Tabu, Dana – Esse polêmico!

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O polêmico: TABU! Vítima de bullying por décadas a fio, sempre fui curiosa por ele! 
Desde sempre ouço falar que o bendito é sinônimo de puro mal gosto e carniça. Minha mãe dizia que lá nos anos 50, 60, Tabu era ao mesmo tempo muito usado e muito odiado, pois era fortíssimo e empestiava o planeta.
Para que armas, tanques, minas terrestres e bombas nas guerras que nosso planeta testemunhou? Era só ter espargido 50 litros de Tabu nas fileiras inimigas e a guerra estaria ganha sem destruição, as tropas inimigas se entregariam implorando clemência, com os olhos lacrimejando e pedindo por um banho de escovão (ok, desculpem a piada de péssimo gosto, mas de cunho pacifista, no final das contas)…
Aí é que está, fui ficando curiosa a respeito de tal suposta desgraceira.
E fui atrás dele. 
Tabu foi criado em 1932 pelo perfumista Jean Carles, pai de Miss Dior, Ma Griffe, Shocking. Começamos bem.
Tabu levou a fama de ser um “perfume de prostitutas”, e há algumas lendas a respeito de tais mulheres de vida nada fácil terem sido a real inspiração para o perfume…
Ah, o inconsciente coletivo e tudo que é socialmente proibido! Seria isso que condenou Tabu as fogueiras pelas conservadoras donas de casa das décadas passadas?
Outra coisa: ele sempre foi um perfume “popular”, barato, vamos colocar assim. E sabe, infelizmente temos, e sempre tivemos a mania feia de rotular o que é barato de ruim. E isso não é verdadeiro.
Enfim, Tabu fora criado para ser sensual, quente e provocante! 
Imagino que na época de sua criação ele deveria ser bem mais concentrado e de bem melhor qualidade do que o atual vendido nas drogarias paulistas. E mais bonito, afinal, o clássico frasco do violino não é de se jogar fora, longe disso…
 
E começa minha saga para conhecer o Tabu… procurei no Ebay e demais perfumarias online estrangeiras. Porém, com o tal da proibição de envio dos países do Reino Unido e com o azar que tenho tido com encomendas internacionais, deixei pra lá. 

Até que outro dia, voltando do famigerado shopping 25 de março (quem é de SP me entenderá), entrei no Armarinhos Fernando (loja de comércio ultra popular da região central) e fui lá na seção de cosméticos. Dei de cara com, a deo-colônia Tabu, Dana, a modestos R$ 4,95. Me enchi de coragem e comprei!
Quando cheguei em casa abri o frasco com medo, muito medo, confesso. Lembrei do dia em que numa festa junina, ganhei na pescaria uma colônia chamada “Viva a Noite”:  NUNCA (repita, NUNCA) me esquecerei de tal tragédia. Pensei que ia morrer asfixiada, aquilo era feito de querosene com diabo-verde e pinho-sol (para dar um “cheirinho”), aposto. 
Voltando ao Tabu… 

Acudam, a boa moça de família, aluna de piano, deixou-se levar pelos prazeres da carne! Culpa do Tabu…

Claro, óbvio, não pretendo que uma colônia de 5 reais seja de qualidade estupenda, nem sequer boa. Nem sei se ele de fato se parece com o que fora criado pelo grande Jean Carles.
A questão é que ele não é ruim assim não. Tem cheiro de talco de antigamente e lá no fundo tem algo voluptuoso, quente, especiado, quase erótico, quase vulgar. Era o que eu esperava, era o que eu queria dele.
Tem cheiro de cabaré com sofás de veludo vermelho gasto e bebidas baratas servidas em balcão de madeira. Na década de 50, claro, nada moderno. E a trilha sonora conta com blues e jazz, invariavelmente. 

Meu marido falou que ele tem cheiro de penteadeira.

Para quem gosta de “perfume de tia”, como eu, ele pode até agradar… Mas olha só, uma gota basta, mesmo sendo uma colônia de 5 mangos. Na verdade, eu até simpatizei com ele… Acho que é toda a mística ao redor do tal rejeitado perfume de bisca lá de antigamente. 
As notas da formulação original são: 
Notas de saída: laranja, especiarias, neróli, bergamota, coentro.
Notas de coração: cravo (especiaria), jasmim, ylang-ylang, rosas, narciso.
notas de fundo: sândalo, âmbar, patchouli, almíscar, civeta, bezoim, musgo-de-carvalho, vetiver, cedro.
E quer saber? Só atiçou ainda mais minha curiosidade de conhecer o original… Certamente bombástico! Do jeitinho que eu gosto!
 

Linda resenha sobre tal fragrância aqui, não deixe de ler: http://perfumesbighouse.blogspot.com.br/2009/09/tabu-by-dana.html

Propaganda da Colônia 1010 Bozzano – É francesa!!

Propaganda da Colônia 1010 da marca Bozzano, vinculada na televisão na década de 60.
Observem que a marca fez o “teste cego”, com a colônia sem rótulo, com mulheres “conhecedoras” de perfumes!
E o produto, mesmo com fabricação nacional, era produzida com finíssima essência francesa!
Eu e minha vontade de conhecer tamanhas velharias…

Perfumados fragmentos literários – Parte IV – José de Alencar

Pensaram que não ia ter mais? Se enganaram… Hoje citamos o grande romancista José de Alencar! Vamos lá!

Trecho do livro “Cinco Minutos”, de José de Alencar. Foi publicado em 1865 em forma de folhetim, pelo jornal Diário do Rio de Janeiro.
  
“Nesta marcha, o meu espirito em alguns instantes tinha chegado a uma convicção inabalável sobre a fealdade de minha vizinha.
Para adquirir a certeza renovei o exame que tentara a princípio: porém, ainda desta vez, foi baldado; estava tão bem envolvida no seu mantelete e no seu véu, que nem um traço do rosto traía o seu incógnito.
Mais uma prova! Uma mulher bonita deixa-se admirar e não se esconde como uma pérola dentro da sua ostra.
Decididamente era feia, enormemente feia!
Nisto ela fez um movimento, entreabrindo o seu mantelete, e um bafejo suave de aroma de sândalo exalou-se.
Aspirei voluptuosamente essa onda de perfume, que se infiltrou em minha alma como um eflúvio celeste.
Não se admire, minha prima; tenho uma teoria a respeito dos perfumes.
A mulher é uma flor que se estuda, como a flor do campo, pelas suas cores, pelas suas folhas e sobretudo pelo seu perfume.
Dada a cor predileta de uma mulher desconhecida, o seu modo de trajar e o seu perfume favorito, vou descobrir com a mesma exatidão de um problema algébrico se ela é bonita ou feia.
De todos estes indícios, porém, o mais seguro é o perfume; e isto por um segredo da natureza, por uma lei misteriosa da criação, que não sei explicar.
Por que é que Deus deu o aroma mais delicado à rosa, ao heliotrópio, à violeta, ao jasmim, e não a essas flores sem graça e sem beleza, que só servem para realçar as suas irmãs?
É decerto por esta mesma razão que Deus só dá à mulher linda esse tato delicado e sutil, esse gosto apurado, que sabe distinguir o aroma mais perfeito…
Já vê, minha prima, porque esse odor de sândalo foi para mim como uma revelação.
Só uma mulher distinta, uma mulher de sentimento, sabe compreender toda a poesia desse perfume oriental, desse hat-chiss do olfato, que nos embala nos sonhos brilhantes das Mil e uma Noites, que nos fala da Índia, da China, da Pérsia, dos esplendores da Ásia e dos mistérios do berço do sol.
O sândalo é o perfume das odaliscas de Istambul e das huris do profeta; como as borboletas que se alimentam de mel, a mulher do Oriente vive com as gotas dessa essência divina.
Seu berço é de sândalo; seus colares, suas pulseiras, o seu leque, são de sândalo; e, quando a morte vem quebrar o fio dessa existência feliz, é ainda em uma urna de sândalo que o amor guarda as suas cinzas queridas.
Tudo isto me passou pelo pensamento como um sonho, enquanto eu aspirava ardentemente essa exalação fascinadora, que foi a pouco e pouco desvanecendo-se.
Era bela!
Tinha toda a certeza; desta vez era uma convicção profunda e inabalável.
Com efeito, uma mulher de distinção, uma mulher de alma elevada, se fosse feia, não dava sua mão a beijar a um homem que podia repeli-la quando a conhecesse; não se expunha ao escárnio e ao desprezo.
Era bela!”
 
File:Spiridon - Odalisca.jpg
  “Odalisca“, de Ignace Spiridon
  

Jicky, Guerlain

Fui formalmente apresentada ao Jicky pelo Dênis Pagani, do blog 1nariz. Me surpreendeu demais e agora ele não me sai da cabeça…
Vou contar o porque, mas antes vamos a história de tal perfume, marco na história da perfumaria. Jicky foi criado por Aimé Guerlain em 1889. Diz-se que o nome vem do apelido de seu tio, Jacques (que em 1925 criaria Shalimar). Jicky é amplamente anunciada como a primeira fragrância “moderna” pois esteve entre as primeiras a incorporar sintéticos odorantes (vanilina e cumarina – cujo odor remete ao feno) na sua composição. Nessa época as fragrâncias femininas eram feitas predominantemente com notas florais, tais como rosas, jasmins e violetas. Jicky inova com suas notas principais de lavanda e baunilha sobre algália (de origem animal). Embora comercializado pela Guerlain como uma fragrância feminina, fez e faz muito sucesso entre o público masculino.
Mais de 120 anos depois de sua criação, Jicky continua sendo vendido, tornando-se a mais antiga fragrância (exceto colônias) em produção. Ainda bem, nunca pare, Guerlain…
Aliás, uma curiosidade: no exterior, a lavanda é considerada uma nota tipicamente de formulações masculinas. Devido ao nosso clima tropical, é muito utilizada em perfumes femininos e logo caiu no gosto das brasileiras, devido ao seu frescor e por ser associada a limpeza. Note que ela é muito presente nos perfumes femininos nacionais.
Agora vamos a minha surpresa: sempre imaginei Jicky verde. Verde, como Ma Griffe da Carven ou Cristalle de Chanel (e eu não gosto de nenhum dos dois). E quase caí de costas de surpresa quando o senti na fita olfativa! Jicky, seu truqueiro!
Tem riqueza cítrica e herbal, senti nele lavanda, tomilho-limão, alecrim, manjerona, enfim, um bouquet de ervas aromáticas e uma leve brisa de casca de limão… logo o chamado “guerlinade” aparece em doses maciças, não nos deixando esquecer suas origens e a baunilha nos aquece e reconforta. Tem notas especiadas e amadeiradas. E ainda existe um quê animálico, “sujo”, humano. E é isso que fascina em Jicky! Ele não é limpo e asséptico como tantos perfumes que temos atualmente, ele é palpável, ele é corpóreo. Na listagem atual de suas notas só aparece o couro de origem animal, vamos assim dizer. Mas aposto que tem algo de civeta (sintética, ok) ali, bem escondidinha, bem disfarçada, que dá a ele esse toque animal. Sei lá, no fundo, bem lá no fundo, bem no residual, ele tem o cheiro da gaiola da minha calopsita, de passarinho. Não sei se vocês vão me entender mal, mas por favor, não entendam. É isso que faz toda a diferença nele: a falta de assepsia, a baunilha sensual, a mistura das ervas, a lavanda e demais ervas aromáticas esmagadas ali mesmo, nas mãos, para que seu sumo escorra e embriague.
Enfim Jicky, preciso de você para viver… Te quiero!
Hoje colocarei as notas olfativas por pura formalidade. Jicky não dá para ser “imaginado” através da leitura de suas notas. Ele é muito além disso.
Notas de saída: alecrim, mandarina, bergamota, limão.
Notas de coração: fava-tonka, raíz de íris (acho que ela contribui para o toque “poeirento” e atalcado da segunda fase do Jicky), manjericão, jasmim.
Notas de fundo: especiarias, couro, sândalo, âmbar, bezoim, baunilha, jacarandá (nosso nome para o “Brazilian Rosewood”).
Dênis, obrigada por proporcionar-me tal experiência! Foi um prazer enorme te conhecer!

La Rose Angel, Thierry Mugler

Peguei uma foto da net, porque o meu é um tester e a foto insistiu em ficar escura e péssima. Estou perdoada?

Pra começar: tem que gostar do “gênero” Thierry Mugler: marcante, bombástico, ousado. E não se deixe enganar pela inocência e suavidade da rosa que o nomeia, aqui ela é rainha, e vem acompanhada uma corte nada discreta!
La Rose Angel pertence a coleção “Garden of Stars”, foi lançado em 2006 e o nariz responsável por ele é Olivier Cresp.
Como já se percebe, La Rose Angel é uma “variação sobre o mesmo tema” do Angel, então se você não gosta de um, possivelmente não gostará do outro.
Notas de saída: fava-tonka (cumarina), pimenta rosa, bergamota.
Notas de coração: ameixa, rosa da Bulgária.
Notas de fundo: baunilha, patchouli, chocolate amargo, caramelo.
Sabe o que eu sinto nas notas de saída do La Rose? Alfavaca. O manjericão italiano, esse mesmo: doce, picante, gustativo. Logo minha nota imaginária se mistura com a rosa e se torna mais macia e o aroma picante vai embora. Mas daí o patchouli invade a cena e tudo volta e ser picante. Daí o patchouli se acalma e dá lugar as notas gustativas da baunilha, do chocolate e do caramelo. Então acontece o mais interessante: a rosa volta! Arrependida de ter deixado as demais notas se destacarem tanto e brigarem por atenção, ela abre espaço entre tanto alvoroço e se senta lá na cadeirinha da primeira fila, sem estardalhaço, mas segura de que seu lugar é garantido como rainha das flores. Em meio a tantas notas fortes e impulsivas, ela desabrocha, dança e se mistura, e o resultado é pura delícia! 
A rosa aqui vem alegórica, enfeitada, caramelada. Mas a proposta não era essa? Transformar a flor em uma das estrelas do jardim surreal e exarcebado do planeta Thierry Mugler?

 

“Everything”

“Everything” é o nome do perfume concebido pelos artistas Lernert & Sander que como o nome indica, foi criado a partir de uma mistura de todas as fragrâncias lançadas em 2012.
Durante o ano passado, a dupla holandesa Lernert & Sander recolheu 1.400 amostras de perfumes lançados no ano. Ao misturar o conteúdo de todas estas fragrâncias, criaram 1,5 litros de Everything”, ou seja, um mistura poderosa.
O perfume original vem em uma embalagem feita à mão, reproduzindo um frasco de amostra grátis em versão gigante.
“Everything” está em exposição na Colette em Paris e fica até 09 março.
Quem passar por lá terá o privilegio (ou não) de experimentá-lo.

Fonte: http://portalpitanga.com.br/arte/para-criar-perfume-original-dupla-mistura-todas-as-fragrancias-lancadas-em-2012-video/

Chanel N°5 – Catherine Deneuve

Inspirada pela recente leitura do livro “O Segredo do Chanel N°5 – A história íntima do perfume mais famoso do mundo”, de Tilar J. Mazzeo, postarei uma série de vídeos publicitários de tal mítico perfume, com suas mais famosas garotas propaganda. Vamos começar pela eterna “Belle de Jour”, Catherine Deneuve?
Em breve falarei mais sobre o livro, mas adianto: leitura obrigatória para todos os amantes da perfumaria. Uma verdadeira aula de história por trás de um frasco de perfume!

Wild Musk, Coty

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Um pouco de saudosismo… Vou lembrar de um produto que marcou minha infância e adolescência, lá nos anos 80…
Se você, bem como eu, está na faixa dos 30 anos certamente já viu ou ouviu falar do Wild Musk da Coty. Lembra daquele vidrinho marrom e pequenininho de óleo perfumado que vendia em qualquer farmácia? Então, ele! Se ainda não lembrou, olha só ele aqui:
Tal fragrância foi lançada pela Coty em 1972 e teve uma linha de produtos além do óleo: desodorantes, colônias nas mais diversas embalagens, até de 500ml!
E conto mais: eu sempre gostei dele. Meu marido também gosta. Segundo ele, é um dos meus perfumes que ele mais gosta, e ironicamente um dos que paguei mais barato… 
Quando eu era criança roubava pequenas gotas daquele óleo mágico e proibido da penteadeira da minha mãe, como se ela não fosse perceber… E a fixação daquele óleo? Horas e horas a fio! Hoje tenho uma versão tester da colônia, mas queria mesmo era o tal frasquinho do óleo. Mas tem que ser o da Coty, não os genéricos que ainda são encontrados por aí… Vou comprar um. Será que ainda tem a mesma potência?
Suas notas são: rosas, jasmim, baunilha e o almíscar que o nomeia.
Ele é doce, sensual, cálido, e já ouvi comentários venenosos sobre ele ser querido entre as moças que trabalham nas casas de luz vermelha. Espertas, tais moças do ramo do entretenimento adulto! Desde os tempos antigos o almíscar (natural, e depois o sintético) é associado a sexualidade e seu poder de fogo é inegável!
E o mais interessante, Wild Musk é sensual, quente, insinuante, mas não é vulgar ou apelativo. Se aplicado com moderação e nos locais corretos (ou como diria Coco Chanel, “nos lugares onde quer ser beijada”), certamente irá fazer sucesso!

 

A História do Banho – Parte III

6- Pasteur – Corpo Limpo, Corpo São

Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram grande importância tanto na área química como na medicina.

O conceito de higiene surge apenas no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente. Cabe frisar que as noções de assepsia por ele implantadas no âmbito da medicina foram fundamentais para que muitas vidas se salvassem.

Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial ainda na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.

Mas, após anos de religiosos dizendo o contrário, não foi todo mundo que voltou a tomar banho, mesmo com insistentes conselhos médicos. Quando a célebre rainha Vitória subiu ao trono, em 1837, ainda não havia local para banho no palácio de Buckingham, sede da coroa inglesa. Até os anos 1870, eram raras as casas ocidentais que tinham um cômodo para seus habitantes se lavarem.

Em Paris, criou o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica, com filiais em vários países, inclusive no Brasil (Rio de Janeiro).

Os banhos rotineiros reapareceram definitivamente nas grandes cidades ocidentais apenas por volta dos anos 1930. Mas, no começo, eles não eram lá tão freqüentes. Eram tomados aos sábados, dia em que também eram trocadas as roupas de baixo das crianças. Nessa época, navios ofereciam cabines de banho e barcos delimitavam áreas em rios que serviam como piscinas naturais. Após o fim da Segunda Guerra, em 1945, quando boa parte das casas européias teve que ser reconstruída, elas ganharam banheiros, abastecidos com a cada vez mais comum água encanada. A França foi a pioneira nas inovações sanitárias, seguida pela Inglaterra e pela Alemanha.

7- O Banho Vira Moda: de Sol, de Lua, de Gato, de Loja e de Cheiro. Dançando na Chuva e Cantando no Chuveiro

Ao longo da História, o banho já foi considerado sagrado e profano, artigo de luxo e diversão das massas, receita de saúde e até causador de doenças e mortes. Este ritual, tal como o conhecemos hoje, é resultado de uma mescla dos costumes de diferentes povos ao longo dos tempos.

Atualmente, o banho é associado ao cuidado com a pele e ao bem-estar em todo o mundo. Além de deixar o corpo limpo e cheiroso, as composições dos sabonetes, sais e óleos são enriquecidos com essências que podem transmitir sensações diferentes como relaxamento ou vigor que, associados às diferentes temperaturas da água, têm seu efeito potencializado.

Ou seja: refrescar, seduzir, relaxar e estimular são apenas algumas das variadas finalidades dos mais diferentes tipos de banho, que propiciam vastos benefícios para o corpo e para a mente das pessoas.

Muitas são as delícias que esta experiência é capaz de proporcionar; são efeitos estimulantes, afrodisíacos e relaxantes, dentre outros. Com isso, o banho terminantemente virou moda: no chuveiro, em banheiras, e ofurôs. Banho de cheiro, de sol e de sais, de mar e de piscina; banho de cachoeira e banho de lua, banho de loja e banho de gato; dançando na chuva, cantando no chuveiro!

8- Quem Banha o Corpo, Lava a Alma – Banho dos Orixás (o blog não manifesta apoio ou repúdio a nenhuma manifestação religiosa, respeitamos todas. A questão é, como dissemos no primeiro texto dessa série, tiramos a maioria as informações do enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis de 2009, e seria injusto omitir tal parte, que faz parte da cultura brasileira).

Os rituais de diferentes tipos de banho também são práticas religiosas, uma vez que o ato de banhar-se foi e ainda é visto em muitas religiões como um rito de purificação do corpo e da alma. Tal fato é observável no espiritismo, por exemplo, pois acredita-se que quem banha o corpo, lava a alma, afastando as energias negativas e atraindo a positividade.

Os banhos de cunho litúrgico podem ter finalidades diversas: defesa, sacudimento, defumação, cura, regeneração, elevação espiritual, auxílio no desenvolvimento de novos médiuns.

A benção e a proteção dos orixás abrem os caminhos através de sessões de descarrego, limpeza da aura, energização e purificação; com a utilização, inclusive, de utensílios tais como a pipoca, ervas e sal grosso, dentre outros.

No Brasil, país onde grande parte da população é praticante do sincretismo religioso, tais práticas afro-descendentes são bastante usuais.

Fonte: http://www.beija-flor.com.br/2012/por/17-outroscarnavais/carnaval2009/enredo.html