Parlez-Moi d’Amour EDT, John Galliano

Fale-me sobre o amor” – pediu a trágica Edith Piaf e o polêmico John Galliano o fez em 2010, na voz de Marisa Monte e arte da perfumista Alienor Messenet.

Vem com dedicatória na tampa, em letra ‘de mão’. Vem em envelope com selo florido, daqueles que certamente ficaria por muito tempo na escrivaninha e arrancaria um suspiro cada vez que fosse visto!

Meu marido (que de poucos dos meus perfumes gosta), diz que ele tem cheiro de roupa lavada. Deve ser a overdose de almíscares que de fato lembram sabão em pó borbulhante.

Mas na verdade, para mim, Parlez-Moi d’Amour tem cheiro daqueles batons que vinham dentro de uma embalagem em forma de morango. Lembram né?

Começa com limonada suíça e frutinha silvestre que em minha concepção era morango. Logo surge uma rosa açucarada e um jasmim plastificado que deixam o perfume com cheiro de maquiagem, creme de beleza, coisas assim. São flores bem sintéticas, mas a ideia deve ser essa mesmo! Ornou perfeitamente o cheiro de flores plastificadas ao azedinho-doce de frutas silvestres, funcionou bem!

O tempo todo sinto a presença do almíscar, que deixa o perfume com uma aura de limpeza e frescor. Aquilo de ‘prolongar a sensação do banho’, o que para mim nada mais é do que te fazer sentir cheiro de sabonete mais tempo. A sensação é puramente olfativa, porque tátil não pode ser.

No final tem um nota com aspecto amadeirado e pinhoso, coisa de móvel novo. E deixa a rosa ainda mais bonita!

É um perfume descompromissado, alegre, funciona bem em todas as temperaturas. É daqueles amores juvenis (que não acontecem só com jovens) que fazem o coração saltar do peito, fazer juras eternas, guardar o papel da bala que ganhou do ser amado, dançar na chuva!!! E tem coisa mais gostosa?

Notas de saída: gengibre, limão, mirtilo.

Notas de coração: jasmim, rosa.

Notas de fundo: almícar, cipreste, patchouli.

Sabonetes Perfumados CLOY

Produtos

Antes de mais nada, este não é um post patrocinado. Adquiri os produtos citados com meu dinheiro, em uma perfumaria que costumo frequentar aqui no centro de SP.

E a gente gosta de novidade né? E até então a marca CLOY (Cool Lifestyle Olfactive Yourself) me era desconhecida. Gosto de tudo que é perfumado e tenho uma queda especial por sabonetes e produtos direcionados ao banho.

Entrei na perfumaria e lógico, me chamou a atenção as bonitas caixinhas dos sabonetes. E ainda tinha uns abertos para sentirmos melhor o cheiro! Qual não foi minha surpresa ao ver nos sabonetes ‘estampados’, de um lado o logo da marca e do outro desenhos belíssimos, a Torre Eiffel, flores e folhagens, o canal de Veneza!

E o cheiro! Um melhor do que o outro, de fato extra perfumados, como prometem os dizeres da embalagem!

identifiquei ali inspirações em perfumes já consagrados. Venice Love lembra o Angel, o Vintage Nobre Roses lembra o Parisienne. Arrematrei os 3, cada um por R$ 1,99. Pechincha né?

Não contente voltei mais tarde na loja e adquiri o óleo bifásico Vintage Nobre Roses e aproveitei para provar o body splash da mesma linha. Coisa linda! Durou na pele mais de 2 horas exalando bem! Acho que amanhã compro ele…

No banho usei o óleo, e achei muito bom, embora seja de base mineral. Perfuma o banheiro todo, é levinho, não deixa a pele melecada, o perfume na pele fica bem suave, mas persistente.

Vamos as notas olfativas dos bonitos que comprei?

Vintage Nobre Roses – violeta e rosas com um toque talcado à base de baunilha e almíscar branco.

Venice Love –  frutas suculentas, notas orientais e chocolate branco.

Paris Secrets – acordes florais e amadeirados com um toque delicado de gourmand e ameixa confeitada.

Informações sobre as notas olfativas foram retiradas do site da marca.

A marca tem ampla linha de produtos, são hidratantes, óleos, sabonetes e body splashs. Se encontrarem por aí não deixem de curiosar!

Imagens retiradas do site da marca.

Frescor de Açaí e Frescor de Castanha, Natura

  

Não me lembro de quem ganhei as amostrinhas das colônias da Natura, o fato é que elas estavam na minha bolsa faz um tempo. Pois é, gosto de ter umas amostrinhas na bolsa, nada como umas gotinhas de perfume para fazer o ânimo subir no meio da tarde!

Um dia desses saí de casa ultra-atrasada para o trabalho e lembrei de tais frasquinhos. Passei no elevador a colônia Frescor de Açaí e fiquei surpresa, pois mesmo sendo uma colônia, durou na pele exalando bem por mais de 3 horas!

O cheiro da Açaí não é nada demais, tem cheiro de desodorante e shampoo, daqueles que dizem prolongar a sensação do banho. É clichê eu sei, mas ela consegue viu! O cheiro trás uma sensação fresquinha, limpinha, viçosa!

Notas olfativas da colônia Frescor de Açaí: açaí, notas frutais, sândalo, notas amadeiradas. Não sinto aqui cheiro de açaí, e sim de amora. Enfim, as duas são pequenas e roxas…

Aí no meio da tarde eu passei a frescor de Castanha! Que delicinha heim, Natura? Me surpreendeu pela nuance oriental e exótica! Foge das tradicionais colônias batidas de cheiro frutal-floral que valoriza a biodiversidade brasileira e todo aquele papo. Quero mesmo ver é colônias de tapeberá, de araticum, de murici ou de cagaita (nunca vi esses frutos, mas tomei os sorvetes desta marca. Deliciosos e cheirosos, viu!).

Suas notas de saída são extremamente breves, coisa de segundos, mas trazem lavanda e frutas cítricas doces. Logo surgem flores brancas cremosas e um cheiro fantasioso e doce de castanhas amanteigadas! Se existisse um bolo Pullmann de castanha ele teria esse cheiro!

Termina com aspecto leitoso e adocicado. Dura na pele umas 3 horas.

Notas olfativas oficiais: lavanda, limão, laranja, jasmim, ylang-ylang, lírio, leite, musgo-de-carvalho.

Enfim, gostei da qualidade das duas colônias! Mais ainda quero uma colônia com cheiro de jaca…

A*Men Pure Coffee, Thierry Mugler

Aos amantes da sagrada bebida – o café – conto que Pure Coffee foi um flanker, uma edição limitada lançada em 2008 e hoje bem difícil de achar.

E eu, que não gosto de café, mas adoro a ousadia dos perfumes Thierry Mugler, tinha uma amostra do Pure Coffee.

E durante o uso, encontrei tantas notas que não condizem com a pirâmide olfativa oficial que acho que essa resenha vai ficar uma bagunça…

Logo ao passar na pele senti cheiros de grãos de café torrados. Nada de café sendo feito, de café ‘passado’. Cheiro de café em grãos, ou daqueles que nos anos 80/90, comprávamos nas padarias moído na hora, embalados em saquinhos de papel. Lembram dessa?

Depois senti especiarias. Agora sim, esse café está sendo preparado! E a água de seu preparo é na verdade uma infusão de cardamomo e fava-tonka!

Aos poucos a perfume ganha nuances achocolatadas, amadeiradas e picantes. Sim, lá vem o patchouli mais uma vez fazendo um belíssimo trabalho nas criações da casa Thierry Mugler!

Depois de uma hora de uso, encontrei caramelo, baunilha e comecei a achar que o Pure Coffee tinha na verdade cheiro de tiramisu. Ou de um belíssimo pavê no qual foi acrescentada generosa dose de licor de café.

Com umas 3 horas na pele, encontrei em Pure Coffee um breve cheiro de maquiagem, porém, diferente do conhecido acorde rosa-violeta-íris que empresta aspecto empoado e boudoir aos perfumes. Coisas do vetiver e do patchouli!

E volta e meia ao sentir o perfume na pele vinha a memórias dos grãos de café torrados.

Senti muito do A*Men tradicional nele, mas não posso negar que o tema ‘café’ foi bem colocado neste flanker. Aposto que deixou saudades em muita gente…

Foi criado por Jacques Huclier, e suas notas olfativas oficiais são: patchouli, almíscar, café, vetiver, cedro.

E como vendem ele caro no Ebay!!!! Chega a R$ 1.281,00!!!!

Ultra Sexy, Avon

Tempos de crise, dólar nas alturas e eu doida por um perfume novo. Andei lendo por aí que o fofíssimo Ultra Sexy da Avon é um tesourinho baratinho, então fui atrás dele. Trabalho no centro da cidade e por aqui tem muitas lojas da Avon que fazem pronta entrega e ainda dão desconto de quase 30%! E daí que comprei um por R$ 22,50 na campanha 17. Tá bom né?

A caixa é bem bonita, decorada por dentro e por fora. O frasco é uma fofura, um mimo! Não tem tampa, mas sim uma travinha no borrifador, justamente onde fica presa a rendinha preta que o enfeita.

E olha que chique, foi criado por Frank Voelkl, nariz de muitas outras fragrâncias pra lá de famosas (inclusive o famigerado Egeo Dolce…).

Depois de pegar o vidro, fazer voz de criança e falar: “ai que cuti-cuti-cor-de-rosa-coisa-fofa“, experimentei o Ultra Sexy. Que de ultra sexy não tem muita coisa. É um perfume floral frutal, bem juvenil e alegre!

Começa bem doce, parece que vai ser um petardo enjoativo, mas não. Logo abranda na pele e fica doce na medida certa. Suas notas iniciais são frutas doces bem maduras, equilibradas pelo frescor-azedinho do maracujá. As flores aparecem em seguida com cheiro artificial de chiclete ou produto de banho, junto com suco de pêssego de caixinha, docinho e cremoso.

As notas finais são ambarinas e depois almiscaradas. E ainda aparecem aqui as flores com cheiro de shampoo!

Tem uma parte ruim nele, a duração na pele é pequena, menos de 3 horas.

E em muitos momentos ele me fez pensar nas maçãs da Nina Ricci, mas não sei precisar qual.

Enfim, o Ultra Sexy é um verdadeiro achado BBB: bom, bonito e barato!

Notas de saída: pêra, maracujá, bergamota.

Notas de coração: magnólia, peônia, pêssego.

Notas de fundo: madeiras, âmbar, almíscar.

Liquidnight, A Lab on Fire

Eis um perfume que me deixou confusa: assim que passei na pele fiquei surpresa e encantada! Depois de 1 hora eu achei uma mesmice e não dei mais bola. Aí a baunilha adquiriu ares de marron glace e lá fui eu suspirar novamente pelo Liquidnight…

Enfim, embora seja um perfume muito bem feito e de qualidade inegável, remete a muitos perfumes já vistos, principalmente na perfumaria masculina. Isso é bom, por lembrar perfumes queridos e de grande sucesso e é ruim, por não apresentar a ‘inovação’ que eu sempre espero em um perfume de nicho. Embora isso seja uma idéia boba, não é porque é de nicho que tem que romper conceitos e trazer sempre inovações… bobagem da minha cabeça!

Liquidnight começa com notas cítricas e especiarias. Logo surge uma nota de incenso doce, esfumaçada, levemente ‘queimadinha’. É deliciosa! Depois de um tempo na pele, aparece um nota polvorosa de lavanda! Essa lavanda é bonita, viu? A parte herbal e verde da lavanda ficou em outro lugar, aqui somente a parte adocicada e macia! Soa quase amanteigada!

Aos poucos surgem a baunilha e a seiva de madeira. E o tempo todo, ao fundo, queima o incenso precioso!

É um belo perfume, perfeitamente compartilhável, de ótima qualidade. Mas eu não pagaria os $110 que são por ele cobrados.

Criado em 2012 por Carlos Benaim, são suas notas olfativas: bergamota, limão tahiti, açafrão, sálvia, lavanda, madeira Hinoki, baunilha, incenso, almíscar.

PS: agradeço a amiga Andréa Faria por ter cedido tal amostra!

Ofresia, Diptyque

Criado em 1999 pela perfumista Olivia Giacobetti para a aclamada casa Diptyque, Ofresia é um perfume floral delicadíssimo, amanteigado (aliás, muitos dos perfumes da Olivia Giacobetti me dão essa impressão, de algo amanteigado), discreto e elegante.

Tem cheiro de banho em de tina de madeira, em meio a um cenário campestre. É água, sabonete, flores brancas desabrochando em touceiras, utensílios de madeira molhados.

Começa com uma nota picante e quase agridoce. Rapidamente surge uma nota floral amanteigada, fresca e vívida. E no final tem nuances amadeiradas.

É um perfume bonito, em sua simplicidade. O ruim dele mesmo é a durabilidade, o tempo que ele faz companhia para sua pele é bem pequeno. Em mim, no máximo 3 horas, exalando bem a flor da pele, tem que ‘enterrar o nariz’ para buscá-lo.

Sendo assim, com poucas notas olfativas, sem grande evolução e com pouca durabilidade na pele, fica complicado falar mais sobre ele.

Notas olfativas: pimenta, frésia, notas amadeiradas.

Fresh Couture, da Moschino e Karl Marx

A Moschino é uma casa de design de moda italiana e começou em 1983 pelas mãos de Franco Moschino. Em 2013 o estilista americano Jeremy Scott assumiu a direção criativa da marca.

A questão é: mesmo antes de Jeremy Scott a Moschino já era um tanto quanto atrevida e inovadora em suas criações, inclusive os frascos dos perfumes.

Lá em 1987, quando surgiu o primeiro perfume da marca, a propaganda já era ousada: trazia uma modelo bebendo o conteúdo do frasco com um canudinho. Estaria ela absolutamente viciada no perfume a ponto de ingeri-lo? Muitas podem ser as interpretações…

Em 1995 veio o Cheap & Chic e seu icônico frasco ‘Ollivia Palito’. E embora ache o frasco belíssimo e genial, acho que ali os perfumes da marca venderam a alma para a famigerada e necessária Cultura Pop. E isso foi bom? Ô, se foi!

A Moschino sempre me faz pensar naqueles cintos com o nome da marca usado até a exaustão nos anos 80/90. Tão kitsch quanto as atuais capinhas de celular da marca, que reproduzem batatas fritas, espelhos, ursinhos e por aí vai… Quer dizer, a marca sempre teve o apelo bem humorado, excêntrico e com certa dose de crítica social.

O que dizer do perfume Toy, cujo ‘frasco’ é o corpo de um ursinho de pelúcia e a cabeça a tampa? Só não gosto do fato de ter que ‘decapitar’ o ursinho fofo cada vez que for usar o perfume. E aí eu penso: será que diariamente pensamos em quem temos que, mesmo que simbolicamente, agredir para realizar nossos desejos de consumo? Aí não falo só de outras pessoas não, entra o meio ambiente, os animais, tudo isso!

Teria ela agora passado dos limites? Não falo dos desfiles da marca onde a inspiração veio da Barbie ou do McDonald’s não! Falo dos frascos do perfume mesmo. Seriam agora os fetiches da escola marxista? Para a escola marxista, o fetiche é um elemento fundamental da manutenção do modo de produção capitalista. Consiste numa ilusão que naturaliza um ambiente social específico, revelando sua aparência de igualdade e ocultando sua essência de desigualdade.

O fetiche da mercadoria, postulado por Marx, opõe-se à idéia de “valor de uso”, uma vez que este refere-se estritamente à utilidade do produto. O fetiche relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fetiche).

Se for assim, é muito válido pensar mais sobre o último perfume da marca, o comentado Fresh Couture e seu frasco imitando um produto de limpeza. Segundo a própria marca: “O conceito para esta fragrância era justapor o mais mundano e comum de todos os produtos, o produto de limpeza, com algo tão precioso a fragrância de uma marca de luxo. Tomando a iconografia de uma garrafa que não tem valor aspiracional e usando-o como a inspiração para um vaso para conter algo tão luxuoso e de alta-costura, cria a dicotomia final de barato e caro. O que poderia ser mais Moschino do que isso?

Sendo assim – embora ache o frasco medonho – a idéia é genial. E nos fará refletir sobre nosso hábitos de consumo, aos valores atribuídos aos produtos e objetos de desejo.

24 Faubourg Eau Delicate, Hermès

Faz um bom tempo que troquei um Lola boboca pelo 24 Faubourg Eau Delicate, perfume criado em 2003 pelo festejado Jean Claude Ellena, perfumista exclusivo da Hermès.

E até então poucas vezes dei atenção a ele. Coisa doida, as vezes a gente tem perfumes maravilhosos que ficam ali no cantinho do armário, enquanto desejamos avidamente por novidades… Vivo fazendo isso, mas juro que de agora em diante tentarei promover mais ‘reencontros’ com meus perfumes, vou me apaixonar por eles novamente!

E hoje cedo o crush foi o 24! Assim que ele ‘pousa’ na minha pele me faz lembrar de um protetor solar que eu usava na infância, o Delial Baby! Que cheiro nostálgico e delicioso!

Logo aparecem notas florais arejadas, aqui trazem a sensação de ter um ventinho batendo na pele. Na minha concepção tinha frangipani, jasmim, flor-de-laranjeira, gotinhas de limão e uma nota folhosa, me fez pensar em folhas sendo quebradas e esmagadas entre os dedos.

Quando li suas notas oficiais, fiquei surpresa ao encontrar o louro! Esse mesmo, que a gente usa na cozinha! E tive acesso a outra memórias de infância: quando eu ia com minha vó em uma rua onde tinha um pé de louro para ‘roubar’ uns galhos!. As folhas mais novas (ainda vivas, nada daquela coisa seca que achamos na feira e nos mercados) tinham sim um cheiro que beirava o adstringente do limão!

As notas finais são macias e reconfortantes: sândalo e almíscar discretos, limpos, daqueles que nos fazem pensar em lençóis brancos bem lavados e passados. Exatamente, o almíscar aqui tem cheiro de roupa passada!

Engraçado que é classificado em site especializado como um perfume oriental floral. Para mim está longe disso. Para mim ele é um floral verde que combina lindamente com o verão, isso sim!

Notas olfativas: almíscar, jasmim, flor-de-laranjeira africana, gerânio, sândalo, folhas de loureiro.