Les Lions D’Arthes, Jeanne Arthes

Jeanne Arthes é uma empresa de perfumes fundada em 1978 com sede em Grasse. A exportação de perfumes Jeanne Arthes é responsável por mais de 75% do volume de negócios de produtos da empresa. É detentora das marcas Jeanne Arthès, Jeanne d’Urfe e Jeanne-en-Provence. O nariz responsável pelos perfumes da marca é Jean-Pierre Bethouart.

Já ouvi por aí que a marca faz contratipos, ou melhor, perfumes com grande inspiração em outros já sucesso de vendas de marcas famosas. Eu conheço a marca já faz um tempo e sim, tem muitos perfumes que são muito parecidos com outros já consagrados. Mas o Les Lions eu não consegui associar e nenhum outro… E mesmo que tivesse, vou falar dele por si, sem comparações.

Vamos começar pelo frasco? Comprei por causa dele, confesso! Uma coisa toda Lannister (já leu Game of Thrones?), tampa adornada por um leão muito bem feito, laterais do vidro com leões esculpidos no vidro, foscos – desta vem não tão bem feitos – mas ainda bonitos! Todo chamativo: caixa pomposa com detalhes em dourado, frasco exótico (meio kitsch) e imponente!

Les Lions começa com cheiro de frutas cítricas doces, pêssego cremoso, damasco seco meio amarguinho. Tem coração floral exótico e especiado, forte acento de cravo (especiaria). As flores são picantes, adoçadas, quentes. Tem algo de oitentista, aquela coisa floral-melíflua-opulenta, porém discreta. Só lembra, não é de fato.

As notas finais de Les Lions é uma mistura de baunilha, almíscar, patchouli e um tico de musgo-de-carvalho. Aqui tive novamente a impressão de estar frente a uma releitura de algum perfume bomba dos anos 80.

Les Lions é um bom perfume, projeta bem, fixa em média 6 horas (tá ótimo né?), é bonito e o preço é bom! Precisa mais?

Notas de saída: laranja, tagete, bergamota, tangerina, limão, cassis.

Notas de coração: noz-moscada, raiz de íris, jasmim, rosa, cravo-da-Índia, ylang-ylang, pêssego.

Notas de fundo: almíscar, baunilha, patchouli, cedro, sândalo, musgo-de-carvalho.

Gosto muito de você, Leãozinho!

Divas Perfumadas…

O post de hoje é dedicado ao amigo Dino Napoleão! Vamos ver como eram as penteadeiras das  divas de Hollywood em décadas passadas? Não sei se eram perfumes pessoais ou de algum set de filmagem, mas mesmo assim vale visitar essas mulheres maravilhosas e tão perfumadas, certo?

Elizabeth Taylor

Elizabeth-Taylor

Ava Gardner

ava gardner

Thalia Barbarova

THALIA BARBAROVA

Betty Grable

betty grable

Carmen Miranda (coleção pessoal)

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Carole Landis

carole landis

Rita Hayworth

rita hayworth rita-hayward

Dorothy Lee

dorothy lee and perfume

Floresta, Amazonia Viva

Já fale anteriormente do Preciosa, também da marca nacional Amazonia Viva. Depois dele, fiquei muito curiosa nos demais perfumes da marca e acabei pegando os outros 2: Floresta e Madeiras.

Floresta não tem a mesma ‘potência’ do Preciosa, é mais verde, mais delicado.

Inicia com notas verdes e florais, uma sensação te ter esmagado entre os dedos pétalas frescas, ervas aromáticas e até mesmo um pouco daquela substância leitosa que sai de certas folhas ‘gordinhas’ e galhos.

Depois de algum tempo surge um odor quase medicinal, balsâmico e estranhamente doce. Agridoce, vamos dizer. E ainda verde. Tem uma coisa de alfavaca, já sentiu?

No final, Floresta mostra nota bem equilibrada da planta chamado oriza*, o já conhecido patchouli. Vem doce, exótico, mofadinho, mas nada intenso. É chá de patchouli!

É um bonito e exótico floral-verde-picante! Não tem ‘cheiro de mato’, longe disso, mas tem uma rosa bonita com aspecto ‘retrô-empoado’ e um patchouli tão diferente! E mais uma vez um perfume da marca Amazonia Viva me encantou… Deve ser o feitiço da Matas do Boto e do Curupira…

E mais: ele é encontrado a preço quase simbólico em lojas virtuais brasileiras, viu?

Notas de saída: rosa da Bulgária, ylang-ylang de Madagascar

Nota de coração: copaíba

Nota de fundo: oriza

*Oriza ou Patchouli de Java (Pogostemon heyneanus) é uma planta abundante principalmente em Sumatra e Java, mas também no norte e nordeste do Brasil, principalmente no Maranhão e Pará, onde é chamada de oriza. A planta chega a altura de 90 cm, tendo haste forte e folhas macias. Produz óleo essencial que é extraído das folhas colhidas na estação molhada. A colheita, feita à mão, acontece de duas a três vezes ao ano. É empacotada e posta a secar parcialmente por alguns dias antes que o óleo esteja extraído através da destilação de vapor. O processo de fermentação ‘amacia’ as divisões celulares da planta, facilitando a extração do óleo essencial.

**Copaíba (Copaifera sp) fornece o bálsamo ou óleo de copaíba, um líquido transparente e terapêutico, que é a seiva extraída mediante a aplicação de furos no tronco da árvore até atingir o cerne. O óleo da copaíba é um líquido transparente, viscoso e fluido, de sabor amargo com uma cor entre amarelo até marrom claro dourado. O uso mais comum é o medicinal, sendo empregado como anti-inflamatório e anticancerígeno. Pelas propriedades químicas e medicinais, o óleo de copaíba é bastante procurado nos mercados regional, nacional e internacional. Em algumas regiões, o chá da casca é bastante utilizado como anti-inflamatório.

Fonte: http://www.amazonlink.org/biopirataria/copaiba.htm

https://www.horizonherbs.com/product.asp?specific=2146

Chanel N°5 Eau Premiere, Chanel

Eis que surge um Chanel N°5 para as novas gerações! Moças e rapazes que um dia, curiosos, irão se aventurar nos caminhos do Chanel N°5-pai…

Eau Premiere nasceu em 2007, foi criado por Jacques Polge e tem sim traços que o unem ao mítico N°5: a nova versão é mais leve, mais fresca, mais suave, mais delicada e adequada para o uso diário. Chanel N°5 Eau Premiere inclui ingredientes originais de N°5: rosa absoluta, jasmim dos campos de Grasse, neroli e ylang-ylang das Ilhas Comores.*

Não nega que é filhote do mítico 5! Estão lá os aldeídos, o bouquet floral cálido e polvoroso, a base morna. E para por aí, o que ao meu ver, é bom! Do contrário não seria uma nova versão jovem e moderna do clássico, teria falhado em sua proposta.

Ao passar na pele (aliás, obrigada Barbarella pela amostra preciosa!) me surpreendi com as primeiras flores adocicadas, atalcadas e exóticas! Esses aldeídos, sempre fazendo graça! Logo surgem mais flores: desta vez rosas e jasmins. E elas chegam sensuais, lânguidas, roçam na sua pele e se oferecem, macias e mornas…  O interessante é que as flores da saída não desaparecem nem um instante: ficam ali rolando na cama ylang-ylang, jasmim, rosa e neróli.

As notas de base são adocicadas (mas nada gourmand) e profundas. Acho até que são um pouco escuras, brincando com a luminosidade inicial trazida pelos aldeídos.

Chanel N°5 Eau Premiere é pra quem ama o Chanel N°5. E pra quem o odeia. É pra todo mundo, esse lindo!

Notas de saída: neróli, ylang-ylang, aldeídos.

Notas de coração: rosa, jasmim.

Notas de fundo: baunilha, sândalo, vetiver.

*Segundo descritivo do site: http://www.fragrantica.com/perfume/Chanel/Chanel-N-5-Eau-Premiere-1360.html

Chanel N°19 EDT, Chanel

Icônicos os perfumes Chanel identificados por números né? Na maioria das coisas e situações, quando colocamos números no lugar do nome, tornamos banal: simplesmente ‘mais um’ na infinita sequência, substituível. Com os perfumes Chanel é o contrário, o número o personifica e o faz individual. Engraçado né?

Divagações a parte, vamos falar do ’19’ EDT. Dezenove é o dia do nascimento de Coco Chanel. Foi criado por Henri Robert e lançado em 1970 quando Coco Chanel tinha 87 anos de idade, um ano antes de sua morte. 

E ele é estranho. Gostosamente estranho: cheira a pomada de flores, resinas verdes, folhagens, ar abafado. Apesar de possuir flores de grande personalidade em sua formulação, mostra a faceta delicada de cada uma delas. Assistiu ‘O Perfume’? Lembra da enfleurage, aquele método de colocar as pétalas em gordura para extrair seu cheiro? Me faz pensar que o restinho raspado de cada tela, de diversas flores, foi colocado em uma bacia de metal, misturada e deixada ali ao acaso em uma bancada em meio as plantas do jardim… e aí surgiu a alma floral-esverdeada do Chanel N°19…

Ele começa verde: casca, folha, raiz, semente, coisa meio de erva-doce ou salsão! Aos poucos aparece a delicada, exótica e narcótica pomada floral: rosas, íris, lírios, narcisos e outras que ainda nem desabrocharam. Tem uma pinta de jasmim, mas é tão discreta que quase passa despercebida…

As notas de base do 19 são andróginas e íntimas: couro, vetiver, musgo-de-carvalho, sândalo (nada doce nem esfumaçado: só leitoso e outra vez, meio verde), madeiras verdes e imaturas.

Acho o 19 meio fingido: por trás de uma suposta delicadeza esconde uma alma narcótica e até um pouco rude. É limpo, mas é sujo. Tem duas caras, o perfume: a Bela e a Fera, a donzela e o lenhador. Coisa louca né?

Notas de saída: gálbano, jacinto, neróli, bergamota.

Notas de coração: íris, jasmim, ylang-ylang, rosa, lírio, narciso.

Notas de fundo: couro, sândalo, almíscar, musgo-de-carvalho, vetiver, cedro.

Imagem do filme “La Belle et la Bête” (1946), de Jean Cocteau.

Acho que eu vi um gatinho…

Estou gripada, então resenhar perfumes se torna impossível, embora meu nariz esteja bem melhor hoje do que no final de semana… Já voltei e sentir cheiros e sabores!

Então vamos falar de gatinhos? Os frascos do Purr ou do Meow não são novidade não…

Olhe só os felinos que deram as caras muito tempo antes nos perfumes:

Sophisti-cat, da Max Factor: tinha 3 versões: Golden Woods, Primitif e Hypnotique. Achei fontes dizendo que ele data de 1958, outras dizem que é de 1965…

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E o gato preto misterioso da propaganda do My Sin, da Lanvin?

    

E claro, não faltou bichanos naquela coleção super kitsch da Avon onde tudo que é coisa foi transformada em frasco de perfume! Queria todos!

   

 

 

 

 

Sim, tinha que destarrachar a cabeça do gato para passar o perfume. Ouvi por aí que continham a fragrância Cotillion…

E porque não falar da modelo Jessica Stam toda gatinha na campanha publicitária do Ricci Ricci?

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Tem a linha Miss Caty Cat, da Novae Paris, alguém conhece? Achei lindos! No site da marca tem de tudo que é cor!

E por fim, os lindinhos Meow e Purr, da Katy Perry!

Agora me conta: quantos ‘ouwwwwnnnn‘, você fez durante o post?

 

Fontes: http://www.alleewillis.com/blog/tag/sophisti-cat-perfume/

http://www.blujay.com/item/1987-Avon-Perfume-Bottle-Black-Siamese-Short-Hair-Cat-Retired-Cotillion-7380300-3830656

http://www.novae-plus.com/info/?id=11

 

Próximo destino: Egito!

 
“Se fosse dada a você a chance de sentir um único perfume encontrado dentro de uma das pirâmides do Egito, como ou qual seria esse aroma?”
 
E hoje a Mesa Redonda dos Blogs perfumados vai para a terra dos Faraós, com uma pergunta difícil! Um só perfume? Posso dar uma esticadinha aos aposentos de Cleópatra e conhecer sua coleção? O pacote da viagem não cobre tal passeio? Tá bom vai…
 
Vou revisitar um post antigo do blog, lá de maio de 2013. Vou falar do mítico kyphi, perfume dos Deuses!
 
Pegue seu protetor solar e vamos ao Egito!
 
A primeira referência ao kyphi é encontrada nos textos das pirâmides: é listado entre os bens que o rei vai desfrutar em vida após a morte. Existe um papiro que registra a doação e entrega de ervas e resinas para sua fabricação nos templos de Ramsés III. As instruções para a preparação de kyphi e listas de ingredientes são encontrados entre as inscrições da parede no templo de Edfu e Dendera, no Alto Egito.
Médicos gregos que estudaram a farmacologia egípcia citam o kyphi como um medicamento. Dioscorides estabelece a preparação de kyphi na sua ‘Materia Medica’ e esta é provavelmente a primeira descrição grega do material.
 
 
Para Isis e Osiris – nos comentários do historiador Plutarco – os sacerdotes egípcios queimavam incenso três vezes ao dia: pela manhã incenso (não sei qual, não achei referências), mirra ao meio-dia, e kyphi ao anoitecer. Plutarco observa ainda que a mistura chamada kyphi levava 16 ‘ingredientes’ e era usada como “uma poção e uma pomada”. No século VII o médico Paulo cita um kyphi ”lunar” de vinte e oito ingredientes e um kyphi “Solar” de trinta e seis.
Todas as receitas para kyphi fazem menção ao vinho, mel e passas. Outros ingredientes identificáveis ​​incluem: canela, casca de cássia, os rizomas aromáticos de cyperus, cedro, bagas de zimbro, cana aromática, nardo e resinas como incenso, mirra, resina benjoim, labdanum e aroeira.
 
 
Alguns ingredientes permanecem obscuros. Receitas em grego e aramaico mencionam ‘aspalathos’, que Plínio descreve como a raiz de um arbusto espinhoso. Os estudiosos não concordam sobre a identidade deste arbusto: Alhagi maurorum, Convolvulus Scoparius, Calicotome villosa, Genista acanthoclada e, mais recentemente, Capparis spinosa foi sugerida.
O fabrico de kyphi tal como indicado no texto de Edfu envolve a mistura e envelhecimento de dezesseis ingredientes em sequência. O resultado era enrolado em ‘bolas’ e colocado sobre brasas para liberar uma fumaça perfumada.
Outras referências aos perfumes egípcios:
Quando o túmulo do jovem faraó Tutancâmon foi aberto, entre os conteúdos de luxo encontrados, estavam vários frascos muito bem trabalhados e contêineres. Entre eles, um frasco especial para ungüento, ainda perfumado, depois de tantos séculos encerrado.
 
‘Aproveita, freguesia! Leva 2 e paga 1!’
 
Unguento é a palavra clássica usado para descrever uma pomada ou um perfume sólido. Perfumes egípcios eram muito diferentes na textura dos líquidos agora considerados “perfumes”. Para uma comparação, considere os perfumes sólidos atualmente importados da Índia, embalados em pequenos recipientes de madeira ou de pedra esculpida (a semelhança é na textura, apresentação e aparência, não necessariamente na fragrância).
 
 
 
O ungüento perfumado encontrado na tumba de Tutancâmon era de natureza sólida, embora notou-se que ele derreteu e se tornou mais viscoso por causa do calor ao qual foi exposto. Observadores da época citam o aroma similar ao óleo de coco e também lembrando o cheiro de valeriana (Valeriana officinalis), a primeira dica para que o frasco continha provavelmente.
O perfume foi analisado em 1926 e verificou-se consistir de gordura animal e de uma resina ou bálsamo. Na época eles eram incapazes de ser mais específicos. No entanto, o componente perfumado primário é acreditado agora para ser primo de valeriana, o antigo e precioso nardo (Nardostachys jatamansi).
 
 
A reputação do nardo reputação é antiga. É um ingrediente em algumas fórmulas do kyphi e também foi um componente do incenso sagrado oferecido no templo judaico de Jerusalém. Ele é mencionado nada menos que três vezes no Cântico dos Cânticos. Foi ungüento de nardo puro, que Maria Madalena usou para untar os pés de Jesus Cristo, enchendo a sala inteira com seu aroma. Ao invés de sua fragrância maravilhosa, porém, o que é o mais famoso sobre nardo é seu alto custo. Dois dos evangelhos comentam sobre o seu preço. Judas Iscariotes foi aparentemente ofendido com a unção de Jesus, querendo saber por que o frasco da pomada não foi vendido e os recursos se deu aos pobres. À luz da sua descoberta na tumba de Tutancâmon, ele pode ser apreciado que nardo era verdadeiramente uma fragrância para reis.
 
 
Hoje, o nardo está disponível como um óleo essencial. Rizomas e raízes secas e trituradas submetidas à destilação a vapor resulta em um líquido dourado pálido. Qual é o cheiro? Nardo puro, segundo fontes, tem um aroma profundo e complexo, uma combinação doce/picante/almiscarado, cheiro de terra muito orgânico. Desejei…
A recriação historicamente correta de unguento precioso de Tutankhamon pode envolver gordura animal para a base. A versão mais atual poderia usar o óleo de coco ou jojoba.
 
Perfume de Tutankhamon:
 
Um quarto xícara de óleo de coco/jojoba
6 gotas de óleo essencial de nardo
6 gotas de óleo essencial de olíbano
 
Será que Tuth venderia um decant?
 
 
 
Quer continuar no Egito? Visite:
 
 
 
 
 

Opium Vapeurs de Parfum, Yves Saint Laurent

Confesso: os flankers do Opium me deixam curiosa. Sempre fico pensando se vai surgir um a altura do Opium-pai. O Vapeurs (vou resumir o nome, ok?) e seu frasco alaranjado foi um desses, até que a Li, do blog Parfums et Poesie teve a gentileza de enviar uma amostra.

E aí eu fiquei mais atrapalhada: como um perfume que carrega o nome Opium pode ser assim tão luminoso? O frasco alaranjado não estava mentindo então? O perfume é assim claro e radiante mesmo? Até passou a ‘bronca’ com o Belle d’Opium, voltei a ficar ‘de bem’ com a família Opium!

Vapeurs cheira a ‘talco de laranja’ (isso existe?), a maquiagem novinha, a flores brancas miúdas e inebriantes. Tem toques especiados discretos e comedidos durante sua evolução. Suas notas de base são esfumaçadas, incensadas e adocicadas. Opium para os tempos modernos, sem cair na monotonia!

O que mais me encantou nele é a coisa toda dos cítricos – casca, sumo e flor – envoltos em notas mais pesadas e de doçura misteriosa! E tem ainda um quê picante que ‘levanta’ a composição ‘ e a faz parecer fluorescente!

Depois de 2 horas na pele consigo sentir as notas de benjoim, patchouli, baunilha e noz-moscada (uma coisa meio-morna-meio-sujinha). Embora sua base seja construída de inúmeras notas marcantes e ‘pesadas’, ela é delicada e o resultado na pele é confortável e sensual.

Fãs do Elie Saab, conheçam Opium Vapeurs! Quem odeia o Opium-pai, conheça o Opium Vapeurs, para tirar a ‘fama’ da família e de repente encontrar um amor! Fãs de perfumes doces, fãs de perfumes florais, todo mundo devia conhecer o Opium Vapeurs, ele é tão fácil de agradar!

Foi criado em 2012 e é apresentado na concentração EDT Légere.

Notas de saída: mandarina, pimenta rosa.

Notas de coração: jasmim, flor-de-laranjeira.

Notas de fundo: âmbar, noz-moscada, incenso, madeiras, baunilha, patchouli, benzoin.

Palestra: “Um passaporte ao mundo sensível dos perfumes e aromas”, por Mônica Rossetto

No dia 28 de agosto, as 19h, a Faculdade Santa Marcelina, em parceria com o Grupo Boticário promoveu a palestra ‘Um passaporte ao mundo sensível dos perfumes e aromas’. Tal palestra foi ministrada por Mônica Rossetto: perfumista (já atuou na Symrise, Givaudan), docente do curso de pós graduação da FASM, palestrante, atriz.

Saí do trabalho as 18h, corri feito louca, andei mais do que imaginava e cheguei esbaforida as 19:04h! Ufa! O importante é que deu tempo!

Monica iniciou a palestra falando da importância do olfato e das sutilezas deste sentido, de como ele pode nos despertar lembranças, sentimentos, aversões. É nosso sentido mais ‘primitivo’, ajudou o homem pré-histórico nas caçadas, avisou sobre a presença do inimigo e a qualidade dos alimentos. Refinou-se com a evolução da espécie, mas continua sendo um sentido extremamente ligado as nossas emoções. E o  mais engraçado? Ainda temos muitas dificuldades de nomear o que o olfato nos proporciona! ‘Emprestamos’ termos derivados de outros sentidos (visão, audição, tato, paladar) para nomear sensações que o olfato nos trás. Quer um exemplo? Quem nunca disse estar sentindo um ‘cheiro doce’? Olha o paladar aí…

Contou ainda sobre o trabalho do perfumista, da abundância de matérias primas disponíveis na durante a criação de uma fragrância: mais de1.500!

Discutimos ainda sobre a relação que temos com os cheiros produzidos pelos nossos corpos: fazemos de tudo para nos ‘livrar’ de nossos cheiros e adquirirmos outros considerados desejáveis, através de perfumes, cosméticos, cremes. Nos privamos de algo que é nosso para nos cobrir de algo que julgamos nosso… E essa é a brincadeira, quem você quer ser hoje?

Monica ainda nos apresentou uma série de 7 matérias-primas de um perfumista, e antes de sabermos o que eram de fato, falamos sobre nossas impressões. Não existia certo ou errado!

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Vou colocar aqui minhas impressões, de 1 a 7, depois falo sobre o que eram de fato e o que Monica disse sobre cada uma:

1 – Senti balinhas de frutas, vitamina de frutas, acetona, esmalte de unha;

2 – Chiclete bubaloo sabor melancia, erva-doce, ar-condicionado;

3 – Jasmins, pasto, grama pisada;

4 – Amendoado, baunilha, heliotrópio, comidas natalinas;

5 – Torradas, manteiga;

6 – Estrume, ranço, manteiga rancidificada, queijo curado estragado, vômito de bebê;

7 – Gel de massagem, vick vaporub, gelado, pasta de dente.

Coisa doida né? O mais interessante era ouvir o que as pessoas ali presentes sentiam a cada experiência! Ouvi desde ‘bosta’ até ‘perfume da baunilha da Victoria Secret’!

Enfim, o que eram tais substâncias? Eram matérias-primas usadas na perfumaria e algumas até mesmo na fabricação de alimentos! Daí explicou-se que muitas vezes a substância é prejudicial se ingerida, então ela pode ser usada na perfumaria e cosmética, mas não na indústria alimentícia, e vice-versa! Legal né?

Bom, vamos lá, ver o que eram de fato os 7 ‘elementos’ citado aí em cima?

1 – Lembra maçã verde ou pêra, passa sensação de ‘suculência’ e frescor. Não anotei o nome…

2 – Floralzone: cheiro atmosférico, ozônico, aquoso, transparente;

3 – Jasmim Absoluto;

4 – Heliotropina;

5 –  Pão! Delicioso composto que imita o cheiro de pão torrado, amanteigado! Dá fome e vontade de morder;

6 – Civet: animálico, corpóreo, sujo. Usado em minúsculas doses na perfumaria, para dar ‘alma’ a um perfume;

7 – Salicilato de metila (usado no gelol, emplastro salompas).

Depois ainda ‘classificamos’ esses odores em um gráfico dividido da seguinte forma: narcótico, erógeno, anti-erógeno e estimulante.  Aqui a percepção era pessoal, cada um devia encaixar os odores onde quisesse. Meu gráfico ficou assim:

3 – entre o narcótico e o erógeno;

6 – erógeno;

4 e 5 – entre o erógeno e o estimulante;

1 e 7 – estimulante;

2 – entre o anti-erógeno e o estimulante.

Que vivência interessante né? Além de conhecermos matérias-primas pudemos falar sobre as sensações e lembranças que cada uma delas despertou!

Em outras palavras: a palestra foi excelente! Agradeço a Monica Rosseto, a FASM e ao Espaço Perfume Arte + História por tal experiência!