Assafétida, Esterco-do-diabo (Ferula assafoetida)

Citei na composição do Cabochard a Assafétida. Mas que nome, muitos dirão! Vamos falar desta planta, então:

Ferula assafoetida – Assafétida, Esterco-do-diabo

Ferula assafoetida é uma planta perene com cerca de 2m de altura com grandes raízes espessas, folhas finamente divididas que têm um desagradável odor parecido com o do alho. Planta de clima temperado e subtropical, originária da Ásia central, cujas folhas são utilizadas para obtenção de goma rica em arabinose, galactose, compostos sulfurados, cumarínicos e resina. Flores amarelas minúsculas, seguidas por pequenas sementes que normalmente aparecem depois de 5 anos, após o que a planta morre.

A parte usada é a resina do látex. Ferula assafoetida é colhida quando começa a florescer. A resina do látex é raspada desde o topo da raiz. São removidos pedaços que são raspados até que a raiz se acabe. É uma erva pungente que age principalmente no sistema digestivo, área gastro-intestinal. Também alivia a dor e espasmos, estimula tosse produtiva, e tem efeitos hipotensivo e anti-coagulante.

A erva é usada para indigestão, flatulência, cólica, constipação, lombrigas intestinais, disenteria, tosse forte, bronquite e enfermidades convulsivas. Externamente para articulações dolorosas. Em uso culinário, quantidades parcimoniosas são usadas para avivar o aroma de vários cardápios, legumes, molhos e pepinos em conserva, especialmente na culinária indiana. Entra na composição do verdadeiro molho inglês e pode substituir o alho, cebola e cebolinha.

O látex extraído da parte superior das raízes, transforma-se numa goma resina denominada ASANT que é de grande interesse para a perfumaria.

Cabochard, Grès

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Madame Alix Grès (Germaine Emilie Krebs) nasceu em 1903, em Paris, França. Sonhou ser escultora, mas não fora muito longe no ofício. Passou a fabricar chapéus, e entrou assim, para o mundo da moda e alta-costura.

Madame Grès projetava seus vestidos como uma escultura, diretamente sobre os corpos de suas modelos e clientes. Muito em breve, ela se tornou famosa e seu nome tornou-se sinônimo de elegância, “A Estrela de Elegância”. Criou roupas para a as celebridades de seu tempo: Marlene Dietrich, Greta Garbo, Vivien Leigh e outras.

Madame Grès morreu em 1993, em sua casa no sul da França.

O primeiro perfume da casa Grès, Cabochard, foi criado em 1959 por Bernard Chant, depois de Madame Grès voltar de uma viagem à Índia e lá ter encontrado inspiração para tal perfume.

Cabochard é marco na história da perfumaria, bem como Madame Grès é marco na alta-costura. É companheiro de Bandit (Robert Piguet), Cuir de Russie (Chanel), Scandal (Lanvin), também representantes da clássica família chypre.

Adquiri Cabochard recentemente, e digo que esperava algo mais “datado”, empoeirado. A surpresa é que o perfume é perfeitamente atual! O engraçado é que minha mãe se lembrava do mesmo como um perfume tremendamente forte e quase masculino. Estava enganada! Nem extremamente forte, nem masculino (em minha opinião, muitos o consideram compartilhável). Perfume de personalidade, de notas pungentes e femininas, nítida nota de couro (pelica – eu diria – fina, suave e macia). Bom, comprei a versão EDT, e falo por ela…

A embalagem é simples, caixa preta com letras douradas, o frasco também não tem grandes ambições. E nem precisa. Para que enfeitar algo que já é bonito por si só?

Notas de saída: aldeído, cravo-da-índia, notas frutais, limão, sálvia, artemísia, assafétida.

Notas de coração: jasmim, ylang-ylang, rosas, gerânio, raiz de íris.

Notas de fundo: couro, sândalo, musk, patchouli, âmbar, coco, musgo de carvalho, vetiver, tabaco.

Que linda era a perfumaria quando as notas eram imprevisíveis, ricamente especiadas, doces e amargas ao mesmo tempo… Que lindo era quando os perfumes tinham personalidade e não eram apenas cópias e flankers mergulhados num mar de marasmo e obviedade. Que lindo era quando os mestres perfumistas ousavam e não apenas tentavam satisfazer as ávidas necessidades do comércio, que cada vez mais apresenta fragrâncias massificadas e artificiais…

Cabochard é absoluto desde 1959, e sempre pertencerá ao Olimpo da perfumaria. Mesmo sem frasco rebuscado, mesmo sem o apelo de grandes campanhas publicitárias. Cabochard é uma Diva, mas não dessas divas histéricas e dadas a ataques de estrelismo. Cabochard é a diva consciente de sua posição, beleza, elegância e imortalidade.  Por isso reina até os dias atuais…

In Black, Jesus Del Pozo

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Uma certa polêmica envolve o In Black: criado em 2006 por Christine Nagel, e coincidentemente, pela mesma perfumista e no mesmo ano, surgiu o Delices da Cartier. E por outra coincidência, os dois se assemelham demais! As notas podem ser diferentes, mas o resultado… Bom, especulações a parte, vamos falar do perfume.

Que delícia da família frutal floral! Licoroso, com as notas de cereja bem pronunciadas, o bouquet floral bem construído, In Black é suculento! É intenso ao mesmo tempo que é delicado. Incensado, ao mesmo tempo com notas frutais que emprestam certo frescor. Licor de cerejas azedinhas com o dulçor da baunilha. 

Não tive sorte com a entrega, a linda embalagem forrada de tecido veio danificada, pois no transporte o perfume vazou e molhou a caixa. Resultado: menos perfume, etiqueta descolando, caixinha torta. Além da válvula quebrada, claro…

Notas de saída: cerejas, grapefruit, rosas.

Notas de coração: violeta, pêssego, jasmim egípcio, lilás, lírio.

Notas de fundo: musk, patchouli, cedro marroquino, baunilha, licorice (extraído da raiz da planta Glycyrrhiza glabra).

File:Illustration Glycyrrhiza glabra0.jpg

Pra mim, In Black poderia ser incluído na família floral frutal gourmand. Tem uns toques do Black XS, uns toques do Lolita Lempicka. Delicioso (tal como o Delices, com o perdão do trocadilho), gustativo, aconchegante! Perfeito pra dias de temperatura amena. 

 

Ted Lapidus Woman

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Admiro a ousadia das criações Ted Lapidus. Fantasme, Creation e o masculino Lapidus têm lugar no meu coração! Woman não é diferente. Perfume extremamente feminino, da família floral oriental, é doce na medida certa, sem os exageros gourmands tão comuns e banalizados atualmente. Suas flores são ricas e bem amparadas pela base bem formulada.  É um perfume sem grandes surpresas, sem grandes evoluções, mas suas notas são bem combinadas o resultado é encantador! A fixação é boa, mais de 6 horas!

Notas de saída: frésia, bergamota (notas de saída bem sutis, diga-se de passagem).

Notas de coração: ciclamen, for de laranjeira e jasmim (essas sim, as verdadeiras estrelas da composição!). A flor de laranjeira vem enriquecida, adoçada pelo jasmim!

Notas de fundo: âmbar, patchoui, musk e baunilha. Fundo cremoso e encorpado, mas que não se sobrepõe às notas florais.

Ted Lapidus revolucionou o conceito de clássico, com sua grife lançada em 1951, levando a moda francesa para as ruas e mostrando que luxo e requinte podem fazer parte do dia a dia. Na década de 1970, Ted Lapidus ampliou sua marca, começando a produzir acessórios como relógios, óculos, jóias e dedicando especial atenção aos perfumes, que trazia tons clássicos para as fragrâncias.

Ted Lapidus Woman foi criado em 2001 por Bernard Ellena. Foi um dos primeiros perfumes importados que tive e sempre terá lugar reservado na coleção!  O frasco-vestido é elegante e sóbrio, mas esconde toda a luxúria a imponência deste perfume muitas vezes tão menosprezado…

Lavanda

Como não gostar do cheiro da lavanda? É um dos meus preferidos! Está presente em perfumes, cosméticos variados, produtos de limpeza… como é versátil! Tenho um vaso com uma planta bem grande que está constantemente florida, e digo, é um deleite seu perfume!

Vamos a ela…

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Planta herbácea perene até 0,80 m de altura, forma irregular, de folhas verde-acinzentadas, com perfume. Flores azul-lavanda são reunidas em espiga na ponta dos ramos.  A flor tem perfume acentuado.

As lavandas (popularmente conhecidas como alfazemas) são plantas do gênero Lavandula, da família Lamiaceae.  O nome é mais frequentemente usado para as espécies do gênero que crescem como ervas e para ornamentação. Destas as mais comuns são a lavanda inglesa e a Lavandula angustifolia (L. officinalis). As espécies ornamentais geralmente são as L. stoechas, L. dentata, e a L. multifida.

O cultivo comercial da planta é para a extração de óleos das flores, caules e plantas, que são utilizados como anti-sépticos, em aromaterapia e na indústria de cosméticos.

Na literatura sobre aromaterapia constata-se que o uso prático do óleo de lavanda promove bem-estar físico, relaxamento, sono tranquilo – permitindo melhor estabilidade emocional – combate enxaquecas e depressão. Também é excelente antisséptico e cicatrizante.

Contudo, somente produtos que contenham o óleo essencial (fabricado com 100% de essenciais naturais) trarão verdadeiros benefícios. O óleo mais caro não necessariamente é o melhor, mas cuidado porque pureza e preços muito baixos são normalmente incompatíveis, afinal, são necessários 200 quilos de lavanda pra produzir 250 ml de óleo.

O óleo essencial da lavanda (do latim “lavare”, “lavar”) já era utilizado pelos romanos para lavar roupas, tomar banho, aromatizar ambientes e como produto curativo (indicado para insônia, calmante, relaxante, dores, etc.). O óleo para perfumaria é obtido da destilação das flores, caules e folhas da espécie Lavandula officinalis ou Lavandula dentata. Entre várias substâncias, o óleo apresenta na sua composição o linalol e o acetato de linalila, que conferem a sua fragrância e ainda saponina, taninos e cumarinas.

As flores de lavanda produzem um néctar abundante que rende um mel de alta qualidade produzida pelas abelhas. O mel da variedade lavanda foi produzido inicialmente nos países que cercam o Mediterrâneo, e introduzido no mercado mundial como um produto de qualidade superior. As flores da lavanda podem ser utilizadas em chás e alimentos.

É muito usado como água de colônia, e é o principal ingrediente de muitos pot-pourris e sachês. O óleo essencial de Lavanda era usado antigamente para espalhar pelo chão das casas e igrejas em ocasiões festivas.

Lalique Le Parfum, Lalique

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Apaixonadas por baunilha, eis seu perfume preferido a partir de agora!!! 
Lalique Le Parfum para mim é perfeito. Foi criado em 2005 por Dominique Ropion, e sua embalagem é incrível. Embora as linhas retas possam sugerir simplicidade, é de uma elegância rara: o detalhe do rosto feminino na tampa, o peso do frasco, o sexy e luxuoso “pingente” vermelho (não sei o nome técnico de tal adereço)! 
Todos esses detalhes já trazem uma premissa: perfume ultra-feminino, intenso, de sensualidade explícita! Já li em alguns lugares sobre ser um perfume compartilhável, mas não imagino um homem usando tal perfume…
É cálido, aconchegante, cremoso, escorre pela pele como uma carícia. Fixação ótima, mais de 6 horas na pele. 
Notas de saída: bergamota, pimenta rosa, bay rum tree (louro – isso, aquele que usamos de tempero e com o qual faziam coroas para os campeões gregos).
Notas de coração: jasmim, heliotrópio, amêndoas.
Notas de fundo: sândalo, fava tonka, patchouli, baunilha. 
Em alguns momentos lembra o achocolatado do Casmir (Chopard), depois você se lembra das notas de fundo do L de Lolita Lempicka, e logo retorna para as notas inebriantes e quentes de Lalique Le Parfum… uma amiga lembrou daqueles tabacos especiais de chocolate/conhaque para cachimbos. Válido.
A baunilha tem destaque e vem em íntima relação com o heliotrópio, as amêndoas, o feijão tonka. Adoraria sentir a nota de louro nele – ainda não consegui – mas sei que está lá, transformando um perfume que teria tudo pra ser comum em algo tão especial e viciante! Não tem nada de resinoso, nada de medicinal. É néctar, é sedutor, é lindo!
Um brinde a Lalique, que sempre nos presenteia com fragrâncias excepcionais!

Lysval, Girard

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Bom, aproveitando o feriado de Finados, vou falar do Lysval, da Girard. E explico o motivo.

Curiosamente, tal perfume tem cheiro de rosas mortas. ROSAS MORTAS! Não quando murchas, mas quando secas. Antes de comprá-lo, li em algum lugar que ele cheirava “como um funeral inglês”, fiquei tão curiosa que corri atrás do meu! Sua formulação original é de 1920, e evocaria a tranquilidade e riqueza de uma jardim britânico. Bom, pode ser o jardim de um sereno cemitério, em uma dia nublado. Amigas góticas, eis seu perfume!!!

Embora seja extremamente esquisito e inusitado, adoro suas “flores melancólicas” e elegantes. É frio, embora sua embalagem púrpura traga algum calor. A caixa é linda e o perfume vem delicadamente encaixado, como uma jóia. O frasco é decorado com uma “lacinho” preto. Como eu disse antes, é um perfume gótico. Mas gótico de verdade, pra acompanhar a leitura de Edgar Allan Poe e apreciar as noites brumosas e frias, para acompanhar um inebriante absinto, para usar com roupas de estilo vitoriano. Acompanha bem veludos, corsets, rendas, a Noiva Cadáver… Agora tá, chega de trevas…

Notas de saída: jasmim, ylang-ylang, rosas e flor de laranjeira africana.

Notas de coração: íris, benzoim, sândalo, raiz de orrris.

Notas de fundo: jacinto aquático, lírio-do-vale, frésia.

A Girard é uma grife inglesa que conta com 5 perfumes em seu portfólio, e a perfumista responsável é Beverly Bayne (mas não desde 1920, claro…).

Enjoy the Silence…