(untitled), Maison Martin Margiela

Sempre me surpreendo com a generosidade dos amigos e leitores do blog! Recebi de presente do amigo Emerson Fer o bonito e conceitual (untitled), da Maison Martin Margiela. Emerson, muito obrigado!
Tal perfume foi criado em 2010 por Daniela (Roche) Andrier. Não tem nome, não tem adornos: o frasco é bonito, porém desprovido de ‘truques’ tão comuns, coisas para nos fazer olhar e desejar.
(untitled) me despertou sensações, lembranças. Não vou me prender as suas notas olfativas: como propõe o nome do perfume, não irei nomeá-las para evocar as sensações que tive.
Primeiro, lembrei de uma viagem que fiz com meu marido e um casal amigo a Eldorado, cidade da famosa Caverna do Diabo. Lá, fizemos a trilha do Vale das Ostras e passamos por 9 cachoeiras. Uma delas, é chamada de Cachoeira do Escondido, porque fica na curva do rio, tem que subir rio acima pela água mesmo para ter acesso a ela. Lá é friozinho, a água borrifa fortemente, o leito do rio é limpo, fundo só de areia. O cheiro da areia, das plantas ao redor, da areia, do limo das pedras, do ar frio: e lá estava ele, (untitled).
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Oi gente!
No dia seguinte, lá fui eu tentar me aproximar da esquisitice bonita do perfume. Borrifei. Queria encontrar a cachoeira, mas desta vez ele me recebeu com um pneu novinho, lustro e besuntado de óleo de erva-doce. Sim, senti cheiro de borracha nova misturada ao fundo amargo da erva-doce. Erva-doce tem duas facetas: o doce inicial, reconfortante e o amargo pungente. Já comeu os talos? É crocante, fresquinho, adocicado e de sabor residual amargo.
Mais cheiros que o (untitled) me trouxe a memória: roupas secando no varal. Nada de cena campestre, dessas de filme. Roupas secando no varal contra o cimento da paisagem urbana. Branco, cinza, úmido, seco, frio. Lembrei de verduras frescas no geral: chicória, rúcula. Lembrei de chá de camomila.
Ele é assim: saída entre o natural da cachoeira e o industrial do pneu. Depende do dia. Fica esverdeado e amargo, com cheiro de verduras, ervas, folhas esmagadas. No final deixa uma impressão esfumaçada, incenso de igreja. E se eu disser que no fundo, bem no fundo, beeeem no fundo, sinto cheiro de algo de origem animal? Acho que é um inseto, um percevejo, mas não sei nomeá-lo. E também tem cheiro de pinheirinho de Natal, com neve artificial, luzinhas e tudo…
Notas olfativas do (untitled): laranja amarga, gálbano, incenso, jasmim, cedro, almíscar, buxinho (Buxus sempervirens).
(untilted) é um conceito. É cheiro de muita coisa, é cheiro de coisa nenhuma. É moderno, é limpo e é sujo. Sei que ainda serei surpreendida por outras facetas do perfume, que ainda serei assaltada por outras sensações e impressões olfativas sobre ele. Mas isso fica pra uma outra hora…

Kenzo Flower Oriental, Kenzo

Recebi amostrinha de tal flor da querida Vanessíssima. Logo de cara achei que ele tinha um quê de perfume de nicho, aquela baunilha diferente, exótica, esfumaçada. Na segunda vez, achei que eu já o conhecia de algum lugar…
Acho que o Kenzo Flower Oriental é resultado da mistura de dois perfumes da marca: Kenzo Flower e suas flores atalcadas e o Kenzo Amour Le Parfum, com suas notas incensadas, enfumaças e exóticas!
Assim que passei tal perfume senti flores cremosas, carnudas, exóticas e sem nome (se eu tivesse que nomear, elas seriam parentes da frangipani). Flores típicas de ilhas tropicais, bojudas e de cores exuberantes banhadas de fumaça de incenso resinoso e balsâmico. Depois ainda percebi notas apimentadas, mas daquele jeito que só esquenta e não arde! A baunilha vem deliciosamente licorosa, melíflua, queimada. Cheiro de calda que passou um pouquinho de nada do ponto, que ficou com um leve aroma tostadinho. Li que tem violeta nele. Deve ser dela que vem o aroma atalcado…
Foi criado em 2005 e o nariz responsável por ele foi Alberto Morillas.
Notas de saída: notas florais, incenso.
Notas de coração: violeta, rosa búlgara.
Notas de fundo: pimenta, baunilha.
Kenzo Flower Oriental tem ainda aquela nota que sentimos no Amour, a que acredito que venha do arroz. E pensando bem, acho que é cheiro de pó-de-arroz ou de papel mesmo, do tipo que se faz aquelas lanternas japonesas. Pois é, acho que papel de seda tem lá seu aroma, bem como papel de revista ou papel crepom…
Oriental, místico, sexy, mordível. É lindo, mas merecia um frasco todo negro, com caligrafia em vermelho, já pensou?

Dévotion, Gabriela Sabatini

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Só pra avisar: ele é descontinuado, claro. Mas ainda se acha nas lojinhas obscuras da 25 de março, no Ebay e (dizem que) no Paraguai.
Confesso que não usei o petardo Gabriela Sabatini na adolescência – nem agora – e nunca morri de amores por ele. Até que um dia andando pela Ikesaki (perfumaria gigantesca no bairro oriental da Liberdade, aqui em SP) vi o tal frasquinho vermelho. Sério, faz uns 10 anos, a Ikesaki vendia alguns perfumes importados, ficavam lá na prateleira que hoje tem produtos faciais, entre as duas escadas… Atraída pela cor do frasco e pelo nome, experimentei! E claro, foi amor a primeira vista!
Luminoso, cremoso, sensual, quente! Não é para os fracos: nele tem sim algo do Gabriela Sabatini tradicional e algo do D&G Red, refrescados e abrandados por notas verdes.
Abre com notas florais e verdes, logo mostra suas notas quentes com audácia! É desafiador, do tipo ‘ame ou odeie’. Está ali brilhando e caso se incomode, se afaste. Dévotion continuará ali, imperativo.
Notas de saída: aldeídos, maçã, limão, bergamota.
Notas de coração: lírio, lírio-do-vale, jasmim, rosas .
Notas de fundo: sândalo, fava-tonka, baunilha, vetiver, praliné – foi criado em 2001.
Nas verdade as notas de saída e de coração de Dévotion são efêmeras. O que sinto logo no início é algo de casca de maçã-verde. Os aldeídos são mais persistentes e acompanham a evolução do perfume, acentuando o traço verde-fresco em meio a notas tão quentes. As notas de coração também são discretas: sinto o pungente do jasmim, o cremoso das rosas e só. Acho que na verdade, o grande show de Dévotion está em sua base: sente-se cada uma das notas em cortejo! E sem brigas! Nenhuma quer aparecer mais do que a outra, todas caminham em sincronia, cada qual com sua beleza e mistério!
Sente-se o calor amadeirado-verde do sândalo, o especiado-quente da fava-tonka, o exótico-guloso da baunilha, o frescor-terroso do vetiver, o amendoado do praliné!
E o apelo do nome? Devoção! E no meu ponto de vista, uma devoção apaixonada, cheia de desejo! Salma Hayek, sexy e explosiva em ‘Era uma vez no México’ combina com ele.
E peço: nunca acabe, meu frasquinho de 30ml velho de guerra! Sou devota sua!

Perfumados Fragmentos Literários – Nelson Rodrigues

E não é que jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 192 – Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) já citou os aromas e sensações advindas deles em suas obras? 

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Tal poema foi extraído de uma carta escrita por Nelson à sua noiva Elza Bretanha, que fora sua colega de redação e com quem se casou em 1940:

“ Se eu pudesse – se os deuses permitissem –

teria assistido hoje ao seu despertar.

E, então, teria feito uma festa

de luz, de cor, de aroma.

Eu transportaria para tua alcova

toda a vibração musical da aurora,

todo o estremecimento solar.

E teria enfeitado os teus cabelos

com o mais lúcido e macio dos raios de luz;

e teria espargido sobre os teus ombros

o perfume mais suave da manhã;

e teria prendido no teu riso a pétala mais diáfana.

E, quando te levantasse,

eu faria com que pisasse rosas frescas e voluptuosas;

e assim teus pés teriam como que sandálias de perfume.”

Fonte: http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/2012/01/30/belo-trecho-de-nelson-rodrigues/

Immortelle de Corse, L’Occitane en Provence

Que doce surpresa! No Encontro Perfumado da APP conheci esse precioso, mas em meio a tantos outros perfumes acabei deixando ele esquecidinho… Depois fiz uma troca de amostras com a Barbarella e ele veio. Tá vendo, estava escrito: Immortelle de Corse tinha que me seduzir… e sumir, porque ele foi descontinuado e achar o bonito está difícil que só.
Logo quando passei na pele senti algo licoroso, doce, melífluo. Pareceu até que o líquido do perfume era mais espesso, como uma calda. Logo depois senti cheiro de um doce árabe delicioso, o ninho de nozes! Massa delicada, nozes, água-de-laranjeira e mel, muito mel! Juro que fiquei com vontade de lamber o braço, tamanha a gula que o Immortelle de Corse despertou! E o melhor: doce delícia sem ser enjoativo!
Notas de saída: immortelle.
Notas de coração: rosa, chá-verde, mel branco.
Notas de fundo: almíscar, benzoim, íris.
Acho que foi o chá-verde que fez lembrar a água-de-laranjeira. Tem um quê cítrico, adstringente e que permanece lá, mas meio que escondido, apenas equilibrando o aroma. O fundo tem a nota de benzoim bem evidente, o almíscar é breve  e a íris dá profundidade e delicadeza. No finalzinho fica um aroma esfumaçado semelhante ao do L de Lolita Lempicka, mas sem a baunilha gourmand. É um cheiro ‘queimadinho’ e provocante!
Muito despertou minha curiosidade a Immortelle, não achei tradução no português para seu nome.
Achei isso sobre ela:
“Helichrysum angustifolium é cultivada principalmente na Itália, França e Espanha, o óleo essencial é obtido por destilação a vapor das flores frescas. Tem aroma de mel com tons verdes, é geralmente amarelo pálido, com algumas tonalidades de vermelho. É também possível a obtenção de um absoluto de helichrysum por extração com solvente.

É uma erva que é muito perfumada, cresce até 24 centímetros de altura. Possui flores coloridas parecidas com a margarida e são populares nos arranjos de flores. Embora existam muitas espécies de helichrysum que são utilizados por floristas, apenas um, Helichrysum italicum angustifolium, é recomendado para fins de aromaterapia”.
(Fonte: http://emaxilab.com/saude-e-bem-estar-artigo-1-1450.html)

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Alguém aí está desapegando de um?

Opium, Yves Saint Laurent

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Conheci o Opium lá pelos idos de 1995, 1996. Tive uma amiga que mesmo tendo menos do que 18 anos usava Opium como se fosse colônia. O pior não era isso, o pior é que ela ficava irritadíssima se topasse com outra pessoa usando o perfume, ela achava que tal cheiro só poderia emanar de seu pescoço, imagino…
Enfim, o Opium. Foi criado em 1977 por Jean Amic e Jean-Louis Sieuzac, foi um marco da década de 80, fez propagandas polêmicas e exuberantes. Lembram-se do vídeo onde a protagonista ia atrás de um frasco do Opium como se ele fosse algo ilícito? Ou da campanha onde a modelo que tinha cara de nóia parecia beber o conteúdo do frasco? Teve aquela outra, da modelo de pele imaculadamente branca nua, com expressão e postura de êxtase carnal? Pois é, tudo isso é a cara do Opium…
 
 
 
Aliás, sabiam que o frasco mais badalado de tal perfume imita um Inro? O inro era uma espécie de pequenos estojos normalmente achatados e constituído por vários compartimentos sobrepostos, que encaixam perfeitamente uns nos outros. Surgiu no final do século 16, eram geralmente confeccionados em couro fino, madeira ou papel com laca decorativa. Era  utilizado para transportar pós e plantas medicinais (ou ópio) – e mantê-los frescos – preso no cinto característico do traje masculino japonês. As caixas eram ligadas entre si por um cordão, cujas pontas eram enfiadas num elemento designado ojime, uma espécie de ‘conta’ que se destinava a manter as caixas bem unidas. As pontas desse cordão rematavam com outro elemento, o netsuke, que funcionava como botão e permitia prender o inro ao cinto acima referido (fontes: http://www.museu.gulbenkian.pt/obra.asp?num=1337&nuc=a6&lang e http://gaukartifact.com/2013/03/19/what-is-an-inro/).
 
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Opium é um dos perfumes ícones dos anos 80, uma preciosa ‘bomba’ oriental especiada! Cheira como um empoeirado, denso e inebriante perfume vindo de décadas passadas, e frente aos lançamentos atuais, Opium de fato soa como algo assustador! 
Defino ele assim: perfume com cheiro de mobília antiga pertencente a uma senhora libanesa absolutamente vaidosa, que perfuma a casa com flores e incensos, que prepara pratos típicos de sua terra natal e que borrifa generosas doses de perfume nos cabelos e roupas.
Notas de saída: coentro, ameixa, cítricos, mandarina, pimenta, jasmim, cravo-da-índia, bergamota, bay rum tree (Pimenta racemosa).
Notas de coração: cravo (flor), sândalo, patchouli, canela, íris, pêssego, lírio-do-vale, rosas.
Notas de fundo: lábano, bálsamo-tolu, sândalo, opoponax, almíscar, coco, baunilha, benzoin, vetiver, incenso, cedro, mirra, castóreo, âmbar.
Loucura né? A saída do Opium é chocante, tem cheiro de antiguidades, de tapete, de tecido com uma nuvem de especiarias picantes, ardidas. Depois Opium revela uma faceta resinosa, espessa, medicinal e mística! Tem cheiro de poeira perfumada e colorida, pó a ser misturado na bebida de quem se quer enfeitiçar! Acho encantadora a mistura de tantos elementos ‘pesados’ e esfumaçados! As notas de fundo são bem pronunciadas, desfilam lentamente para que todos possam admirar seus predicados.
E ainda tem nele um toque animálico, selvagem e arisco, que fica o tempo todo a espreita. Aparece e some, enche o perfume de mistério e ousadia.
Sabe o que eu acho mais doido em tudo isso? A doçura mentirosa do Opium. Suas nuances doces são uma armadilha, na verdade não tem nada declaradamente doce ali. São truques a fim de capturar incautos…
Opium é deliciosamente perigoso!
Sabe quem usava? Hebe Camargo. A cara dela…
 
 

Um post diferente sobre tabacos…

Uma planta polêmica… Nicotiana tabacum ou Nicotiana sylvestris (chamado Tabaco Branco) – as espécies mais utilizadas em perfumaria – possuem aroma rico, quente e adocicado. Pode apresentar facetas de uísque, bordo, caramelo e também aspectos róseo-frutados e de violeta. Muitos são os perfumes que possuem notas de tabaco, entre eles:
Joop! Homme Wild, Joop!
Fleur de Narcisse, L’Artisan
A*Men Pure Havane, Thierry Mugler
Fumerie Turque, Serge Lutens
Tobacco Vanille, Tom Ford
Cool Water, Davidoff
Tabarome, Creed
Sycomore, Chanel
Hoje no Blog temos a participação especial do meu amor, meu marido Fábio! Ele não é lá tão fã de perfumaria, possui 5 perfumes e já acha que tem demais! Ele tem o hábito de fumar cachimbo (é um confrade) e vem estudando bastante sobre tabacos. O interessante são as percepções olfativas dele em relação aos diferentes tipos de tabacos e misturas!
Reparem, não estou fazendo apologia ao tabaco, não! Estou falando de percepções olfativas, e sabemos que elas vêm de qualquer lugar.
E lá vamos nós, envoltos em fumaças aromáticas…

Impressões de tabacos (por Fábio Martins)

Experiências sensoriais são pessoais. Porem todos tem. Quem nunca sentiu um cheiro que o levou de volta à infância, seja um ambiente ou situação? Quem nunca sentiu um cheiro de perfume e lembrou de alguém ou ouviu uma musica e riu sozinho com uma situação que já passou? Pois bem, essas impressões me são causadas por tabacos de cachimbo que permitem visualizar locais que já vi ou que imagino que um dia verei. Experiências particulares e, sendo assim, não espero que ninguém se inspire nelas mas se concordar talvez você ria sozinho ao ler essas loucas “viagens”.

 Skiff Mixture (26/08/2013)

Transporta desde a abertura da lata a um ambiente marítimo e salino. Mas nada nobre nem rico; algo ate braçal, operacional. No ato de fumar permite visualizar-se na ponte de um navio de pesca de bacalhau já próximo  do porto num clima frio, depois de um dia de sucesso com o casco cheio, o corpo cansado mas triunfante e o dever cumprido.  Na minha opinião seria bem acompanhado por uma lata de Guiness.

 Petterson Sherlock Holmes (08/09/2013)

Uma experiência extremamente atípica numa fumada de sabor intenso. Esse tabaco tem características que levam ao confrade a tranqüilidade de um fim de dia, num clima frio do entardecer em um pub onde se pode tomar aquele merecido whisky ou conhaque apos a estressante rotina de alguma metrópole já entregue completamente á modernidade e o contato com áreas naturais se limita a locais específicos. Um tabaco moderno e marcante, na minha opinião como já dito seria bem acompanhado com uma boa dose de whisky.

The Golden Heart, Pub in London Black and White Photo520

 Cornell & Diehl, Apricots & Cream (22/09/2013)

Um tabaco que te deixa feliz! Apricots & Cream tem uma fumada mediana em termos de sabor e cheiro  mas teve a maior capacidade sensorial desde que iniciei no mundo dos cachimbos. É um tabaco encorpado, com as maiores características situadas em um ambiente de uma doceria. Sim, aquela doceria completa com aquela maquina de café expresso e doces incomuns que causam o divorcio dos regimes e dietas espalhados nas prateleiras (não atras de um balcão) que você entra em um dia ensolarado para tomar o café sem creme e relaxar. Me lembrou uma viagem á Campos do Jordão com minha digníssima, pontualmente a loja da Geléia dos Monges. Companhia? Precisa responder?

Obrigada, Fábio, por compartilhar tais experiências olfativas através de imagens e sensações com Aloucadosperfumes e todos os leitores!

Alchimie, Rochas

Lembram que contei sobre as amostras que recebi na semana passada? Então, olhem só que sorte: recebi DUAS amostras do Alchimie! Da Li e da Dri, alegria em dobro!
E eu estava tão curiosa por tal fragrância, desejando conhecer o conteúdo desse lindo frasco que parece a abóbora-carruagem da Cinderela, e que, claro, foi descontinuado…
Foi criado em 1998 por Jacques Cavallier, e o designer de seu frasco foi Serge Mandau.
Alchimie é um perfume lindo, complexo, rico, mágico. E confesso que fiquei um tempão tentando nomear suas notas olfativas, mas consegui identificar poucas. É tanta riqueza, tamanha profusão de odores que fiz um movimento contrário ao que geralmente faço: eu costumo sentir o perfume, anotar as notas olfativas que percebo. Depois vou ao Fragrantica ou outro site especializado, e vejo as notas que, de fato, existem no perfume e não na minha percepção.
Esse eu fiz o contrário. Olhei no Fragrantica e daí tentei ‘encaixar’ o que eu havia sentido com o que de fato existe.
Notas de saída: cassis, ameixa, mandarina, cássia, lilás, pêssego, pepino (oi?), jacinto, grapefruit, pêra, bergamota.
Notas de coração: coco, jasmim, heliotrópio, lírio-do-vale, rosa, glicínia, acácia-falsa (Robinia pseudoacacia).
Notas de fundo: sândalo, fava-tonka, âmbar, almíscar, baunilha, caramelo, alcaçuz.
E eu, humilde, que na saída havia sentido uma farta e saborosa salada-de-frutas com groselha (aquela em xarope mesmo), no coração algo cremoso e doce, porém mais delicado e menos gustativo que creme burlee, com algumas notas verdes e florais que não consegui nomear. No fundo senti avalanche de notas quentes, gustativas, ‘macias e mastigáveis’.
Na verdade, senti, o tempo todo, vontade de morder, mastigar, saborear o Alchimie.
Ele me lembrou da obra de William Shakespeare, “Sonho de uma Noite de Verão”. Titânia, Rainha das Fadas, deve cheirar assim…
 
Ficheiro:Joseph Noel Paton - The Reconciliation of Titania and Oberon.jpg
Joseph Noel Paton – “The Reconciliation of Titania and Oberon”, 1847.