Perfumaria Árabe, palestra com Julia de Biase

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Na quarta, dia 19/03, aconteceu no Espaço BibliAspa a palestra “Fragrâncias do Oriente Médio: História e Cultura da Perfumaria Árabe”, como parte do calendário de eventos da 5ª edição do Festival Sul-Americano de Cultura Árabe (veja mais sobre os eventos e programação completa aqui). A palestrante foi a simpática e linda Julia de Biase que trouxe para as terras tupiniquins a marca  Asgharali, que iniciou no ramo da perfumaria 1924.

Bom, saí eu correndo do trabalho (as 19:00 para chegar lá as 19:30), peguei metrô lotado, subi a Rua Alburquerque Lins como se não houvesse amanhã. Estava a metros de distância da BibliAspa e já comecei a ser conduzida por um aroma quase hipnótico, denso, rico, quase palpável: bakhoor

Fui muito bem recebida, a BibliAspa é um espaço incrível, recomendo a visita! Engraçado, ao chegar comentei que estava ali pela palestra e que fui praticamente ‘levada’ ao lugar pelo perfume que se alastrava pelas imediações. Me responderam que essa era a intenção…

Além de tudo encontrei a amiga moderadora dos grupos da APP (Apaixonados por Perfumes), a Elaine! Que prazer assistir a uma palestra tão interessante ao lado de uma pessoa tão querida! A noite prometia, de fato!

Logo a palestra iniciou, com a Julia contando sobre sua ‘imersão’ no mundo dos perfumes do Oriente Médio: em 2008 fez uma viagem a tais países e lá foi praticamente ‘abduzida’ (palavras dela!) por aqueles aromas tão presentes, tão ricos, tão especiais! Diferente da perfumaria ocidental, onde tudo é produzido em larga escala de forma a atender multidões, a perfumaria árabe é artesanal, carrega significados especiais para cada pessoa e é preciosa: da embalagem aos ingredientes!

A palestra nos fez viajar pela história da perfumaria: nos levou até o Egito dos faraós, do kyphi, onde os aromas eram sinônimos de riqueza e nobreza e elo de ligação do homem com as Divindades. Estavam presentes no cotidiano dos faraós e de pessoas de classe social elevada. Os bálsamos, unguentos, incensos e demais produtos aromáticos estavam nas paredes dos templos, e eram ofertados aos Deuses. Aliás, o Egito deixou sua influência e tradições sobre a produção de perfumes, cosméticos e remédios para todo o Oriente!

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Vimos que a mais famosa das rainhas – Cleópatra – fazia dos aromas sua arma de sedução – e fazia bem feito – afinal, Marco Antônio e Júlio César não eram pra qualquer uma! Dois dos homens mais poderosos do mundo! Os faraós, a nobreza e outras pessoas importantes na sociedade egípcia, após a morte, eram mumificadas com os mais finos óleos e bálsamos aromáticos e levavam para sua viagem jarros, frascos cheios de substâncias aromáticas para que os Deuses reconhecessem suas almas através de seu aroma… Dizem que quando descobrirem o mausoléu de Tutankamon, um jarro foi aberto (após ter ficado lacrado por aproximadamente 3.300 anos) e dele exalou um intenso aroma de perfume!

Os egípcios utilizavam especiarias, flores, plantas, óleos e gordura animal na produção de seus bálsamos perfumados. Era costume das mulheres da nobreza usar no topo da cabeça cones de gordura impregnados de substâncias aromáticas que, com o calor do corpo e do ambiente, iam derretendo, perfumando e hidratando os cabelos…

 

Do Egito fomos para a Índia, onde até hoje a perfumaria é artesanal e também está relacionada ao culto religioso. Muitas estátuas de divindades hindus são untadas com óleos preciosos e aromáticos. A Índia tem a maior variedade de jasmins e ele é muito utilizado na decoração de seus altares e as mulheres costumam usar suas flores nos cabelos. Lá a utilização do incenso sempre foi muito forte e também fazia o elo de ligação entre o homem e seus Deuses.

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Só por curiosidade: no ritual do maithuna,que é o ato sexual ritualizado parte do Yoga Tântrico ou outras práticas Tântricas, recomenda-se o uso do mais puro óleo de jasmim nas mãos, óleo de patchouli no pescoço e faces, âmbar ou almíscar sintéticos nos seios e nos órgãos sexuais; extrato de valeriana no cabelo, óleo de sândalo nas coxas e perfume de açafrão nos pés da Shakti (mulher). No Shiva (homem) aplica-se sândalo na testa, pescoço, barriga, peito, genitais, braços, pernas e pés..

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Segue link sobre a produção atual de perfumes na Índia, infelizmente ameaçada pela ‘industrialização’ do processo.

Demos um pulinho na China e Japão, e vimos que a maior contribuição chinesa para o mundo da perfumaria foi a invenção da porcelana, que era utilizada para armazenar fragrâncias. Muitos materiais já foram usados para o armazenamento de substâncias aromáticas, entre elas o alabastro, madeira, ossos, cerâmica. Mas  não podemos negar que, sem dúvidas, o material que revolucionou o modo de armazenamento de tais produtos foi o vidro, descoberta atribuída aos fenícios.

Fomos para Roma e descobrimos o amor dos romanos pelos perfumes e aromas! Em suas festas e banquetes os convidados lavavam as mãos em água de rosas, as mesas eram enfeitadas com guirlandas e pétalas de flores. Era última moda por lá perfumar os cavalos e as solas das sandálias, para deixar aquele delicioso rastro… Pompéia, esposa de Nero ao falecer, não teve o corpo cremado, mas estufado com ervas aromáticas, embalsamado e colocado no Mausoléu de Augusto. Nero concedeu a esposa honrarias divinas, e acredita-se que teria queimado o equivalente à produção de dez anos de incenso da Arábia.

Como deixar de falar dos banhos romanos seus rituais de beleza e uso dos ‘poderes’ dos aromas?

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Visitamos brevemente os povos semitas (seus principais representantes eram os árabes e os hebreus), que também valorizavam substâncias aromáticas e também faziam ligação das mesmas com seus ritos religiosos. Na Bíblia temos a passagem sobre os presentes dados os Menino Jesus, a mirra e o incenso, tão valoroso quanto o ouro. Em outro momento, quando já adulto, Jesus tem os cabelos untados com o mais raro (e caro) óleo de nardo, e em outra passagem tem seus pés lavados com essências por Maria Madalena. O Cântico dos Cânticos, o que dizer? Um ode aos aromas!

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Chegamos enfim nos países Árabes! Segundo Julia, em cada comércio, hotel, residência, existem incensários que exalam os mais variados aromas e que inebriam, intoxicam, deleitam! Os árabes, aliás, através do comércio que realizavam com outras regiões com suas caravanas, ajudaram a difundir do Egito para outros países a cultura da perfumaria. Traziam também matérias primas preciosas!

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E os perfumes? Puros extratos vendidos a granel em frasquinhos de acordo com o ‘gosto do freguês’! Nesses países tudo é perfumado, até mesmo os alimentos. Um exemplo? Os árabes fizeram da água de rosas, produto resultante da destilação aprimorada pelo médico, alquimista (e gênio) Avicena ingrediente de diversas preparações culinárias! Alguns homens que enfrentam problemas com sua virilidade costumam ingerir óleo de rosas (o chamado attar) junto com seus alimentos, pois segundo a medicina árabe tal óleo vai devolver ‘a força’ perdida… E agora somente me lembro do que foi dito antes, dos imperadores chineses que faziam suas concubinas ingerirem pedaços de almíscar para que, durante o ato sexual, o suor das mesmas cheirasse a tal substância… Bom, não sei vocês, mas eu comia fácil… naquela época, pois hoje produtos de origem animal são praticamente abolidos da perfumaria.

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Outras curiosidades: nas construção das mesquitas eram utilizados ‘bolotas’ de almíscar entre as estruturas das paredes, para que exalassem aroma quando o sol aquecesse o templo.

Minha nossa, foi tanta coisa…  tanta informação, tanta história! Já começa a me falhar a memória! Ao terminar a palestra, Julia abriu espaço para discussão e nos falou a respeito do mito do ‘fixador’ dos perfumes. Isso não existe. Viu, gente, NÃO existe. O que vai determinar o poder de fixação do perfumes são os ‘ingredientes’, as notas utilizadas em sua base, se mais ou menos persistentes.

Falou ainda sobre a infante perfumaria brasileira, que ainda não sabe ao certo como utilizar suas matérias primas, não criou ainda uma ‘identidade’. Plenamente de acordo, Julia…

Desmitificou o uso de colônias em locais de clima quente, afinal, mais quente que o Saara vai ser difícil… e lá os perfumes são intensos e persistentes. Inclusive, falou que o perfume nos países árabes é uma das poucas formas que as mulheres, vestidas da cabeça aos pés, têm de chamar a atenção para si! É o perfume e o olhar… E quer combinação mais instigante?

E pensa que acabou? Nada… A palestra ainda contava com uma IMENSA e MAGNÍFICA exposição (e mais: experimentação) de perfumes do Oriente. Frascos, incensários, bahkoor, perfumes sólidos, extratos, perfumes com base de óleos e não de álcool (aliás, hábito esse da perfumaria ocidental). Tirei fotos que seguem abaixo, mas não fazem jus ao que vi. Quanta beleza, quanto capricho e luxo! Cada frasco é uma jóia! E os aromas… me senti uma criança descobrindo novos sabores, odores, texturas. Esqueci tudo o que conheço sobre rosas, vetiver, patchouli, olíbano. São inebriantes, diferenciados, êxtase olfativo! cada vidrinho-jóia escondia um mundo, um mistério, uma sensação!

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Não saberia descrevê-los como faço com perfumes ocidentais. Identifiquei notas? Sim, algumas. Mas é tudo tão diferente, tudo tão particular que me fizeram viajar para longe…

Além de tudo isso, amigos, ganhamos uma generosa e deliciosa amostra dos perfumes Asgharali.

Agradeço demais a oportunidade, o verdadeiro presente que recebemos da BibliAspa e da Julia de Biase, que foi a palestra e a oportunidade de conhecer tais tesouros tão desconhecidos dos público brasileiro! Obrigado a todos os envolvidos na realização desse fantástico evento que nos aproxima da milenar e riquíssima cultura Árabe!

Shukran!

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O post está cheio de links, e explico o motivo: alguns assuntos abordados na palestra já foram discutidos aqui no blog, então, quem tiver interesse, fica mais fácil acessar!

Elaine querida, descaradamente roubei suas fotos do álbum da APP! Me desculpa?

Songes, Annick Goutal

Por outro motivo, revirei minhas amostrinhas atrás do Songes… Que beleza despretensiosa e simples encontrei nele! Por isso mesmo minha resenha será breve.

Tuberosa presente com elegância, jasmim desabrochando em todo seu esplendor, flores exóticas de aromas penetrantes e misteriosos, coisas de ilha paradisíaca! Tudo amarrado com laço de baunilha que trás o conforto de um abraço! No finalzinho aparece uma tonalidade powdery, altamente feminina e com um arzinho retrô!

Lembro de quando eu ia para a escola, no primeiro grau mesmo, tinha uma árvore que hoje sei que é da delicada e exótica flor de frangipani. Ficava o chão forrado dessas flores brancas-amarelas de pétalas carnudas e serosas, e eu sempre pegava algumas para sentir o aroma… pena que logo ficavam escurecidas e perdiam o perfume…

Songes não tem firulas, é direto e bonito em sua simplicidade. Poucas notas, foi criado em 2005 por Isabelle Doyen.

Notas: jasmim Sambac, tuberosa, ylang-ylang, frangipani, flor de tiaré (também chamada de Gardênia do Tahiti), baunilha.

Songes conquista por ser ao mesmo tempo exuberante e simples, exótico e delicado. Coisa linda!

“Sedução e desejo – representações da mulher nos anúncios de perfumes femininos” – Krishna Figueiredo de Almeida Ramos

Segue link  do estudo realizado por Krishna Figueiredo de Almeida Ramos (Universidade de Brasília – UnB, Faculdade de Comunicação, Programa de Pós-graduação em Comunicação – Mestrado, Linha de Pesquisa – Imagem e Som, Orientadora: Profª. Dra. Susana Madeira Dobal Jordan).

Acredito que todo estudo, pesquisa, texto produzido sobre a arte da perfumaria em nosso país deve ser valorizado, uma vez que temos tão escassa bibliografia sobre o tema.

Leiam, o texto é longo, porém de fácil compreensão e muito interessante! O que a propaganda do seu perfume predileto ou da sua última compra te prometeu? Poder de sedução? Felicidade? Conquistas pessoais? Segurança?

http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificad/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1889

E não é de hoje não…

Angel EDT (Comet), Thierry Mugler

“O menos é mais”. Nem sempre: nunca menos sorvete será melhor. Nunca ‘menos’ cairá bem para a rainha Elke Maravilha. Mas no geral, na moda, maquiagem e na perfumaria, tal máxima é muito válida.

Vamos ao caso do Angel. O tradicional, o EDP do frasco-estrela é amado ou odiado. Ainda tem aqueles que até gostam da proposta e ousadia, mas não usam pois acham ele excessivo ou enjoativo depois de algum tempo. E de fato, o Angel é um perfume atrevido, invasivo, agressivo. Eu amo, já disse…

Daí então em 2011, criação de Amandine Marie, surge o Angel EDT, chamado por alguns de Comet! Esse sim, acho que vai atingir uma parcela maior da população, e talvez consiga até mesmo agradar ambos os lados: os que amam e os que detestam (ou tem receios) sobre o Angel. Explico os motivos:

– é menos intenso, menos agressivo;

– as notas de algodão-doce e caramelo não vieram desta vez, embora exista nele doçura gourmand e baunilha;

– o patchouli é bem menos presente, é menos escuro e pesado.

Tem início picante, mas nem tanto. Tem cheirinho de frutas vermelhas doces-azedinhas e algo achocolatado – nada de chocolate amargo – algo mais leve, como ganache. A coisa gourmand toda está presente, mas nada do arroubo do irmão-estrela. As notas de fundo são menos ‘chute na porta e soco na cara’, o patchouli e a baunilha são mais comedidos e não chegam atropelando tudo. Mas olha, também não vá pensando que ele é assim facinho, afinal, é um Thierry Mugler e pertence ao mesmo coro angelical.

Recomendo conhecer antes de comprar, principalmente se você for uma pessoa avessa ao EDP. Mas experimente! Quem sabe essa estrelinha-cadente não ganha um lugar no seu coração?

Notas de saída: bergamota, pimenta-rosa.

Notas de coração: frutas vermelhas, praliné.

Notas de fundo: baunilha, patchouli, almíscar, cedro.

Entrou para a lista de desejos, afinal, dele só tenho a amostrinha no flaconete espetáculo da marca! Boa quantidade, spray borrifador, material resistente! Que outras marcas aprendam com o marketing da TM e parem de distribuir aquelas miseráveis amostras pepelzinho-umedecido…

Burberry Brit Red, Burberry

Já aviso: é descontinuado, desaparecido. Sabe-se lá o motivo… O fato é que encontrei o meu pequenino de 30 ml – já pela metade – no meio das prateleiras abarrotadas da loja Boa-Ke, do gentilíssimo (e maluquete) Sr. Bao, no Shopping 25 de Março.

Está sem o borrifador, tirar do frasco exige a manobra de apertar o ‘tubinho branco’ (ô coisa que machuca o dedo!) para o conteúdo escorrer na sua mão e daí você passa onde bem entender…

Foi criado em 2004 por Nathalie Gracia Cetto, e juro que ao ler suas notas olfativas oficiais fiquei pensativa: ou meu nariz é uma droga ou a ‘alquimia’ aqui é truqueira… Mas espera, vamos pesquisar mais…

Brit Red é um oriental floral intenso e com facetas doces. Para mim ele abre com uma profusão de frutas vermelhas explodindo de maduras: groselhas, framboesas e amoras. Todas elas caem das árvores direto em um tacho de calda com toque de gengibre e favas de baunilha. Sabe o que me lembrou? Bolo de Natal. Daqueles todos caprichados, com frutas delicadas, saborosas, e suculentas grudadas cuidadosamente na cobertura de glacê. No fundo, a massa do bolo especiada, com o toque quente do gengibre, algo de noz moscada e essência de baunilha. Nas mesa, obviamente enfeitada para a ocasião, vasos de rosas vermelhas repolhudas, daquelas enormes e de pétalas gordinhas! A união dos aromas do bolo e das rosas é intenso, inebriante e exótico!

Mas não. Nada de frutas vermelhas no Brit Red. Oficialmente, essas são suas notas:

Notas de saída: jasmim, bergamota, ruibarbo.

Notas de coração: gengibre, rosa, patchouli.

Notas de fundo: benzoin, baunilha.

E como saber do aroma do tal ruibarbo? Pesquisando, achei que ele é “azedo e de sabor refrescante, com facetas de morango, muito popular em sobremesas em os EUA principalmente bolos e tortas. Ele combina muito bem com especiarias orientais como canela, noz-moscada, gengibre e açafrão”. Quando o ruibarbo cresce ao ar livre, não tem a cor vermelha característica. A cor vermelha é conseguida através do plantio em tendas ou abrigos. Daí ele também fica mais doce e com o caule mais macio.

http://www.grit.com/departments/rhubarb-cultivation.aspx

Então eu não estava tão louca assim: tem lá sua semelhança com morangos (que são frutas vermelhas) e é usado em bolos e tortas. Olha só meu bolo natalino aí, gente! A fixação dele é muito boa, mais de 6 horas na pele com facilidade. No final ainda deixa escapar o aroma do profundo e terroso patchouli e uma ‘fumacinha’ balsâmica bem suave, discretíssima, vinda do benzoin.

Brit Red quase faz um gol para o time dos gourmand, mas as rosas são boas goleiras e afastam a bola de tal caminho… E tem a ajuda toda-poderosa do patchouli também.

Brit Red foi a primeira fragrância a utilizar o ruibarbo em sua composição, segundo site especializado.

Agora, dona Burberry, me diga? Por que raios descontinuar essa delícia?

Dia 8

Dia das Mulheres. Ok! Agradecemos as imagens bonitas, as homenagens a todas  ‘guerreiras’ que lhe foram exemplo na vida. Você, rapaz que está postando imagens de buquês no facebook: respeita a moça que passa por você na rua de roupa justa ou curta, a moça da limpeza do seu trabalho? A negra, a branca, a oriental? A magrinha, a gordinha? A lésbica que tem cabelo curto e talvez gestos masculinizados? Lamento ter que contar tão dura realidade: são todas mulheres. As flores eram pra elas também?

Gostamos sim de flores, bombons, carinho. Mas gostamos de respeito, igualdade. Independente de cor, opção sexual, classe social, profissão. Não somos perfeitas, não somos bonecas para estarmos sempre lindas e de acordo com padrões de beleza pré-estabelecidos, as vezes não queremos e nem temos talento pra maternidade. Pq tem gente que ainda pensa que ser mulher é ser uma mãe dedicada, bonita, passiva. E de toda forma, estando de burca, de saia, de roupas ‘de homem’ ou de biquini, queremos respeito. Não precisamos queimar sutiãs, já foi feito. Temos que valorizar o feminino e entender de uma vez por todas que as mulheres possuem as mesmas potencialidades que os homens.

Não sou feminista, sou igualitária.

Mas enfim, mulheres: minha mãe, minha sogra, minhas parentes, minhas amigas e irmãs de coração,  minhas companheiras do trabalho, desejo um dia fenomenal pra vocês!

Imagem retirada daqui:http://lamorrighanterapiatantricaeholistica.wordpress.com/circulo-de-mulheres/

Iris, L’Erbolario

Outra amostra linda vinda da sempre queria Dri Sama! Iris L`Erbolario (marca que vem lá da Itália, mãe do famoso Dolcelisir e que tem uma linha enorme de produtos cosméticos, não só perfumes).

Bonita e mutante essa íris! Começa brilhante e quase ofuscante, com aldeídos que fazem o aroma da flor literalmente ‘explodir’. As notas iniciais assustam um pouco e você acha que o mundo vai cheirar a íris para sempre se borrifar um pouco ao vento… Eu, que sou ‘levemente’ exagerada, passei um pouco mais do que devia e tive essa impressão. Depois da explosão atalcada, adocicada e altamente feminina remetendo ao boudoir de épocas passadas, ela se torna quase amanteigada, morna, mais mansa. Da íris adolescente e rebelde que gritou ao mundo que ali estava, surge uma mulher sensual, segura de si e de sua feminilidade.

Depois de algumas horas surge baunilha nada culinária, é daquelas que dá vontade de abraçar e não de morder. Conforto, não gula. Ainda tem um toque fumacento e de sutil nuance masculina. Isso faz a diferença! A base do perfume, as notas que permanecem ‘a flor da pele’ são deliciosas!  É ao mesmo tempo doce, floral, feminino, masculino, moderno, antigo! É cheio de facetas, depende do momento em que vc ‘enfia’ o nariz na pele em busca de puro prazer olfativo!

Sem dúvidas, a grande estrela aqui é a íris que começa adolescente, espalhafatosa, ainda sem medidas. Vira mulher, encanta, seduz. Amadurece e deixa aparecer a beleza de seu lado maduro, experiente, acolhedor. Suas 3 faces de toda mulher: donzela, mãe, senhora. Todas encantadoras!

Notas de saída: bergamota, aldeídos.

Notas de coração: íris, pilriteiro (espinheiro branco).

Notas de fundo: baunilha, açúcar, tabaco.

Antes que me perguntem: não, não sou wiccan.

Alcaçuz (Licorice)

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O alcaçuz ou ‘licorice’ é obtido da raiz da planta Glycirrhiza glabra, que tem um odor agridoce com toque de anis. Muito reconhecível em Lolita Lempicka Eau de Parfum e Lolita au Masculin.

Trata-se de uma planta herbácea que cresce até 1 m de altura, folhas com cerca de 7-15 cm de comprimento, com 9 a 17 folíolos. As flores têm 0,8–1,2 cm de comprimento, sendo de cores púrpuras ou de um azul esbranquiçado pálido, dispostas numa inflorescência.

O alcaçuz é comumente usado como medicamento, produção de alimentos, alguns tipos de cerveja e cosmética, pois possui propriedades suavizantes e cicatrizantes. Também é conhecido como “raiz doce” porque contém uma compostos químicos chamados anethole e glicirrizina (Em grego, glycys significa doce e rhiza significa raiz, sugerindo que o gosto da raiz é doce) que são cerca de 50 vezes mais doces do que o açúcar refinado da cana.

A planta é nativa da Europa e Ásia, e utilizada em todo o mundo para tratar várias doenças como a hepatite, tuberculose, disfunções endócrinas, problemas estomacais, dermatológicos, tosses, etc. Há relatos de seu uso medicinal desde a Grécia e China antigas. A raiz é colhida no outono, dois a três anos após o plantio. O extrato é produzido por ebulição da raiz e evaporação da água e que está disponível tanto em xarope como em forma sólida.

Já vi balas de alcaçuz a venda, mas nenhuma como aquelas que as vezes aparecem nos filmes e séries americanas… E quando criança eu tomava um delicioso xarope a base de alcaçuz, chamado Angico Pelotense!

Nas perfumaria, além dos já citados Lolita Lempicka, outros que apresentam tal nota:

Loverdose, Diesel

Hermessence Brin de Reglisse, Hermes

Pink Sugar, Aquolina

Aoud Greedy, Montale

Lanvin Me, Lanvin

Eau de Reglisse Licorice, Caron

Kenzo Jungle L’Elephant, Kenzo

Jeux de Peau, Serge Lutens

Guipure & Silk, Jeanne Arthes

Alchimie, Rochas

Play in the City for Him, Givenchy

Sobre a cópia indelicada…

Que coisa chata. Uma leitora amiga do blog avisou gentilmente que o site  http://www.cazzahair.com.br/prada-amber-pour-femme.html utilizou a resenha do meu blog na descrição de um perfume a venda… lamentável a falta de respeito ao trabalho (embora amador) de outra pessoa… Trocaram algumas palavras, omitiram outras, mas está lá, pra quem quiser conferir! Poxa, faz contato, cita fonte, faz como aconteceu no http://www.jequiti.com.br/blog/diva-ebano-no-blog-a-louca-dos-perfumes-1458. Tá, não me avisaram, achei por acaso, mas citaram fonte! Isso sim é honestidade e reconhecimento do trabalho de alguém!

Houve um caso de uma loja que anunciava produtos no Facebook utilizando o logo e o nome do meu blog…

Segue link da minha resenha para comparações:https://aloucadosperfumes.wordpress.com/2013/04/23/prada-amber-prada/

E uma coisa: gosta do meu trabalho? Fico lisonjeada. ME CONTRATA!

Gold Sugar, Aquolina

Aquolina… a rainha do açúcar! Outro dia estava pensando: muita gente acha que seus perfumes são juvenis, até mesmo de apelo infantil por abordarem uma perfumaria extremamente doce, extremamente gourmand. Descobri que não acho isso. Na verdade, acho que a Aquolina é quase conceitual, buscou um filão do mercado que tem muitos admiradores e com sua doçura, atingiu (e apaixonou) várias faixas etárias. Eu, a exemplo, que estou prestes a completar 34 anos e sou fã de todos perfumes da marca que tive oportunidade de conhecer.

Aliás, isso é uma questão estranha e polêmica. Vamos pensar na Barbie. Todo mundo culpa o conceito da bonequinha magricela de edificar um ideal de beleza inatingível para as mulheres, desde garotinhas. Então somos todas tontas, fúteis e influenciáveis pelo aspecto de um brinquedo pernalta e que fica com o cabelo medonho após o primeiro contato com a água ou com um simples pente? Faz favor. Os meninos não, podem brincar com seus bonecos do He-Man e do Max Steel, mas como eles tem estrutura de personalidade beeem melhor do que a das garotas, sabem que  não é necessário se parecer com os bonequinhos surrealmente bolados e poderosos para serem socialmente aceitos e terem sucesso na vida… Se for para querer ‘ser’ influenciada um brinquedo, escolho o Optimus Prime. Bem mais legal do que a magriça Barbie…

Barbie depois do dia de labuta gente como a gente!

Não acho que me infantilizo ou volto a fase oral por usar um perfume capaz de provocar cáries. Nem fico querendo viver no mundo rosa da Barbie. Que por sinal, deve ser um tédio… E o Ken… bom, é o Ken.

Tudo isso porque uma pessoa de meu convívio social disse que um certo perfume da marca parecia ‘coisa da Barbie’…

Viagens à parte, vamos ao Gold Sugar! Doce? Sim, muito! Mas não tanto quanto os anteriores da marca.

O conceito é semelhante: provocar salivação, despertar gula! Mexe com os sentidos, estimula o paladar!

Foi criado em 2013, vem em um chamativo frasco dourado! Logo depois da borrifada, senti uma avalanche de notas doces e cremosas que logo se tornam menos invasivas e permitem a passagem do neróli e de outra nota floral que eu acredito ser jasmim. Tem algo cítrico, mas é breve e só serve para ‘empurrar’ mais pro fundo as notas dulcíssimas que aparecem logo na abertura.

Mas olha, é flor enfeitando confeitaria, viu? Logo aparecem as notas gustativas do creme burlee, do caramelo (de cobertura levemente viscosa de pudim, nada de bala toffee), do creme (daqueles de rechear bomba). O coco – era o que me preocupava – é discreto, cremoso, quase cheiro de manjar! Tem algo de tropical sim, mas nada invasivo, se mistura bem entre as demais nuances gourmands e completa a receita de tão tentadora receita! Depois de algumas horas deixa as notas de madeira doce e levemente especiada. Antes de eu adquirir, ouvi que tinha cheiro de leite. Não tem não.

O que tem de diferente do controverso Pink Sugar? Projeta menos, fixa menos, enjoa menos. É um perfume confortável, delicioso em dias de temperaturas amenas!

Notas de saída: neróli, laranja, mandarina.

Notas de coração: notas florais, creme burlee, coco.

Notas de fundo: almíscar, sândalo australiano, creme.

Enfim, sigo admirando e salivando perante o conceito da perfumaria Aquolina. Me provoca o olfato, o paladar, me faz produzir endorfinas. É um convite eterno para a Casa de Doces de João e Maria…

Imagem da Barbie retirada daqui: http://mulheratenada.blogspot.com.br/