O carnaval perfumado da escola de samba Boa Vista, do ES

Pois é amigos, o perfume caiu na avenida este ano! Ainda nem entramos oficialmente no Carnaval, mas no Espírito Santo já aconteceram até os desfiles das agremiações locais! E olhe só, A G.R.E.S Independente de Boa Vista levou o perfume pra sambar! O enredo apresentado este ano foi “Teu cheiro me dá prazer – Boa Vista espalha o perfume no ar“! Teve até carro alegórico que ‘espirrava’ perfume na avenida e na arquibancada dos foliões!

Mais notícias nos links abaixo:

http://www.estadocapixaba.com/noticias.php?idnoticia=1212

http://www.interjornal.com.br/noticia/24524962/ultimas-noticias/boa-vista-faz-paradona-de-30-segundos-e-perfuma-o-sambao/

http://www.eshoje.jor.br/_conteudo/2014/02/entretenimento/carnaval/15314-boa-vista-destila-seu-perfume-pela-avenida-e-arrebata-o-sambao.html

Sobre as fantasias:

http://profluizrobertocorrea.blogspot.com.br/2013/10/gres-independente-de-boa-vista_13.html

Olha aqui a letra do samba-enredo, cujos compositores são Sidney Myngal, Bid do Cavaco, Emerson Xumbrega e Chanel Rigolon:

“Quem é que espalha o perfume no ar? sou eu
Quem é que faz o meu povo sambar? sou eu, sou eu
É a Boa Vista, o meu grande amor
A essência do samba chegou

Vai voar minha águia
Do alto vem trazendo a leveza
No reino das flores a magia
O aroma que vem da natureza
Viaja nos braços da paz
No egito o deus sol foi adorar
E a estrela anunciar

Têm fumaça eu quero ver, no ritual
Trouxe a cura e o saber, foi divinal
Pecado mulher, que é de enlouquecer
Teu cheiro me dá prazer

Alquimia
Que leva a descobertas, bruxarias
E faz assim filosofar
Encantando a nobreza
Está no ar
A alegria de se perfumar
Paris é luxo que vem de além mar
Pro mundo conquistar
No meu Brasil,
Vem da floresta é natural
Lança perfume é carnaval
As rosas vão exalar”.

(ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=nlaD0mObzDc&feature=player_embedded)

Eu não sou do samba, não sou de me jogar nas folias de Momo, mas parabenizo a Boa Vista por abordar a história dos perfumes e levar um pouco de tal conhecimento ao público! Parabéns!

Datura Noir, Serge Lutens

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Serge Lutens nasceu na França em 1942, começou seu aprendizado como hair stylist em Lille, onde também começou a trabalhar com cosméticos e fotografia. Mudou-se para Paris em 1960 para trabalhar como maquiador na revista Vogue. Ele trabalhou com os principais fotógrafos e modelos do período, e em 1967, Lutens foi contratado por Christian Dior para a produção de uma linha de cosméticos.Atuou na empresa de cosméticos japonesa Shiseido. A parceria com a Shiseido foi bem sucedida, e Lutens projetava embalagens e cosméticos, bem como fotografava anúncios premiados para a marca. Trabalhar na Shiseido deu a Lutens o seu início na indústria de perfumes em 1982, quando encomendou uma fragrância dele, Nombre Noir. Lutens e Shiseido tiveram parceria em outra fragrância  em 1992, o Feminité du Bois. Lutens também projetou e conceituada e luxuosa ‘Les Salons du Palais Royal’*, para a comercialização exclusiva da Shiseido e Lutens perfumes.

Lutens iniciou sua própria empresa, Parfums – Beaute Serge Lutens em 2000. Lutens cria seus perfumes em estreita colaboração com a perfumista Christopher Sheldrake.Serge Lutens é um exemplo de ‘perfumaria de nicho’ bem sucedida e de qualidade ímpar!
Faz pouco que comecei a me aventurar com a dita ‘perfumaria de nicho’. Serge Lutens, claro, foi uma das minhas primeiras apostas!
Datura. Também chamada de trombeteira, é altamente tóxica, enteógena, citada no livro ‘A Erva do Diabo’, de Carlos Castanheda.
Confesso que comprei o Datura Noir às cegas, como faço grande parte das vezes. Olho as notas olfativas, tento (tento!) imaginar o perfume e voilá! BANG! Atiro!
Tem algumas árvores de datura aqui perto de casa, o aroma é de fato inebriante e exótico! A questão é que nas notas olfativas do perfume não consta datura… Mas ok, vamos arriscar, vai que o resultado trás algo da tóxica flor!
Segundo o prórpio Serge Lutens, sobre o Datura Noir:
“Como um rastro de fumaça diabólica deixado por Satanás no Paraíso.
Alguns dizem que esta fragrância vai encantar você, outros que ele vai te deixar louco. Outros ainda que a exposição excessiva irá matá-lo”.
E ainda: tem notas gourmands! Tá bom né? Com ou sem datura nas notas, manda aí um desses!
E que surpresa boa! Lindíssimo perfume de flor branca doce da baunilha, da cumarina, do coco e do heliotrópio! Abre com tuberosas brilhantes, como de emitissem luz fluorescente! Tuberosas bailarinas, dançando em meio a notas gustativas, depois esfumaçadas!
Perfume mutante! A cada hora nota-se uma sutileza diferente, um aroma fugaz ou vigoroso! Teve hora que a tuberosa saiu de cena, deixou espaço para a amêndoa, outras horas a rainha é a fava-tonka, em outros momentos sente-se um leve aroma cítrico-cremoso! Não sei se ele tem de fato notas de saída, coração, fundo! Ele é multifacetado, brinca com os sentidos e inebria, cada hora de um jeito!
O coco (que era meu grande medo, não sou muito fã da nota), não é nada ‘tropical’, é cremoso, leitoso, nada doce. É coco ralado fresco, daqueles de feira livre, sabe?
A semelhança com a datura deve estar lá no começo, uma flor ‘mal falada’ que se faz se inocente, mas é puro veneno! Deve ser metafórica…
Notas oficiais: tuberosa, coco, fava-tonka, amêndoa, flor de limoeiro, mandarina, almíscar, osmanthus, heliotrópio, mirra, baunilha, damasco. Criado em 2001 porChristopher Sheldrake.

Serge Lutens, seu feiticeiro! Essa sua cara de vampiro esconde a alma de um alquimista, que vende poções disfarçadas em frascos de perfume…

A propósito, tenho esse tipo de Datura em casa, em um vaso. Volta e meia ela dá flores! Assim que acontecer coloco uma foto aqui!

“PERFUME E DESEJO: o poder do aroma no comportamento de compra da mulher”, tese de Caroline Franken de Moraes

Por que compramos tantos perfumes? Por que buscamos o ‘aroma perfeito’? Seria para nós ou pra os outros? Vamos estudar um pouco sobre o consumo de perfumes sob a ótica da psicanálise e sociologia? Segue link da tese de Caroline Franken de Moraes, “PERFUME E DESEJO: o poder do aroma no comportamento de compra da mulher”

http://www.uva.br/mestrado/dissertacoes_psicanalise/carolina-franken-perfume-desejo-o-poder-do-aroma-no-comportamento-de-compra-da-mulher.pdf

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“Sillage Parfumé”, de Juarez Machado, 2008.

Illusions Noires Le Premier Parfum Eau Minuit, Lolita Lempicka

Pra começar, vamos resumir o nome para IN, pode ser? Ganhei uma amostra deste perfume inebriante do querido Dênis, do fantástico 1nariz.

Para mim, Lolita Lempicka é uma das marcas mais bonitas no mercado atual! Caprichosa tanto nas embalagens quanto nos perfumes, é atrevida, ousada e ao mesmo tempo tem algo de místico. Penso em nereidas, dríades, epigeias e demais ninfas*…

Hylas and the Nymphs, de John William Waterhouse (1896)

IN é um doce veneno! É escuro, esfumaçado, balsâmico. Um joguinho de palavras, por associação livre? Raiz – escuro – veludo – feiticeira – escorre – licor.

Se a Bruxa da Branca de Neve me oferecesse essa maçã, certamente eu aceitaria sorrindo, toda encantada!

Inicia com aroma poeirento, adocicado, incensado. Incenso doce. Deixa aparecer timidamente a falsa pureza de flores brancas noturnas e explode em notas licorosas e escuras. Alcaçuz!!! Que preciosa essa nota! Levemente medicinal, misteriosa, inebriante e para alguns, enjoativa. Porém, IN não tem a nota de aniz presente em outras versões do Lolita, talvez isso o torne menos ‘enjoado’ a tais olfatos.

Fecha lindamente com baunilha e mais incenso, desta vez menos doce e mais ‘fumacento’, quase religioso.

Eu, que adoro os balsâmicos e incensados, me apaixonei!

Foi lançado em 2012, pertence a uma coleção limitada e infelizmente não consegui a informação de quem é o nariz responsável por ele.

Notas de saída: íris, mirra.

Notas de coração: jasmim-sambac, alcaçuz.

Notas de fundo: baunilha, benzoim.

Rainha Má decidindo se coloca mais alcaçuz ou se insiste no anis na ‘maçã de edição especial’ Lolita Lempicka. E soube escolher bem…

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Ninfas

Excess, Tokyo Milk

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Empresa de cosméticos americana fundada por Margot Elena (que também fundou a Lollia e Love & Toast). A Tokyo Milk Parfumarie Curiosite oferece fragrâncias, sabonetes, produtos de higiene perfumados e velas lindamente embalados e com nomes extravagantes.
Em 2011 iniciou a coleção ‘Dark’, em embalagem preta com logo branco. Tal coleção promete maior variedade e diferenciação de notas aromáticas e estilos, imagens ousadas e nomes que evocam algo mais obscuro a até mesmo místico.
E aí adivinha se a louca aqui não morreu de curiosidade! Como eu poderia deixar passar algo de estética e premissa obscura, com estilo diferenciado e notas estranhas? Como resistir a uma frasco preto com um polvo que logo me fez lembrar do Cthullu* de H. P. Lovecraft pedindo: ‘me leve, me leve…’ E minha veia heavy metal desejava dizendo: ‘leva sim, leva sim!’.
Levei o kraken**. Comprei no Ebay, mandei via direcionador, no final saiu caro. E quer saber? Mais uma vez vi que a classificação ‘nicho’ nem sempre é sinônimo de excelência. O perfume é exótico, diferentão? Sim é. Mas beira o conceitual, aquele tipo de arte que você observa, faz cara de quem entendeu e segue achando que você é burro (de não ter conseguido captar nada: absolutamente nada sobre a obra) ou que o artista é um charlatão.  Peguei pesado? Desculpem. Mas já me aconteceu isso. As duas situações, na verdade…
Excess é estranho. É a flor-da-pele, notas discretas e acanhadas. Nada dos ‘ingredientes ricos, escuros e excitantes’ prometidos no Fragrantica…
Abre com aroma metálico, algo sanguíneo, de ferro. A laranja amarga sanguínea nunca foi tão vampírica! Depois aparece uma nota de madeira extremamente seca, me lembrou de feno e queima de mato seco. Patchouli, onde estás? Seria esse cheiro de terra preta dessas compradas em saquinhos de 5kg em floriculturas que te representa? O perfume projeta pouco, fixa pouco, é cheio de arestas amargas, metálicas, salinas e secas, quase ásperas. Bem lá no fundo tem uma nuance ambarina de aspecto ressecado e quebradiço. Debaixo do âmbar ainda tem algo que me lembrou de maresia…
O engraçado é que muitas resenhas dele dizem que o patchouli é tão pronunciado… e em mim nada!
E no fim, vejo que essa resenha está tão conceitual quanto o perfume…
Notas olfativas oficiais: laranja sanguínea, carvalho, patchouli, âmbar. Criado em 2011 por Margot Elena.
Não conheci outros perfumes da marca, você conhece? Me conta mais sobre eles?
* Se vc nunca ouvi falar de Cthullu, segue uma breve explicação neste link:

Midnight Oud, Juliette Has a Gun

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Juliette agora vem munida de oud, ao que parece, o novo ‘queridinho’, a nova ‘tendência’ logo logo terá o Axe Oud, vão ver. Agradeço a amiga Erica Fabri que enviou a amostra!

É um perfume cheio de atitude, andrógino, vistoso! A começar pelo frasco: dourado (muito ôro!). Me fez pensar nos locais imaginários do Oriente das ‘Mil e uma Noites’, mas do ponto de vista masculino: como era a vida daqueles sultões e sheiks (também imaginários, claro) em seus camelos, cavalos, caravanas, em seus palácios e haréns… Quais eram suas vaidades e preferências?

Pelo que li e pesquisei, faz pouco tempo que o Oud está indo, gota a gota, para os lados da perfumaria feminina, e entendo o porquê. Tem um aroma resinoso, agridoce e másculo. Lembrou-me do seguinte: aqui perto de casa tem uma sorveteria artesanal super conhecida e antiga chamada Alaska (existe desde 1910), e lá tem um sorvete sabor Miski, que é uma resina retirada da casca de árvore de origem árabe*. É meio seco, meio amadeirado, meio balsâmico, meio amarguinho, meio agridoce. É bom, mas causa certa estranheza num primeiro momento. Tanto o oud como o sorvete de Miski.

Midnight Oud começa com rosas especiadas, mas já ‘atropeladas’ e invadidas pela tonalidade do oud.

Logo aparece um aroma verde terroso que parece vir de algo em decomposição, que libera aquele cheiro agridoce e invasivo, mas nada ruim, pelo contrário, atraente, sensual! Louca e poderosa a mistura de oud com castóreo! Atrevida!

Apesar do Oud ditar todo o caminho trilhado pelo perfume, ele as vezes torna-se mais ou menos forte, dependendo da nota que faz páreo para ele: no começo ele parece polvilhar as rosas, no meio ele é sensual e dominador. No final ele se retira para um canto e deixa as notas ambarinas, terrenas e as outras madeiras desfilarem em paz! Mas não sumiu não, volta e meia ele grita um ‘palpitezinho’ ali do canto onde está fingindo que descansa…

Notas de saída: bergamota, rosa Damascena, papiro, açafrão.

Notas de coração: oud, rosa Marroquina, gerânio, castóreo.

Notas de fundo: âmbar, almíscar, patchouli, sândalo.

Meio Khaleesi Daenerys, meio Khal Drogo…  Tão bonito!

* mais sobre tal resina nestes links:

http://gastrolandia.uol.com.br/viagem/mastiha-a-poderosa-lagrima-grega/

http://thinkfood.com.br/index.php/2010/04/21/miski-a-lagrima-dourada/

E o ‘cheiro da chuva’? E o de livros velhos?

Links interessantes sobre os queridos ‘cheiro de chuva’, de terra molhada e de livros velhos – daqueles amarelados, manipulados e que já enfeitaram tantas vidas… Cheiro de prateleira de sebo!

http://www.megacurioso.com.br/fenomenos-da-natureza/36329-o-cheiro-bom-da-chuva-e-um-resultado-quimico-ou-cultural-.htm

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/de-onde-vem-o-cheiro-da-chuva

http://hypescience.com/de-onde-vem-o-cheiro-de-livros-velhos/

Aliás, que vontade de um final de semana chuvoso, fresco e cinzento pra ficar em casa lendo um livro…

Egeo Choc, seu companheiro de aventuras*

 

Ai, desculpa, a foto do perfume é essa de baixo:
Ganhei uma amostra da querida Barbarella, e só agora, só HOJE, descobri o que o cheirinho tão gostoso dele me lembrava: Toddynho Napolitano! Esse tal Toddynho já foi e voltou do mercado algumas vezes, lembro dele de quando era mais nova e comprei recentemente em algum mercado por aí… Ou ainda de outra coisa que trará a muitas pessoas um sorrisinho saudoso: quem aqui já misturou leite, achocolatado em pó e Quick de morango? (lembram do Quick? Eu gostava do sabor caramelo…).
Egeo Choc tem todos esses cheiros gustativos e deliciosos, nos remetem a infância e despertam a gula por besteiras gorduchas e deliciosas!
Aliás, se eu não disse antes, digo agora: acho que o ‘pai de todos’, o Egeo Dolce foi uma das melhores criações do Boticário. O problema não foi nem a banalização e o uso em massa pela população feminina, mas sim a quantidade usada ‘per capita’. Acaba enjoando e fazendo surgir certo ‘preconceito’ ao perfume…
Voltando a versão Choc: cheirinho de frutas vermelhas azedinhas, algo leitoso e cremoso (pra mim tem cheiro de sorvete de casquinha de creme do Mc’Donalds), chocolate ao leite, baunilha culinária, dessas essências de bolo. Tem ali no meio uma florzinha branca que dá certo equilíbrio a tal orgia gastronômica e empresta um quê de delicadeza ao perfume. Termina com as notas gourmands esmaecidas, aparecem notas ambarinas esfumaçadas, incensadas. Incenso doce, parece a queima do ‘Oro Nero’ (http://milagros.webstorelw.com.br/t/incensos/nero-oro/). Madeiras doces, leitosas e confortáveis arrematam a composição. 
Tal perfume só é vendido na época da Páscoa (pelo menos foi essa informação que eu recebi). É bom, assim não vira ‘carne de vaca’, como aconteceu com o Dolce.
Foi lançado em 2011 e a perfumista responsável pela criação é Marion Costero.
Notas de saída: chantilly, limão amalfi, frutas vermelhas, pêssego.
Notas de coração: flor-de-laranjeira, chocolate, leite.
Notas de fundo: baunilha, almíscar, benzoim, âmbar, madeiras, sândalo.
Egeo Choc, esse coração que se encanta pelas fragrâncias gourmands, gustativas, doces e meladas hoje é seu! Vontade de lamber…

*slogan do Toddynho na minha época de infância, não sei se ainda é…

Eaudemoiselle, Givenchy

E esse calor, gente? Terrível… Escolher o perfume se torna tarefa árdua para fãs de ‘bombas’ como eu. Outro dia me enchi de coragem e foi trabalhar as 8 da manhã com 2 borrifadinhas minimas do Ambre Sultan (Serge Lutens) e tenho certeza que matei 5 no ônibus…

Hoje resolvi usar o delicado-em-termos Eaudemoiselle (assim, tudojuntomesmo)! Criado em 2010 por Francois Demachy para a Givenchy, ele é um oásis para dias quentes!

Embora admire muito o perfume, tem duas coisas nele que não me convencem ou eu que não entendi mesmo… os ‘camafeus’ ou porta-retratos da embalagem (achei esquisito), e a propaganda com a modelo usando um modelo pra lá de vampiresco em pleno sol. Não ornou. Fazer a ‘gótchyca’ no parque, com solzinho na cara não rola…

Venenos a parte, voltamos ao perfume… Eaudemoiselle é peculiar, diferente, com cheiro de algo até então inédito para mim. Abre com notas cítricas e com toque herbal desconhecido, meio aquático, meio terroso, meio fresco, meio picante, meio de alga… intrigante!

Esse tal aroma herbal vem da planta chamada shiso, manjericão-japonês ou perilla (nome comum para uma erva da família das mentas, Lamiaceae. Embora conhecido por várias culturas por nomes diferentes, as variedades diferentes são agora classificadas sob as espécies únicas denominadas Perilla frutescens. É uma parte importante da dieta japonesa em suas formas verde e arroxeadaO aroma e pungência do tipo shiso pode ser comparado com o de menta ou funcho*).

Pronto! Achei um comparativo: sabe aquele cheiro ao mesmo tempo fresco e quente da erva-doce fresca? Aquele coisa entre o doce e o ardido que faz você pensar por um breve momento se aquilo é ‘de comer’ mesmo? É isso!

O cheiro de tal erva acompanha toda a evolução de Eaudemoiselle, que não é assim tão vistosa. Aos poucos surgem notas florais que dão uma breve ‘adocicada’ no perfume e o torna mais feminino e elegante. As notas de fundo demoram muito a aparecer e  senti ‘momentos’ de almíscar limpo e assabonetado e o toque amadeirado, quente e suavemente metálico do ambrette (abelmosco).

Eaudemoiselle é bom para o calor, desde que usado com moderação. Tem cheiro de limpeza, mas acredito que se nos excedermos nas borrifadas ele ficará sufocante.

Notas de saída: limão amalfi, tangerina, shiso.

Notas de coração: tintura de rosas, ylang-ylang.

Notas de fundo: almíscar, fava-tonka, ambrette.

Acho que a Givenchy soube ousar no Eaudemoiselle! Inovou com uma pitada de estranheza, fez um perfume de proposta jovem sem cair no ‘mais do mesmo’ de tantas outras marcas.

Não conheci os flankers, mas morro de curiosidade neste aqui: http://www.fragrantica.com/perfume/Givenchy/Eaudemoiselle-de-Givenchy-Ambre-Velours-18920.html

*Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Perilla

Castóreo (Castoreum)

O castóreo é a secreção oleosa glandular do castor (Castor fiber, Castor canadensis), usado pelo animal para se impermeabilizar, engordurando sua pelagem. Tem ainda a função de demarcar território e atrair parceiros. As duas glândulas secretoras situam-se junto aos órgãos genitais do animal.

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Tem a cor parda, sólida, forte odor característico, é composta basicamente por colesterol, ácido benzóico e ácido salicílico, tendo seu uso em perfumaria e na farmacologia, como estimulante e antiespasmódico.

Existem dois tipos de castóreo: o extraído do castor-europeu e outro extraído do castor-americano. Tem consistência mole e untuosa quando fresca, e dura e quebradiça quando desidratada. De cor escura, tem odor forte e característico. O gosto é muito amargo.

Ao fim do século XIX já estava em desuso na medicina, mas era usado no preparo de certas pílulas.

O cheiro de castóreo é selvagem e corporal, lascivo e apaixonado, dando a quem usa uma aura de sensualidade delicada. O odor de castóreo é muitas vezes descrito como agudo, espalhando uma nota que lembra o odor de alcatrão, baunilha, bétula ou couro russo. Quando diluído em álcool, o aroma fica mais agradável e ganha nuances frutais.

‘Castoreum’ é derivado da palavra grega Κάστωρ (Kastor), que significa “castor”. Castor também foi um dos gêmeos da mitologia greco-romana. Castor e Pollux eram irmãos gêmeos que compartilhavam uma mesma mãe, mas tinham pais diferentes. Pollux era imortal, mas Castor não era. Quando Castor morreu, Zeus ouviu a oração de Pollux para compartilhar sua imortalidade com o irmão morto, e transformou os dois em estrelas unidas na constelação de Gêmeos. Também é dito que a origem da palavra grega parece estar ligado com uma palavra em sânscrito para musk, que era Kasturi.

Na verdade, castores foram caçados não exclusivamente por causa de suas glândulas, mas por sua carne, sua pele à prova d’água usada para fazer vestimentas – e por último – para a extração da secreção de suas duas glândulas anais presentes em ambos os sexos, usada para secretar o tal aroma com poder de atrativo sexual. Por esta razão, o castóreo ganhou a fama de afrodisíaco.

É conhecido na antiga e rudimentar medicina como remédio para a dor de cabeça, febre e histeria. Paracelso, um suíço renascentista médico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista, ensina sobre este óleo odorífero como cura para a epilepsia. Não há nenhuma evidência para apoiar a afirmação de que o castóreo tem propriedades medicinais, mas é sabido que os castores se alimentam da casca interna de salgueiro, que contém ácido salicílico, quimicamente semelhante ao componente ativo da aspirina.

Em tempos mais recentes, no início do século 20, a secreção obtida dos animais ainda era usada na produção de perfumes de luxo. Porém, muito antes – por volta do século 16 – este animal tinha sido caçado até a extinção na Escócia, e não para produção de fragrâncias…

Defensores dos Direitos dos Animais (eu, a exemplo), relaxem!

Hoje em dia é substituído por castóreo quimicamente sintetizado, o que é totalmente obtido a partir do laboratório. Não duvido que algumas marcas de nicho ainda utilizem o castóreo de origem animal, mas na grande indústria é tudo sintético! Ainda bem!

Alguns perfumes com castóreo sintético em sua formulação:

Shalimar, Guerlain

Opium, Yves Saint Laurent

Paloma Picasso, Paloma Picasso

Antaeus, Chanel

Yatagan, Caron

Cruel Intentions, By Kilian

Coeur de Vetiver Sacre, L’Artisan Parfumeur

Calamity J., Juliette Has a Gun

Excelente texto sobre aromas de origem animal no blog 1nariz, neste link: http://1nariz.com.br/2013/falando-perfumes/materiais-animais-em-perfumaria-ambergris-castoreum-civet-musk