Âmbar

Doce, resinosa, acolhedora e calorosa nota muitas vezes em vez de pó recriada a partir de uma mistura de bálsamos, geralmente ládano, benjoim, baunilha, styrax e abeto ou uma combinação de alguns deles. A nota oriental padrão.

Muitas vezes definido como as lágrimas de sol, a alma do tigre, mel endurecido, luz petrificada, janela para o passado, ouro nórdico e muitos mais metáforas. Segundo os cientistas Âmbar é a resina fossilizada de árvore que levou milhões de anos para se formar.

Esta resina aromática é também referida como uma pedra preciosa orgânica que é a resina endurecida da extinta pinus succinifera e outras árvores.

As resinas produzidas pelos vegetais agiam como proteção contra a ação das bactérias e contra o ataque de insetos que perfuravam a casca até atingir o cerne das árvores. A resina que saía da madeira acabou por perder o ar e a água de seu interior. Com o passar do tempo (milênios) as substâncias orgânicas formadoras do âmbar acabaram se polimerizando, formando assim uma resina endurecida e resistente ao tempo e à água.

O mais antigo âmbar tem uma idade de 345 milhões de anos. Semi resina fossilizada ou âmbar sub-fóssil é chamado copal. São cerca de 3.000 exemplares catalogados de inclusões de âmbar, que incluem, insetos, aracnídeos, pequenos animais e plantas. No entanto, o mais comum foram os insetos e folhas.

Sobre a origem do âmbar, é encontrado em quase todas as partes do globo enquanto a maioria dos depósitos de âmbar foram encontrados na Europa, e são cerca de 50 tipos de resinas fósseis de diferentes idades. Âmbar da região do Báltico, que também é conhecido como âmbar Báltico, é conhecido exclusivamente por sua qualidade e é o mais procurado. É rico amarelado brilhante na cor e é considerado o melhor para fazer jóias. As resinas fósseis asiáticas (as mais antigas peças têm o tamanho de uma cabeça) são encontrados em Birma. Eles são mais opacos, marrom escuro, às vezes, vermelho e amarelo. Na África, os habitantes locais especialmente as mulheres, usa-o para confecção de adornos e amuletos. Na Sicília e no norte da Itália são encontrados depósitos de âmbar vermelho e amarelo (de árvores da família Cupressaceae).

Desde a pré-história, as regiões banhadas pelo Mar Báltico, como Lituânia, Letônia e Estônia, são a principal fonte de âmbar. Acredita-se que o material foi utilizado desde a Idade da Pedra. Foram encontrados também objetos de origem báltica nos túmulos egípcios datando 3200 a. C. Outra pista importante foram objetos encontrados na Escandinávia que eram utilizados por vikings dos anos 800 até 1000 d. C.

O nome vem do arábico anbar, provavelmente através do espanhol, porém esta palavra referia-se originalmente a ambargris, uma substância animal completamente distinta do âmbar amarelo. O âmbar verdadeiro tem sido chamado às vezes de karabe, uma palavra da derivação oriental significando “o que atrai a palha”, em alusão ao poder que o âmbar possui de adquirir uma carga elétrica pela fricção.

Na perfumaria, o âmbar é uma combinação de benjoim, lábdano e baunilha, que dá a sensação de quente, um pouco doce e lenhosa.

O âmbar também foi muito popular na antiga Roma durante o reinado de Nero, quando jóias, enfeites, amuletos, e até mesmo dados foram feitos de âmbar. Nero também enviou uma expedição à Escandinávia para encontrar “ouro do norte”, que resultou na criação de novas e importantes rotas de comércio para o Império.

A Sala de Âmbar Russa é considerada uma das maiores criações da história e não só isso, é chamada de a 8 ª maravilha do mundo. A Sala de Âmbar é uma coleção de painéis de parede encomendados em 1701. Ela foi feita a partir de 1701 em diante, a fim de ser instalado no Palácio de Charlottenburg, casa de Friedrich I, o primeiro rei da Prússia, a pedido de sua segunda esposa, Sophie Charlotte.

Em 1717 foi dado ao czar russo Pedro, o Grande, da Prússia e foi construído de seis toneladas de âmbar dispostas em painéis de parede ornamentados. Em 1755 foi transferida e instalada no Palácio de Inverno e, em seguida, no Palácio de Catarina pela czarina Elizabeth da Rússia. A sala de âmbar foi destruída em 1945, reconstruída entre os anos de 1975 e 1979, e aberta ao público em 2003.

Alguns perfumes com notas ambarinas:

Alien, Thierry Mugler

L’Eau d’Ambre, L’Artisan

Euphoria, Calvin Klein

Gaultier 2, Jean Paul Gaultier

L’Ambre des Merveilles, Hermes

Coco Chanel, Chanel

Miss Dior Le Parfum, Dior

Trouble, Boucheron

Cinema, Yves Saint Laurent

Amber Elixir, Oriflame

Aromadisiac for Her, Avon

Strip, Agent Provocateur

Ambar, Jesus del Pozo

Calamity J., Julliete Has A Gun

Fahrenheit, Dior

Nirmala, Molinard

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Nirmala! Pai de todos os gourmands e inspirador do Angel Innocent, do polêmico e fabuloso Thierry Mugler! Nirmala oriental, suculento, picante, agressivo e ao mesmo tempo tão terno!
Nirmala foi criado em 1955. Exato, 1955! Para quem acha que perfumes gustativos são novidade, e que começaram lá no Angel…
Nirmala é oriental-amadeirado-gourmand. Fixa por mais de 6 horas, exala por mais de 4 com boa intensidade. E revolta os de olfato sensível. Explico o motivo: além de ser doce, pungente, e “arder” no nariz (como faz a nota de patchouli do Angel), ele tem arestas: pontas que um perfumista moderno apararia até que ele ficasse lisinho e comedido. Mas, ainda bem, a Molinard manteve a integridade de tal obra-prima da perfumaria!
Notas de saída: mandarina, grapefruit, maracujá, manga, pomelo (ou cimboa).
Notas de coração: jasmim, notas florais exóticas (?).
Notas de fundo: baunilha, fava-tonka, sândalo, cedro, almíscar.
Tá bom de provocação para os anos 50? Tá né? E essas notas frutais da saída, que sentimos cada uma delas, independentes e ao mesmo tempo entrelaçadas, como e uma boa salada de frutas? São doces, são sumarentas, são azedas e provocantes! Tem o maracujá exótico, a manga carnuda, as frutas cítricas em sua dualidade doce-azedo. As notas florais são de fato exóticas, não consigo nomeá-las, mas estão lá. Melífluas, tenras, pétalas e corola, tudo lá.
As notas de fundo são doces e provocantes. A geralmente bem sucedida mistura de baunilha e fava-tonka, desta vez “apimentadas” pelas notas amadeiradas e “aquecida” pela adição do almíscar!
O toque gourmand vem das frutas, empresta tonalidade licorosa. O engraçado, é que mesmo sem patchouli na descrição de suas notas, ele tem algo terroso e ardido. De onde será que vem?
Quanto a embalagem, Nirmala já teve muitas vestes: de gala, simples, clássica… também lindo é o frasco Pink da edição comemorativa lançada em 2011. Pelas notas o aroma difere, é mais suave e “manso” do que o original de 1955. Fazer o quê, é tendência de mercado… E sim, desejo-o!
Enfim, Nirmala é sexy, é carnal, é úmido. E é terno, acolhedor. Eu diria que ele tem em si a dualidade feminina mãe/amante. Dá pra entender? Carrega em si a lascividade da amante e a ternura da mãe. É arquetípico.

Adriane Galisteu, Jequiti

Quem me apresentou tal perfume foi a querida Adriana Meire, do blog I put a perfume on you, na visita relatada no post anterior!

Não sou de comprar perfumes nacionais, pois acho que na grande maioria das vezes eles são muito caros para a qualidade que apresentam, não valem a pena. Ainda mais perfumes de celebridades… pé atrás duplo: por ser nacional, por ser da Adriane Galisteu. Mas vamos lá, tirar a roupinha do preconceito e cheirar tal colônia!

Adriane Galisteu da Jequiti tem tudo para agradar ao grande público: é bem feminino, doce na medida, fixa bem, tem um quê se sexy e um quê de elegante.

Suas notas: frutas vermelhas, tulipas vermelhas, âmbar e camurça. Só achei essas notas nos descritivos… É considerado pela marca um “chypre vibrante” (se alguém souber explicar melhor tal definição, por favor, sou toda ouvidos…). 

A questão é que tal perfume é bom sim! Nada de grandes arrebatamentos, de grandes inovações. É para o grande público, e nisso a Jequiti acertou, fez um perfume redondinho, certinho.

Tem nele algo atalcado, limpinho e confortável. Tem o azedinho-doce das frutas vermelhas, eu chutaria em framboesas e amoras. Tem o fundo elegante e sexy do âmbar e o toque seco e macio ao mesmo tempo da camurça. Quanto a curiosa notas de tulipas vermelhas, bom, nunca cheirei tal flor, mas pesquisando li que tem um aroma levemente cítrico e é isso mesmo! A nota floral em Adriane Galisteu é fresca e inocente, se dissessem que é peônia eu acreditaria com facilidade.

O vidro é simples, a caixa é bonita, preta com detalhes em dourado.

Boa pedida para o dia-a-dia. Sr. Sílvio Santos, Midas da televisão brasileira, continue assim, e sua Jequiti vai longe…

 

Raghba, Lattafa Perfumes

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Ah, a perfumaria oriental… Arábia das mil e uma noites, das especiarias, do exotismo, do Taj Mahal, dos sultões e haréns, Arábia dos sonhos! Prefiro essa concepção do que a triste realidade das constantes guerras que envolvem os países do Oriente…

Descobri Raghba através de um grupo de ‘perfumólatras’ de uma rede social. Fiquei tão curiosa sobre tal perfume considerado unissex que precisei comprar! E por um preço lindo, diga-se de passagem! O meu veio dos Emirados Árabes através do Ebay.

Raghba é cálido, exótico e ‘casa’ com a pele de forma sedutora! Apesar de ser considerado unissex, não sei como se comporta na pele masculina, meu marido tem certa aversão a perfumes doces e densos, então não quis experimentar. Eu tenho uma característica, confesso: em mim os perfumes doces ganham intensidade impressionante. Raghba não foi diferente: ficou bem abaunilhado, ambarado, com cheiro de marron glacê

Não achei quase nada sobre ele na internet, apenas a definição: ‘baunilha, madeiras, especiarias, doce, morno’. E não precisa mais, é isso mesmo!

Madeiras aquecidas pelo sol, especiarias doces, baunilha profunda, escura e licorosa, âmbar pungente, mel. Nada de flor, nada de fruta. É um perfume feito de notas de fundo, intenso, linear, apetitoso. Tem grande apelo gourmand, mas nada juvenil com cheiro de caramelo. É adulto, misterioso, luxuriante! Tem a cara do Oriente! 

A caixa é lindamente ornamentada, parece um mosaico. O vidro é bem simples e sem enfeites, apenas o nome do perfume em tonalidade dourada. 

Sua fixação e sillage são impressionantes: mais de 8 horas na pele, mais de 1 dia em roupas (passei e logo em seguida coloquei um cachecol, e o cheiro está maravilhosamente   incrustado nele faz mais de 24 horas.

Se você é fã das bombas abaunilhadas e orientais como eu, Raghba vai te encantar! Fãs do Gaultier², rendam-se!

Tal como eu aqui, louca por mais e mais perfumes advindos das Arábias…

Elvis Presley, o Rei perfumado!

“Compro no mercado e ainda assim sou Rei”.

Elvis é mito, é Rei! Dispensa apresentações, né? Sua figura ainda hoje fatura milhões e suas músicas embalarão a humanidade para sempre (assim espero…). Pesquisando, achei fontes sobre os seus hábitos perfumados. Mesmo tendo condições de ter os mais caros perfumes, Elvis tinha por costume comprar colônias e perfumes em lojas de departamentos e supermercados! Viu, ele era “gente como a gente”!

Dois perfumes são citados com frequência quando o assunto são as preferências de Elvis: Brut, da Farbege, criado em 1964 e Jovan Musk, da Jovan, criado em 1973. Ambos ainda são produzidos e encontrados com certa facilidade em lojas nacionais e internacionais. E ainda são baratinhos, como devem ser as colônias vendidas em lojas populares.

Eu pessoalmente gosto bastante da clássica colônia Brut. É atemporal, como o Elvis!

Fonte: http://dalvaeelvis.blogspot.com.br/2011/04/elvis-na-intimidade.html

Comme des Garcons Series 3 Incense Avignon

Mais uma amostra gentilmente cedida pelo Dênis! E digo: não é um perfume, é uma experiência mística!

Avignon faz parte da coleção “Incensos” da marca Comme des Garcons, que conta com “odores” das principais religiões do mundo (Avignon – Catolicismo; Ouarzazate – Islã; Zagorsk – Cristianismo Ortodoxo; Jaisalmer – Hinduismo; Kyoto – Budismo e Xintoísmo), e usá-lo é mesmo um viagem a um local sagrado e religioso! Cheira ao melhor incenso de igreja que você porventura já sentiu. Daqueles usados nas missas importantes, nos dias santos e na conclamação do novo Papa (não sei se muda o incenso para tais festividades, mas quero acreditar que sim).

É rico, denso, esfumaçado, balsâmico, hipnótico. É ao mesmo tempo uma prece é uma blasfêmia! Como fazer um perfume corporal algo tão sagrado para tantas pessoas? É uma ousadia incrivelmente bela!

Foi criado em 2002 por Bertrand Duchaufour e se nome vem da cidade de Avignon, no sul da França, e foi um centro católico muito influente no século 14. Tem cheiro de catedral. De pedras polidas, de tapeçarias, de vitrais, de tapetes de veludo vermelho, de bancos de madeira, todos devidamente impregnados pela constante e secular defumação do Frankincense.

Notas: ládano, especiarias, patchouli, musk, musgo-de-carvalho, cedro-da-Virgínia, camomila, pau-rosa, ambrette, olíbano, incenso, mirra, resina elemi, baunilha.

Entre suas notas, o mais evidente é o olíbano, a mirra, as notas amadeiradas e incensadas. A camomila aparece, dá profundidade e ao mesmo tempo leveza para a fragrância.

Por mais que eu fale dele, por mais que eu compare ao famoso incenso denominado Frankincense, ainda assim não conseguirei explicá-lo. É um perfume para ser vivenciado. É rico, é mágico, é espiritual!

Joop! Le Bain

Da série: marcas que amo…

Achei ele por uma precinho barbada! Que felicidade! Estava atrás desta belezinha faz um tempo já. Recebi uma amostrinha em uma troca e me apaixonei!

Foi criado em 1989, mas não tem nada dos florias opulentos e até mesmo agressivos da década de 80. Ele é puro conforto. Oriental, intenso, porém delicado. Tem uma das baunilhas mais domesticadas que conheço, e no final, tem mesmo é cheiro de óleo Johnson’s Baby. Não, não é a gripe não. Tanto que nem senti ele hoje, falo baseada nas lembranças olfativas dos dias em que usei com parcimônia a amostrinha querida!

Notas de saída: aldeídicos, flor-de-laranjeira, bergamota e limão.

Notas de coração: sândalo, jasmim, lírio-do-vale, cedro, rosa.

Notas de fundo: fava-tonka, baunilha, âmbar, patchouli, musk.

Abre meio medicinal, resinoso. As notas cítricas para dizer a verdade, nunca as senti. Sinto sim um acorde verde e aldeídico bem breve, mas acho que vem do jasmim e do lírio-do-vale. A flor-de-laranjeira também é sutil, dá uma nuance floral-brejeira nos primeiros minutos. O que sinto bem são as notas de fava-tonka, baunilha, musk e âmbar. O patchouli é discreto, nada de cheiro terroso, é só doce e profundo. O almíscar sim, vem e dá seu show morno e úmido (sexy, não?). 

Sabe o que acho engraçado no Joop! Le Bain? Ele evolui de forma piramidal, convexa. Pois é, ele sobe, sobe, sobe, depois desce devagar (Compadre Washington, não me processe por plágio, ok? – ficou ‘É o Tchan’ essa descrição…), sinuoso. Mostra rápido suas ‘intimidades’, as notas de fundo, mas depois deixa participar do desfile suas notas de coração. Daí sim, sente-se o sândalo, o jasmim, o toque amadeirado-resinoso do cedro. Quanto a rosa… só se for talco de rosas, aquela coisa empoeirada e doce, bem talco de toucador mesmo. Daí sim, consigo sentir tal nota integrada ao Le Bain. 

Enfim, ele é excelente para as/os fãs de baunilha. Mas repito: tem cheiro de óleo de bebê. E quer coisa mais confortável do que isso?

 

 

Kyphi, o perfume dos Deuses no Antigo Egito

A primeira referência ao kyphi é encontrado nos textos das pirâmides: é listado entre os bens que o rei vai desfrutar em vida após a morte. Existe um papiro que registra a doação e entrega de ervas e resinas para sua fabricação nos templos de Ramsés III. As instruções para a preparação de kyphi e listas de ingredientes são encontrados entre as inscrições da parede no templo de Edfu e Dendera, no Alto Egito. 
Médicos gregos que estudaram a farmacologia egípcia citam o kyphi como um medicamento. Dioscorides estabelece a preparação de kyphi na sua ‘Materia Medica’ e esta é provavelmente a primeira descrição grega do material.
Para Isis e Osiris, nos comentários do historiador Plutarco, os sacerdotes egípcios queimavam incenso três vezes ao dia: ao amanhecer incenso, mirra ao meio-dia, e kyphi ao anoitecer. Ele relata que kyphi tinha dezesseis ingredientes e acrescenta, “estes são agravados, não ao acaso, mas enquanto os escritos sagrados são lidos para os perfumistas como misturar os ingredientes”. Plutarco observa ainda que a mistura foi usado como “uma poção e uma pomada”. No século VII o médico Paulo cita um kyphi”lunar” de vinte e oito ingredientes e um kyphi “Solar” de trinta e seis.
Todas as receitas para kyphi fazem menção ao vinho, mel e passas. Outros ingredientes identificáveis ​​incluem: canela, casca de cássia, os rizomas aromáticos de cyperus, cedro, bagas de zimbro, cana aromática, nardo e resinas como incenso, mirra, resina benjoim, labdanum e aroeira.
“Vai um kyphi aí, chefia? Leva dois e paga um!”
 
Alguns ingredientes permanecem obscuros. Receitas em grego e aramaico mencionam ‘aspalathos’, quePlínio descreve como a raiz de um arbusto espinhoso. Os estudiosos não concordam sobre a identidade deste arbusto: Alhagi maurorum, Convolvulus Scoparius, Calicotome villosa, Genista acanthoclada e, mais recentemente, Capparis spinosa foi sugerida.
O fabrico de kyphi tal como indicado no texto Edfu envolve a mistura e envelhecimento de dezesseis ingredientes em sequência. O resultado era enrolado em ‘bolas’ e colocado sobre brasas para liberar uma fumaça perfumada.
Outras referências aos perfumes egípcios:
Quando o túmulo do jovem faraó Tutancâmon foi aberto, entre os conteúdos de luxo encontrados dentro estavam vários frascos muito bem trabalhados e contêineres. Entre eles, um frasco especial para conter um ungüento, ainda perfumado, depois de tantos séculos.
Tutankamon, a cara da riqueza!
 
Unguento é a palavra clássica usado para descrever uma pomada ou um perfume sólido. Apesar da imagem do antigo Egito ocasional ou a descoberta de que certamente parece ser equipamento destilaria funcional nas ruínas de Mohenjo-Daro, tanto quanto sabemos hoje o processo de destilação não foi popularizado até o século 10 de nossa era. Assim, perfumes egípcios eram muito diferentes na textura dos líquidos agora considerados “perfumes”. Para uma comparação, considere os perfumes sólidos atualmente importados da Índia, embalados em pequenos recipientes de madeira ou de pedra esculpida (a semelhança é na textura, apresentação e aparência, não necessariamente na fragrância).
O ungüento perfumado encontrados na tumba de Tutancâmon era de natureza sólida, embora notou-se que ele derreteu e se tornou mais viscoso por causa do calor ao qual foi exposto. Observadores da época citam o aroma similar ao óleo de coco e também lembrando o cheiro de valeriana (Valeriana officinalis), a primeira dica para que o frasco continha provavelmente.
O perfume foi analisado em 1926 e verificou-se consistir de gordura animal e de uma resina ou bálsamo. Na época eles eram incapazes de ser mais específicos. No entanto, o componente perfumado primário é acreditado agora para ser primo de valeriana, o antigo e precioso nardo (Nardostachys jatamansi).
Sua reputação é antiga. É um ingrediente em algumas fórmulas para Kyphi, o famoso perfume sagrado egípcio. O nardo também foi um componente do incenso sagrado oferecido no Templo judaico de Jerusalém. Ele é mencionado nada menos que três vezes no Cântico dos Cânticos. Os gregos antigos tinham uma fragrância baseada em nardo. Foi ungüento de nardo puro, que Maria de Betânia usou para untar os pés de Jesus Cristo, enchendo a sala inteira com seu aroma. Ao invés de sua fragrância maravilhosa, porém, o que é o mais famoso sobre nardo é seu alto custo. Dois dos evangelhos comentam sobre o seu preço. Judas Iscariotes foi aparentemente ofendido com a unção de Jesus, querendo saber por que o frasco da pomada não foi vendido e os recursos se deu aos pobres. À luz da sua descoberta na tumba de Tutancâmon, ele pode ser apreciado que nardo era verdadeiramente uma fragrância para reis.
Por que nardo é tão caro? Por causa de onde ela cresce e a dificuldade de obtenção. É nativo do Himalaia e cresce em altas altitudes. Era embalado em caixas de alabastro esculpidas, cuidadosamente transportado por caravanas e exportados no mundo antigo. Tão recentemente como cem anos atrás, o nardo foi importado do Nepal para o Egito para uso como uma medicina popular. Além de vários usos medicinais, como valeriana, que tem propriedades relaxantes, sedativos, ao nardo também eram atribuídos poderes místicos e românticos.
Hoje, o nardo está disponível como um óleo essencial. Rizomas e raízes secas e trituradas submetidas à destilação a vapor resulta em um líquido dourado pálido. Qual é o cheiro? Não necessariamente o que você poderia esperar de um perfume, se suas expectativas são de um jardim florido. Nardo puro tem um aroma profundo e complexo, uma combinação doce/picante/almiscarado, um cheiro de terra muito orgânico.
A recriação historicamente correta de unguento precioso de Tutankhamon pode envolver gordura de ganso para a base. A versão mais palatável para o gosto moderno pode ser o óleo de coco.
Perfume de Tutankhamon:
Um quarto xícara de óleo de coco
6 gotas de óleo essencial de nardo
6 gotas de óleo essencial de olíbano
Isso é um lótus, nada a ver, só pra ficar bonito…
 
Alguém habilidoso se arrisca a produzir?