Magnifique, Lancôme

Magnifique! Que bonito soa, não? E cheira bonito também, acredite! Ele é mais uma amostra da série ‘Adriana Meire’.

O frasco dele sempre me trouxe a idéia de um perfume femme fatale, acho que é culpa do vermelho e do degradê, que trás a impressão de uma mulher de pele pálida, tirando um vestido longo e justo (vermelho, claro) languidamente, expondo devagar suas pernas alvas, longas, e deixando no ar a sua aura perfumada. Detalhe: ela está tirando o vestido em seu quarto, sozinha, ao voltar de uma festa. Ah, essa imagens que os perfumes trazem a minha mente… Todos devem achar que eu fumo ópio, mas ok, ok… para completar: se houver um vizinho voyeur de olho mas frestas da cortina da alcova da bela em questão, certamente ele pronunciou baixinho: ‘magnífica!’…

Magnifique foi apresentado em 2008 e criado por Oliver Cresp e Jacques Cavallier.

Suas notas são: rosa, jasmim, sândalo, vetiver, alcarávia, açafrão e nagarmotha (Cyperus scariosus,pelo que li, planta da família do papiro, nativa da região de Madhya Pradesh, Índia).

Claro, nunca senti o aroma da nagarnotha. Sobre o açafrão, tenho um incenso que em alguns momentos da evolução do Magnifique lembrei dele. O aroma doce e profundo, levemente picante e gustativo.

As rosas e os jasmins são presentes, porém envoltas em uma delicada nuvem especiada. culpem a alcarávia! Uma vez senti o aroma de tal planta: lembrou-me a variedade de manjericão chamada de alfavaca. Sinto algo frutal em Magnifique: cerejas? Lichias? Sinto algo licoroso: cherry brandy?

Pois é, depois de muito enrolar, assumo que não consegui distinguir as notas do Magnifique. Ele é daqueles que nos brindam com sua totalidade, que pouco importa as notas! Mas digo: ele me conquistou!

Diva Ébano, Jequiti

Entre as amostras que ganhei da querida Adriana Meire está o Diva Ébano, da Jequiti. Explico porque fiquei curiosa a respeito dele: o nome. Mérito da marca usar o ‘Ébano‘ para remeter a um aroma noturno e mais sofisticado, e não o já batido Noir.

Quando passei na pele pela primeira vez, foi uma confusão de impressões: primeiro achei que ele era um Crystal Noir mais frutado. Depois achei ele tinha semelhanças com o Christian Lacroix Nuit da Avon. Mas segui usando…

Ontem usei outra vez: eu, que já estava julgando o Diva Ébano como um bom perfume nacional com potencial para atingir as mais diversas consumidoras, porém linear e sem evolução, fui surpreendida! Depois de umas 2 horas de uso, Diva Ébano deu um salto! Pois é! De repente senti uma agradável explosão floral-ambarada com toques balsâmicos, acredito que vindos das madeiras preciosas de sua composição! Ele ficou mais encorpado, mais denso, mais sensual! Diva esperta… não mostrou todas suas armas no começo da relação… Deixou incertezas, insinuou, escondeu sua verdadeira intenção! E inesperadamente, mostrou todo seu ‘poder de fogo’! Delicioso jogo de seduzir, Diva Ébano! Definitivamente rendi-me aos seus encantos!

Notas de saída: bergamota, neróli, limão-siciliano.

Notas de coração: rosa, muguet, mimosa.

Notas de fundo: sândalo, benzoim, cedro, âmbar.


LouLou, Cacharel

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“Um dos perfumes mais vendidos dos anos 80, é um perfume controverso que provoca emoções diferentes, e indiferenças com certeza não é uma delas. Loulou é uma fragrância perigosa como a Caixa de Pandora. Loulou é como inebriante flor vermelha escura que atrai você para a profundidade da floresta perigosa e escura. No entanto, não é possível resistir! É irresistível e uma vez que você é seduzido pelo seu aroma quente, você simplesmente tem que deixar ir e seguí-lo, você tem que escolher o fruto proibido!”.

Tal texto extraído de um famoso site especializado em perfumes não nos deixa em dúvidas: Loulou é daqueles perfumes que você ama ou odeia.  Não tem meio-termo, ou a sedução é imediata, ou a dor-de-cabeça acaba com seu dia… Sou do tipo que se deixou seduzir. Tenho um frasco de 30ml faz um bom tempo, afinal, não é perfume para o uso diário, precisa de clima frio (e úmido, em minha opinião) e noturno, precisa daquele momento em que você olha para o frasco azul e o elege sem receio!

Lou Lou foi criado em 1987 por Jean Guichard, seu frasco foi criado por Annegrete Beier, e foi inspirado na atriz Louise Brooks*.

Cabe bem a alegoria da caixa de Pandora. Pense bem antes de abrir e se aventurar. Loulou exige cuidado e preparo, não tenta agradar a gregos e troianos, é daqueles perfumes densos e irresponsáveis dos anos 80: não se importa em invadir espaços, agredir olfato alheio, provocar sensações adversas, despertar paixão ou repulsa. Ele simplesmente é. Goste ou não.

Notas de saída: mimosa, íris, lírio, ameixa, canela-chinesa, violeta, cássia, jasmim, anis.

Notas de coração: tuberosa, flor-de-laranjeira, raiz de íris, heliotrópio, ylang-ylang.

Notas de fundo: sândalo, almíscar, benzoim, baunilha, incenso.

Profusão floral intensa! No início sinto o aroma da canela, da violeta e da íris empoeiradas e atalcadas! Logo chegam em cortejo a tuberosa e o jasmim úmidos e intempestivos, o heliotrópio e seu aroma doce/quente e o exótico ylang-ylang. Um jardim de tentações inebriantes e intensas. Aqui olfatos sensíveis se afastarão, intoxicados e possivelmente enjoados com tamanha explosão de aromas fortes e indomáveis.

A base de Loulou é amadeirada, esfumaçada, doce e intensa! A nota de incenso é bem marcada, e me faz lembrar incenso de sândalo com canela. Na verdade, tenho uma imagem que define bem o que sinto de Loulou: imagine um festival religioso pagão onde flores e mais flores fortemente aromáticas são ofertadas em algum tipo de altar. Ao anoitecer, são acesos incensos entre tais flores. Provoca alteração do estado psíquico. Positiva ou negativa a sensação, Loulou não deixará você indiferente… 

*Mary Louise Brooks (14 de novembro de 1906 – 8 de agosto de 1985) atriz, modelo e dançarina norte-americana. Teve uma carreira breve em Hollywood, tendo participado de 24 filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem como símbolos de uma época, e uma de suas características mais lembradas será sempre o corte de cabelo liso e curto, que lançou moda e tornou-se um ícone dos anos 20.

Seu filme de maior sucesso foi ‘A Caixa de Pandora’, onde ela interpreta Lulu, uma mulher sedutora que hipnotiza e destrói todos os homens que se aproximam dela. É uma jovem cujo poder de sedução está na ambiguidade entre malícia e inocência e que se vê enredada em situações conflitantes, refletindo a iniquidade humana exibida em cenas dramáticas e sensuais.

 (imagem retirada do site: http://blog.clickgratis.com.br/cinecool/441161/A+Caixa+de+Pandora++-++Georg+Wilhelm+Pabst++%2B++Pabst.html)

Curiosidade: Guerlain e as Abelhas…

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Já viu as edições especiais e comemorativas da Guerlain? Aqueles abelhões ricos, feitos de cristais e demais preciosidades? Já viu as abelhinhas representadas em alguma embalagem da marca? Ficou curiosa (o) sobre qual a relação entre tal inseto e a marca francesa? Vamos lá…

Em 1853, a marca criou um perfume que mudaria os rumos da empresa: “Eau de Cologne Imperial” ou “Colônia Imperial”, em homenagem a Imperatriz Eugenie, esposa de Napoleão III. É vendido até hoje e sua embalagem permanece a mesma desde seu lançamento no mercado. O produto logo se tornou a primeira fragrância de sucesso no mercado francês.

A abelha era um dos símbolos da família de Napoleão (estavam até mesmo presentes no seu brasão), e a Guerlain as reproduziu, pintadas manualmente na cor dourada no frasco da colônia. Depois de tamanho ‘agrado’, a imperatriz Eugenie ordenou que fosse atribuído a Guerlain o título de “Fornecedor Oficial da Coroa”.

Ficheiro:Imperial Coat of Arms of France (1804-1815).svg(Olhe as abelhinhas no fundo vermelho…)

Gucci, EDP

Faz uns dias recebi da Srta. Anjos, do excelente blog Perfume na Pele uma série de amostras deliciosas! Já falei do Kenzo Amour e agora falo do misterioso Gucci, EDP.

Lembro-me que já tinha visto o frasco de tal perfume, mas nunca havia cheirado ou usado. Usei 3 dias antes de falar qualquer coisa a respeito, e mesmo assim, acho que tenho uma opinião superficial sobre ele. O motivo? É um perfume profundo, bem elaborado, de notas bem combinadas e entrelaçadas, é daqueles que me confundem e demoram para revelar suas notas. É sexy e é intenso, mas sem ser invasivo.

Logo que passei na pele, senti algo adstringente e ao mesmo tempo doce e pensei: vinho branco doce! Depois pensei em brandy. Então vieram as flores! Doces, inebriantes, esfumaçadas e temperadas de forma sutil e até mesmo delicada. A flor-de-laranjeira aqui tem um quê ‘amarguinho’ e levemente animálico, como o jasmim muitas vezes apresenta. O heliotrópio é doce sem ser enjoativo, é aveludado e escuro.

Sinto o toque poeirento da íris que dá uma tonalidade ultra-feminina, com cheiro de maquiagem, talcos e pós-de-arroz! Lendo as notas do perfume, vejo que talvez o ‘amarguinho’ que senti no início venha do tomilho ou do cominho…

As notas de fundo são pura sensualidade e proximidade: são quentes, são selvagens, têm cheiro de ‘pele’. O incenso é delicado (nada da sensação de estar em uma feira hippie), o couro é pelica: fino, macio, é carícia para a pele! O almíscar é presente no perfume o tempo todo, é sexy, morno, amendoado. A baunilha é licorosa, doce e profunda. Ela vem discreta, insidiosa, permitindo que as demais notas se enlacem e apareçam. Não é daquelas baunilhas que depois de um tempo se tornam onipotentes e dominam toda a composição. As madeiras foram recém cortadas e estão no sol: desprendem aroma balsâmico, rico e doce! Estão, aos poucos, contando todos os seus segredos…

Gucci EDP é perfume ‘de pele’. Em minha opinião ele faz a linha do Nu, de YSL e do Prada Amber.

Foi criado em 2001 por Daniela (Roche) Andrier, e suas composição é:

Notas de saída: flor-de-laranjeira, heliotrópio.

Notas de coração: íris, cominho, tomilho.

Notas de fundo: couro, incenso, sândalo, almíscar, baunilha, cedro.

 

 

A Índia da antiguidade e seus aromas…

Egípcios e outros povos do Oriente Médio buscavam essências e óleos perfumados na terra chamada de Punt (Punt ou Reino de Punt era o nome que os antigos Egípcios davam a uma região da África cuja localização não foi até o momento, identificada). Seria lá a Índia?

Sabemos que a Índia era rota das caravanas e rotas comerciais. Em um livro de J. Vercoutier sobre o comércio na antiguidade cita-se o fragmento de uma carta de um comerciante da Mesopotâmia: “Procure as tabuinhas de cedro… trinta quilos de murta de boa qualidade, trinta de cálamo aromático e grandes troncos de madeira de pinho e, depois, entregue todo esse material para mim…”.

Os assírios e babilônios gostavam muito das essências intensas e embriagantes obtidas das flores e resinas de árvores típicas da Índia. Das regiões meridionais da Índia também vinha uma resina balsâmica extraída da planta do espinheiro, utilizada tanto para unguentos para aromatizar bebidas. No extremo sul do país e no Ceilão, deixavam secar finas folhas da madeira de cinamomo, que depois eram enroladas e utilizadas para aromatizar alimentos (nossa conhecida canela-em-rama). A cânfora também servia como unguento e era empregada pelos egípcios para embalsamar. Em toda a Índia era produzido o cardamomo, cujos ramos depois da floração produziam sementes escuras que, espremidas, resultavam em óleo perfumado muito utilizado para massagens e na medicina tradicional indiana.

Trabalhadores na Índia fazem attar

Outros aromas que vinham da Índia:

Aloés: a sua resina perfumada servia aos persas como incenso. Os egípcios utilizavam em para embalsamar.

Cúrcuma: pó amarelo obtido de uma raiz, picante e utilizado para dar aroma e sabor aos alimentos.

Funça (não achei nenhum dado sobre tal planta): as raízes desta planta herbácea muito comum na Índia eram reduzidas a pó e deste eram feitos ungüentos perfumados.

Pimenta: era a especiaria mais valiosa. A comprida vermelha vinha da Índia setentrional, enquanto a preta era originária de Malabar e devia secar ao sol antes de sua maturação. Se o fruto em forma de espiga fosse deixado para secar depois que a maturação tivesse ocorrido, transformava-se em pimenta branca.

Matéria extraída da revista: ”O Fascinante Mundo dos Perfumes”, Ed. Planeta, Vol. 1, Fascículo 13, 1998.

Blue Sugar, Aquolina

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Ah, Aquolina, por que tão doce? Essa marca italiana desperta a minha criança interior gulosa, ávida por doces (compulsiva na verdade…).

Embora Blue Sugar seja considerado masculino, eu comprei o dito cujo para meu uso. Ele é plenamente compartilhável, mas digo: tem que gostar de aromas doces, doces de doer os dentes!

Foi apresentado ao público em 2006. 

Notas de saída: bergamota, mandarina.

Notas de coração: patchouli, lavanda, coentro, algodão-doce, glycyrrhiza (gênero de plantas a qual pertence o alcaçuz).

Notas de fundo: fava-tonka, anis estrelado, cedro.

Blue Sugar abre com notas levemente amargas, açúcar queimado (queimadinho mesmo, quase perdendo o ponto e ‘amargando’). Para dizer a verdade não percebi as notas cítricas citadas em sua pirâmide olfativa… Sinto mesmo é um odor herbal amargo que permanece por um tempo (uma vez minha avó disse que a coisa mais amarga que ela já tinha sentido na vida foi chá de losna. Um dia comprei uma muda de tal planta, e não contente em esmagar suas folhas entre os dedos e cheirar, inventei de lamber… NUNCA na vida sentirei algo tão amargo. E o pior, o gosto não sai da sua boca por um tempo: pode comer, beber, cuspir, chorar, não adianta, o amargor continuará lá…). Mas calma, foi só uma lembrança, Blue Sugar tem um amargo leve, herbal, acredito que vindo da lavanda e do coentro. E lá em algum canto, escondido, tem um tiquinho de café. Logo aparece o patchouli morno e cristalizado com açúcar, nada terroso. A planta do gênero Glycyrrhiza (a qual pertence o alcaçuz) nos traz a nota chamada licorice, para a qual não achei tradução. Lembra licor, resinas, frutas, calda. Mais uma lembrança olfativa: quando criança eu tomava um xarope definitivamente delicioso a base de alcaçuz! Ele era marrom, espesso, doce e deixava um sabor residual tão exótico… chamava Angico Pelotense! A nota de algodão-doce faz o ‘amarguinho’ sumir e vem insidiosa, morna, infantil, reconfortante. É puro açúcar cristal colorido, e me faz sentir ao lado de uma máquina Algodoinha (estou saudosista hoje, repararam?). Para mim a nota mais perfeita de algodão-doce que um perfume conseguiu reproduzir!

Depois de muitas horas inebriada pelo odor da infância, (que vinha colorido em tons pastéis dentro de saquinhos com uma bexiga vagabunda ou anel de plástico amarrado na ponta), surgem as notas da fava-tonka e do anis estrelado. Esse último dá uma tonalidade mais ardida ao perfume, como se o algodão-doce fosse invadido por balinhas de anis. A fava-tonka dá uma ‘alisada’ no algodão-doce e o torna mais abaunilhado e amendoado. 

Enfim, Blue Sugar é uma overdose de açúcar e outros aromas doces-exóticos. Aos ‘formigas’, um delírio! Aos que se arrepiam com notas doces, gourmands, distância!

Eu pessoalemente gosto bastante da linha Aquolina. Eles traduzem como ninguém o gourmand-fetiche dos odores da infância misturado a notas adultas e exóticas, que resultam em perfumes quentes, gustativos e sensuais. Ouvi dizer que alguns dos perfumes lançados recentemente pela marca perderam tal identidade olfativa e estão aguados e sem graça (tal como os novos Steel Sugar e Simply Pink). Será? 

Ah, recomendo que vocês experimentem o picolé da Turma da Mônica de Algodão Doce da marca Jundiá (não é publicidade não, a Jundiá nem sabe que eu existo). É que ele tem o ‘gosto do cheiro’ de algodão doce (pura sinestesia)…