Pin-Ups perfumadas!

Contam que minha avó, lá nos anos 50/60 recortava imagens de Pin-Ups de revistas e fazia quadros para pendurar no banheiro. Achava lindas as mocinhas voluptuosas em poses inusitadamente sensuais. A maquiagem, o cabelo o vestido, tudo a encantava! As mulheres da vizinhança e da família achavam ‘ousada’ e até mesmo vergonhosa a decoração do banheiro da minha avó. Mas ela, que nasceu dois anos antes da Primeira Guerra Mundial e perdeu tanto logo cedo, não se importava com isso. Seguia enfeitando o banheiro com suas Pin-Ups! Cheguei a ver alguns de seus recortes e quadros… que saudade!

O termo surgiu entre as décadas de 40 e 50 para designar as imagens de mulheres com forte atrativo sensual que eram ilustradas em larga escala, fazendo parte assim do que conhecemos como cultura pop. Essas imagens eram ilustrações, pinturas ou fotografias de atrizes e modelos que representavam a época. As imagens eram usadas especificamente para revistas, cartazes, cartões postais e principalmente calendários, que foram muito utilizados por soldados na Segunda Guerra Mundial. Esses deixavam os calendários pendurados, por isso, o termo pin-up, pendurar em inglês.

Deixo aqui com vocês algumas Pin-Ups perfumadas. Espero que gostem!

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Fontes

http://www.menteflutuante.com.br/2013/01/o-que-e-pin-up.html

http://mahogany.com.br/blog/a-incrivel-historia-das-pin-ups/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pin-up

Eau Trouble, Brecourt

Há tempos estou com amostras da casa Brecourt, marca de nicho francesa fundada em 2010 por  Emilie Bouge.

O que esperar de um perfume nomeado ‘Água Problema’… O que eu esperava já não interessa, vamos falar do que eu encontrei.

O perfume me trouxe uma memória de infância perdida, o cheiro de algum objeto de plástico ou borracha que foi querido e se perdeu… fisicamente e  da memória. Só consigo lembrar do seu cheiro e que era da Minnie, nada do formato, da cor, nem mesmo se era um brinquedo ou outro objeto… Engraçado né! Para mim, a memória mais forte de tal objeto é o cheiro.

Eau Trouble tem incenso logo na saída, é esfumaçado e doce. Depois sinto notas florais ‘fofas’, me atrevo a dizer que têm textura, são macias e carinhosas. O heliotrópio tem um viés de produto de higiene infantil, ao mesmo tempo atalcado e ‘alavandado’. Em meio a ternura dessas flores existe um toque adstringente verde que não deixa o perfume se tornar um floral comum. Existe equilíbrio.

Me fez pensar em óleo de bebê.

Depois de umas 2 horas na pele surge um aroma herbal mais comum em perfumes masculinos, almíscar morno e sensual, madeiras e uma nota de íris tão delicada que chega a ser infantil.

Eau Trouble foi uma vivência deliciosa! Um dos perfumes mais acolhedores e gentis que conheci. Parece engarrafaram um abraço, e aí você escolhe se é o abraço de um homem, de uma mulher ou de uma criança. Todos eles moram ali, dentro do frasco!

O ‘Problema’… o problema é que eu não tenho um frasco grande para usar com fartura.

Notas de saída – cenoura, tangerina, incenso

Notas de coração – flor de laranjeira, heliotrópio, chá.

Notas de fundo – vetiver, almíscar, cedro da Virgínia, raiz de íris.

 

É antiguidade? É vintage? Eu amo!

Miss Dior, Diorama

Se você é como eu e adora um frasco de perfume antigo/vintage, vai adorar passear nesses dois sites! Um deles, o Museu Virtual da Internacional Perfume Bottle Association vai te entreter e te fazer viajar no tempo por horas.

O Passion for Perfume tem um catálogo menor, mas os frascos estão todos a venda!

Um esclarecimento…

Vintage é qualquer peça que tenha pelo menos 20 anos e menos de 100 anos, pois, a partir de 100 anos a peça já é considerada antiguidade.

Retrô, é considerado uma imitação de estilo antigo, só que a peça é nova. Todas as peças novas que imitem alguma era anterior é uma peça retrô. Isso em qualquer setor, desde a moda até os utilitários, caixas decorativas, etc.

James Bond 007 Quantum, Eon Productions

Bond é descrito como um homem alto, moreno, caucasiano, de olhar penetrante, viril, porte atlético e sedutor, com idade estimada entre 33 e 40 anos, apreciador de vodka-martini (Batido. Não mexido), exímio atirador com licença 00 para matar (sétimo agente desta categoria especial, daí seu código 007) e perito em artes marciais, que combatia o mal pelo mundo, a serviço do governo de Sua Majestade, com charme, elegância e cercado de belas mulheres, sempre se apresentando com a famosa frase “Meu nome é Bond, James Bond”.

E quem não conhece James Bond, o agente 007!

Mesmo quem não conhece, ao ler a descrição acima consegue imaginar um perfume para tal ícone masculino usar, certo? Que cheiro teria James Bond? Em minha cabeça, colônia Brut ou Eau Sauvage, da Dior. Clássicos, atemporais, daqueles que nunca (e em nenhum lugar) estão errados.

Eu já não tinha grandes expectativas quanto ao ‘James Bond 007 Quantum’, mas quando abri o sachezinho da amostra quase morri de desgosto. Que perfume bobinho! Jamais que 007 usaria tal banalidade!

O perfume se assemelha aos que já vimos 15874978 vezes na perfumaria masculina. E isso o torna tão descartável, tão ‘qualquer coisa’…

Começa com notas cítricas e um quê alavandado/herbal/picante. Depois aparecem notas atalcadas, com cheiro de produto de higiene pessoal. Por último aparece uma nota amadeirada doce. O couro que prometeram as notas olfativas fugiu antes de ter que passar essa vergonha.

Além de tudo a durabilidade de tal perfume na pele é vergonhosa (menos de 1 hora).

Notas oficiais: bergamota, junípero, folhas de violeta, sândalo, couro.

Deixo vocês com o choro do agente secreto no filme ‘007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade’.

La Panthère, Cartier, Eau de Parfum Légère

Já coloquei logo no título que se trata da versão ‘Légère’ do perfume. Pra eu mesma viu, antes que eu comece a reclamar mil vezes que o perfume é suave demais e fixa pouco.

Segundo o famoso dicionário Michaelis, légère significa leveza, brevidade, ligeireza. Então já sabemos que essa versão do La Panthère vai ter cara e comportamento condizente.

Tenho uma amostrinha dele, mas já o vi ‘pessoalmente’ e afirmo que é um dos frascos mais belos e ricos que já vi. É lindo de morrer.

La Panthère Légère (a partir de agora chamarei de LPL) é morno e de sensualidade madura e sem alarde. É a delícia do cheiro da pele nos lençóis, no pijama.

Começa com notas frutais que me fazem pensar em pomos doces e ao mesmo tempo aguados: pêra d’água, maçã fuji. Tem também uma nuance verde, folhas trituradas.

Logo surgem delicadíssimas flores brancas, que nunca foram tão despidas de seu poder inebriante. Com que suavidade se apresentam no LPL! Jasmins e gardênias rodeadas de talco de rosas e íris. E aqui também temos aspectos leitosos e saponáceos.

Depois de umas duas horas na pele (e você já tem de chegar bem perto para poder sentir o cheiro) aparece o almíscar com uma leve faceta animálica, couro delicado que me faz pensar em finas luvas de pelica e mais um tantão de íris amanteigada.

Entendi então onde mora o perigo em LPL. A pantera está ali sim, a espreita. Ela só não faz o gênero ‘escandalosa’…

Engraçado né, eu nasci em 1980 e sou da época do chulo Concurso das Panteras que passava no programa Viva a Noite (sim amiguinhos, as crianças dos anos 80/90 viam cada coisa na TV… e sobrevivemos viu!). Então na minha cabeça sempre associo o termo ‘pantera’ a algo mais explícito e até mesmo vulgar…E aí vem o LPL, joga meu conceito no chão, me faz construir outra ‘mulher-pantera’ e me apresenta outro estilo de felinidade.

Obrigado, LPL, por derrubar conceitos e me manter pensante e reflexiva.

LPL foi criado em 2015 por Mathilde Laurent.

Notas de saída: frutas secas, limão, pera, notas verdes, tangerina.

Notas de coração: gardênia, tiaré, jasmim, pêssego, rosa, ylang-ylang, aldeídos.

Notas de fundo: almíscar, couro, musgo de carvalho, patchouli, raiz de íris.

 

Patchouli/Oriza (Pogostemon cablin, Pogostemon heyneanus ou Pogostemon patchouly)

O Patchouli ou Oriza, como é conhecido em algumas regiões do Brasil (Pogostemon cablin, Pogostemon heyneanus ou Pogostemon patchouly família Lamiaceae) é originário da Índia e seu nome provém da língua tamil: patchai (verde) e ellai (folha).

A planta é uma erva arbustiva que chega a atingir cerca de 60 cm de altura. Ainda que prefira clima quente, não gosta de exposição direta à luz do sol e murcha facilmente se não receber a quantidade certa de água por dia. As sementes são muito frágeis e são facilmente destrutíveis. Pode-se propagar, contudo, por estaca (ramos cortados ganham raiz em solo úmido ou em água).

A planta foi trazida para o Oriente Médio ao longo da rota da seda, e foi graças ao famoso conquistador Napoleão Bonaparte que o patchouli chegou à Europa. Napoleão trouxe para a França um par de xales de caxemira que ele encontrou no Egito. Os xales eram impregnados de óleo de patchouli, que foi usado para repelir insetos e protege-los de mariposas, mas a origem do perfume foi mantida como segredo.

O patchouli se tornou inicialmente conhecido na Inglaterra em 1820, quando foi usado para impregnar os xales indianos que ficaram tão na moda que os desenhos eram copiados pelos tecelões de Paisley para serem exportados para muitas outras partes do mundo. Contudo, era impossível vendê-los se não cheirassem a patchouli. Na década de 1860, o aroma de patchouli possuía a mesma popularidade na Inglaterra como teria na década de 1960. Durante os anos 60 e 70 este óleo perfumado pungente que tem uma forte referência oriental era usado pelos hippies, que muitas vezes eram ligados ao movimento Hare Krishna. Infelizmente, os hippies contribuíram para a má reputação de óleo de patchouli, porque eles fizeram surgir formulações sintéticas de má qualidade para atender a demanda do mercado.

O aroma de patchouli é descrito como terroso e herbáceo com o coração verde rico e uma base amadeirada. O perfil olfativo de óleo de patchouli, no entanto, depende fortemente das técnicas de cultivo, o tempo da colheita, o processo de secagem e técnicas de destilação. O óleo de alta qualidade é obtido a partir de apenas 3-4 pares superiores de folhas maduras, em que a concentração mais elevada do óleo puro é encontrado. A secagem adequada é assegurada pela colocação das hastes cortadas e folhas em uma superfície seca e virá-los com frequência para evitar a fermentação rápida. Quando o processo estiver completo, as folhas são retiradas dos caules e colocados em cestos para permitir a fermentação e liberação de seu aroma. A qualidade final dependerá também da habilidade do produtor, que controla o nível de fermentação. Apenas um pequeno número de destilarias é especializada na produção deste extrato altamente refinado, que encontra a sua utilização em alta perfumaria.

O oleo de patchouli é obtido por destilação a vapor ou CO2-extração das folhas secas. O óleo tem um sabor rico, balsâmico e herbáceo com um tom mentolado-lenhoso. O absoluto é um líquido verde escuro obtido por extração com solvente de folhas secas. O absoluto tem um aroma rico, pronunciadamente doce, herbáceo e de tom balsâmico.

Uma das características mais maravilhosas do óleo de patchouli é que ele torna-se ainda melhor com a idade. O óleo recém destilado tem propriedades menos ricas em termos de aroma do que um óleo mais “velho”.

Alguns perfumes com notas de patchouli:

Angel, Thierry Mugler

Vanille Patchouli, Molinard

Midnight Poison, Dior

Coco Mademoiselle, Chanel

C’est La Fete Patchouli, Christian Lacroix

Mon Parfum Cheri par Camille, Annick Goutal

Let it Rock, Vivienne Westwood

Tom Ford for men Extreme

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Patchouli

http://www.fragrantica.com/notes/Patchouli-34.html

http://www.renatahermes.com.br/2014/01/oleo-essencial-de-patchouli/

Luck for Her, Avon

Mais um lançamento da Avon, oba! Recebi esta semana o Luck for Her e fiquei admirada com a beleza do vidro! Lindão heim? Bem feminino sem ser piegas.

Desta vez não encontrei a ousadia do Far Away Infinity e sim um perfume que vai agradar grande parte das mulheres, de todas as idades.

Na realidade, dentro da caixa recebida existia um folheto explicando que de janeiro a março deste ano foi realizado um teste cego com 250 consumidoras das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. Tal teste mostrou que 3 em cada 5 mulheres preferiram Luck quando comparado ao perfume mais vendido no país (qual será, qual será?). Que máximo essa pesquisa da Avon! Isso sim é interesse em agradar seu público, arrasou!

Luck é perfume floral com toques orientais e gourmands. Poderia dizer que ele estudou na mesma escola do La Vie Est Belle, do Miss Dior e tantos outros perfumes blockbusters. Mas não tenta se parecer com nenhum deles, que fique claro.

Inicia com notas frutais doces e apetitosas, me fez pensar em bolo de abacaxi gelado, pode? Doce e refrescante ao mesmo tempo. Toda essa doçura frutal é sustentada por flores brancas comedidas: nem narcóticas e invasivas, nem inocentes e comuns. São bem orquestradas, essas flores brancas! Sinto aqui flor de laranjeira, jasmim, um tiquinho de tuberosa e rainha da noite.

Dama/rainha da noite é o nome dado a muitas plantas de floração noturna e odor intenso, no caso do Luck, falamos da flor do cacto Peniocereus greggii. Nunca vi tal flor, mas o cheiro no perfume me fez pensar em outra flor de cacto, também chamada de dama da noite ou flor da lua (Epiphyllum oxipetalum).

(Imagem: https://johndonoghue.wordpress.com/2012/06/24/night-blooming-cerus-peniocereus-greggii/)

Sinto algo que deixa o perfume um pouco ‘picante’ nas duas primeiras horas de uso, mas não sei nomear. Pensei em mirra, em vetiver, em incenso.

No final as notas florais ganham o aspecto cremoso e macio do sândalo.

Perfume para agradar gregas e troianas!

Foi criado pela perfumista da Givaudan Adriana Medina, suas notas olfativas oficiais são:

Notas de saída: limão, frutas vermelhas, mandarina.

Notas de coração: flores brancas, rainha da noite.

Notas de fundo: sândalo.

Rumba*, Balenciaga

Rumba: é uma derivação mais lenta do cha cha cha com influências de ritmos africanos. É muitas vezes apelidada de “dança do amor”. Rumba é uma dança cubana em compasso binário e de ritmo complexo que influenciou e foi incorporado ao flamenco.
E lá vamos nós falar de um perfume do tipo ‘ame ou odeie’, daquelas bombas da década de 80 que atualmente são consideradas ‘fora de moda’ e agressivas demais. Rumba sempre foi desses, aposto que não era todo mundo que gostava nem na própria época do lançamento…
Rumba é do tipo ‘caliente’, carnal, tem sangue latino tudo que os perfumes da J. Lopes e da Shakira deviam ser mas não tiveram coragem.
Foi lançado em 1989 e suas notas olfativas são:
Notas de saída: flor-de-laranjeira, ameixa, framboesa, pêssego, manjericão, bergamota, ameixa amarela.
Notas de coração: mel, magnolia, cravo (flor), tuberosa, gardênia, orquídea, jasmim, margarida, heliotrópio, lírio-do-vale.
Notas de fundo: couro, sândalo, ameixa, fava-tonka, âmbar, patchouli, almíscar, baunilha, musgo-de-carvalho, cedro, estoraque.
Quis colocar as notas olfativas de Rumba logo no começo da resenha para que as pessoas que nunca ouviram falar dele tenham noção de seu potencial. Ok, sei que é tudo sintético, mas se não fosse… gosto de imaginar os piripaques que os burocratas do IFRA teriam cada vez que ouvissem o nome Rumba. Morria tudo.
Rumba abre com frutas sumarentas. São frutas maduras, plenas de cores e sumos. O engraçado é que em todas as fases de Rumba acho que ele tem ‘cheiro de pele’, é como se o sumo dessas frutas escorresse pelos braços de quem as mordeu e ali secasse. A flor-de-laranjeira é bem presente, deixa a fase inicial do perfume doce, exótica, brejeira.
A segunda etapa de Rumba é uma avalanche floral-intoxicante: tuberosas, jasmins, gardênias, magnólias. Todas elas cremosas, de pétalas carnudas, cobertas com mel e esfumaçadas. Sinto aqui uma fumaça resinosa, encorpada, quase uma defumação. Seria o efeito das flores brancas quase tóxicas e quase malignas? A margarida e o lírio, tadinhos, tão inocentes… juro que não os encontrei, perdidos entre tantas damas inebriantes. Depois o heliotrópio aparece acentuando a nota do mel. Bem como ‘cheiro de pele’, Rumba tem o tempo todo cheiro de mel. Mas nada de mel docinho e infantil, com cheiro de bala. É néctar, é viscoso, é armadilha escorregadia e dourada. E sim, é doce. Mas nada melado.
O final de Rumba é maravilhoso! Couro macio, acho que é daqui que vem o cheiro orgânico e sensual que eu chamei o tempo todo de cheiro de pele.Tem ainda o cheiro de tudo que é belo na perfumaria, e eu não fiz o menor esforço para identificar notas… quem teve o atrevimento de misturar couro, sândalo, ameixa, fava-tonka, âmbar, patchouli, almíscar, baunilha, musgo-de-carvalho, cedro e estoraque como notas de fundo de um mesmo perfume merece ao mesmo tempo uma surra e uma estátua em praça pública!
Só digo que é dual, feminino e masculino. É doce e é seco, é macio e é cheio de arestas.
Rumba é um perfume pedra-bruta, sem lapidações. E se fosse lapidado talvez perdesse sua beleza…
Tem duas versões: a da marca Balenciaga e da marca Ted Lapidus, não sei o motivo. Tenho a da Balenciaga e já me disseram que não tem diferenças entre as duas.
Eu, mesmo não tendo nenhuma habilidade como dançarina, seguirei o ritmo até o fim. E olha, 100ml é Rumba até o fim dos tempos heim…

*Esse post é uma republicação.

Mauboussin, Mauboussin

Tadinho, estava esquecido no fundo do armário… Engraçado como a gente sempre deseja perfumes novos, mas esquece os tesouros que já temos e pouco desfrutamos.

Meu Mauboussin veio de uma viagem a Foz do Iguaçu. Seu frasco é belíssimo e foi projetado por Thierry de Baschmakoff, famoso designer de vidros de perfumes.

Dei duas borrifadinhas e fiquei meia hora me perfumando o motivo de eu ter deixado ele sem uso tanto tempo… Que perfume bom!

Inicia com notas frutais. Tem uma doçura sumarenta, pensei em ameixas douradas, nêsperas, laranja kinkan, physalis. Frutas amarelas que conseguimos comer de um bocado, sem medo de parecer esganado ou ‘sem modos’…

Em meio a todo esse sumo aparecem flores bem femininas, com leve toque datado: elas fazem pensar em maquiagem, batom e pó compacto! Rosa, jasmim, o inconfundível  ylang-ylang!

As notas finais são ambarinas e resinosas. Tem notas amadeiradas cheias de classe e seriedade, dão um aspecto mais  maduro ao perfume. O patchouli aqui atua em parceria com as demais madeiras, dá um toque ‘abafado, adocicado e mofado’. Por isso amo tanto o patchouli, ele pode ter tantas caras: mofado, doce, achocolatado, canforado, ripongo, terroso, escuro…

Mauboussin tem uma aura saudosista, filho temporão dos anos 80!

Perfeitamente compartilhável, criado por Christine Nagel no ano 2000.

Notas de saída: mandarina, bergamota, ameixa amarela, ameixa européia.

Notas de coração: rosa turca, jasmim indiano, ylang-ylang.

Notas de fundo: âmbar, patchouli, baunilha, styrax (benzoim), sândalo, cedro.

 

 

Visitando a ‘Al Zahra’…

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Nesse último sábado fui convidada a conhecer o belíssimo espaço perfumado da Julia Biase, a loja Al Zahra. A Julia é uma pessoa muito querida, adora compartilhar seu vasto conhecimento sobre perfumaria árabe mostrar sua preciosa coleção de perfumes.

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“Na Al Zahra perfumes são jóias, feitas exclusivamente para mulheres únicas, maduras, de personalidade forte, independentes, sedutoras e poderosas. Mulheres que não abrem mão de sua feminilidade e realização dos seus sonhos, mulheres que conquistam pelo mistério e não pela exposição exagerada de sua intimidade. Cada perfume é capaz de transmitir emoções e fazer sonhar.

Diferentemente das bases florais do ocidente, as essências orientais são cuidadosamente desenvolvidas a base de madeira, âmbar, oud, flores exóticas e especiarias. As embalagens são feitas em cristal e/ou vidros com aplicações de pedrarias e alto relevo, acondicionadas em caixas exclusivas como joias, tão especiais quanto a tradição histórica do povo árabe na arte da perfumaria.”

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Nada é tão real quanto essas afirmações, retiradas do site da loja. Os perfumes realmente são jóias! Os frascos são riquíssimos, lindamente ornados, finamente embalados. Os perfumes então… coisas das Mil e Uma Noites. Parecem poções mágicas engarrafadas! Engraçado, ali você vê tantas particularidades da perfumaria oriental:  o caráter ‘mágico’ de cada perfume, a textura oleosa (existem também perfumes em spray, mas a maioria é em óleo), o ato de perfumar-se para si, e não para o outro. Vou explicar…

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A perfumaria oriental muitas vezes me parece ser voltada para o ‘outro’, visto a importância imensa dada ao ‘rastro’ deixado pelo perfume e pela durabilidade na pele. A perfumaria oriental é íntima, particular. Embora os perfumes sejam intensos e de fixação infinita, eles não são invasivos. Dá vontade de ficar bem pertinho da pessoa que está usando para sentir mais e mais!

Além de ter a oportunidade de conhecer um número sem fim de perfumes, a Al Zahra ainda estava disponibilizando outras atividades: cada cliente que adquirisse um perfume poderia fazer uma tatuagem de Henna com a profissional Adriana Morais e alinhamento de chacras ou quiromancia com a terapeuta holística Katia Daher. Mulheres incríveis, fortes e adoráveis, posso garantir!

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Aliás o clima da loja é incrível e acolhedor. Não sei se é a gentileza e disponibilidade da Julia e sua equipe, se é a magia do incenso bakhour queimando logo na entrada da loja (e perfumando toda a rua), se é o café, o chá e as tâmaras servidos com tanta delicadeza, se é o fascínio desses perfumes tão exóticos… Deve ser um conjunto. Mas olha, se puder, visite a loja da Julia! Você vai se sentir em outra realidade, vai se sentir Sherazade, se sentir sheik, se sentir Cleópatra!

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Dica de perfumes maravilhosos: Raheeq Al Oud (pura essência de Oud), Saadia, Lulutal Bahrain Silver, Asala Attar. E tinha um de chocolate que não lembro o nome, mas era um espetáculo! Fazia parte de um estojo com 3 óleos, poderiam ser usados individualmente ou juntos.

Julia, foi uma alegria ímpar conhecer seu espaço e ser tão bem recebida! Obrigada por tudo! Só tenho a lhe desejar mais e mais sucesso! Shukran Jazilan, Habib!