














Confesso: os flankers do Opium me deixam curiosa. Sempre fico pensando se vai surgir um a altura do Opium-pai. O Vapeurs (vou resumir o nome, ok?) e seu frasco alaranjado foi um desses, até que a Li, do blog Parfums et Poesie teve a gentileza de enviar uma amostra.
E aí eu fiquei mais atrapalhada: como um perfume que carrega o nome Opium pode ser assim tão luminoso? O frasco alaranjado não estava mentindo então? O perfume é assim claro e radiante mesmo? Até passou a ‘bronca’ com o Belle d’Opium, voltei a ficar ‘de bem’ com a família Opium!
Vapeurs cheira a ‘talco de laranja’ (isso existe?), a maquiagem novinha, a flores brancas miúdas e inebriantes. Tem toques especiados discretos e comedidos durante sua evolução. Suas notas de base são esfumaçadas, incensadas e adocicadas. Opium para os tempos modernos, sem cair na monotonia!
O que mais me encantou nele é a coisa toda dos cítricos – casca, sumo e flor – envoltos em notas mais pesadas e de doçura misteriosa! E tem ainda um quê picante que ‘levanta’ a composição ‘ e a faz parecer fluorescente!
Depois de 2 horas na pele consigo sentir as notas de benjoim, patchouli, baunilha e noz-moscada (uma coisa meio-morna-meio-sujinha). Embora sua base seja construída de inúmeras notas marcantes e ‘pesadas’, ela é delicada e o resultado na pele é confortável e sensual.
Fãs do Elie Saab, conheçam Opium Vapeurs! Quem odeia o Opium-pai, conheça o Opium Vapeurs, para tirar a ‘fama’ da família e de repente encontrar um amor! Fãs de perfumes doces, fãs de perfumes florais, todo mundo devia conhecer o Opium Vapeurs, ele é tão fácil de agradar!
Foi criado em 2012 e é apresentado na concentração EDT Légere.
Notas de saída: mandarina, pimenta rosa.
Notas de coração: jasmim, flor-de-laranjeira.
Notas de fundo: âmbar, noz-moscada, incenso, madeiras, baunilha, patchouli, benzoin.

No dia 28 de agosto, as 19h, a Faculdade Santa Marcelina, em parceria com o Grupo Boticário promoveu a palestra ‘Um passaporte ao mundo sensível dos perfumes e aromas’. Tal palestra foi ministrada por Mônica Rossetto: perfumista (já atuou na Symrise, Givaudan), docente do curso de pós graduação da FASM, palestrante, atriz.
Saí do trabalho as 18h, corri feito louca, andei mais do que imaginava e cheguei esbaforida as 19:04h! Ufa! O importante é que deu tempo!
Monica iniciou a palestra falando da importância do olfato e das sutilezas deste sentido, de como ele pode nos despertar lembranças, sentimentos, aversões. É nosso sentido mais ‘primitivo’, ajudou o homem pré-histórico nas caçadas, avisou sobre a presença do inimigo e a qualidade dos alimentos. Refinou-se com a evolução da espécie, mas continua sendo um sentido extremamente ligado as nossas emoções. E o mais engraçado? Ainda temos muitas dificuldades de nomear o que o olfato nos proporciona! ‘Emprestamos’ termos derivados de outros sentidos (visão, audição, tato, paladar) para nomear sensações que o olfato nos trás. Quer um exemplo? Quem nunca disse estar sentindo um ‘cheiro doce’? Olha o paladar aí…
Contou ainda sobre o trabalho do perfumista, da abundância de matérias primas disponíveis na durante a criação de uma fragrância: mais de1.500!
Discutimos ainda sobre a relação que temos com os cheiros produzidos pelos nossos corpos: fazemos de tudo para nos ‘livrar’ de nossos cheiros e adquirirmos outros considerados desejáveis, através de perfumes, cosméticos, cremes. Nos privamos de algo que é nosso para nos cobrir de algo que julgamos nosso… E essa é a brincadeira, quem você quer ser hoje?
Monica ainda nos apresentou uma série de 7 matérias-primas de um perfumista, e antes de sabermos o que eram de fato, falamos sobre nossas impressões. Não existia certo ou errado!
Vou colocar aqui minhas impressões, de 1 a 7, depois falo sobre o que eram de fato e o que Monica disse sobre cada uma:
1 – Senti balinhas de frutas, vitamina de frutas, acetona, esmalte de unha;
2 – Chiclete bubaloo sabor melancia, erva-doce, ar-condicionado;
3 – Jasmins, pasto, grama pisada;
4 – Amendoado, baunilha, heliotrópio, comidas natalinas;
5 – Torradas, manteiga;
6 – Estrume, ranço, manteiga rancidificada, queijo curado estragado, vômito de bebê;
7 – Gel de massagem, vick vaporub, gelado, pasta de dente.
Coisa doida né? O mais interessante era ouvir o que as pessoas ali presentes sentiam a cada experiência! Ouvi desde ‘bosta’ até ‘perfume da baunilha da Victoria Secret’!
Enfim, o que eram tais substâncias? Eram matérias-primas usadas na perfumaria e algumas até mesmo na fabricação de alimentos! Daí explicou-se que muitas vezes a substância é prejudicial se ingerida, então ela pode ser usada na perfumaria e cosmética, mas não na indústria alimentícia, e vice-versa! Legal né?
Bom, vamos lá, ver o que eram de fato os 7 ‘elementos’ citado aí em cima?
1 – Lembra maçã verde ou pêra, passa sensação de ‘suculência’ e frescor. Não anotei o nome…
2 – Floralzone: cheiro atmosférico, ozônico, aquoso, transparente;
3 – Jasmim Absoluto;
4 – Heliotropina;
5 – Pão! Delicioso composto que imita o cheiro de pão torrado, amanteigado! Dá fome e vontade de morder;
6 – Civet: animálico, corpóreo, sujo. Usado em minúsculas doses na perfumaria, para dar ‘alma’ a um perfume;
7 – Salicilato de metila (usado no gelol, emplastro salompas).
Depois ainda ‘classificamos’ esses odores em um gráfico dividido da seguinte forma: narcótico, erógeno, anti-erógeno e estimulante. Aqui a percepção era pessoal, cada um devia encaixar os odores onde quisesse. Meu gráfico ficou assim:
3 – entre o narcótico e o erógeno;
6 – erógeno;
4 e 5 – entre o erógeno e o estimulante;
1 e 7 – estimulante;
2 – entre o anti-erógeno e o estimulante.
Que vivência interessante né? Além de conhecermos matérias-primas pudemos falar sobre as sensações e lembranças que cada uma delas despertou!
Em outras palavras: a palestra foi excelente! Agradeço a Monica Rosseto, a FASM e ao Espaço Perfume Arte + História por tal experiência!

Outro dia comprei uma série de produtos cosméticos de preços módicos e repletos de tradição, entre eles desodorante colônia e sabonete Alma de Flores, a versão tradicional verdinha!
Que deliciosa viagem no tempo, que cheiro de penteadeira das senhoras vaidosas e cheirosas que marcaram nossas vidas, sejam elas nossas avós, tias, madrinhas, mães, professoras…
Segundo o site da marca:
A Memphis surgiu em 1949, pelas mãos de Carlos Lütz, Ilse Kuhlmann, Rodolfo Gros, Geraldo Caruccio e Domingos Caruccio. A operação inicia-se com a aquisição do Creme Memphis, que envolveu a propriedade da marca, as respectivas fórmulas e um pequeno maquinário. Em dezembro do mesmo ano é comprada a Fábrica de Sabonetes Piva, situada em Santiago do Boqueirão (RS), com todo seu aparato fabril, estoque e marcas, entre elas, a Loção Alma de Flores. Em março de 1950 é realizada a primeira experiência com o Sabonete Alma de Flores, acompanhada de outros lançamentos de sabonetes e do sabão Matacura. Em agosto do mesmo ano, a empresa inicia a produção do Sabonete Super Original, apresentado nas versões Orquídea, Lavanda e Água de Colônia.
O ano de 1952 é coroado com importantes lançamentos: o Sabonete Lavanda Memphis e o Talco Alma de Flores. Também é desenvolvido o quarto perfume do Sabonete Super Original: o Cravo.
Agora sabemos que desde 1950 – isto é, há 64 anos – o Alma de Flores faz parte do toucador da mulher brasileira! A marca recentemente passou por uma ‘modernização’ ao mudar as embalagens, aumentar a linha de produtos e apresentar novas fragrâncias, mas não perdeu a carinha retrô que tanto nos encanta!
A versão tradicional da colônia, desodorante ou sabonetes é compostas de ‘finíssimas essências’ (segundo a embalagem) de rosas, jasmins e lavanda. É um floral robusto, atalcado, com cheiro de maquiagem, de quarto com cortina, de gaveta com sachê, de flores em jarra d’água! Em outro site achei tal informação, mas não sei se procede:
Saída: lavanda, bergamota, notas herbais.
Corpo: bouquet de flores, cravo, madeiras.
Fundo: nota balsâmica, musgo de carvalho.
Você, admirador de perfumes: vale a pena conhecer ao menos o sabonete da marca! Conheça os tesouros de nossa cosmética que há décadas perfumam nossas vidas!