (capsarius), cuidavam dos pertences, enquanto os cidadãos desfrutavam dos prazeres do banho.

Um manual escolar romano ensinava ao jovem aprendiz da nobreza que, ao entrar nos banhos, deixando para trás seu escravo no apodyterium, a lembrar-se de dizer-lhe: “Não durmas, por causa dos ladrões”.

Os homens livres ricos e suas mulheres traziam habitualmente vários escravos até o apodyterium, como forma de exibir suas posições sociais. Estes escravos levavam toda uma parafernália de banho: acessórios e artigos de vestuário para banho, sandálias, toalhas de linho, e ainda óleos para unção, perfumes, esponjas, e strigilis – instrumentos de metal recurvados para raspar o excesso de óleo, suor e sujeira dos corpos.

Voltando as informações da Beija-Flor….

Os árabes não só compreendiam e apreciavam os prazeres dos perfumes, mas também possuíam conhecimentos avançados de higiene e medicina. Muito celebrados por suas maravilhosas descobertas, eles ofereceram à humanidade o primeiro alambique, e a partir desta invenção foi possível destilar as matérias-primas e preparar a primeira água de rosas do mundo, isolando o perfume de pétalas em forma de óleo.

Associar os famosos banhos turcos a rituais amorosos é uma das primeiras reações dos ocidentais ao imaginar as sofisticadas casas dos muçulmanos. O hamman, a cerimônia islâmica do banho, estimulava a imaginação dos europeus, ao descrever dezenas de belas mulheres se banhando e se embelezando em um ambiente ricamente ornamentado.

Mas o hamman supera essa carga erótica. É um preceito da fé islâmica lavar e perfumar o corpo para a oração. E os banhos em conjunto, demorados, são a melhor maneira de se purificar para a prece. O hamman serve, então, como meditação entre os pecados do corpo e a limpeza do espírito.

Na Europa, somente no século XVII houve a introdução das casas de saunas e banhos turcos.

Em breve a parte II…

Outras fontes: http://www.arquitetonico.ufsc.br/vamos-tomar-banho

http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/g/girardon/index.html

http://www.livingdesign.net.br/2011/11/%E2%80%9Ckitchen-bath%E2%80%9D-%E2%80%93-a-historia-do-banheiro.html

Avon – Christian Lacroix, Nuit

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Eis uma grata surpresa que a Avon em parceria a Christian Lacroix proporcionou! Nuit foi apresentado no outono de 2011, depois das edições Rouge e Absynthe.
A embalagem roxa, pelo simples fato de ser roxa, já ganhou pontinhos comigo. Dizem que muitas vezes a gente consome com os olhos né? Quem nunca comprou um perfume pela embalagem?
O frasco-gota mantém a bonita tonalidade purpúrea, adornada por uma filigrana que dá margem a muitas interpretações, tais como uma das pranchas do teste de Rorschach (sim, sou psicóloga formada!). Seria uma borboleta? Uma orquídea? Folhas de samambaia? Tentáculos? Tudo isso e muito mais, Nuit pode ser o que você quiser, tudo depende do modo como for usado.
Se for usado com boa dose de parcimônia, pode ser diurno, floral com toque amadeirado, lembrando vinho branco licoroso. Tem cheiro de uvas maduras!
Se usado com ousadia, com generosidade, se torna noturno, incensado, com flores melífluas e licorosas. E essa dupla jasmim-narciso quase hipnótica? Tão bem combinada! E me parece a variedade jasmim-manga, conhecido como plumeria.
Notas de saída: neróli, bergamota, néctar floral.
Notas de coração: jasmim, narciso, tuberosa.
Notas de fundo: notas amadeiradas, musk, âmbar, incenso.
Sinceramente? Achei Christian Lacroix Nuit incrível. Todo na medida. Sem excessos (nem faltas) em nenhum momento, bem dosado. De excelente sillage e fixação, embalagem bonita, preço mais do que acessível!
Para quem gosta do gênero oriental-floral-incensado-amadeirado (sim, tudo isso), taí um bom perfume com preço camarada!

Comercial do perfume Damosel, Atkinsons

“Recém-casados, eles estão recordando todos os momentos perfumados com Damosel. E você também, minha amiga… quando estiver saindo da igreja no dia feliz do seu casamento… recordará com carinho todos os instantes do seu romance”.

“Damosel, o perfume que dá felicidade, é composto das mais deliciosas essências dos cinco continentes”.

“Damosel é um convite para o sonho. O perfume de Damosel foi inspirado no culto do amor, encantamento e felicidade. Comece a viver hoje mesmo o seu sonho perfumado com Damosel, de Atkinsons”.

Só consegui a informação que tal perfume data da década de 50, quando as moças eram educadas para serem “do lar” e suportar muitos desaforos dos maridos, senhores da verdade e responsáveis por todo sustento da casa. Mas nada de discussões sociais ou de cunho feministas, vamos focar no perfume. Alguém já ouviu falar no Damosel? Vamos perguntar para nossas mães?

Crystal Noir, Versace

Infelizmente, deste precioso só tenho amostrinhas. Mas já são mais do que suficientes para me certificar de que Crystal Noir “faz meu tipo” de perfume! Quente e especiado! A surpresa é que ele tem uma réstia de luminosidade floral, uma nuance que não chega a ser fresca, mas está quase lá…

Foi criado em 2004 por Antonie Lie. Seu frasco é um tanto quanto exagerado, acho que a tampa-pedra-preciosa-de-plástico podia ser um pouco menor. Daria mais impressão de mistério, raridade e preciosidade do que essa “cabeçorra”. Pior é que quanto menos ml tem o virdo, maior é a bolota. Bom, mas exageros são comuns a Donatella Versace, então…

Crystal Noir é sensual. É noturno, é convidativo! Tem uma “luminosidade escura”, dá pra entender? É luz de velas, é candelabro. Nada de luz elétrica.

Notas de saída: gengibre, noz-moscada, grãos-de-pimenta.

Notas de coração:flor-de-laranjeira africana, gardênia, peônia, coco.

Notas de fundo: musk, sândalo, âmbar.

Essas tríade da saída me mata! Que delícia inebriante para os sentidos! Doces, picantes, envolventes! Acredito que a luminosidade toda do Crystal Noir venha das notas de flor-de-laranjeira e da gardênia. Não vou mentir, não distingui a peônia. Acho que ela é uma nota muito delicada em meio a outras tão “aparecidas”. O coco vem bem misturado às demais notas, sem nenhuma proposta tropical-pinã-colada-malibu, então não chega a me desagradar, uma vez que não gosto de tal nota. O sândalo é bem evidente, doce, pungente, bem como o fundo almiscarado.

O único defeito dele para mim é a tampa cabeção. Tinha que ser menor.