Sexy Graffiti, Escada

Conheço poucos perfumes da grife Escada, infelizmente. Mas sei da história da marca, sei que foi fundada por Margaretha e Wolfgang Ley em 1978, sei do cavalo…
Tudo começou na cidade de Munique em 1976 quando o empreendedor alemão Wolfgang Ley e sua mulher Margaretha, uma ex-modelo sueca, apresentaram a primeira coleção feminina de sua nova empresa, que ainda não possuía um nome. O casal passou então a procurar um nome de grande impacto, já que sua coleção sofreu grande resistência por não ter uma marca representativa. Somente em 1978, quando foi apresentada uma nova coleção, que o nome ESCADA foi adotado, alusão a uma raça nobre de cavalos irlandeses de corrida.
Dizem ainda que o casal apostou no cavalo Escada em um grande prêmio, e o mesmo ganhou a corrida! Graças ao prêmio em dinheiro conquistado o casal tirou do papel o projeto da grife.
Mas vamos voltar ao perfume… eu e meus devaneios… mas olha, acho importante conhecermos um pouco da história da marca, nos ajuda a entender a proposta e identidade dos perfumes apresentados.
Lá fui eu cheirar com o Sexy Graffiti e seu bonito frasco pink. E mais uma vez essa coleção de frascos mega coloridos da Escada me decepciona. Não é o primeiro da linha “colorida” que sinto, mas é o segundo que me broxa. Que perfume mentiroso! Sintético, genérico, body splash da embalagem de plástico… Nhé.
Foi criado em 2002 por Dominique Ropion e Laurent Bruyere, representa a família floral frutal ki-suco.
Notas de saída: cassis, cássia, framboesa, grapefruit, morango silvestre.
Notas de coração: lírio, peônia vermelha, violeta, lírio-do-vale.
Notas de fundo: musk, madeira de Cashmere, baunilha.
A saída dele é intensa, doce, com frutas vermelhas sintéticas em profusão! Logo o doce ameniza e vem um azedinho, acredito que graças ao morango e grapefruit. As notas florais, coitadas, ficam ocultas no mar pink sintético e mal são percebidas. Desculpem flores, só soube de vocês ao procurar as notas de tal perfume em um site especializado…
Aliás: madeira de Cashmere, volta, onde você foi? Queria tanto te sentir…
E no fim Sexy Graffiti me fez lembrar de outros dois perfumes: assim que apliquei na pele lembrei do Fantasy sem a nota de chocolate branco. Passou. Depois de algumas horas na pele, Sexy Graffiti fica igual ao Rouge Royal. E demora para passar viu? Fixação boa ele tem!
Não faz meu gênero, não me emociona. Logo te darei mais chances de me surpreender, Escada, eu não desisto fácil…

Carmen Miranda, apaixonada por perfumes!!!

Quem diria! A “Pequena Notável”, era outra louca dos perfumes!

Maria do Carmo Miranda da Cunha (Nascida em Marco de Canaveses, a 9 de fevereiro de 1909 — falecida em Los Angeles, em 5 de agosto de 1956), mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 60.

Dispensa comentários! A “Pequena Notável”, pioneira como artista e dona de um estilo inconfundível, com seus sapatos de plataforma, turbantes enfeitados e bijouterias exuberantes era uma apaixonada por perfumes também!

No livro “O ABC de Carmen Miranda” (Companhia Editora Nacional), existe uma passagem em sua amiga Dulce Damasceno de Brito conta a visita que fez a casa de Carmen em 02 de maio de 1952, em BeverlyHills: “Carmen mostrou-me a casa inteira, a coleção de perfumes (seu grande orgulho), as fantasias, turbantes e balangandãs, dançou para mim a ‘hula’ que aprendera no Hawaí, o boogie-woogie e um samba: O Tique-Taque do Meu Coração”.

Imagem

Em outro texto de um site dedicado a ela, encontramos a seguinte passagem: “Além disso, confessa ter duas paixões muito diferentes: a primeira é por perfumes; a segunda por “babies”. Na sua casa de Copacabana (Urca), tem um móvel só para sua coleção de perfumes. “Je reviens” é o seu fraco. — E vou dizer-lhes por quê. No Brasil tenho um apaixonado, não um grande apaixonado, mas um acomodado. Talvez esteja falando demais. E quando brigamos, ele manda um frasco de “Je reviens”, desculpando-se”. 

 Mais uma foto da espetacular coleção de Carmen Miranda!

Fontes: http://carmen.miranda.nom.br/cm_chicaboom.html

http://carmen.miranda.nom.br/colecoes2.html

 

Collection Extraordinaire Muguet Blanc Van Cleef & Arpels

Que preciosidade! Enfim um “Extraordinaire” digno do título! 

Conheci Muguet Blanc através da querida amiga Valéria, que mandou uma amostra. E digo: tenho o Muguet da Molinard, e mesmo sendo bom, não se compara a delicadeza e “finesse” do Van Cleef. Muguet Blanc é a personificação da leveza, são plumas… e sem ser “água de chuchu”!

A “Collection Extraordinaire” conta com: Muguet Blanc, Bois d’iris, Cologne Noire, Gardenia Petale, Lys Carmin, Orchidee Vanille e Precious Oud. Precisa dizer que desejo todos?

E volto ao Muguet Blanc: criado em 2009 por Antoine Maisondieu, representa a família Floral e tem por notas lírio-do-vale, peônia, neróli, extrato de cedro branco e notas verdes. E aí eu me pergunto como notas tão suaves podem ter um resultado tão intenso! Geralmente não me encanto com florais delicados, mas esse é de enlouquecer! Quanta qualidade, quanto bom gosto, quanta maestria de Antoine Maisondieu!

O lírio-do-vale é a estrela da composição, seguido do neróli. A peônia vem suave e discreta. As notas verdes são mais intensas na saída, e logo deixam caminho para toda a sedosidade das flores brancas. 

Muguet Blanc é isso, um ode ás flores brancas! É poesia de flores brancas profusas, aveludadas, reinando sob o sol de uma manhã de primavera. É um dia de férias em pleno setembro, é momento de paz e claridade!

Tem boa projeção na primeira hora e depois torna-se “a flor da pele”, mas isso não diminui seu encanto. Em seu caso, deixa ainda mais bonito! É daqueles perfumes que se quer cheirar o tempo todo, que te faz ficar apaixonada. É daqueles que você quer introjetar a qualquer custo, e que se prometessem que bebendo alguns mililitros eu exalaria tal cheiro por um dia inteiro eu o faria, certamente…

Como eu disse antes, Muguet Blanc são plumas…

 

Kobako, Bourjois

Imagem

Sobre a Bourjois:

Alexandre-Napoléon Bourjois criou o primeiro blush em pó em 1863, menos oleoso do que os demais disponíveis no mercado. Em 1879 seu blush, até então a primeira escolha dos atores no palco da capital francesa, foi disponibilizado para o público. 

Um pó de arroz para clarear a pele e deixá-la macia foi apresentado em 1879 também. Ele foi um dos produtos mais populares da marca na época. Em 1898 catálogos foram  criados apresentando variedade de blushes, sombras, batons e pós. 

Imagem

Primeiro perfume da marca, Mon Bourjois, foi criado em 1924. A segunda fragrância, Soir de Paris, chegou às prateleiras em 1928. Na década de 80 a linha de maquiagem ficou bem variada, com sombras disponíveis em mais de  30 cores.

Após os primeiros perfumes Mon Bourjois e Soir de Paris, a empresa apresentou mais fragrâncias que sublinham a beleza de uma mulher, entre eles Kobako e Evasion.

Entre os “narizes” que já criaram fragrâncias para a Bourjois estão Ernest Beaux, François Demachy e Jacques Polge.

E ainda tem toda a história entre a Bourjois, Coco Chanel e os direitos sobre o Chanel N°5, mas isso é outra história…

Mas vamos ao Kobako…

Chypre Floral criado em 1936 por Ernest Beaux, é datado, é difícil de achar, tem embalagem pobrinha mas é uma pérola olfativa! Quem gosta dos maravilhosos Mitsouko, Opium e do Chanel N°19 pode correr e procurar um! 

Suas notas: cítricos, baunilha, jasmim, rosa, magnólia, gálbano, cravo (flor), canela, cravo (especiaria), tonka, lírio, benjoim, incenso, âmbar, musgo de carvalho, almíscar e couro.

Os cítricos ainda estou procurando. Das flores sinto as rosas, os cravos, o jasmim (desta vez discreto e sutil)! Tem muitas notas resinosas e esfumaçadas: o gálbano, o benjoim, o incenso. O musgo de carvalho é bem nítido, como deve ser em um bom chypre. E o couro! Tenho tido “paixonites” por perfumes com tal nota. E redescobrindo perfumes com ela em minha coleção (já redescobri Cabochard e agora Kobako). O couro aqui é pesado, está mais pra jaqueta dos Hell Angels do que pra a luva de pelica macia e carésima do Cuir de Lancôme. É couro embebido em flores, adoçado com âmbar e aquela baunilha adulta e discreta dos perfumes “de antigamente”, nada de baunilha gourmand com cheiro de pudim.

Kobako é viril e cheio de força, é desafiador! Aquela velha história do perfume feminino que brinca de ser masculino. Tem a suavidade das flores e a rusticidade do couro. As notas de benjoim e gálbano dão um breve toque oriental que me fazem lembrar algumas nuances do Opium. Antes citei o Chanel N°19, e explico agora o motivo: tanto ele quanto o Kobako me trazem a memória o cheiro da planta chamada Datura, e seu cheiro narcótico e inebriante. Posso estar louca, mas sinto isso neles…

Enfim, se tiver a chance, não deixe Kobako escapar de suas mãos…

Mais sobre a história da Bourjois aqui: http://www.bourjois.co.uk/home/the_story_of_a_brand/brand_history

Rosewood, Banana Republic

Eu gosto dele. Mas acho muito contraditórias as informações que temos a respeito do mesmo. Vou explicar… primeiro, não tem nada de rosewood (o “ingrediente”, a nota olfativa) na sua formulação. Só se for uma alusão a embalagem (linda, por sinal)… Mais uma: ele é considerado membro da família olfativa oriental floral. Desculpem, mas na minha modesta opinião ele tem que crescer muito pra chegar lá, tem que “encorpar”…

Mas enfim, Rosewood é um floral ambarado delicado e gostoso, mas sem personalidade. Foi criado em 2006 por Pascal Gaurin, tem uma embalagem linda, elegante e exótica ao mesmo tempo.

Nota de saída: bergamota.

Nota de coração: chá (verde?).

Bota de fundo: âmbar.

Só? Dizem que sim. Mas sinto nele alguma flor, rosas ou peônias misturadas ao verde do chá. Não sinto nenhuma adstringência no Rosewood, como já ouvi em alguns comentários, ao contrário, sinto cremosidade. A tonalidade cítrica do começo logo ganha nuances florais e ambaradas.

Na verdade? Esperava mais dele. Mais tudo. Ele é limpo demais, simples demais, comedido demais. Poxa, podia ter umas notas amadeiradas, uma rosa rumorosa mais pronunciada e dramática! Quer saber? Se eu fosse a Banana Republic faria uma nova versão dele, desta vez com mais personalidade e projeção.

Para as que gostam de perfumes suaves e “a flor da pele”, Rosewood é uma boa pedida!

English Rose, Yardley

Então, estou com preguiça de tirar foto do meu EDT English Rose Yardley de 50ml. Então vai uma aleatória da net.

O perfume? Coisa de boneca. Tem perfume que é assim, faz você se sentir determinada personagem: uma princesa, uma dominatrix, uma femme fatale… English Rose faz a gente se sentir uma boneca! E das novas, recém saídas da caixa, com o cabelo bom ainda! Entendem?

Ele é uma boa colônia eu diria, afinal, sua fixação não é das melhores, dura na pele umas 2 horas. Mas que 2 horas deliciosas: limpas, luminosas, femininas, delicadas!

Suas notas de saída: gerânio, rosa.

Notas de coração: flores brancas.

Notas de fundo: notas amadeirada, especiarias (onde?), musk (esse beeeem sutil e delicado).

O que sinto nele mesmo são as rosas! Vivas, frescas, em seu maior esplendor! Plenamente desabrochadas em uma manhã de sol primaveril morno! Não quente, morno. Com brisa fresca da noite ainda presente. Estou confusa hoje. 

Mas olha, recomendo demais o English Rose para quem gosta de rosas. E toda mulher gosta de rosas, como já disse a Ana Carolina…

 

Anosmia (livrai-nos deste mal…)

Eis nosso maior pesadelo! Mas afinal, o que é a Anosmia?

É a ausência total de olfato. Ou seja, quem tem anosmia não sente cheiro de nada – e tem o paladar comprometido, já que a língua percebe só cinco sabores (doce, salgado, azedo, amargo e unami, mais conhecido como aji-no-moto). Assim, o anósmico não pode diferenciar um café sem açúcar de um purgante, já que os dois são amargos.

O otorrinolaringologista Richard Voegels explica que o distúrbio pode ter origem genética, ser causado por problemas psicossomáticos, traumas na cabeça, cirurgias nasais ou por doenças como rinites e sinusites.

De que forma isso acontece? Por lesão no nervo olfativo, obstrução das fossas nasais ou outras doenças, como por exemplo, uma grave infecção brônquica. Segundo pesquisadores, existem algumas maneiras comuns de perder o sentido do olfato: uma doença crônica dos seios nasais, uma infecção viral, a inalação de algo tóxico ou um ferimento na cabeça.

Dentro de seu nariz, há um agrupamento de células chamadas neurônios olfatórios. Esses neurônios possuem receptores de odor, que captam as moléculas minúsculas lançadas pelas coisas (como uma laranja recém-descascada, um saco de pipoca, uma flor). Os neurônios, em seguida, passam as informações para o cérebro, que interpretam o cheiro.

Diferentemente da maioria dos nervos, as fibras nervosas olfativas do cérebro são continuamente substituídas, assim, as pessoas podem, ocasionalmente, recuperar o sentido do olfato conforme novas fibras crescem.

Os médicos alertam que a falta do olfato pode ser perigosa. Os anósmicos não iriam notar um vazamento de gás, o cheiro de comida estragada ou o cheiro de fumaça, por exemplo. Muita gente joga comidas fora da geladeira simplesmente se suspeitam que estão lá há muito tempo. A higiene pessoal também é uma grande preocupação para alguns.

Mas o maior efeito é com certeza sobre a percepção do sabor dos alimentos. Isso cria dificuldades sociais para as pessoas.

Os cheiros atingem os neurônios olfativos ou através de suas narinas, ou através de uma via ligando o céu da garganta a seu nariz. Se essa segunda passagem está bloqueada, as pessoas são incapazes de captar odores e, consequentemente, sabores.

Além da anosmia, outros problemas olfativos são fantosmia (sentir cheiros inexistentes), hiperosmia (olfato ultra-sensível), hiposmia (anosmia parcial) e presbiosmia (perda do olfato comum na velhice).

Apesar de algumas vantagens (quem não sente cheiro não se incomoda quando um flatulento pega o mesmo elevador que ele), a anosmia pode causar problemas graves, que vão de acidentes com gás ou comida estragada até depressão e distúrbios alimentares, causadas pela perda do paladar.

Fontes: http://hypescience.com/anosmia-a-completa-falta-do-senso-de-olfato/

http://super.abril.com.br/saude/olfato-anosmia-444709.shtml

 

 

Gaultier2, Jean Paul Gaultier, por Carla Biscaglia

O post de hoje é muito especial! Contamos com a colaboração da amiga e outra louca dos perfumes Carla Biscaglia! Ela resenhou o delicioso Gaultier2! 

Segue o texto da Carla:

Ah, Gaultier, seu infant terrible…

Conversando pelo facebook, Diana perguntou se eu poderia resenhar algum perfume para o blog. Confesso que bateu o peso da responsabilidade pois não me considero um nariz treinado. Sou apenas esforçada e apaixonada como a grande maioria das pessoas que tem uma coleção cheirosa.  Não sei identificar tantas notas. Mas este querido que vos venho comentar consegue ser denso, enigmático, andrógeno e sensual mesmo sendo de uma simplicidade atroz.

Criado em 2005 por Francis Kurkdjian, mesmo criador de Fragile, Fleur du Male, Elie Saab Le Parfum, entre muitos outros. A proposta é de um perfume onde a simplicidade de suas notas pudessem ser compartilhadas entre o masculino e o feminino.

Ele não apresenta pirâmide, é composto por apenas três notas: âmbar, almíscar e baunilha. Notas de “base”,  normalmente usadas para dar corpo e fixação. Devido a isso  sua duração é espetacular. A sillage também é intensa, apesar da falta de flores e frutas em sua composição. Devido à tudo isso  se apresenta praticamente linear, apenas ondula suas notas como se revezassem em potência. Algumas pessoas poderiam dizer que essa característica tira a magia de observar a evolução de um perfume mas neste caso acho uma vantagem. Gaultier² se mostra ao mesmo tempo viril, feminino e carnal. E a simples combinação é tão poderosa e intensa que ninguém que o prova continua incólume. Normalmente se entrega e passa a desejá-lo.

Mesmo não tendo outras notas, no meio desse aroma inebriante percebo cheiro de tâmaras, ou uvas-passas ao rum, além de macio couro (pelica ou camurça?) e tabaco, bem leve. Benjoim também parece fazer parte dele, acento doce-amadeirado. Quente, te envolve em sua atmosfera de sedução, inebriante, licoroso.  Libidinoso, diria.

Infelizmente, descontinuado.  Ainda se encontra para vender em algumas lojas a preços não muito atraentes. Mas vale o investimento. Como “alternativa” a ele há Altamir, de Ted Lapidus. Não exatamente igual, tem suas diferenças, mas sua evolução pode ser percebida a semelhança. Gaultier² continua insubstituível. Ou como algumas pessoas o descrevem, sexualidade engarrafada. 

 Carla, muito obrigada pela sua colaboração! Achei sua resenha excepcional!