Oxygene, Lanvin

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Respire, você não vai se arrepender. Oxygene é um bom perfume!

Perfume criado em 2000 por Alberto Morillas, é considerado da família floral aquática e eu não concordo. Mas poderia ser um “floral aquático almiscarado”. Sim, pois suas notas de saída frescas são bem voláteis, e Oxygene logo evidencia suas notas florais entrelaçadas com o almíscar cremoso, adocicado e sensual.

A embalagem é bonita, e reparando bem (olhe contra a luz), você verá um “rendado”, como se fosse um coral na porção inferior do frasco. Mas ele não tem nada de marítimo. Oxygene é de sensualidade comedida, feito para se sentir de perto. É etéreo, sutil, íntimo e de grande beleza.

Notas de saída: pimenta branca indiana, bergamota.

Notas de coração: gardênia, leite, rosas.

Notas de fundo: sândalo, almíscar, íris.

E a nota de leite, como aparece? Imagine um milk shake de gardênias, creme de leite fresco, almíscar, uma pitada de rosas e um nadinha de sândalo. Acredito que venha adicionar um toque “sedoso” ao perfume. 

Sabe daqueles perfumes que não se entende muito bem, que tem algo estranho, mas que não conseguimos parar de cheirar o braço? É o Oxygene. Estranha também é minha relação com tal perfume. Tem dias que o acho limpo demais, tem dias que o seu dulçor inusitado me incomoda. Mas no final das contas, eu gosto muito dele!

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Eau de Prep Tommy Girl, Tommy Hilfiger

ImagemConfesso, não sou muito fã da perfumaria de Tommy Hilfiger, nem de Ralph Lauren (sabe-se lá porque, sempre associo os dois…), mas a versão Eau de Prep do famoso Tommy Girl me encantou! Por ser fresco, suave e de boa fixação!

Uma boa surpresa da família floral frutal, o perfume foi lançado em 2011 e foi inspirado no estilo “prep”, o visual colegial de meninas e meninos bem nascidos. O perfume é delicioso! Segue uma receita já conhecida e de sucesso, a mistura de flores e frutas, mas ele tem algo a mais. É refinado, juvenil, fresco, levemente adocicado com uma pitada azedinha vinda das notas de maçã verde (da variedade Granny Smith)! E perdura na pele! Sim, pois os últimos lançamentos que experimentei de tal família olfativa mal davam para avaliar, de tão rápido que sumiam… Não me importo do perfume fixar poucas horas, mas quando não dura nem duas horas, tem algo errado…

Suas notas são:

Notas de saída: pimenta rosa, violeta (dá profundidade ao perfume, mas não é uma nota marcada), maçã verde.

Notas de coração: rosas

Notas de fundo: musk, sândalo, espinheiro -branco (pirliteiro).

Poucas notas, boa estrutura. Perfeito para uso diurno em qualquer ocasião. Ponto pra Tommy Hilfiger desta vez!

Jacomo for Her, Jacomo

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Que lindo exemplar da família Chypre Floral Ambarina! Criado em 2005 por Marie Aude Couture Bluche, já nasceu clássico! Fazia um tempo que não sentia um perfume de nuances ambarinas tão bem estruturado, suas notas se fundem com tamanha perfeição…

Jacomo for Her impressiona, confunde, acaricia. É morno, próximo, sussurrante, sinuoso, se torna íntimo da pele. Embora seja um perfume de sillage exuberante, é feito pra se sentir de perto. É daqueles que pedem, convidam (e obrigam) a “um cheiro no cangote” de quem está usando. Escorre pela pele, invade os sentidos, nos torna reféns…

Suas notas são:

Notas de saída: bergamota, jacinto, lírio-do-vale.

Notas de coração: heliotrópio, ylang-ylang, rosa, pirliteiro ou espinheiro-branco.

Notas de fundo: sândalo, fava tonka, âmbar, patchouli, vetiver, cedro.

Sinto nele notas amendoadas, almiscaradas, notas florais aveludadas e leves toques de baunilha. Lascívia oculta pelo véu da elegância, esse é Jacomo for Her. Dissimulado, esse sedutor!

Assafétida, Esterco-do-diabo (Ferula assafoetida)

Citei na composição do Cabochard a Assafétida. Mas que nome, muitos dirão! Vamos falar desta planta, então:

Ferula assafoetida – Assafétida, Esterco-do-diabo

Ferula assafoetida é uma planta perene com cerca de 2m de altura com grandes raízes espessas, folhas finamente divididas que têm um desagradável odor parecido com o do alho. Planta de clima temperado e subtropical, originária da Ásia central, cujas folhas são utilizadas para obtenção de goma rica em arabinose, galactose, compostos sulfurados, cumarínicos e resina. Flores amarelas minúsculas, seguidas por pequenas sementes que normalmente aparecem depois de 5 anos, após o que a planta morre.

A parte usada é a resina do látex. Ferula assafoetida é colhida quando começa a florescer. A resina do látex é raspada desde o topo da raiz. São removidos pedaços que são raspados até que a raiz se acabe. É uma erva pungente que age principalmente no sistema digestivo, área gastro-intestinal. Também alivia a dor e espasmos, estimula tosse produtiva, e tem efeitos hipotensivo e anti-coagulante.

A erva é usada para indigestão, flatulência, cólica, constipação, lombrigas intestinais, disenteria, tosse forte, bronquite e enfermidades convulsivas. Externamente para articulações dolorosas. Em uso culinário, quantidades parcimoniosas são usadas para avivar o aroma de vários cardápios, legumes, molhos e pepinos em conserva, especialmente na culinária indiana. Entra na composição do verdadeiro molho inglês e pode substituir o alho, cebola e cebolinha.

O látex extraído da parte superior das raízes, transforma-se numa goma resina denominada ASANT que é de grande interesse para a perfumaria.

Cabochard, Grès

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Madame Alix Grès (Germaine Emilie Krebs) nasceu em 1903, em Paris, França. Sonhou ser escultora, mas não fora muito longe no ofício. Passou a fabricar chapéus, e entrou assim, para o mundo da moda e alta-costura.

Madame Grès projetava seus vestidos como uma escultura, diretamente sobre os corpos de suas modelos e clientes. Muito em breve, ela se tornou famosa e seu nome tornou-se sinônimo de elegância, “A Estrela de Elegância”. Criou roupas para a as celebridades de seu tempo: Marlene Dietrich, Greta Garbo, Vivien Leigh e outras.

Madame Grès morreu em 1993, em sua casa no sul da França.

O primeiro perfume da casa Grès, Cabochard, foi criado em 1959 por Bernard Chant, depois de Madame Grès voltar de uma viagem à Índia e lá ter encontrado inspiração para tal perfume.

Cabochard é marco na história da perfumaria, bem como Madame Grès é marco na alta-costura. É companheiro de Bandit (Robert Piguet), Cuir de Russie (Chanel), Scandal (Lanvin), também representantes da clássica família chypre.

Adquiri Cabochard recentemente, e digo que esperava algo mais “datado”, empoeirado. A surpresa é que o perfume é perfeitamente atual! O engraçado é que minha mãe se lembrava do mesmo como um perfume tremendamente forte e quase masculino. Estava enganada! Nem extremamente forte, nem masculino (em minha opinião, muitos o consideram compartilhável). Perfume de personalidade, de notas pungentes e femininas, nítida nota de couro (pelica – eu diria – fina, suave e macia). Bom, comprei a versão EDT, e falo por ela…

A embalagem é simples, caixa preta com letras douradas, o frasco também não tem grandes ambições. E nem precisa. Para que enfeitar algo que já é bonito por si só?

Notas de saída: aldeído, cravo-da-índia, notas frutais, limão, sálvia, artemísia, assafétida.

Notas de coração: jasmim, ylang-ylang, rosas, gerânio, raiz de íris.

Notas de fundo: couro, sândalo, musk, patchouli, âmbar, coco, musgo de carvalho, vetiver, tabaco.

Que linda era a perfumaria quando as notas eram imprevisíveis, ricamente especiadas, doces e amargas ao mesmo tempo… Que lindo era quando os perfumes tinham personalidade e não eram apenas cópias e flankers mergulhados num mar de marasmo e obviedade. Que lindo era quando os mestres perfumistas ousavam e não apenas tentavam satisfazer as ávidas necessidades do comércio, que cada vez mais apresenta fragrâncias massificadas e artificiais…

Cabochard é absoluto desde 1959, e sempre pertencerá ao Olimpo da perfumaria. Mesmo sem frasco rebuscado, mesmo sem o apelo de grandes campanhas publicitárias. Cabochard é uma Diva, mas não dessas divas histéricas e dadas a ataques de estrelismo. Cabochard é a diva consciente de sua posição, beleza, elegância e imortalidade.  Por isso reina até os dias atuais…