




Peguei uma foto da net, porque o meu é um tester e a foto insistiu em ficar escura e péssima. Estou perdoada?
“Everything” é o nome do perfume concebido pelos artistas Lernert & Sander que como o nome indica, foi criado a partir de uma mistura de todas as fragrâncias lançadas em 2012.
Durante o ano passado, a dupla holandesa Lernert & Sander recolheu 1.400 amostras de perfumes lançados no ano. Ao misturar o conteúdo de todas estas fragrâncias, criaram 1,5 litros de Everything”, ou seja, um mistura poderosa.
O perfume original vem em uma embalagem feita à mão, reproduzindo um frasco de amostra grátis em versão gigante.
“Everything” está em exposição na Colette em Paris e fica até 09 março.
Quem passar por lá terá o privilegio (ou não) de experimentá-lo.
Recomendo o excelente post do blog “Perfume na Pele” sobre nichos da perfumaria. Didático, bem humorado e extremamente esclarecedor! Vale a pena a leitura!
Inspirada pela recente leitura do livro “O Segredo do Chanel N°5 – A história íntima do perfume mais famoso do mundo”, de Tilar J. Mazzeo, postarei uma série de vídeos publicitários de tal mítico perfume, com suas mais famosas garotas propaganda. Vamos começar pela eterna “Belle de Jour”, Catherine Deneuve?
Em breve falarei mais sobre o livro, mas adianto: leitura obrigatória para todos os amantes da perfumaria. Uma verdadeira aula de história por trás de um frasco de perfume!
6- Pasteur – Corpo Limpo, Corpo São
Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram grande importância tanto na área química como na medicina.

O conceito de higiene surge apenas no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente. Cabe frisar que as noções de assepsia por ele implantadas no âmbito da medicina foram fundamentais para que muitas vidas se salvassem.
Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial ainda na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.
Mas, após anos de religiosos dizendo o contrário, não foi todo mundo que voltou a tomar banho, mesmo com insistentes conselhos médicos. Quando a célebre rainha Vitória subiu ao trono, em 1837, ainda não havia local para banho no palácio de Buckingham, sede da coroa inglesa. Até os anos 1870, eram raras as casas ocidentais que tinham um cômodo para seus habitantes se lavarem.
Em Paris, criou o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica, com filiais em vários países, inclusive no Brasil (Rio de Janeiro).
Os banhos rotineiros reapareceram definitivamente nas grandes cidades ocidentais apenas por volta dos anos 1930. Mas, no começo, eles não eram lá tão freqüentes. Eram tomados aos sábados, dia em que também eram trocadas as roupas de baixo das crianças. Nessa época, navios ofereciam cabines de banho e barcos delimitavam áreas em rios que serviam como piscinas naturais. Após o fim da Segunda Guerra, em 1945, quando boa parte das casas européias teve que ser reconstruída, elas ganharam banheiros, abastecidos com a cada vez mais comum água encanada. A França foi a pioneira nas inovações sanitárias, seguida pela Inglaterra e pela Alemanha.
7- O Banho Vira Moda: de Sol, de Lua, de Gato, de Loja e de Cheiro. Dançando na Chuva e Cantando no Chuveiro
Ao longo da História, o banho já foi considerado sagrado e profano, artigo de luxo e diversão das massas, receita de saúde e até causador de doenças e mortes. Este ritual, tal como o conhecemos hoje, é resultado de uma mescla dos costumes de diferentes povos ao longo dos tempos.
Atualmente, o banho é associado ao cuidado com a pele e ao bem-estar em todo o mundo. Além de deixar o corpo limpo e cheiroso, as composições dos sabonetes, sais e óleos são enriquecidos com essências que podem transmitir sensações diferentes como relaxamento ou vigor que, associados às diferentes temperaturas da água, têm seu efeito potencializado.

Ou seja: refrescar, seduzir, relaxar e estimular são apenas algumas das variadas finalidades dos mais diferentes tipos de banho, que propiciam vastos benefícios para o corpo e para a mente das pessoas.
Muitas são as delícias que esta experiência é capaz de proporcionar; são efeitos estimulantes, afrodisíacos e relaxantes, dentre outros. Com isso, o banho terminantemente virou moda: no chuveiro, em banheiras, e ofurôs. Banho de cheiro, de sol e de sais, de mar e de piscina; banho de cachoeira e banho de lua, banho de loja e banho de gato; dançando na chuva, cantando no chuveiro!
8- Quem Banha o Corpo, Lava a Alma – Banho dos Orixás (o blog não manifesta apoio ou repúdio a nenhuma manifestação religiosa, respeitamos todas. A questão é, como dissemos no primeiro texto dessa série, tiramos a maioria as informações do enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis de 2009, e seria injusto omitir tal parte, que faz parte da cultura brasileira).
Os rituais de diferentes tipos de banho também são práticas religiosas, uma vez que o ato de banhar-se foi e ainda é visto em muitas religiões como um rito de purificação do corpo e da alma. Tal fato é observável no espiritismo, por exemplo, pois acredita-se que quem banha o corpo, lava a alma, afastando as energias negativas e atraindo a positividade.
Os banhos de cunho litúrgico podem ter finalidades diversas: defesa, sacudimento, defumação, cura, regeneração, elevação espiritual, auxílio no desenvolvimento de novos médiuns.
A benção e a proteção dos orixás abrem os caminhos através de sessões de descarrego, limpeza da aura, energização e purificação; com a utilização, inclusive, de utensílios tais como a pipoca, ervas e sal grosso, dentre outros.

No Brasil, país onde grande parte da população é praticante do sincretismo religioso, tais práticas afro-descendentes são bastante usuais.
Fonte: http://www.beija-flor.com.br/2012/por/17-outroscarnavais/carnaval2009/enredo.html
(Que engraçado, dá pra ver eu tirando a foto no reflexo do frasco…)
Não sei se é o desenho presente no frasco, com seu jogo de esconde-revela. Não sei se é o nome “maitresse“, que pode significar “professora” (do quê, fica a critério se sua imaginação…), ou “amante“. Não sei se é família olfativa floral aldeídica (família a qual pertence o lendário Chanel Nº5). O fato é que Agent Provocateur Maitresse é sensual e excitante. E o melhor, sem ser espalhafatoso. Nasceu assim, cresceu assim, vai ser sempre assim, tal qual Gabriela, sabe?
Para mim tal perfume poderia ser facilmente representado por duas obras de arte: “Mulher sentada com ramo de flores” (1927), de Ismael Nery:

e “Kneeling girl, on both elbows supported”, de Egon Schiele.

As duas obras tem em comum tamanha carga erótica, tamanha volúpia e entrega, que dá ao observador a impressão de que ele será tomado e engolido pela voluptuosidade dessas mulheres. Seja você mulher ou homem, sem preconceitos, deixe a arte invadir seu imaginário e provocar sensações…
Já ouvi algumas críticas ao frasco por lembrar um ovo, mas quer maior símbolo de fertilidade (consequentemente de sexualidade) do que um ovo, minha gente? Vamos analisar o simbolismo das coisas…
Foi apresentado ao mundo em 2006 e foi criado por Azzi Glasser.
Notas de saída: pétalas de lótus, violeta, ylang-ylang.
Notas de coração: aldeídos, jasmim, rosa, osmanthus.
Notas de fundo: camurça branca, íris, patchouli, musk, âmbar.
As notas de tal perfume são tão bem entrelaçadas que para mim fica difícil distinguí-las de forma satisfatória. Indiscutivelmente estão ali as rosas e o jasmim (reforçados pelas moléculas dos aldeídos). A íris o torna profundo e a violeta “empoeira” de forma sutil. O fundo amabarado, almiscardo e com notas de couro macio e delicado o tornam aveludado, fetichista.
Embora tenha boa projeção nas 3 primeiras horas de uso, é depois que a magia da fragrância se revela. É quando fica “a flor da pele” e nos deixa com o nariz grudado a pele, vicia e embriaga. Perfume para se tornar amante de si mesma.
Se a marca queria uma arma de sedução altamente erótica (mas não vulgar ou pornográfica, que fique bem claro o distanciamento entre tais conceitos), conseguiu!
Fontes: http://www.egon-schiele.net/Kneeling-girl,-on-both-elbows-supported.html
http://www.acervodearte.com.br/acervo/ver_obra.php?acervo=876

Hoje procurei por um perfume que passasse um pouco de sensação de frescor, uma vez que está um calor infernal aqui em São Paulo. Infernal mesmo.
Decidi por uma miniatura do Versace Versense, que já tinha usado algumas vezes e resolvi usar novamente para ter uma opinião conclusiva sobre ele.
3 – Idade Média – A Proibição do Banho
A condenação do inferno, tão comum na Idade Média…
Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. A maneira de ver o banho mudou. As idéias religiosas foram levadas ao exagero e as saunas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras e tudo poderia acontecer. Era um convite às tentações da carne…
Ui, podia acontecer…
Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que a cristandade varreu da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano.
Os banhos foram totalmente proibidos, aumentando as doenças, em especial a peste. Dizia-se que a água “amolecia” a alma. Dizia-se ainda, que o fato de a água quente dilatar os poros da pele facilitava a entrada de doenças no corpo. Desta forma, nesta época, a higiene basicamente resumia-se em vestir uma roupa limpa e usá-la até ficar suja, pois acreditava-se que a roupa funcionava como uma espécie de “esponja”, absorvendo a sujeira. Sendo que muitas vezes a roupa sequer era lavada, apenas sacudida.
Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Em famílias pobres, quando eles aconteciam, a água servia para banhar a família inteira em uma tina. Primeiro os homens, depois os filhos e por último as mulheres.

A Idade Média foi muito apropriadamente chamada de Idade das Trevas, protagonizando o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos, tratando-os como “Orgias Pecaminosas”.
Iniciou-se um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa. Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas!
Esta falta de asseio pessoal, aliada às condições de vida insalubres, contribuíram sobremaneira para as grandes epidemias da Idade Média e, em especial, para a Peste Negra do século XIV.
Com os grandes surtos epidêmicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. A água seria o veículo transmissor das doenças… e devia ser mesmo, com tantos dejetos despejados em rios e córregos.
Desde o século XV, os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. Defendiam a teoria que, “depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se, e assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita”.
A ideologia cristã instaurou preconceitos e impôs uma nova moral e conseqüentes novos costumes. A Igreja temia pela sujidade das almas, pois os hábitos promíscuos eram uma porta aberta para o pecado. Havia assim, que se evitar os banhos públicos, locais “propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes”.
Mas há controvérsias, recomendo a leitura do artigo: http://www.ohistoriante.com.br/higiene-medievo.htm
4- Renascimento – Dos Maus Odores ao Banho de Civilização
No século XIII, frades dominicanos iniciaram as atividades farmacêuticas relativas à produção de essências, pomadas, bálsamos e outras preparações medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até os dias de hoje, foram estudadas durante a corte de Catarina de Médici, nobre florentina que se mudou para a França em 1533, para se casar com o Rei Henrique II.
Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em Grasse, uma pequena cidade ao sul da França, localizada aos pés dos Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da indústria de couro e perfumação do mesmo, especialmente o das delicadas luvas das senhoras.
Aos poucos, a era das águas perfumadas, as famosas águas de colônia, foram cedendo espaço para a composições à base de almíscar. A preocupação com a higiene e os cuidados com o corpo permanecia. Também se considerava importante o cultivo de jardins, capazes de repelir os odores pestilentos comuns na época.
Diz-se que Luis XIV, o “Rei Sol”, era muito sensível a odores, e tinha um perfume para cada dia da semana. Em sua corte, rosas e flores de laranjeira eram usadas para perfumar luvas, e os sabonetes de óleo de oliva faziam parte da higiene diária. As fragrâncias apreciadas por Luís XIV eram produzidas no sul da França.
No Renascimento, a idéia de manter o corpo limpo foi abandonada e os “banhos de água” foram substituídos por “banhos com fortes perfumes e essências”, sendo Catarina de Médici a grande responsável pela difusão do perfume na França.
A fomentação da expansão marítima conduz os europeus ao descobrimento de novas terras, denominadas de ‘Novo Mundo’ e a realidade da Europa (o ‘Velho Mundo’) mostrava-se paradoxal aos costumes demonstrados pelos habitantes dos territórios localizados na atual América do Sul.
A chegada dos brancos impressionou aos índios, devido à aparência suja e grotesca dos europeus, chamados de “mal cheirosos e porcos”.

Observando os hábitos dos indígenas, nativos das terras recém-descobertas, os europeus aprenderam diversos conhecimentos sobre limpeza e higiene, pois era comum e que os nativos se banhassem em rios, lagos, lagoas e cachoeiras. De modo que os indígenas em muito contribuíram para o progresso nos costumes dos europeus, promovendo um verdadeiro banho de civilização.
5- Corte de França – Banho de Cheiro Disfarçando a Sujeira
A fundação da primeira boutique de perfumes em Paris impulsionou a produção e a comercialização de produtos aromáticos. A opulência, o esplendor, a extravagância e o refinamento surgiam nas famílias aristocratas e dominavam a corte européia.
A moda dos banhos estimulou a difusão dos perfumes por toda a Europa. A “Corte Perfumada”, fiel ao estilo Rococó, bem como toda a nobreza francesa, habitualmente se utilizavam de bálsamos e perfumes – nas roupas, nos corpos e nos cabelos – para disfarçar a sujeira e amenizar o mau cheiro.

“Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento…”
Outras fontes: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-sabao-e-da-higiene-corporal.html