Olfato: O sentido marginal

Link para a excelente matéria da revista Superinteressante sobre o Olfato, escrita por Marcos Nogueira, na edição 200, de Maio de 2004.

http://super.abril.com.br/cultura/olfato-sentido-marginal-444491.shtml

“Apesar de indispensável, o olfato foi posto em segundo plano pelo homem civilizado – até mesmo pela ciência, que só recentemente começou a farejar pistas sobre a importância dos cheiros”. 

File:Draper-Pot Pourri.jpgPot Pourri, pintura de 1897 de Herbert James Draper (1863 – 1920).

Só pra lembrar que o meu olfato é muuuuuito melhor do que o seu!

 

 

Secret de Vénus, Weil

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Acho que já deu para perceber que eu adoro uma antiguidade, em se tratando de perfumes né? Os que muitos chamam de “perfume de vó” fazem minha alegria e me transportam a décadas passadas, onde a perfumaria tinha todo um mistério, glamour e particularidade.
Secret de Vênus foi criado pela casa Weil em 1933. Tal casa tem uma história um tanto quanto curiosa. Vamos a ela…
Fourrures Weil era uma pequena empresa familiar de peles, fundada em 1912. Os três irmãos Jacques, Marcel e Alfred Weil, que fizeram artigos de peles para os abastados durante anos, decidiram ofertar perfumes para seus clientes.
A Parfums Weil foi criada, então, em 1927. Todos os perfumes que foram vendidos entre 1927 e 1954 vieram em garrafas feitas por Baccarat.
Durante a guerra, em 1940 a empresa fechou seus escritórios em Paris e mudou-se para os EUA. A fábrica de Paris foi confiscada pelos nazistas e com ela, vários perfumes ali produzidos. Tais fragrâncias nem mesmo chegaram a ser apresentadas ao público. Depois da guerra, a fábrica voltou oficialmente a ser propriedade da família Weil.As primeiras fragrâncias da casa, criadas em colaboração com a perfumista Claude Frayesse, foram feitas para serem usadas em casacos de pele, para mascarar o odor da própria pele do animal. As fragrâncias foram nomeadas Hermine, Chinchilla, Zibeline e deveriam ser usadas ​​na pele equivalente. Zibeline, por exemplo, era uma fragrância forte com algália, jasmim, sândalo, aldeídos, mel, íris, estragão e coentro em sua composição.

Weil lançou uma série de fragrâncias para uso como perfume propriamente dito, e não para odorizar casacos e demais artigos de pele. Secret de Vénus, um clássico e feminino perfume da família chypre floral foi apresentado em 1933. Antilope, em 1946; em 1971 foi lançado Weil de Weil. Lançamentos mais recentes são Weil Pour Homme, Bambou, de 2005, Eau de Weil e So Weil.

Voltemos agora ao Secret de Vénus…
Opulento, e clássico perfume chypre floral, daqueles que ofendem olfatos mais sensíveis e desacostumados as fortes fragrâncias dos anos 30/40. Bom, é claro, adquiri o perfume que está a venda atualmente (a versão Eau de Cologne), acredito que tenha passado por muitas reformulações e esteja longe do que era nos anos 30, mas enfim…
Notas de saída: lavanda, bergamota, limão almafitano, pêssego, cassis.
Notas de coração: jasmim, gardênia, frésia.
Notas de fundo: sândalo, patchouli, cedro, baunilha.
Se você gosta de grandes clássicos como Chanel nº5, Madame Rochas, Caleche, acredito que Secret de Vénus vá te agradar. Ele é um pouco cru, como o contato de um casaco de peles sobre a pele nua, e acho que é isso que a Weil queria fazer! Entenda: embora tal contato, imagino que seja de extrema maciez e conforto, não deixa de ter o toque rústico, selvático e primitivo.
Cheira como um perfume clássico deve cheirar. Tem um quê de aldeídico. Tem todas as características que um bom chypre floral deve ter. Tem um opulento e melífluo buquê floral. As notas de saída deixam claras e as notas da infalível dupla bergamota/pêssego. Tem as notas de fundo amadeiradas e bem marcadas, distintas. E inevitavelmente, muitos dirão que lembra o talco que a tia solteirona ou a avó usava. Pronto, temos a fórmula de um perfume datado. Então vai entrar com honras para a coleção da loucadosperfumes!
Para mim, é o perfume da obra “Venus in Furs” do italiano Guido Crepax.
Deixo claro que sou contra o uso de peles para qualquer finalidade. Sou contra a exploração animal, seja ela de qualquer tipo.
A propósito, outro dia me questionaram se eu aceitaria um perfume que tal pessoa considerou datado demais e “antiquado”. Resposta: sim, aloucadosperfumes recebe de braços abertos perfumes que estão jogados em algum canto, mal amados. Inclusive os meus amados senhores vindos de décadas passadas!

Insolence, Guerlain

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Antes de tudo, ele em o cheiro da minha melhor amiga, daquelas do coração – irmãzinha – então já gosto dele. Daí entramos na questão do poder do olfato em nos trazer lembranças e despertar emoções e sentimentos…
Insolence foi criado em 2006 para a casa Guerlain por Maurice Roucel e Sylvaine Delacourte. O belo frasco em forma de rosa (que me lembra um arrojado bolo de noiva) é criação de Serge Mansau.
Um perfume que “rompe” com o padrão da perfumaria Guerlain. É muito juvenil, muito frutado, muito moderno. Mas guarda em si a maestria das criações da casa.
Na minha opinião, um dos melhores lançamentos dos últimos tempos da já saturada família olfativa floral-frutal. Insolence, como o próprio nome já diz, e serei redundante em dizer, é insolente! Petulante, arrogante. E ao mesmo tempo, percebemos que toda essa soberba é fingida, que por trás de tudo isso existe uma doçura atrevida, lúdica e irresistível! Dá vontade de beber tal insolência!
Já ouvi que ele tem cheiro de bala de goma, de ki-suco (lembram disso?). Ele tem um quê sintético sim, de alguma frutinha fantasiosa que só existe em algum saquinho de balas vindo diretamente da fábrica do Willie Wonka. E quer saber? Adoro tal nota sintética e mentirosa…
Notas de saída: framboesa, bergamota, limão, frutas vermelhas (aposto que misturando tudo isso dá a tal balinha do Wonka).
Notas de coração: flor-de-laranjeira, violeta, rosas.
Notas de fundo: íris, sândalo, fava tonka, musk, resinas aromáticas.
A nota floral que mais se destaca em minha concepção é a rosa. Sabe, como naqueles sucos árabes de rosas com morangos? Então, assim. A violeta aparece sim, mas discreta, só para dar cremosidade e profundidade ao perfume. As notas de fundo são bem mescladas, com maior destaque para a fava tonka.
Insolence é jovial, mas é sexy! É apetitoso, é gustativo. Tem lá seu “cheiro de bala”, mas sem as dulcíssimas notas carameladas comuns ao gênero.

Agarwood (OUD)

Agarwood tem a fama de ser a madeira mais cara do mundo. Há muitos nomes para o cerne resinoso e perfumado produzido principalmente por árvores do gênero Aquilaria. Mais comumente a resina é conhecida como agarwood, aloeswood, eaglewood, gaharu, agalocha ou oudh (em árabe).

Agarwood tem sido usado para fazer incenso de alta qualidade há séculos. Os chineses descrevem seu aroma como “uma fragrância doce, profunda, mas equilibrada” e usam em celebrações religiosas e festivas, bem como os árabes, indianos e japoneses. Agarwood também é parte de muitas farmacopeias tradicionais, que remonta aos tempos medievais e os médicos chineses ainda o prescrevem para resfriados e problemas digestivos. O óleo extraído do agarwood é utilizado nos países árabes como matéria prima para perfumes, principalmente masculinos.

O oudh se forma como uma reação ao ataque de fungos. Árvores infectadas com um tais fungos secretam um óleo perfumado que “protegem” as áreas danificadas (raízes, ramos, cerne ou seções do tronco), que gradualmente se tornam mais escuras, de tons que vão do marrom escuro ao preto.

Espécies que produzem Agarwood são encontradas em toda a Ásia, enquanto que ocorrem naturalmente no Sul e Sudeste da Ásia. O sub-continente indiano foi a principal fonte de agarwood por muitos séculos, mas como as árvores se tornaram escassas no meio do século XX, a extração intensificou na Indochina. Mais tarde, foi estendido para a Indonésia e Malásia. Hoje existem plantações de Agarwood em diversos países, incluindo Bangladesh, Butão, Índia, Laos, Papua Nova Guiné, Tailândia e Vietnã.

Pode crescer em uma grande variedade de solos, incluindo solo arenoso pobre. As árvores crescem de 6-20 m de altura. As folhas são alternas, de 5-11 cm de comprimento e 2-4 cm de largura, com ápice acuminado curto e uma margem inteira. As flores são verde-amarelado, o fruto é uma cápsula lenhosa 2,5-3 cm de comprimento. Pelo menos 15 espécies de árvores Aquilaria são conhecidas por produzir Agarwood.

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Agarwood é exportado em várias formas (pedaços de madeira, pó, óleo e como produtos acabados, tais como perfumes, incensos e medicamentos), e os principais importadores são países do Médio e Extremo Oriente – em particular os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita (onde agarwood é conhecido como oudh), bem como Hong Kong, Taiwan e Japão.

 

Método de Extração

Existem três métodos através dos quais o óleo é destilado: hidro-destilação, destilação a vapor e de extração supercrítica de CO2. No entanto, os métodos mais comuns de destilação são hidro-destilação e a destilação de vapor. Para definir qual o processo será utilizado é preciso levar em conta a idade da árvore. Árvores mais velhas têm maior teor de resina e, assim como um vinho, resina velha fica melhor com a idade. Falando da classificação do óleo de agarwood, a melhor qualidade de óleo sai da primeira destilação e depois desta a madeira sofre de segunda destilação e, por conseguinte, que é classificada em conformidade com o número de vezes que é “cozido”.

Substitutos sintéticos geralmente são desenvolvidos quando as fontes sustentáveis ​​do produto natural não se encontram disponíveis ou seu preço é muito alto. Os componentes químicos principais responsáveis ​​pelo aroma característico de produtos de madeira de ágar, sesquiterpenos, podem, em princípio, ser sintetizados. No entanto estas estruturas são muito complicadas, que serão extremamente caros de sintetizar, o que o torna comercialmente pouco atraente.

 

Por que o óleo de Oudh é tão caro?

Baixo rendimento de material vegetal, trabalho intenso no processo de extração. Estas são todas muito poucas razões da alta do Agarwood. São necessários no mínimo 20 kg da madeira para produzir 12 ml de azeite. Além de tudo, muitas vezes o Oud é “caçado” nas matas por nativos que se arriscam em meio a ameaças naturais…

Estima-se o valor de 18.000 Euros para um quilo do óleo do Oudh.  No mercado atual é basicamente utilizado em perfumaria natural .

Outro motivo de agarwood ser caro é a ameaça de extinção. As mais importantes espécies produtoras de resina  estão protegidas em todo o mundo sob a CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres), bem como pela World Conservation Union, IUCN. A. crassna foi listada como uma espécie em extinção há alguns anos pelo Governo vietnamita, mas agora está listado como uma espécie protegida no Vietnã.

 

Fontes: http://www.agarwoodconsulting.com/

http://www.fragrantica.com/notes/Agarwood-Oud–114.html

Miss Habanita, Molinard

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Acabou a festa de Momo! Não, não me junto aos seus cortejos…  então, vamos voltar a falar de perfumes.

Como já deu para perceber, sou fã confessa da Molinard e tudo que eles engarrafam e vendem para mim é sacrossanto. Bom, até hoje todos perfumes da casa que conheci me agradaram…

Digo que Miss Habanita, embora tenha algo de atalcado e “retrô”, em nada lembra a potência do Habanita de 1921. Ainda bem, porque se lembrasse, seria um flanker ou uma releitura moderna, e a idéia não era essa. A idéia era apresentar ao público uma “filha” (ou neta) da Habanita impetuosa dos anos 20.

Essa mocinha nascida em 1994 pertence a família chipre frutal, é feminina, decidida e mostra ao mundo que herdou da antepassada a personalidade marcante. 

Notas de saída: uvas, cidra.

Notas de coração: pêssego, orquídea, ylang-ylang, jasmim.

Notas de fundo: baunilha, vetiver, sândalo.

Missa Habanita abre cheirando a vinho branco licoroso. Logo depois as notas de orquídea (eu acho que da espécie Oncidiun “Sharry Baby” – a famosa orquídea com cheiro de chocolate – também sou apaixonada por plantas depois falo mais disso) e o ylang-ylang aparecem imponentes e bem femininas. O pêssego e a cidra aparecem em forma de ponche: veja só que perfume mais alcoólico, antes vinho, agora ponche! Digo ponche porque sinto uma nota de champanhe aí, algo borbulhante que aparece assim de repente e logo desaparece. Adoro essas coisas. Que coisas? Bebidas e perfumes, oras!

A base abaunilhada é atalcada, semelhante a “baunilha Guerlain”. O vetiver, sinceramente, não sei onde foi parar…  

Miss Habanita é uma senhorita encantadora! Nada das mocinhas rosadas e insossas da atualidade, não é uma lolita. Já tem seus vinte e poucos, já sabe o que quer, já ganhou, já perdeu. Tem em si a doçura, o viço, a sedução, a impetuosidade que é de família. Mas sem a agressividade masculina que sua antepassada Habanita precisou para enfrentar o mundo. Os tempos são outros…

 

Contratipos e Falsificações

Tais assuntos são polêmicos, rendem muito, mas vou tentar ser breve.  Vamos lá:
Contratipo
Contratipo, inspirado, referência olfativa… são muitos os termos utilizados para definir perfumes que “imitam” outros. Tem pessoas que são absolutamente contra tais produtos, outras usam sem medo de ser feliz. Vou colocar aqui meu ponto de vista…
Nada contra os contratipos. São uma boa opção quando a pessoa deseja muito o perfume e não está abonada o suficiente para adquirí-lo. É a democratização do perfume, minha gente! Mas aí mora o perigo: existem contratipos de qualidades terríveis, é preciso tomar cuidado e investir em marcas mais conhecidas para não transformar seu sonho de perfume no maior dos pesadelos ou até em uma reação alérgica dermatológica ou respiratória.
O que eu tenho contra tais produtos é quando eles são desonestos e dissimulados com seu público. Explico: tem muita marca famosa que faz perfumes “inspirados” e não assume nem sob tortura. E a pessoa vai lá, inocentona, e paga quase 100 pila por um perfume que de original não tem nada, é ”inspirado” em uma obra já existente no fantástico mundo dos “importados”.  Isso na minha opinião é omitir informação do consumidor. Em outras palavras, é ser desonesto.
Prefiro marcas que deixam bem claro que suas fragrâncias são contratipos. Não cito nomes, mas existem marcas que até mesmo divulgam catálogos em que dizem: “perfume nº XX – referência: D&G (a exemplo)”. Dignidade e transparência com o consumidor. Ponto pra elas!
Pessoalmente, gosto da marca Paris Elyseés (não, não ganhei nada pra falar dela aqui). São perfumes de boa qualidade, bem parecidos com os originais, com boa fixação, preço bom e vidros até que bonitos. Cumprem o que prometem sem falsidade ideológica. Confesso que já corri e às vezes ainda corro para eles quando PRE-CI-SO matar as lombrigas de um perfume novo. Aliás, comprei um ontem, bem bonzinho…
Falsificação
Diferente de contratipo. Enquanto o contratipo imita só o cheiro do original, a falsificação imita a embalagem, o nome, a cor e as características secundárias do produto para se passar por original. Já o cheiro fica em segundo plano…
Quem já andou pela região da rua 25 de março aqui em na região central de SP já deve ter visto ambulantes com carrinhos cheios de perfumes embalados naquelas bandejinhas de frios de isopor (sério gente!) cobertos de plástico filme. Então, vidros originais, líquido vindo sabe-se lá de onde. Ouvi dizer que tais vidros autênticos são comprados ou trocados por utilidades domésticas, enchidos com qualquer colônia e vendidos com a premissa de serem originais.
E não é só aqui, olha só esse vídeo mostrando tal fraude em outro país da América Latina:
Temos muitos exemplos de falsificações de perfumes e diversos produtos cosméticos, e devemos sempre nos lembrar dos riscos que tais produtos podem trazer para nossa saúde.
A falsificação pode ser grosseira e pode ser de alto nível, deixando em dúvida até mesmo o mais habituado comprador de perfumes. Mas acredito que o alvo de tais picaretas sejam os compradores eventuais, aqueles que compram de vez em quando e são seduzidos pela possibilidade de ter um perfume “importado” por um valor módico.
 Já vi falsificações de todos os jeitos: perfeitas, tanto que nem eu acreditei que eram falsas, só quando cheirei o produto mesmo – e comprei em um site americano especializado, um dia conto a história aqui – e já vi aquelas com embalagem errada, com nome escrito errado (já vi Ferrary, Bulberry, Anjel, Jadorê, Doce&Cabanna – estou esperando pra ver o AnjoDemônho e o Cocô Chanel, kkkk).
Infelizmente, enquanto existirem consumidores para tais produtos, as falsificações continuarão por aí.
Nesse caso, prefiro ficar sem perfume do que usar um Doce&Cabanna.
Veja aqui excelente post sobre como reconhecer um perfume falsificado:http://perfumesbighouse.blogspot.com.br/2012/03/falsificado-ou-nao.html

212 Sexy, Carolina Herrera

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Fiquei besta: vi que a família olfativa do 212 Sexy é “Oriental Floral”. Como pode? Jurava de pé junto que era “Floral Frutal Gourmand”. Esses perfumes, sempre me surpreendendo…

Na minha concepção, de oriental floral ele passa longe, mas voilá… Conheci ele na pele de uma amiga, e nela ficava muito bom! Em mim 212 Sexy fica juvenil, docinho, rosinha, morninho. Cheiro de parquinho. Deve ser o algodão doce.

Aliás, acho que o 212 Sexy está para as mulheres de 20 a 30 anos como o Fantasy está para as de 15 a 20 anos.

Mas chega de pensamentos soltos, vamos ao perfume: 212 Sexy foi criado por Alberto Morillas para a grife Carolina Herrera em 2005, e atingiu grande sucesso de vendas. A franquia “212” se mostrou rentável e muitos flankers vieram depois – POP, VIP, Glam… (Só para recordar, 212 é o código postal da cidade de Nova Iorque).

Notas de saída: pimenta rosa, mandarina, bergamota.

Notas de coração: gardênia, algodão-doce, notas florais, pelargonium (ou gerânio, da família Geraniaceae).

Notas de fundo: musk, baunilha, sândalo.

212 Sexy é gostosinho sim, mas não espere o turbilhão de sensualidade que o nome promete de forma tão explícita. Ele tem a sensualidade brejeira da menina-mulher, que brinca de seduzir mas não se entrega. Ele é um perfume que desperta uma curiosidade gustativa, mas não vai além disso. Nem proporciona um mergulho sensorial num mundo doce (como faz o Pink Sugar), nem permite um passeio em um jardim de flores voluptuosas e carnudas.

O que salva nele é a dupla gardênia-algodão doce, que bizarramente, combinou! Não pergunte como, mas as lindas flores brancas rodeadas daquela deliciosa espuminha rosa (sempre comi do algodão rosa, então…) resultaram em um acorde lindamente doce, terno e macio!

Enfim, 212 Sexy não é uma maravilha, mas também não é de se jogar fora…

J’adore L’absolu, Dior

Sabe qual o problema do J’adore? É que ele nasceu em 1999, e desde então quase todo ano (as vezes duas vezes no ano), a Dior lança um flanker dele. Só que vi no Fragrantica tem 16.

Outro dia caiu em minhas mãos uma amostrinha do J’adore L’absolu. Inevitável não compará-lo ao J’adore de 1999, o primeiro. Deste, tenho a dizer que é um grande perfume! Um floral lindo, daqueles efusivos e deslumbrantes, dourados! Da mesma grandeza de Fleurs de Rocaille e Lalique Lalique, porém mais “moço” e claro!

Quanto ao L’absolu de minha amostrinha, esperava mais força, por ser um “absolu” (vide fantástico post sobre aqui: http://www.perfumenapele.com/2013/01/o-guia-definitivo-dos-nomes-de-perfumes-parte-3/), oras! O que ele tem de bom não é a potência, mas a evidência das notas florais. No original de 1999 temos muitas notas frutais, que, mesmo em segundo plano, ainda teimam a se esgueirar entre as flores plenas de suas notas.

O L’absolu é um floral cremoso, vivaz, rico, presunçoso até. Foi criado em 2007 por Francois Demachy. O frasco continua o mesmo, porém a tonalidade do líquido é mais forte, dourada.

Notas de saída: ylang-ylang.

Notas de coração: tuberosa, rosas, jasmim.

Notas de fundo: notas frutais, sândalo, musk.

Não posso dizer nada dos demais flankers do J’adore, mas o L’absolu foi bem sucedido. Mas não quer dizer que não pareça bastante com o original. O que quero dizer é que não perde em qualidade e beleza, o que muito acontece quando são lançados 12.789 flankers da mesma fragrância.

Podia ser mais intenso, mais noturno. Mas ainda assim é de grande beleza! Pura feminilidade e luz!

É isso, J’adore L’absolu tem cheiro de luz!