O post de hoje é muito especial! Contamos com a colaboração da amiga e outra louca dos perfumes Carla Biscaglia! Ela resenhou o delicioso Gaultier2!
Segue o texto da Carla:

Ah, Gaultier, seu infant terrible…
Conversando pelo facebook, Diana perguntou se eu poderia resenhar algum perfume para o blog. Confesso que bateu o peso da responsabilidade pois não me considero um nariz treinado. Sou apenas esforçada e apaixonada como a grande maioria das pessoas que tem uma coleção cheirosa. Não sei identificar tantas notas. Mas este querido que vos venho comentar consegue ser denso, enigmático, andrógeno e sensual mesmo sendo de uma simplicidade atroz.
Criado em 2005 por Francis Kurkdjian, mesmo criador de Fragile, Fleur du Male, Elie Saab Le Parfum, entre muitos outros. A proposta é de um perfume onde a simplicidade de suas notas pudessem ser compartilhadas entre o masculino e o feminino.
Ele não apresenta pirâmide, é composto por apenas três notas: âmbar, almíscar e baunilha. Notas de “base”, normalmente usadas para dar corpo e fixação. Devido a isso sua duração é espetacular. A sillage também é intensa, apesar da falta de flores e frutas em sua composição. Devido à tudo isso se apresenta praticamente linear, apenas ondula suas notas como se revezassem em potência. Algumas pessoas poderiam dizer que essa característica tira a magia de observar a evolução de um perfume mas neste caso acho uma vantagem. Gaultier² se mostra ao mesmo tempo viril, feminino e carnal. E a simples combinação é tão poderosa e intensa que ninguém que o prova continua incólume. Normalmente se entrega e passa a desejá-lo.
Mesmo não tendo outras notas, no meio desse aroma inebriante percebo cheiro de tâmaras, ou uvas-passas ao rum, além de macio couro (pelica ou camurça?) e tabaco, bem leve. Benjoim também parece fazer parte dele, acento doce-amadeirado. Quente, te envolve em sua atmosfera de sedução, inebriante, licoroso. Libidinoso, diria.
Infelizmente, descontinuado. Ainda se encontra para vender em algumas lojas a preços não muito atraentes. Mas vale o investimento. Como “alternativa” a ele há Altamir, de Ted Lapidus. Não exatamente igual, tem suas diferenças, mas sua evolução pode ser percebida a semelhança. Gaultier² continua insubstituível. Ou como algumas pessoas o descrevem, sexualidade engarrafada.
Carla, muito obrigada pela sua colaboração! Achei sua resenha excepcional!











