
Sobre a Bourjois:
Alexandre-Napoléon Bourjois criou o primeiro blush em pó em 1863, menos oleoso do que os demais disponíveis no mercado. Em 1879 seu blush, até então a primeira escolha dos atores no palco da capital francesa, foi disponibilizado para o público.
Um pó de arroz para clarear a pele e deixá-la macia foi apresentado em 1879 também. Ele foi um dos produtos mais populares da marca na época. Em 1898 catálogos foram criados apresentando variedade de blushes, sombras, batons e pós.

Primeiro perfume da marca, Mon Bourjois, foi criado em 1924. A segunda fragrância, Soir de Paris, chegou às prateleiras em 1928. Na década de 80 a linha de maquiagem ficou bem variada, com sombras disponíveis em mais de 30 cores.
Após os primeiros perfumes Mon Bourjois e Soir de Paris, a empresa apresentou mais fragrâncias que sublinham a beleza de uma mulher, entre eles Kobako e Evasion.
Entre os “narizes” que já criaram fragrâncias para a Bourjois estão Ernest Beaux, François Demachy e Jacques Polge.
E ainda tem toda a história entre a Bourjois, Coco Chanel e os direitos sobre o Chanel N°5, mas isso é outra história…
Mas vamos ao Kobako…
Chypre Floral criado em 1936 por Ernest Beaux, é datado, é difícil de achar, tem embalagem pobrinha mas é uma pérola olfativa! Quem gosta dos maravilhosos Mitsouko, Opium e do Chanel N°19 pode correr e procurar um!
Suas notas: cítricos, baunilha, jasmim, rosa, magnólia, gálbano, cravo (flor), canela, cravo (especiaria), tonka, lírio, benjoim, incenso, âmbar, musgo de carvalho, almíscar e couro.
Os cítricos ainda estou procurando. Das flores sinto as rosas, os cravos, o jasmim (desta vez discreto e sutil)! Tem muitas notas resinosas e esfumaçadas: o gálbano, o benjoim, o incenso. O musgo de carvalho é bem nítido, como deve ser em um bom chypre. E o couro! Tenho tido “paixonites” por perfumes com tal nota. E redescobrindo perfumes com ela em minha coleção (já redescobri Cabochard e agora Kobako). O couro aqui é pesado, está mais pra jaqueta dos Hell Angels do que pra a luva de pelica macia e carésima do Cuir de Lancôme. É couro embebido em flores, adoçado com âmbar e aquela baunilha adulta e discreta dos perfumes “de antigamente”, nada de baunilha gourmand com cheiro de pudim.
Kobako é viril e cheio de força, é desafiador! Aquela velha história do perfume feminino que brinca de ser masculino. Tem a suavidade das flores e a rusticidade do couro. As notas de benjoim e gálbano dão um breve toque oriental que me fazem lembrar algumas nuances do Opium. Antes citei o Chanel N°19, e explico agora o motivo: tanto ele quanto o Kobako me trazem a memória o cheiro da planta chamada Datura, e seu cheiro narcótico e inebriante. Posso estar louca, mas sinto isso neles…
Enfim, se tiver a chance, não deixe Kobako escapar de suas mãos…
Mais sobre a história da Bourjois aqui: http://www.bourjois.co.uk/home/the_story_of_a_brand/brand_history